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sábado, 7 de setembro de 2024

Carta de Bruxelas - 24.

 




                                 Para assinalar 11 meses passados sobre o dia 7 de Outubro de 2023

 

Na sequência dos distúrbios e dos tumultos de 1848, em algumas regiões do Kraichgau, a reacção contra a emancipação dos judeus produziu um resultado paradoxal. Forçaram os judeus a assinarem um documento em que renunciavam à sua quota-parte de direitos iguais na comunidade. Considerava-se, dessa forma, que a sua palavra era igual apenas e na medida em que desmentia a igualdade. Uma contradição que, por ser institucional, não põe menos a nu o inverosímil. Trata-se da versão salonfähig das arruaças, como o pogrom em que testemunhas juraram que um judeu defenestrado continuava sentado ao piano e a tocar – enquanto ia pelos ares. Houve até uma testemunha que pretendeu reconhecer a música tocada.  O delírio vence a realidade. Essa é a sementeira. Advinha-se a colheita.

 

                                                            João Tiago Proença


terça-feira, 21 de novembro de 2023

Carta de Bruxelas.

 




                                                            Pour faire chier les juifs

 

Sayid Marcos Tenório, historiador e militante do Partido Comunista do Brasil, convertido ao Islão, autor de artigos como «Terrorismo de Israel contra ONGs de Direitos Humanos» e «Os laços do sionismo com o nazismo», colunista do sítio Brasil 247, sítio de «jornalismo independente, progressista e para todos», comentou na rede social X, as calças de uma jovem mulher raptada pelo Hamas a 7 de Outubro de 2023. A frase de Tenório reza: «Isso é marca de merda. Se achou nas calças», a que se segue um emoji de sorriso.  Se Tenório quisesse apenas humilhar uma mulher imputando-lhe cobardia, a sequência seria a inversa: «Se achou nas calças. Isso é marca de merda».  Aliás, se quisesse tão-somente chamar-lhe cobarde, bastaria o «Se achou nas calças», o resto seria supérfluo. Mas não. Tenório quis começar com a merda para afastar a possibilidade de ser outra coisa – sangue, em resultado de uma violação sabe Deus como ou com quê. O seu comentário era precisamente uma resposta à suspeita de violação. Além disso, o se achou nas calças faz da mulher a responsável pelo acto, não esteve à altura do que lhe sucedeu. Estaria Tenório à altura, se fosse selvática e repetidamente sodomizado? Ou se lhe metessem o cano de uma metralhadora pelo cu acima?

No entanto, marca de merda tem leituras diferentes, consoante o duplo sentido do genitivo. E talvez seja por isso que Tenório, historiador e militante do Partido Comunista do Brasil, adoptou essa ordem. Terá sido Heinz Thilo, médico no campo de Auschwitz-Birkenau, o primeiro a designá-lo como anus mundi, designação que posteriormente foi popularizada pela obra do deportado polaco Wieslaw Kielar, Anus Mundi – cinco anos em Auschwitz. Tenório é tudo menos inocente. Sabe muito bem o que diz. Sabe que a defecação foi um dos meios preferidos pelos nazis para humilhar até ao fim: até igualizar o judeu e a merda. Primo Levi refere em Os que sucumbem e os que salvam que «evacuar em público era angustiante e impossível: um trauma para o qual a nossa civilização não nos prepara, uma ferida profunda infligida à dignidade humana, um atentado obsceno e cheio de pressentimentos; mas também o sinal de uma malignidade deliberada e gratuita.» O caso do oficial nazi que depois de alinhar as prisioneiras obrigou uma mulher, sozinha, a defecar em frente de todas, tendo-a, acto contínuo, abatido a tiro, mostra que compreendeu o valor objectificante do olhar. Reduz a mulher que defeca em público a seu próprio produto: o seu interior, a sua verdade está à vista de todos. Nada é senão aquilo. Por isso, comenta ainda Primo Levi, algumas páginas depois, «antes de morrer, a vítima deve ser degradada, para que o matador sinta menos o peso da sua culpa. É uma explicação a que não falta lógica, mas que brada aos céus: é a única utilidade da violência inútil.» Quem não gostaria de dar razão a Primo Levi? O emoji de Sayid Marcos Tenório mostra, no entanto, outra coisa, mostra como a depravação humana resplandece de alegria no mal. A culpa não é atenuada; é transfigurada numa perversa alquimia.

 

 

João Tiago Proença


sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Todos Charlie?



 

No julgamento da matança no Charlie Hebdo, alguns sobreviventes do jornal iconoclasta denunciaram o «estalinismo mental» de algumas personalidades e publicações, como o Le Monde Diplomatique, responsáveis, segundo eles, por uma criminosa complacência para com o terrorismo de inspiração islâmica. E agora, somos todos Charlie?  





quarta-feira, 24 de junho de 2020

O fim de uma polémica?






Uma revelação importante: 60 anos depois, o fim de uma polémica, ou o que parece sê-lo. Begoña Urroz, a menina na imagem, não foi morta pela ETA, mas pelo DRIL, um grupo luso-espanhol, celebrizado pelo desvio e sequestro do paquete Santa Maria. A acompanhar, aqui.








sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Vidas singulares: Khaled Al-Assad (1934-2015).

 



Perdoem-nos a brutalidade da imagem abaixo, mas é a vida. Ou melhor, a morte. Decapitado. Khaled al-Assad nasceu em Palmira em 1934. Arqueólogo, foi chefe de antiguidades da cidade durante mais de quarenta anos até se reformar em 2003. Trabalhou em vários projectos de salvaguarda do património, ora com a Unesco, ora com a União Europeia. Escreveu mais de vinte livros sobre Palmira e a Rota da Seda. Era fluente em aramaico, especialista em história antiga galardoado pela França, pela Polónia, pela Tunísia. Em 2015, foi preso pelo Estado Islâmico, mantido em cativeiro durante mais de um mês. Exigiram-lhe que revelasse onde se encontravam os tesouros de Palmira. Recusou-se a falar. Já antes, preferira ficar na sua cidade, defendendo a sua memória, mesmo quando ela estava prestes a sucumbir à barbárie do ISIS. Exibiram a sua cabeça cortada, de óculos postos. Foi decapitado na sua terra natal; aos 81 anos.  
 
 
 
 
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Um desastre.

 
 

 
 
         Todos ainda se lembram do horrível massacre de Munique. 1972, aldeia olímpica, onze atletas israelitas massacrados a sangue frio (há mesmo notícia de que, antes de ser morto, um dos atletas terá sido castrado e abusado sexualmente à frente dos colegas).
 
Fotografia de Eduardo Gageiro
 
 
      O português Eduardo Gageiro tirou umas fotografias célebres de um dia de que todos se lembram (e o Malomil recordou-o, aqui). Todos, não. Pelos vistos, o Sr. Jeremy Corbyn não se lembra (aqui). Tanto assim é que há uns anos, em 2014, foi prestar homenagem ao cérebro da operação homicida (e a subsequente vindicta dos israelitas, também censurável, não apaga o que fizeram). Pior que isso, Corbyn mentiu. Descaradamente. Disse que esteve numa homenagem a 47 palestinianos mortos num ataque israelita ocorrido em 1985. É mentira. O memorial aos palestinianos fica bem longe  – 14 metros – do sítio onde Corbyn esteve. Esteve junto às campas do fundador do Setembro Negro e do chefe de segurança da OLP, duas personalidades-chave dos atentados de Munique. Corbyn ou mentiu ou não sabe sequer por onde anda. Em qualquer dos casos, um desastre.
 

 



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Qué me estás cantando?

 
 

 
O carro de Carrero continua guardado, e pode ser visto. Um Dodge blindado, de 2.300 quilos, que no dia 20 de Dezembro de 1973 voou pelos ares, no coração de Madrid. Na véspera, o presidente do Governo recebera Kissinger. No dia 20, voou mais de vinte metros, como o mostram as reconstituições aqui exibidas. O carro foi cair num edifício dos jesuítas, e assim morreu o delfim de Franco, o potencial sucessor do caudilho, na altura tinha 80 anos e sofrendo de Parkinson (Franco não foi ao enterro, presidido por Juan Carlos). A história da Operação Ogre é conhecida, e até se publicou um livro, Operação Ogre. Como e porquê matámos Carrero Blanco, que saiu primeiro em França, com a chancela Ruedo Ibérico, mas também foi traduzido cá, após o 25 de Abril. A autora, Eva Forest, mulher do dramaturgo Alfonso Sastre, assinou com pseudónimo, Julen Aguirre. E a partir do livro fez-se um filme, dirigido por Gillo Pontecorvo e com música de Ennio Morricone, em que se destaca a melodia Eusko gudariak. Tempos de heroicização da luta armada, em que Costa Gravas filmava Estado de Sítio, glorificando os tupamaros que matavam um alto funcionário da CIA.
 
 



 
 
 
O assassinato do almirante Carrero, além de anedotas e chistes (“Arriba Franco, más alto que Carrero Blanco”), deu também pretexto para uma música laudatória. A história dessa e doutras dezenas (ou centenas) de canções espanholas vem contada num livro recente e retumbante, misto de enciclopédia e narrativa autobiográfica: Qué me estás cantando?, de Fidel Moreno, é um tesouro incrível, pois está lá tudo, do Cara al sol a Lola Flores. Tudo mas tudo, contado com garra e graça. Euzkadi askatasuna. España, todos a una é uma cançoneta pavorosa, pavorosa. Só vale como documento histórico. Saiu num disco editado em França nos alvores dos anos 1970 e que tinha o título Un peuple en lutte: Espagne. Autoria de um grupo formado pelo cantautor Carlos Andreu, banda chamada Viva la Vida, para contrastar com o dito célebre de Millán-Astray. “Nació en terra, / vivió en el mar, / murió en el aire”, assim cantam os versos. Mais: “Quién mató al opresor?, / dicen que fue la ETA / quien le rompió la jeta”; “Carrerón se llamaba / y dieron en el blanco / ni cortos ni perezosos / fueron pues esos vascos” (não consegui encontrar a música no YouTube, mas pode ser ouvida em vários lugares da Net, existindo também uma nota desenvolvida sobre Carlos Andreu e este disco aqui; e, atenção, houve outras canções e baladas que glorificaram a morte de Carrero, incluindo uma versão de La Bamba entoada entre os estudantes universitários antifranquistas: "Yo no soy marinero, / yo no soy marinero, / soy almirante / y sé volar / y sé volar. / Ahí arriba y arriba y arriba iré, / yo no soy marinero, / yo no soy marinero, / soy almirante / y me llamo Carrero / y arriba iré")
 
 
 
 
Depois foi a carnificina que se sabe, durante décadas de sangue. Como recorda Fidel Moreno, apenas nove meses depois da morte de Carrero uma bomba explode na cafetaria Rolando, na calle del Correo, Madrid. Um atentado perpetrado à hora do almoço, que matou indiscriminadamente 13 pessoas e fez 80 feridos; ricos e pobres, de direita ou de esquerda, favoráveis ou desfavoráveis à causa independentista basca. Décadas assim, de cegueira assassina.
Não falemos mais de tristezas, que é tempo de Verano Azul. Serve apenas esta nota para enaltecer muito, muitíssimo, um livro que, com quase 800 páginas, é um favor dos céus.     
 



 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

Fotografia de 11 de Setembro.

 



FOTOGRAFIA DE 11 DE SETEMBRO
 
 
Atiraram-se dos andares em chamas.
um, dois, ainda alguns,
mais acima, mais abaixo.
 
A fotografia deteve-os na vida
e agora preserva-os
sobre a terra rumo à terra.
 
Cada um ainda na íntegra,
com rosto individual
e sangue bem guardado.
 
Ainda há tempo
para os cabelos esvoaçarem
e do bolso caírem
chaves e alguns trocos.
 
Ainda estão ao alcance do ar,
no âmbito dos lugares
que acabaram de se abrir.
 
Só duas coisas posso por eles fazer:
descrever estre voo
e não acrescentar a última frase.
 
Wisława Szymborska
 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Filhos de Setembro.

 
 





Delaney Colaio tinha 3 anos no dia 11 de Setembro de 2001. E agora vão fazer um filme sobre isso, que estreará no próximo ano. Até aqui, nada de especial, não se desse o caso de, como creio que todos sabem, dois aviões terem destruído as Torres Gémeas nesse dia 11 de Setembro de 2001. Os filhos do 9/11, no New York Times, aqui.





domingo, 12 de março de 2017

Um pirata na Argélia.







Argel, 26 de Julho de 2016
 
De José Manuel Fernandes, No Observador (Macroscópio) de hoje
Uma redacção de uma revista satírica. Um clube nocturno. Um aeroporto. Uma avenida cheia de gente. Uma festa de Verão. E agora uma igreja. Nestas terríveis semanas que estamos a viver acordamos a perguntar “Onde vai ser hoje?”, adormecemos sem saber em que lugar aquela noite se pode transformar num pesadelo. E o pior é que, para além dos que propõem leituras simples que quase sempre são erradas, não sabemos o que pensar. E o pior é que temos a percepção de que as autoridades, os nossos eleitos, os nossos políticos, não sabem o que fazer e ainda menos o que dizer, pois quase só proferem inanidades que nada adiantam…”
 
No fim do século XIX, princípio do XX, com inspiração lateral de movimentos vários – socialista, marxistas, anarquistas, carbonários, maçons, saladas ideológicas diversas – ganhou força uma corrente que se designou por nihilista (ou niilista para quem gosta de acordos ortográficos). Esta corrente que foi teorizada por filósofos e pensadores distintos, em termos brutos condena a ordem existente, não procurando directamente substituí-la por nenhuma outra. Daí no fundo o seu significado etimológico buscado na palavra latina nihil, que significa "nada”.
Se nos lembramos um pouco, com base neste conceito – destruição da ordem existente – nesses tempos representada pelo poder instituído – Casas Reinantes, Presidentes – deram-se em relativamente poucos anos uma série de assassinatos célebres: Alexandre II da Rússia em 1881, Presidente Francês Sadi Carnot em 1894, Stefan Stabolov, 1º ministro búlgaro em 1895, Antonio Canovas del Castillo, 1º ministro espanhol em 1897, a Imperatriz da Áustria (Sissi) em 1898, Umberto I, Rei de Italia em 1900, Alexandre I da Sérvia e a Rainha Draga, sua mulher, em 1903, Rei D. Carlos I de Portugal e o Príncipe Herdeiro, Luís-Filipe, em 1908, Primeiro-Ministro Russo, Piotr Stolipyn, em 1911, Rei Jorge I da Grécia em 1913, Arquiduque Francisco Ferdinando da Áustria-Hungria e sua mulher em 1914, Jean Jaurès, socialista francês no mesmo ano. Para citar os mais conhecidos.
Todos estes assassinatos foram perpetrados, em grande medida, por grupos autónomos, ou lobos solitários, sem ligação nenhuma entre eles, com excepção desta ideia de luta contra uma ordem existente.
No fim triunfaram os assassinos? Pode-se dizer que em parte sim.




 A sucessão de perturbações, de que estes assassinatos foram a espoleta ou aberração, conduziu como consequência principal à 1ª guerra mundial, à mudança de regimes (Portugal é um exemplo), ao fim de Impérios, à proliferação de novos Países sobre ruína de outros.
Poder-se-ia continuar com outos exemplos mas o paralelo histórico que queria estabelecer e acho significativo, está feito.
O problema a que estamos a assistir é muito semelhante: não há ligação física, sequer de conhecimento, entre os autores dos vários atentados. Há uma constante ideológica: fazer mal à maneira de estar ocidental. E todos os lobos solitários ou células mais ou menos organizadas são como microorganismos cancerígenos que despertam e atacam. Estão dentro de nós adormecidos e um dia acordam.
O remédio é semelhante ao do cancro: prevenção, verificação do que o pode despoletar (amianto, tabaco…) e uma vez descoberto erradicação imediata por todos os meios.





Sem me querer alongar muito vou falar da prevenção.
O meu Senhorio aqui na Argélia, muçulmano, um velhote espevitado que tem oitenta anos que parecem sessenta, viajado, com filhos empresários em França, bem relacionado, toda a vida tendo trabalhado para a Shell e ganho muito dinheiro com isso, fala muito comigo. Representa uma síntese conseguida dos dois mundos, muçulmano e ocidental.
E é inevitável que todos estes acontecimentos sejam motivo de conversa. E ouço as suas opiniões sem as comentar.
Hoje, como de costume, veio ter comigo, sentou-se dez minutos na sala de reuniões e mostrou-me o que eu já desconfiava.
Vou contá-lo por minhas palavras e pelo que senti à medida que ele falava.
Imaginem países que pela sua própria ordem natural, leis, costumes, entendem que, mais importante que as leis dos homens, são as leis Divinas plasmadas num livrinho que é tido como sagrado (permitindo embora interpretação humana disfarçada sobre a forma de mandamento religioso – a fatwa). O enquadramento social, a maneira de pensar de se comportar são assim vistos como produto de um ensinamento que está para lá deste Mundo, sendo assim superior a este. Para garantir que assim é a mesquita, a madrassa, garantem a correcção ideológica e o apoio social. O policiamento ideológico, social, sociológico é intrínseco a todo este processo.
Depois a relação familiar é entendida como dominante a qualquer outra. As lealdades familiares são fortíssimas. A vida é feita em conjunto, numa promiscuidade estranha com uma separação de sexos activa.
Percebem a mente fechada que isto proporciona?




Agora, exterior a todo este mundo, temos o Ocidente iconoclasta, libertador, cultivando galanterias, costumes individualistas, hedonismo e erotismo. Que não é só de agora. Em diferentes épocas, existiu de forma diferente. Ocidente que cria em contínuo, impulsionando sempre mais e mais, o saber.
A somar a esta diferença uma persistente (e inevitável) pobreza do geral dos muçulmanos
Peguemos então num miúdo oriundo mentalmente desta cultura que não permite a evolução, mas que cresce em sociedades ocidentais, necessáriamente desintegrado em relação aos “brancos” que têm o espírito aberto.
Lembrem-se daquele vosso colega do Liceu, filho de pobre Pais operários, mal vestido, olhando com ar meio estupidificado o resto da turma e afastado do convívio dos outros. Eu tenho uma ideia do que estava comigo no 7º ano, de que nem sei o nome, e que, quando todos nós escolhíamos engenharia, medicina, ele queria ir para meteorologista.
Agora, em vez do meteorologista, ponha o filho de pais islâmicos que lhe ensinam, sem sombra de dúvida, que o mundo se divide entre muçulmanos e infiéis, que estes merecem a morte como está, indiscutívelmente, escrito no Corão (bem como o seu contrário… depende do que se lê…).
Aos 19 anos, se tiver mau fundo, a carga de ódio que arrasta em si é enorme. Se essa carga de ódio for santificada concebem a maldade que daí pode advir?
O meu Senhorio muçulmano classificava-os: “Sont des voyous monsieur!
E a seguir disse-me: O que eu vi ontem, a Michelle Obama a discursar na campanha de Hillary Clinton, seria impensável na Argélia ou em qualquer País muçulmano. Alguém aqui ser capaz de pensar acima dos seus próprios interesses e ser capaz de falar pela sociedade
Ou seja: a própria agregação é quase impossível, o que apenas faz os “terroristas” mais perigosos, porque não existe organização que se possa atacar.
E depois saiu-se com esta extraordinária: “os árabes precisam sempre de alguém como o Sadam Hussein, por quem tenho imensa admiração, que saiba mantê-los, pelo medo, pela prebenda, na ordem.”
E com isto se foi.
E eu fiquei a pensar. Já tinha tido aquela noção difusa, quando as televisões apresentaram o espectáculo pornográfico do enforcamento do ditador do Iraque, que mais que um acto de justiça, ou mesmo um crime, tudo aquilo era um erro.
Os EUA profundamente feridos, com razão, no ataque às Torres Gémeas inventaram uma guerra de vingança. O filho Bush, a milhas de Bush Pai que com ponderação respondeu à invasão do Kuweit, fez uma cena de cow-boy e atirou uma pedra para o meio de um vespeiro.
Ou seja: não aprendeu com os nihilistas! E respondeu como eles queriam que respondesse.


Peço desculpa pela extensão do que escrevo. Mas precisava de o fazer para chegar à conclusão da prevenção que advogo: só por dentro temos possibilidade de vencer a Djihad. Temos que encontrar maneiras de abrir as cabeças num trabalho de paciência. Nos Países deles, e não nos nossos, criar auxílio e escola. Evangelizá-los mesmo. Por absurdo obrigar a que, em paridade, a cada mesquita que se abra na Europa um mosteiro se instale nas várias Arábias. De forma a que os pobres, que são muitos, encontrem abrigo e amparo noutro pensar. Lutar para que nos Países muçulmanos seja levantada a proibição de “proselitismo”. Apoiar com eficácia os Cristãos do Oriente, os Coptas. Criar a sensação que o Cristianismo é uma escada no progresso.
E nós temos de deitar para o caixote do lixo da História todas as ideias de culpabilização na desgraça dos Países Pobres. Não é por culpa dos “brancos” que eles são pobres. É por sua própria e exclusiva culpa, mesmo que essa culpa seja ignorância.
 
Miguel Geraldes Cardoso