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CancaodaFloresta

terça-feira, 11 de abril de 2017

Sem título

Se estamos a espera,
do vento que nos conduzirá
ao outro lado, em outras margens,
dos mistérios que nos guardam
o outro lado do mar,
há um novo poente
em cada despedida no olhar,
que trará nova luz
e refletirá com mais nitidez
os segredos do luar.
E o outro lado?
Há perguntas que não sabem calar,
o coração aflito
ressente não saber mais,
segue sabendo apenas duvidar.
Mas e a hora? E a hora?
Tempo é um rastro de pesar,
o mar é apenas reviravolta,
mas e o outro lado?
Para sempre ou agora?
Se estamos a espera
do vento que nos conduzirá,
sou folha e semente,
sou tempo e afora,
sou rastro e aurora...
Thiago Azevedo
Belém, abril de 2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Sem título

Que seja livre
enquanto voe
E seja leve
Embora sofre
Mas siga eterno
Mesmo distante.

Que o amor
Seja a loucura
Mais bela
A teimosia
Mais certa
O erro
Mais doce.

Pois sempre
É apenas
Um sonho
Que se esconde
Entre fronhas
No colchão.

E faz voar longe
Viver sonhos
De primeiros olhares
Beijos roubados
Ternos abraços.

Acima de tudo
Que seja amor
Apesar de tudo
Apesar do verso
Da música
E apesar de mim...

terça-feira, 28 de março de 2017

Reiventar

Se há palavra
nos vãos desatinos,
há um mar
que "horizonta" o olhar,
parte em busca do infinito,
navega para nunca mais...
verso que se lança
nas ondas da palavra,
nunca mais volta,
parte para outro cais,
num mar de si
e completar outros ais.
Se há poesia
em todos esses descaminhos
há um coração
que ancora todo sentimento
dá luz, sentido
e traduz aquilo que não foi dito...
Thiago Azevedo

segunda-feira, 27 de março de 2017

É preciso Transver...

À Manoel de Barros

Olha o moleque
pintando de azul
o som celeste
que canta do céu
segura a andorinha
dobradura de papel.

João de "Barros"
também faz poesia
estica o horizonte
pede companhia
reluz o escuro
chama à "brincaria"

É preciso prever
deixar-se, rever
um coelho de chapéu
é preciso transver
té mais vê
Seu Manoel

É preciso viver
voar, esquecer
"borrachura" de papel
é preciso morrer
té mais vê
Seu Manoel

Dia que envelhece
letra que aquece
é preciso correr
atrás do onde
aonde está você
Manoel?

É preciso prever
é preciso escrever
é preciso morrer
é preciso esquecer
é preciso viver
é preciso transver
é preciso
é preciso
é preciso...

domingo, 26 de março de 2017

Sem título

Respiro brisa
       pra soprar vendaval,
   calmaria é um luxo
         que não se dá aos poetas.
Poesia é tormento,
          latejamento do mundo,
      sentimento fingido
              deste pequeno quinhão.
Respiro entardecer,
        para soprar noites,
   que nos amaldiçoam com saudades,
 pois anoitecer é sentir
           todos os tempos de outrora,
     nas asas da quimera.
Respiro amor
        para soprar rosas,
            nesta paz que é você,
    a palavra vira alento
               pra todo tormento
    desse sentir em si.
Agora sou brisa
          e semeio vida
         nas asas da poesia...

Paragominas, 2017
Thiago Azevedo

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