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segunda-feira, 9 de março de 2020

Declínio e queda.


obrigado, Rui!




Ao ter visto o anúncio deste documentário aqui no Malomil, um leitor atento e assíduo mandou uma notícia sobre a Festa do Xá, constante do Le Monde. Obrigado, José Rentes de Carvalho, um grande abraço, com a muita amizade do António.



  

domingo, 1 de março de 2020

... certo, nós temos a Lili Caneças.








Se eu fosse rico e pedante pegava já em 150 e tal euros e comprava já, já Imitatio vitae, que é o último de livro de Marina Cicogna, que aos 85 anos se debruçou e fotografou a fundo os capitéis do Palácio dos Doges, Veneza. Não sei se compraria pelo livro Gucci se pela personagem Cicogna, a condessa italiana que despreza os seus irmãos de sangue, considerando-os uns brutinhos romanos provincianos, a mulher que corajosamente produziu Belle de Jour, de Buñuel, e que levou – e leva – uma vida larguíssima, com um flirt com Alain Delon e uma longa e corajosa relação com a brasileira Florinda Bolkan, que não é bem uma mulher, é todo um universo. A condessa-por-vezes-descalça que conheceu todo o mundo, incluindo, claro, Eduardo Pita, ou Pitta. Além deste rapaz a arder, a Cicogna foi amiga de Brigitte Bardot, Jacqueline Kennedy, Greta Garbo, Helmut Berger, Gianni Agnelli, Juan Carlos de Borbón (esteve noiva de Alfonso de Borbón, duque de Cádiz) e muitos demais happy few, como diria Pita, ou Pitta, na carne viva do seu arrivismo de delícia. Se eu fosse rico e pedante, comprava o livro da Cicogna. Como não sou rico, fico com o pedantismo, que é, em todo o caso, um pouco melhor do que arrivismos, alpinismos e outros tristes tropismos. E agora, a galeria:










Florinda Bolkan











(para a minha grande amiga italiana M., que esta semana passou horas agrestes por causa da sua filha M., febril em Milão)











sábado, 21 de setembro de 2019

Os Fugger e Augsburg.

 
 
A família Fugger, natural de Augsburg e já rica no início do século XV sobretudo devido à sua actividade no têxtil, tornou-se no decorrer do século um potentado europeu ao investir na Banca.
Grandes financiadores dos Habsburgos, conseguiram em especial garantir de forma bem pouco ortodoxa várias eleições ao Sacro Império Romano-Germânico. Foi o caso das eleições de Maximiliano I e em especial de Carlos V, recebendo em troca grandes favores dos imperadores.
Relacionaram-se com os Reis de Portugal, nomeadamente com D. João II e D. Manuel I, tendo chegado a constituir uma verdadeira PPP para as especiarias a seguir à chegada de Vasco da Gama à Índia.
Tiveram uma representação em Lisboa e relacionaram-se com Portugal através da Feitoria em Antuérpia.
Em 1512, Jakob Fugger von der Lilie (1459-1525) resolveu construir um imenso edifício em Augsburg destinado à sua habitação na cidade mas também a fins comerciais.
O edifício perdurou ao longo dos séculos mas foi destruído na II Guerra Mundial. Foi reconstruído e ainda permanece na propriedade da família.
 


Por esta casa passaram os imperadores Maximiliano I e Carlos V, Dürer, Lutero, Ticiano e Mozart para além de uma infinidade de reis e cardeais. Em especial, muitos dos eleitores do Império Sacro Romano-Germânico pernoitavam no complexo, o que era muito conveniente para os Fugger. 

Mas mais interessante ainda é o Fuggerei um complexo de habitação social criado pelos Fugger em 1519. Oito ruas em condomínio fechado com renda simbólica. Há quem diga que a renda se mantém igual desde 1519. Os moradores têm a obrigação moral de rezar pela família Fugger que ainda hoje continua a gerir o complexo.
Aqui morou o bisavô de Mozart, Franz Mozart.
Durante a II Guerra Mundial foram construídos bunkers para proteger as famílias moradoras.



 
 
José Liberato
Fotografias de 11 de Agosto de 2019
 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Salvator Mundi.

O iate Serene, do príncipe saudita Mohamed bin Salman

 
 
Quando se comemoram 500 anos do nascimento de Da Vinci, é estranho pensar que Salvator Mundi, um quadro que lhe é atribuído e foi vendido por uns 450 milhões de dólares, pode repousar hoje no iate privado do príncipe saudita Mohamed Bin Salmán, homem forte de um dos regimes mais tirânicos do planeta. Num iate privado… como sucede a tantas obras de arte, a andar pelo oceano fora, em riscos graves, como se descreve aqui, a propósito de Cabeza de mujer, de Picasso. O mundo é um lugar estranho.
 



 
 

 

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O mundo num minuto.




 
                No mesmo minuto, juro que no mesmo minuto, a Luísa mandou-me uma TED Talk devastadora sobre o trabalho escravo e num minuto, juro que nesse mesmo minuto, o Pedro mandou-me a notícia de uma família riquíssima de Hong-Kong, os Harilela, e da sua mansão poderosa.
 
 









Fotografias de Lisa Kristine.
 
          Percam alguns minutos a ouvir a fotógrafa Lisa Kristine e o seu trabalho em busca dos escravos do nosso tempo – garanto que vale a pena. Se tiverem tempo, bem-vindos à mansão Harilela. Como aqui tenho dito e redito: o mundo é um lugar estranho.
Casa Harilela, Hong-Kong
 
 
 
 
 
 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Na morte de Lagerfeld.

Karl Lagerfeld e Jacques de Bascher de Beaumarchais
 

Cair em Beleza
 
 
O facto de ter sido elogiado e aconselhado por Victoria Beckham não tira, creio eu, qualquer mérito a este livro, The Beautiful Fall. Fashion, Genius and Glorious Excess in 1970s Paris, da jornalista de moda Alicia Drake. Este é, ao que sabemos, o único livro de não-ficção da autora, que colabora regularmente com publicações como o International Herald Tribune, a Travel and Leisure e a British Vogue. Fruto de um ciclópico trabalho de investigação e pesquisa, assente em muitas dezenas de entrevistas, The Beautiful Fall é uma obra tão ou mais sedutora e fascinante do que as personagens que retrata.
Poderia resumir-se em breves palavras, classificando-a como uma biografia paralela de Yves Saint-Laurent e de Karl Lagerfeld, na qual o primeiro surge como um Mozart prodigioso e o segundo aparece como Salieri, um criador com talento mas que teve o infortúnio de ombrear com um génio. Não por acaso, na sequência da publicação da obra, Lagerfeld declarou que iria processar a autora por intromissão na sua vida privada. Não sabemos se o fez, e com que resultados, pois o livro continua à venda e, na verdade, as vidas públicas e privadas de Lagerfeld e de Saint-Laurent são devassadas nos mais ínfimos detalhes, por vezes escabrosos. Não se trata, porém, de um exercício de voyeurismo gratuito, antes de uma imersão em profundidade na trajectória fulgurante dos dois criadores de moda, para a compreensão da qual era impossível não atender a aspectos íntimos, pessoalíssimos, deles e das tribos que em seu redor se formaram. As angústias de Yves Saint-Laurent com a sua homossexualidade, surgidas desde a juventude na Argélia e que o acompanharam até ao final da vida, os seus fantasmas recorrentes e depressões cíclicas, os seus frequentes internamentos hospitalares ou em clínicas de repouso são elementos essenciais para entender o percurso do génio atormentado. De igual modo, a pose estudadíssima de Karl Lagerfeld, os seus amantes, o culto obsessivo do corpo, o seu fascínio pela alta aristocracia, o modo como maquilhou as suas origens sociais (dizendo, por exemplo, que o pai era sueco, quando na realidade sempre foi alemão) são traços fundamentais para percebermos a rivalidade implacável que, aos poucos, foi crescendo entre os dois ditadores da moda.
 
 
 
 
O livro abre com a luminosa aparição, no parisiense Café de Flore, em 1974, de uma personagem aparentemente menor nesta trama. Um jovem dândi de nome pomposo, Jacques de Bascher de Beaumarchais, à época aureolado pela fama de ter sido modelo do pintor britânico David Hockney. Oriundo da baixa aristocracia rural, também ele procedera a um cuidadoso lifting das suas origens familiares, compondo um nome sonante; um membro da família Beaumarchais chegou a ameaçar que o processava se continuasse a usar um apelido a que não tinha direito… Jacques era o toy boy de Karl Lagerfeld mas, a dada altura, torna-se secretamente amante de Saint-Laurent. Para os que insistem em encarar o tímido Yves como uma eterna criança devorada pelas suas neuroses, cândida e ingénua, é curioso ter em conta que YSL teve um gozo perverso em roubar ao rival o efebo de estimação. Noutra ocasião, bem expressiva da sua personalidade insegura mas egocêntrica, Saint-Laurent ficou furioso ao saber que o retrato que Andy Warhol lhe fizera não era um exclusivo, existindo outros costureiros pintados pelo artista nova-iorquino. Ameaçou retirar o quadro da parede da sua casa sumptuosa, ainda que nunca tenha cumprido a vingativa promessa. The Beautiful Fall traz também uma nova luz, mais densa e complexa, sobre a relação de décadas entre Yves Saint-Laurent e Pierre Bergé. Casado aos 86 anos com um famoso arquitecto paisagista americano, de 58 anos, Pierre Bergé foi companheiro de Saint-Laurent durante meio século e co-fundador da marca YSL. Convém ter presente que Saint-Laurent e Bergé foram dos primeiros casais gay publicamente assumidos em França; até então, mesmo costureiros famosos como Christian Dior ou Balenciaga tinham «amigos», não amantes. E, para os que julgam que tudo isto não passa de uma trivialidade, deve perceber-se que o pano de fundo de Beautiful Fall, aquilo que alimentava as loucuras e as festas, os jantares em restaurantes de luxo, as casas fabulosas em Marraquexe ou os castelos de província, era o dinheiro, muito dinheiro. A moda, um negócio de milhões à escala planetária, realidade que transparece em cada página do livro de Alicia Drake. Por exemplo, na operação de ataque ao mercado dos Estados Unidos, feita por Lagerfeld em colaboração com a marca Chloe, que envolveu festas em Los Angeles dadas por anfitriões como Jack Nicholson e Tatum e Ryan O’Neall mas, de igual modo, um planeamento comercial organizado ao milímetro.
Sempre se pensou que Pierre Bergé era o cérebro cartesiano responsável pelo sucesso da marca YSL. É verdade. Sem ele, sem a sua ambição desmedida e a sua tenacidade nos negócios, a YSL nunca existiria e o próprio Yves Saint-Laurent não teria conseguido afirmar-se no mundo da moda; era Bergé que ordenava a sua vida aos mais ínfimos e íntimos detalhes, que pagava as contas e tratava de tudo, que o internava nos hospitais sempre que o génio caía no abismo, que o resgatava sempre que corria mal uma saída nocturna em busca de carne jovem. Fumador inveterado, consumindo 40 cigarros por dia, viciado em barbitúricos e, mais tarde, em drogas leves e duras e no álcool, Saint-Laurent era pura e simplesmente incapaz de se governar a si próprio, quanto mais uma marca que facturava milhões e tinha centenas ou milhares de empregados. Muitos julgam que Bergé foi um manipulador, que se aproveitou do talento ímpar de Saint-Laurent. Beautiful Fall mostra que as coisas, como sempre sucede, são mais complexas do que pensamos. Bergé não era o macho dominante numa relação assimétrica; pelo contrário, Yves não só mantinha a sua liberdade como a levava aos extremos, a ponto de, anos depois, o seu companheiro de cinco décadas afirmar, numa entrevista, que não sabe se o costureiro verdadeiramente o amou ou se apenas necessitava dele para o apoiar na sua atribulada existência. No campo dos negócios terrenos, foi Bergé que, quando Yves saiu da Dior, na sequência de um colapso nervoso decorrente da sua incorporação militar, angariou junto de um milionário americano, estabelecido em Atlanta, os fundos necessários para abrir a casa Yves Saint-Laurent. Foi também ele que propalou muito dos mitos que rodeiam a figura do mestre, dizendo, por exemplo, que Yves Saint-Laurent inventou em 1966 o pronto-a-vestir, revolucionando o mundo da moda, facto escandalosamente falso porquanto já nos anos 1930, pelo menos, os costureiros de Paris faziam prêt-à-porter. Seria também Bergé quem concebeu o lançamento, em 1964, do primeiro perfume YSL, o «Y», produzido em parceria com Charles of the Ritz. Mais decisivamente ainda, foi Bergé, em larga medida, que teceu as redes que deram acesso à altíssima aristocracia francesa, com destaque para a princesa Marie-Hélène de Rotschild. Houve outras personalidades-chave na iniciação da dupla Yves-Pierre nos meandros das elites parisienses, como Clara Saint ou Loulou de la Falaise, e aos poucos os nomes sonantes foram-se sucedendo, de Rudolf Nureyev a Bianca e Mick Jagger, passando por Marianne Faithful, Catherine Deneuve, Helmut Berger, etc., etc.  
 Em tudo, como sempre, houve uma combinação milagrosa de talento e sorte. O talento, indiscutível: com apenas 18 anos, Yves ganhou uma exigente competição internacional de moda, cujos jurados eram nomes de peso (Hubert de Givenchy, Pierre Balmain, Christian Dior); Karl Lagerfeld, na altura um jovem de 22 anos vindo de Hamburgo, ficou um pouco abaixo… Não muito depois, em 1961, Yves era nomeado costureiro-chefe da mais prestigiada casa de moda francesa, a Dior, algo nunca visto. Enquanto isso, Lagerfeld recebia o menos importante cargo de assistente na também menos importante casa de Pierre Balmain… A par disso, o factor sorte, ainda que surgido sob vestes trágicas: aos 52 anos, Christian Dior morreu subitamente, tragédia que abriu as portas à criatividade selvagem do nouvel enfant triste, como a imprensa da época denominava o rapaz acanhado vindo da Argélia. 
Tudo quanto aqui se conta é apenas uma modestíssima amostra do que podeis encontrar no interior do livro de Alicia Drake. Há sedução e escândalos, sexo e suicídios, drogas e muita loucura, luxo e decadência. Uma obra actual, portanto.
E com isto já quase nos esquecíamos de uma personagem central, Jacques de Bascher de Beaumarchais: morreu de SIDA em 1989.
 
António Araújo 
 
(publicado originalmente no jornal ECO)
 
 






 
 
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Um elefante nada simpático.

 
 
 

         Já que falamos de elefantes, o célebre gráfico de Branko Milanovic que mostra o crescimento das desigualdades no mundo. Melhor dizendo, se a desigualdade global diminuiu, nos anos mais recentes 1 % dos que estão no topo dos rendimentos ganham o dobro dos 50 % que estão nos escalões mais baixos. Para mais explicações, esta breve nota.

domingo, 13 de janeiro de 2019

Também a Turquia é assaz Sensacional.

 

 
 
 
A Rita Canas Mendes mandou-me outra das suas pérolas, uma história de castelinhos turcos afrancesados, falência e mil e uma coisas surpreendentes, com a chancela Bloomberg, aqui