Mostrar mensagens com a etiqueta Tradução. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tradução. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de março de 2021

A traição dos intelectuais.

 


 

          Tendo lido a excelente reportagem de Isabel Lucas sobre a polémica em torno da tradução da poesia de Amanda Gorman, várias dúvidas me assaltaram:

 

          1ª – porque é que Amanda Gorman e os seus agentes levantaram objecções a que a sua poesia fosse traduzida para catalão por um branco, Victor Obiols, mas não objectaram a que fosse traduzido para espanhol por uma branca, Nuria Barrios, dita «sem historial activista»?

 

          2ª – porque é que só agora, à boleia desta nova polémica, é que Grada Kilomba vem questionar e criticar a tradução para português do seu livro, Memórias da Plantação, feita por um homem branco, Nuno Quintas, e nada disse nem objectou quando essa tradução foi feita, em 2019?

 

          3ª – alguns, como Inocência Mata, argumentam que a poesia de Amanda Gorman tem características específicas – spoken word – e por isso, só por isso, deve ser traduzida por um negro; para outros, como Grada Kilomba ou o tradutor Paulo Faria, não apenas a spoken word mas muitas outras obras (Oreo, de Fran Ross, ou Memórias da Plantação, da própria Grada Kilomba) devem ser traduzidas por negros. Que obras? Todas as assinadas por autores negros? Só algumas? Quais, então?  

 

          4ª – que características de um determinado autor devem ser valorizadas na escolha do seu tradutor? No caso de Amanda Gorman, vemos apontadas as seguintes características: «jovem», «mulher», «negra», «filha de mãe solteira». Dessas, qual a decisiva na escolha do tradutor? Apenas uma, a etnia? Todas? Porque não o facto de ser mulher? Ou jovem? Ou filha de mãe solteira? Com que legitimidade se erige a etnia em detrimento do género, por exemplo? 

 

          5ª – se escolhemos a etnia como ponto decisivo do «lugar da fala», isto significa que apenas negros podem traduzir negros e brancos podem traduzir brancos? Se sim, porquê? Se não, porquê?

 

          6ª – Porque é que a etnia de um tradutor lhe confere especiais qualificações para o seu ofício? Isso não será racismo, no fim de contas?

 

          7ª – Mais relevante não é, não parece ser, saber porque é que há em Portugal tão poucos tradutores (e, já agora, escritores, cineastas, pintores, etc.) de etnia negra?

 

          8ª – E para sabermos se há «poucos» ou «muitos» tradutores negros não teria sido importante, fundamental, que os Censos de 2021 incluíssem perguntas, de resposta anonimizada e facultativa, que permitissem um retrato fidedigno da composição étnico-racial da população portuguesa?

 

          9ª – Sendo essa, ao que parece, a questão mais decisiva (sobretudo,  decisiva para a população negra mais discriminada e desfavorecida), porque é que um jornal de referência como o Público dedicou várias páginas a discutir a tradução de Amanda Gorman e não abriu espaço idêntico, em devido tempo, para debater a não inclusão, nos actuais Censos, de perguntas sobre características étnico-raciais?

 

          10º - Não estará o debate anti-discriminatório a ser ofuscado, comprometido e sufocado por discussões laterais e menores, que apenas interessam a intelectuais e académicos já estabelecidos no «sistema»?  

 

          11ª – Quem pode traduzir Amanda Gorman? Uma homem de meia-idade pode fazê-lo? Ou apenas Amanda Gorman pode traduzir-se a si própria? Um homem pode traduzir literatura feminista? Um heterossexual pode traduzir escritos gay? Um agnóstico pode dar voz à Bíblia? E quem pode traduzir os clássicos, Aristóteles ou Platão, Joyce ou T. S. Eliot? Um judeu não pode traduzir Mein Kampf? Ou, pelo contrário, só um judeu pode fazê-lo? Não haverá aqui o risco, mais do que evidente, de se criarem novos casulos e barreiras, contrariando a essência própria, universalista, dialogante, do acto de traduzir?   


          12ª – por fim, mas não por último: como é possível conciliar este debate com o propósito de união anunciado no discurso da tomada de posse de Joe Biden, sem o qual poucos saberiam sequer quem é Amanda Gorman? E, já agora, qual o real valor literário da sua poesia?  A obra de Gorman justifica assim tanta discussão e tanto clamor? Ou tudo não passou de uma polémica efémera e estéril – mais uma – lançada nas redes sociais para entreter durante alguns dias os intelectuais do hemisfério norte do planeta, nos seus lugares da academia e nas páginas de revistas ou jornais «de referência»? 

 

António Araújo




 

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Simple minds.







          A Casa da Moeda, como vemos, acabou de aderir ao Google Translator, versão pirata.

Vultos da Nossa História = Vultures of Our History.


Isto, sim, é public service.















sábado, 4 de novembro de 2017

A Marcação do logar na vida, de O. S. Marden.

 
 
 
 
Incutir alentos novos na mocidade, estimular-lhe as boas qualidades, criar-lhe ideias de independência e vontade própria – diz o autor – é o espírito deste livro. Demos expansão a esse espírito.
 
 
O Traductor
 
 

domingo, 15 de janeiro de 2017

Lisboa, 1974 (2ª parte)

 
 
 
Lisboa, 1974
Fotografia de Eduardo Gageiro
 
 
 
         Conclui-se hoje a publicação do artigo «Shopping in Lisbon – The Pick of Portugal», da autoria de E. C. Dessewffy. Corresponde a um dos capítulos do guia Fodor’s sobre Portugal, edição de 1974, sendo aqui apresentado numa tradução bárbara e inquestionavelmente descuidada.
 
 
Lisboa, 1974
Avenida dos Estados Unidos da América
Fotografia de Artur Pastor
 
 
Armazéns
         Os armazéns comerciais de Lisboa são uma pálida cópia dos estabelecimentos opulentos que encontramos em Londres, Nova Iorque ou Paris. Ainda assim, melhoraram de forma significativa nos últimos anos. Grandella, que fica entre a Rua do Carmo e a Rua do Ouro, tendo entrada pelas duas ruas, é o mais abrangente, e Ramiro Leão e Paris em Lisboa, lado a lado um do outro, na Rua Garrett, são ambos excelentes para artigos domésticos e tecidos para vestuário. Casa Africana, Rua Augusta 161, tem também esses artigos, bem como uma vasta selecção, a preços acessíveis, de roupa pronto-a-vestir. Lanalgo, Rua Santa Justa 42, e Pollux, Rua dos Fanqueiros 274, são ambos bons armazéns, com uma interessante variedade de artigos. Grandes Armazéns do Chiado, Rua Nova do Almada, é uma das maiores lojas de Lisboa.
 
         Vestuário, pronto-a-vestir e malhas
 
         É possível encontrar modelos originais de Paris e alta costura local em Bobone, Rua Gustavo Matos Sequeira 33, e em Candidinha, Avª da República 23. Outras tentações importadas, ou feitas por medida, podem encontrar-se na Jo Boutique, Rua Serpa Pinto 14, com sucursal na Rua de São Bernardo 70, e em Delfim, Alexandre Herculano 35 (também na Rua Castilho 34), onde existem fatos e vestidos de qualidade. Xanel, Rua do Carmo, tem uma ampla selecção de malhas. Sacoman, no Hotel Estoril Sol, Cascais, tem belos, e caros, vestidos de crochet. Casa Batalha, Rua Nova do Almada, 35: joalharia desde o estilo vitoriano até à moda hippie. Modas, Rua Garrett 29, para vestidos e joalharia.
         Rampa, Largo Rafael Bordalo Pinheiro 15, tem uma selecção soberba de jérseis ingleses e italianos; na cave há uma vasta gama de artigos para presentes. Deve fazer-se uma menção especial à Loja das Meias, na esquina do Rossio com a Rua Augusta, que tem luvas, carteiras de senhora, bem como uma boa selecção de artigos de malha. Nada baratos, mas de grande qualidade, valem bem a visita. Recentemente, o pronto-a-vestir floresceu neste espaço. Ambos os grandes armazéns, Grandella e Grandes Armazéns do Chiado têm uma grande variedade de pronto-a-vestir, sendo o último mais acessível. Apesar de mais caro, uma escolha mais ampla pode encontrar-se em Eduardo Martins, Calçada do Sacramento.
         Sapatos, malas e artigos de pele
         Os artigos de pele e os sapatos são, de um modo geral, de grande qualidade em Portugal. É possível fazer sapatos por medida, com um ligeiro aumento de preço, em todas as boas lojas da Rua Garrett e da Rua do Ouro, bem como da Rua do Carmo. Uma vez que, em média, a mulher portuguesa tem pés pequenos, os sapateiros tendem a fazer sapatos com metade do tamanho requerido, pelo que o comprador deve insistir para que lhe façam calçado na medida exacta. Entre as melhores lojas encontram-se a Mabel, Rua Garrett 44, e, na mesma rua, Onix e Orion, nos números 25 e 42, respectivamente. Ambas têm modelos modernos e de grande qualidade. É muito difícil encontrar grandes tamanhos já feitos, e nenhuma loja tem ainda em consideração, infelizmente, os podes desafortunados que têm pés grandes.
         Das diversas lojas de qualidade para malas e artigos de pele, Mabel, Rua Garrett 44, é a mais popular, enquanto Luvaria Paladini, Rua do Carmo 79, tem uma vasta colecção a preços razoáveis. É também recomendável a Casa Canada, Rua Augusta 232, que tem também belas peles. A melhor loja de todas é Galeão, Rua Augusta 109, com uma maravilhosa escolha de malas e carteiras de mão. Casa de Sibéria, Rua Augusta 254, e Casa das Malhas, Rua do Ouro 180, são ambas boas para pastas e malas em pele de primeira qualidade, bem como para outros adereços para viagens aéreas.
         Coelho, Rua da Conceição 85, é excelente para cintos de couro; podem também fabricar, a preços módicos, cintos noutro material à sua escolha, revestidos a couro.
         Existem lojas dedicadas à venda de luvas, concentradas na Rua do Ouro; há uma excepcional, a Luvaria Costa e Sousa, na Rua Garrett 67, que também oferece malas de mão. Todas as luvarias fazem artigos por medida. As meias são igualmente vendidas em lojas especializadas, a maioria das quais se encontram nas imediações do Largo Bordalo Pinheiro, bem como nos grandes armazéns.
 
         Fábricas
         Todos os armazéns têm uma larga selecção de materiais. Na Rua dos Fanqueiros está cheia de lojas dedicadas exclusivamente a artigos em algodão. Castelo Branco, no número 233, tem artigos com motivos campestres, incluindo os de Alcobaça, indo padrões desde os primórdios do período vitoriano. Têm também os encantadores e muito coloridos lenços de lã ou de algodão que as mulheres portuguesas do campo levam à cabeça. A variedade é deslumbrante, e alguns dos elegantes desenhos de florzinhas bordadas sobre um manto de lã escura são únicos. Na mesma rua, no número 155-157,  J. Marques Lda tem uma oferta enorme de algodões, lãs e sedas.
         Fabrica-se uma vasta gama de sedas artificiais, com padrões alegres e divertidos. Os armazéns têm uma oferta muito grande e Sousa, Rua Garrett 76, é uma boa loja, que por vezes vende padrões que não se encontram noutros lugares. Tatá Rodrigues, Rua Garrett 55, é uma bela loja, com artigos de excelente qualidade. Sopal, Rua Ivens 58, é a loja ideal para artigos irresistíveis em chita, algodão, etc., muitos deles importados da Suíça, ainda que tenham também produtos nacionais; tem igualmente artigos de casa de grande qualidade. No final da Rua Augusta, ao chegar à famosa Praça do Cavalo Negro [Terreiro do Paço], Pinheiros, no número 62, é especializado exclusivamente em têxteis, lãs e algodões, no rés-do-chão, e em sedas e roupa masculina no primeiro andar. É uma loja algo antiquada, mas de inteira confiança, Casa Monteiro, Rua do Ouro 265, primeiro andar, tem uma grande escolha de tweeds, sedas e algodões.
 
 
         Tudo para Homem
         Sendo um país latino, os homens estão bem servidos em Lisboa. Quer o Chiado quer a Baixa tem várias e excelentes lojas masculinas. Lourenço e Santos, na porta ao lado do Hotel Avenida Palace, é indicado para camisas e acessórios. São também afamados Saboia, Rua Garrett 66, e Pestana e Brito, na esquina da Avenida da Liberdade com a Rua M. J. Coelho. Existem outras lojas excelentes na Rua Augusta e na Rua do Ouro. Há também muitos alfaiates, com preços que variam enormemente. Piccadilly, Rua Garrett 69, e José Luís, no Hotel Estoril Sol, em Cascais, são bons, mas descaradamente caros. Gomes dos Santos, Praça dos Restauradores 17, é mais barata e outra loja muito recomendável é Pestana e Brito, que tem também um excelente barbeiro. Gonzales é um excelente alfaiate espanhol, no Estoril, Rua Banco 11.
         Pode comprar calçado masculino nas melhores lojas, como Cinderella, Rua do Carmo 33, e a Sapataria Helio, Rua Augusta 93, que são ambas excelentes e fazem sapatos por medida.

 
         Cabeleireiros e salões de beleza
         Existem numerosos cabeleireiros em Lisboa, ainda que seja por vezes difícil localizá-los, pois raramente ficam no rés-do-chão. Bruna e Renzo, no Largo de São Carlos 8, é um estabelecimento italiano que figura entre os melhores, à semelhança do Antoine, na Avenida de Nice 6, Estoril. Dois outros bons estabelecimentos são Brito e Brito, Avenida da Liberdade 236, e Couto, Avenida João XXI 22, na parte nova de Lisboa. Eva, no Hotel Florida, no Marquês de Pombal, é conhecido pela sua rapidez e eficiência.
         Para tratamentos faciais e de beleza, Luigi & Nogueira, Rua Nova do Almada 36, e Tabot, Avenida A. A. Aguiar 19, são excelentes. Estes salões têm também cabeleireiro.
         Os cosméticos portugueses e os produtos de beleza portugueses são a escolha de muitos visitantes, bem como de muitos locais. Uma das casas mais conhecidas que vende produtos de beleza nacionais é Thaber, Avenida António Serpa 19.
 
 
         Joalharia e prata
         Quer o ouro quer a prata são relativamente baratos e admiravelmente trabalhados em Portugal. Ficará maravilhado com o número de joalharias concentradas na Baixa, e a espantosa variedade dos seus produtos. Sarmento, Rua do Ouro 251, aos pés do Elevador de Santa Justa, tem uma extraordinária selecção de joalharia de todos os tipos; recomenda-se também os trabalhos de filigrana em ouro e prata, muito populares entre os Portugueses. Leitão, Largo do Chiado 20, e Diadema, Rua do Ouro 168, são também lojas muito conhecidas e de confiança. Pedro A. Baptista, nas Galerias Star, Avenida Sidónio Pais 4, tem joalharia arrojada e moderna, bem como antiguidades de primeira qualidade. Ourivesaria da Guia, no edifício do Hotel Mundial, oferece uma vasta escolha de objectos encantadores, o mesmo sucedendo com Ourivesaria Mergulhão, Rua de S. Paulo 162, Santa Filomena, Largo Manuel Emídio da Silva 9c, e Grande Ourivesaria da Moda, Rua da Prata 257. H. Stern, no Hotel Ritz, deslumbra pela sua irresistível colecção de pedras preciosas e semipreciosas e pela sua joalharia.
         Na zona de Cascais, Ourivesaria Marques, Rua Frederico Arouca 64, tem uma vasta oferta de filigrana, medalhas, prataria.
         Finalmente, Maury, Rua do Ouro 202, tem os excepcionais relógios da Suíça, fazendo ainda reparações, caso necessário.


 
         Antiguidades e Mobiliário
         Apesar do caudal de refugiados que afluiu a Lisboa durante a 2ª Guerra Mundial, é muito difícil encontrar pechinchas. No entanto, se estiver disposto a gastar alguns milhares de dólares, conseguirá encontrar um quadro ou um serviço de porcelana a preços mais baixos dos praticados em Londres ou Nova Iorque. Os melhores lugares para a caça às antiguidades são a longa artéria que começa na Rua da Escola Politécnica, onde ao início tem logo um antiquário, bem como no outro lado da Praça do Príncipe Real, quando a mesma rua toma o nome de Rua D. Pedro V; aí existe um grande número de casas de antiguidades, que se prolongam pela Rua da Misericórdia e pela Rua do Alecrim. Esta última tem as mais caras lojas de antiguidades de Lisboa, a par de outras mais modestas. Existe ainda a Rua de São Bento e a Rua de Santa Marta, que têm uma invulgar densidade de estabelecimentos mais humildes.
         Contudo, a outrora famosa feira de antiguidades e velharias de Sintra tem hoje pouco do seu antigo charme despretensioso. Mantém-se a multidão ruidosa e aos encontrões, mas já não há pechinchas nem pequenos tesouros à nossa espera. Todas tendas e lojas estão tristemente comercializadas – e até mesmo objectos vistosos em plástico se exibem sem pudor por toda a parte. Existem ainda várias lojas de antiguidades em Sintra, mas os preços são puxados e lembre-se de que nem tudo o que brilha é ouro!
         Sombra, Av. da República 28, tem mobiliário em bambu para jardins ou terraços, bem como outros objectos para o exterior ou o interior de casa.
         O mercado de velharias de Lisboa é a Feira da Ladra, no Campo de Santa Clara, atrás da Igreja de São Vicente. Realiza-se às terças e sábados, e mesmo que seja difícil encontrar um verdadeiro achado, há vários artigos peculiares e divertidos.
        
 
         Livrarias e Papelarias
         Bertrand, Rua Garrett 73, tem o maior acervo de livros ingleses, norte-americanos e franceses de Lisboa, além de revistas e jornais estrangeiros. Estes últimos também podem ser adquiridos no Cais do Sodré, na estação de comboios para o Estoril, na Tabacaria Britannica e na Tabacaria Inglesa, que se encontram lado a lado na Praça Duque da Terceira 18 e 19, onde pode encontrar o muito informativo Anglo-Portugueses News, o jornal inglês publicado em Portugal para os residentes estrangeiros e para os turistas. Perto daí, a Livraria Anglo-Americana, Rua Bernardino Costa 32, tem um bom acervo de livros ingleses e americanos. Bibliofila, Rua da Misericórdia 102, é boa para livros franceses, e Parceria Pereira, Rua Augusta 52, tem um bom lote de livros estrangeiros, bem como livros em segunda mão e gravuras. Há uma loja onde pode encontrar de tudo, desde uma primeira edição a livros de bolso usados, e chama-se Livraria Barateira, Rua Nova da Trindade 16 A.
         Papelaria Progresso, Rua do Ouro 153, é uma excelente loja de material de escritório, com uma grande variedade de bens, ainda que existam outros estabelecimentos na mesma rua. Papelaria da Moda, no nº 167, é a agente das canetas Parker, e é especializada em canetas de tinta permanente, de grande qualidade e a preços surpreendentemente baixos. Petit Peintre, Rua São Nicolau 104, na esquina com a Rua do Ouro, tem material para artistas e pintores, ainda que a melhor loja seja, sem margem para dúvida, Ferreira, Rua da Rosa 187, vendendo tintas, pincéis, etc., bem como cadernos e estojos de desenho ou cavaletes.


 
 
         Um relance por outras lojas
         Existem muitas lojas de fotografia em Lisboa. As melhores são a Kodak, Rua Garrett 33, Fotocolor, Rua Áurea 291, e Instanta, Rua Nova do Almada 55-57; em todas elas é possível revelar fotografias de forma rápida e eficiente. Na parte nova da cidade, a melhor loja é Foto Latina, Av. João XXI 12 A.
         Para os mais pequenos, Benard, Rua Garrett 84, é uma das melhores lojas de brinquedos da cidade, mas o visitante pode estranhar o preço elevado dos artigos. Mais barata nos preços, mas também com menor qualidade, a secção de brinquedos do Grandella. Na Rua Augusta 264 encontrará uma vasta selecção de brinquedos a preços mais razoáveis. Carochinha, Rua da Prata 94, tem uma maravilhosa colecção de vestidos para festas.
         Existem diversas lojas de discos e aparelhos áudio na Baixa, sendo uma das melhores a Valentina de Carvalho, Rua Nova do Almada 97, com os últimos discos de importação, bem como discos de fado, a canção tradicional portuguesa, que a vedeta local, Amália Rodrigues, tornou famosa em todo o mundo. Discoteca, na Avenida António Augusto de Aguiar 3, tem uma excelente colecção de discos de todos os géneros: uma parte da loja foi transformada num snack-bar onde pode comer alguma coisa ou beber um café enquanto escuta as suas músicas favoritas.
         Arte Sacra, Rua do Crucifixo 88, tem todos os géneros de objectos religiosos, novos e antigos. Têm também uma grande colecção de pintura religiosa.
         Se quiser flores para levar a um jantar, ou para alindar o seu quarto no hotel, existem várias boas lojas: Florista Belo, Rua do Carmo 43, Romeira, Rua Castilho 15, perto do Ritz, Candido Florista, Praça de Londres 5, na parte nova da cidade.
         Se tiver o azar de partir os seus óculos ou de perder uma receita médica, Ramos & Silva, Rua Garrett 65, é uma loja excelente e muito rápida a reparar óculos ou a fazer novos pares.
         Têm crescido como cogumelos a boutiques e as lojas de presentes, especialmente em Cascais, com o Solarium, com uma vasta gama de objectos em pedras semipreciosas, ovos em mármore, etc.; e Peacock, com cintos e lenços, encontrando-se ambas na Rua Francisco Arouca. Catavento, Rua Afonso Sanches, exibe uma electrizante selecção de acessórios masculinos.
         Por fim, de roupas hippies a recordações, passando por literatura, o moderno drugstore Sol a Sol, Avenida da Liberdade 232, alberga um vasto stock de tentações.
 
         E. C. Dessewffy
 
         (Tradução de António Araújo)
 
 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Lisboa, 1974.

 
 
 
         A Fodor’s é, segundo a Wikipedia (e nós acreditamos), a maior editora de guias turísticos em língua inglesa. Fundada por Eugene Fodor (1905-1991), escritor de viagens húngaro-americano, durante décadas publicou dezenas de guias dos mais variados países, incluindo Portugal. A edição de 1974 do Fodor’s Guide dedicada ao nosso país tem um extenso capítulo sobre compras na capital, da autoria de E. C. Dessewffy, antigo correspondente da Radiodiffusion Française e da Radio Free Europe, residente em Portugal durante vários anos. A tradução foi feita de forma muito «livre» (talvez demasiado livre…), sem especiais preocupações de rigor.
 
Lisboa, 1974
 
 
Compras em Lisboa
O melhor de Portugal
 
 
 
         Lisboa é uma cidade de surpresas – e, de todas, a maior surpresa desta cidade antiga são as suas lojas. À primeira vista, o visitante sentir-se-á confundido, até mesmo ligeiramente decepcionado pela falta de sofisticação das montras, mesmo nas lojas mais requintadas; contudo, uma observação mais aprofundada dificilmente deixará de o surpreender.
         As melhores lojas de Lisboa estão concentradas na Rua Garrett e no Chiado, ou nas suas imediações, e na Baixa, as ruas situadas entre o Rossio e o rio Tejo. Mas em todos os bairros existem boas lojas.
         Todas as lojas de Lisboa, excepto as pastelarias e os pontos de venda de jornais, encerram durante duas horas para almoço, a meio do dia. Geralmente, o período de encerramento tem lugar entre a 1 e as 3 da tarde, mas todas as lojas permanecem abertas até às 7 da noite. Aos sábados à tarde, algumas lojas estão fechadas.
         Os mercados são um dos pontos mais atractivos de Portugal. Aí pode adquirir maravilhosos sacos artesanais, feitos no campo, de todos os tamanhos e feitios, que são muito práticos para transportar as compras. O mercado mais central de Lisboa é o da Praça da Ribeira, perto do Cais do Sodré, a estação ferroviária que serve o Estoril.
         Uma advertência sobre os preços: nunca pague de imediato o preço que lhe pedem – normalmente, é demasiado elevado e o vendedor não se ofenderá se regatear, pois já está à espera que siga os hábitos locais. De igual modo, é perfeitamente normal pedir um desconto, mesmo nas maiores lojas. Pode ou não ser bem-sucedido, mas ninguém lhe levará a mal se tentar, pelo menos.
 
         Cortiça e vinho do Porto
 
         As maiores exportações de Portugal são o vinho do Porto e a cortiça, o primeiro proveniente das vinhas situadas nas margens do rio Douro, acima do Porto, e a segunda das grandes florestas de sobreiros que o acompanham ao longo da estrada quando viaja pelo Alentejo adentro ou na zona central do país, situada a sul de Lisboa. A cortiça é extraída das árvores de nove em nove anos e permite fabricar uma enorme variedade de objectos.
         No Alentejo, os trabalhadores costumam ir para o campo com o almoço colocado no interior de uma espécie de balde de cortiça, que tem um isolamento perfeito face ao calor vindo do exterior. Por isso, as empresas corticeiras produzem actualmente sofisticados baldes de cortiça que permitem manter a temperatura dos cubos de gelo durante várias horas. Há-os em vários tamanhos, uns apenas em cortiça outros com ornamentos, e são um presente fora do vulgar e, ao mesmo tempo, muito útil. Uma loja que os vende é a Casa das Cortiças, na Rua da Escola Politécnica, nº 4, onde o «Senhor Cortiça», como o rotundo e jovial dono gosta de ser chamado, tem uma vasta gama dos objectos mais inimagináveis feitos de cortiça. Os armazéns Grandella, na Rua do Ouro, têm igualmente uma vasta gama de produtos em cortiça.
         O vinho do Porto não tem aqui o mesmo sabor do que em Inglaterra ou nos Estados Unidos, onde geralmente se costuma beber Porto com um travo mais forte. Em Lisboa, devido ao clima quente, prefere-se vinho do Porto mais leve, e existem diferentes tipos de um excelente vinho do Porto branco, que pode ser bebido antes das refeições, como aperitivo, sendo produzido por grandes companhias, das quais as mais conhecidas são Sandeman, Taylors, Cockburns, Dows e Ferreirinha. Se comprar uma destas marcas, nunca será enganado. Aliás, existe um bar espantoso que serve vinho do Porto, o Solar do Velho Porto, na Rua São Pedro de Alcântara, nº 45, que é gerido pelas companhias vinícolas. Aí pode experimentar umas 200 a 300 variedades de Porto, em grandes copos, antes de decidir qual prefere levar para casa.
 
         Cerâmica e azulejos
 
         Portugal é famoso pelos seus azulejos brilhantes, com padrões, que revestem muitos dos seus edifícios, antigos e modernos. Actualmente, é difícil encontrar à venda genuínos azulejos. Os melhores locais são a Fábrica de Sant’Ana, na Rua do Alecrim, e Viúva Lamego, no Largo do Intendente, nº 28, que têm também uma boa selecção de cópias contemporâneas.
         O departamento regional do Grandella tem cópias da encantadora louça de Coimbra. A fábrica original de Coimbra fechou há muitos anos e a reprodução dos antigos motivos em pratos, travessas e taças só há pouco foi retomada. É interessante notar que a louça de Coimbra remonta a 1203, como o atestam os arquivos dessa época que referem a venda da fórmula de fabrico ao Mosteiro de Santa Clara. Todos estes maravilhosos objectos podem ser comprados a baixo preço, ainda que de deva salientar que não duram muito, uma vez que a faiança é muito frágil. O Grandella também vende todos os tipos de copos e serviços de jantar, chá ou fruteiras. Rapidamente um turista conseguirá distinguir entre a cerâmica de Alcobaça, de cor azul escura, e os motivos amarelo-esverdeados com fundo amarelo vivo dos produtos das Caldas da Rainha. Alguns modelos podem ser usados como pratos individuais para manteiga ou como cinzeiros, e podem ser comprados a preços muito acessíveis. 
         Uma das mais famosas fábricas de louça existentes nas imediações de Lisboa é a Loiça de Sacavém. Tem uma loja na Avenida da Liberdade, nº 49, onde pode encontrar belos serviços de jantar ou de chá em louça de cor pastel a preços muito baratos, além de antigos vasos de flores e samovares. Esta firma produz também conjuntos de figuras da Guerra Peninsular, devidamente uniformizadas, bem como séries de cavaleiros medievais. As figuras podem ser adquiridas separadamente.
         A mais conhecida fábrica de porcelana do país é a Vista Alegre, perto de Aveiro, fundada há 130 anos. A sua loja em Lisboa fica no Largo do Chiado, nº 18, onde pode adquirir réplicas perfeitas dos antigos serviços de mesa ricamente decorados e ornamentados, bem como delicadas flores de porcelana, nas suas cores e dimensões naturais, que ficam na perfeição como centros de mesa. Existe um museu das suas peças, produzidas desde 1824. Um vasto sortido de porcelana pode encontrar-se também na Antiga Casa, Rua Garrett 8-18, que também vende cristais e uma ampla gama de recordações.
         (…)
 
         Artesanato
 
         Os artífices portugueses produzem igualmente uma ampla gama de objectos rurais que dão magníficos presentes. A Casa das Ilhas, Rua de São Bento 120, tem uma enorme oferta de objectos, desde os típicos cestos curvos da Madeira (maravilhosos para arranjos florais), candeeiros originais, esplêndidos e multicoloridos individuais de mesa, até mobília de jardim em ferro pintado, além de tapetes campestres. Têm também uma grande variedade de trabalhos de cestaria, práticos e divertidos, e mobiliário do Alentejo pintado em cores garridas e alegres. Uma excelente selecção de artesanato e bordados dos Açores, peças magníficas como presentes, pode ser vista na Casa Regional da Ilha Verde, Rua Paiva de Andrade, nº 4.
         Em Lisboa pode encontrar também magníficos trabalhos em ferro e cobre, na Rua do Loreto 56 e na Rua da Emenda 115; numa pequena sala atrás da loja, o visitante pode observar os artífices a trabalhar junto ao fogo, trabalhando o metal de todas as formas e feitios.
         Antiga Cordoaria Nacional, Praça da Figueira 17, é uma pequena loja cheia de arreios para cavalos, cordas, albardas para burros e mulas. Pode encontrar lençóis das mais variadas cores e padrões, com fundo negro (que nos tempos feudais se usavam nos cavalos) no Grandella, Rua do Ouro 205, na Casa Africana, Rua Augusta 161, e nos Armazéns do Chiado, Rua do Carmo, todos grandes armazéns.
         Na Festival, Rua do Ouro 263, uma maravilhosa selecção de presentes de última hora; os famosos galos pretos, de dimensões variadas, ou a adorável porcelana de Coimbra. Pode encontrar igualmente bordados n’O Caixote, Rua do Carmo 108.
         Madeira House, na Rua Augusta 131, e Ann Leacock, com loja no Ritz e na Rua Castilho 77, são especializadas em bordados à mão de camisas, atoalhados, bordados para tabuleiros, etc. Ann Leacock vende também outros objectos de artesanato. Lavores, Rua do Ouro 179, e Arte Rústica, Rua do Ouro 246, são também conhecidos pelos seus belos bordados à mão.
         Para comprar tapetes de Arraiolos (em Lisboa, na Quintão, Rua Ivens), os melhores são feitos na prisão feminina situada na estrada entre Estoril e Sintra, com uma vasta gama de padrões, desde desenhos da antiga Pérsia a motivos mouriscos de cor creme, até motivos mais modernos, os quais podem ser encomendados na cor e no tamanho desejados. No entanto, prepare-se para um tempo de espera de 8 a 10 meses, dado tratar-se de objectos feitos à mão, por encomenda, ainda que alguns possam estar disponíveis para venda imediata. De momento, o preço é de 500$00 o metro quadrado.
 
         Alimentação
 
         Existem diversas mercearias que vendem um sortido elegante de produtos de porco, de que falaremos no capítulo Comida e Bebidas. Jeronimo Martins, Rua Garrett 17, e Jerónimo Tavares da Silva, na esquina da Praça da Figueira com a Rua da Prata, são ambos muito bons.
         Na Rua das Portas de Santo Antão 57, a Frutaria Bristol tem caça da época, além de fruta, ambas exóticas. Uma outra loja especializada em frutas frescas refinadas, caça, peixe, bem como vegetais raros, além de mercearias, é Martins e Costa, Rua do Carmo 41.
         Os melhores chocolates podem ser comprados em duas pastelarias da Rua Garrett, a Marques, no 72, e Bénard, no 104. Ambas têm igualmente todas as variedades de frutas secas e cristalizadas que constituem uma das delícias do país, bem como ameixas de Elvas, que são provavelmente as melhores de todas.
         A Charcuterie Française, Rua D. Pedro V 54, é o único lugar onde pode comprar verdadeiros croissants frescos, e nas escadas que levam ao Elevador de Santa Justa, Rua de Santa Justa 105, fica a Império Tea Shop, onde o consumidor mais exigente pode encontrar bolos e cafés. Tofa, a meio da Rua do Ouro, é outra boa paragem: tome um excelente café ou mordisque uns bolos deliciosos de pé, no canto da loja, ou sente-se numa mesa do balcão de cima.
         Em A Veneziana, Avenida da Liberdade 69a, pode comprar gelado para levar para casa, embalado numa caixa protegida por cortiça, tendo à disposição uma enorme variedade de tamanhos e sabores para comer no local. Os gelados Rajá e Olá (os últimos são melhores) encontram-se à venda por toda a cidade e nas praias. 
 
(Continua) 
 
Tradução de António Araújo