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sexta-feira, 11 de junho de 2021
sexta-feira, 12 de junho de 2020
quarta-feira, 25 de março de 2020
segunda-feira, 9 de março de 2020
Declínio e queda.
obrigado, Rui!
Ao ter visto o anúncio deste documentário
aqui no Malomil, um leitor atento e assíduo mandou uma notícia sobre a Festa do
Xá, constante do Le Monde. Obrigado, José Rentes de Carvalho,
um grande abraço, com a muita amizade do António.
domingo, 1 de março de 2020
... certo, nós temos a Lili Caneças.
Se eu fosse rico e pedante pegava já em 150 e tal euros e
comprava já, já Imitatio vitae, que é o
último de livro de Marina Cicogna, que aos 85 anos se debruçou e fotografou a
fundo os capitéis do Palácio dos Doges, Veneza. Não sei se compraria pelo livro Gucci se pela personagem Cicogna, a condessa italiana que despreza os seus irmãos de
sangue, considerando-os uns brutinhos romanos provincianos, a mulher que corajosamente produziu Belle de Jour, de Buñuel, e que levou
– e leva – uma vida larguíssima, com um flirt
com Alain Delon e uma longa e corajosa relação com a brasileira Florinda Bolkan, que não é bem uma mulher, é todo um universo.
A condessa-por-vezes-descalça que conheceu todo
o mundo, incluindo, claro, Eduardo Pita, ou Pitta. Além deste rapaz a arder, a
Cicogna foi amiga de Brigitte Bardot, Jacqueline Kennedy, Greta Garbo, Helmut
Berger, Gianni Agnelli, Juan Carlos de Borbón (esteve noiva de Alfonso de
Borbón, duque de Cádiz) e muitos demais happy few, como diria Pita, ou Pitta, na carne
viva do seu arrivismo de delícia. Se eu fosse rico e pedante, comprava o livro
da Cicogna. Como não sou rico, fico com o pedantismo, que é, em todo o caso, um
pouco melhor do que arrivismos, alpinismos e outros tristes tropismos. E agora, a galeria:
(para a minha grande amiga italiana M., que esta semana passou horas agrestes por causa da sua filha M., febril em Milão)
sábado, 21 de setembro de 2019
Os Fugger e Augsburg.
A família Fugger, natural de Augsburg e já rica no início do século XV
sobretudo devido à sua actividade no têxtil, tornou-se no decorrer do século um
potentado europeu ao investir na Banca.
Grandes financiadores dos Habsburgos, conseguiram em especial garantir de
forma bem pouco ortodoxa várias eleições ao Sacro Império Romano-Germânico. Foi
o caso das eleições de Maximiliano I e em especial de Carlos V, recebendo em
troca grandes favores dos imperadores.
Relacionaram-se com os Reis de Portugal, nomeadamente com D. João II e D.
Manuel I, tendo chegado a constituir uma verdadeira PPP para as especiarias a
seguir à chegada de Vasco da Gama à Índia.
Tiveram uma representação em Lisboa e relacionaram-se com Portugal através
da Feitoria em Antuérpia.
Em 1512, Jakob Fugger von der Lilie (1459-1525) resolveu construir um
imenso edifício em Augsburg destinado à sua habitação na cidade mas também a
fins comerciais.
O edifício perdurou ao longo dos séculos mas foi destruído na II Guerra
Mundial. Foi reconstruído e ainda permanece na propriedade da família.
Por esta casa passaram os imperadores Maximiliano I e Carlos V, Dürer, Lutero, Ticiano e Mozart para além de uma infinidade de reis e cardeais. Em especial, muitos dos eleitores do Império Sacro Romano-Germânico pernoitavam no complexo, o que era muito conveniente para os Fugger.
Mas mais interessante ainda é o Fuggerei um complexo de habitação social
criado pelos Fugger em 1519. Oito ruas em condomínio fechado com renda
simbólica. Há quem diga que a renda se mantém igual desde 1519. Os moradores
têm a obrigação moral de rezar pela família Fugger que ainda hoje continua a
gerir o complexo.
Aqui morou o bisavô de Mozart, Franz Mozart.
José Liberato
Fotografias de 11 de Agosto de 2019
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Salvator Mundi.
O iate Serene, do príncipe saudita Mohamed bin Salman
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Quando
se comemoram 500 anos do nascimento de Da Vinci, é estranho pensar que Salvator Mundi, um quadro que lhe é
atribuído e foi vendido por uns 450 milhões de dólares, pode repousar hoje no iate
privado do príncipe saudita Mohamed Bin Salmán, homem forte de um dos regimes
mais tirânicos do planeta. Num iate privado… como sucede a tantas obras de
arte, a andar pelo oceano fora, em riscos graves, como se descreve aqui, a
propósito de Cabeza de mujer, de
Picasso. O mundo é um lugar estranho.
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domingo, 24 de fevereiro de 2019
O mundo num minuto.
No mesmo minuto, juro que
no mesmo minuto, a Luísa mandou-me uma TED Talk devastadora sobre o trabalho
escravo e num minuto, juro que nesse mesmo minuto, o Pedro mandou-me
a notícia de uma família riquíssima de Hong-Kong, os Harilela, e da sua mansão
poderosa.
Fotografias de Lisa Kristine.
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Percam alguns minutos a ouvir a fotógrafa Lisa Kristine e o seu
trabalho em busca dos escravos do nosso tempo – garanto que vale a pena. Se
tiverem tempo, bem-vindos à mansão Harilela. Como aqui tenho dito e redito: o
mundo é um lugar estranho.
Casa Harilela, Hong-Kong
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019
Na morte de Lagerfeld.
Karl Lagerfeld e Jacques de Bascher de Beaumarchais
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Cair em Beleza
O
facto de ter sido elogiado e aconselhado por Victoria Beckham não tira, creio
eu, qualquer mérito a este livro, The
Beautiful Fall. Fashion, Genius and Glorious Excess in 1970s Paris, da
jornalista de moda Alicia Drake. Este é, ao que sabemos, o único livro de
não-ficção da autora, que colabora regularmente com publicações como o International Herald Tribune, a Travel and Leisure e a British Vogue. Fruto de um ciclópico
trabalho de investigação e pesquisa, assente em muitas dezenas de entrevistas, The Beautiful Fall é uma obra tão ou
mais sedutora e fascinante do que as personagens que retrata.
Poderia
resumir-se em breves palavras, classificando-a como uma biografia paralela de
Yves Saint-Laurent e de Karl Lagerfeld, na qual o primeiro surge como um Mozart
prodigioso e o segundo aparece como Salieri, um criador com talento mas que
teve o infortúnio de ombrear com um génio. Não por acaso, na sequência da
publicação da obra, Lagerfeld declarou que iria processar a autora por
intromissão na sua vida privada. Não sabemos se o fez, e com que resultados,
pois o livro continua à venda e, na verdade, as vidas públicas e privadas de
Lagerfeld e de Saint-Laurent são devassadas nos mais ínfimos detalhes, por
vezes escabrosos. Não se trata, porém, de um exercício de voyeurismo gratuito,
antes de uma imersão em profundidade na trajectória fulgurante dos dois
criadores de moda, para a compreensão da qual era impossível não atender a
aspectos íntimos, pessoalíssimos, deles e das tribos que em seu redor se
formaram. As angústias de Yves Saint-Laurent com a sua homossexualidade,
surgidas desde a juventude na Argélia e que o acompanharam até ao final da
vida, os seus fantasmas recorrentes e depressões cíclicas, os seus frequentes
internamentos hospitalares ou em clínicas de repouso são elementos essenciais
para entender o percurso do génio atormentado. De igual modo, a pose
estudadíssima de Karl Lagerfeld, os seus amantes, o culto obsessivo do corpo, o
seu fascínio pela alta aristocracia, o modo como maquilhou as suas origens
sociais (dizendo, por exemplo, que o pai era sueco, quando na realidade sempre
foi alemão) são traços fundamentais para percebermos a rivalidade implacável
que, aos poucos, foi crescendo entre os dois ditadores da moda.
O
livro abre com a luminosa aparição, no parisiense Café de Flore, em 1974, de
uma personagem aparentemente menor nesta trama. Um jovem dândi de nome pomposo,
Jacques de Bascher de Beaumarchais, à época aureolado pela fama de ter sido
modelo do pintor britânico David Hockney. Oriundo da baixa aristocracia rural,
também ele procedera a um cuidadoso lifting
das suas origens familiares, compondo um nome sonante; um membro da família
Beaumarchais chegou a ameaçar que o processava se continuasse a usar um apelido
a que não tinha direito… Jacques era o toy
boy de Karl Lagerfeld mas, a dada altura, torna-se secretamente amante de
Saint-Laurent. Para os que insistem em encarar o tímido Yves como uma eterna
criança devorada pelas suas neuroses, cândida e ingénua, é curioso ter em conta
que YSL teve um gozo perverso em roubar ao rival o efebo de estimação. Noutra
ocasião, bem expressiva da sua personalidade insegura mas egocêntrica,
Saint-Laurent ficou furioso ao saber que o retrato que Andy Warhol lhe fizera
não era um exclusivo, existindo outros costureiros pintados pelo artista
nova-iorquino. Ameaçou retirar o quadro da parede da sua casa sumptuosa, ainda
que nunca tenha cumprido a vingativa promessa. The Beautiful Fall traz também uma nova luz, mais densa e complexa,
sobre a relação de décadas entre Yves Saint-Laurent e Pierre Bergé. Casado aos
86 anos com um famoso arquitecto paisagista americano, de 58 anos, Pierre Bergé
foi companheiro de Saint-Laurent durante meio século e co-fundador da marca
YSL. Convém ter presente que Saint-Laurent e Bergé foram dos primeiros casais gay publicamente assumidos em França;
até então, mesmo costureiros famosos como Christian Dior ou Balenciaga tinham
«amigos», não amantes. E, para os que julgam que tudo isto não passa de uma
trivialidade, deve perceber-se que o pano de fundo de Beautiful Fall, aquilo que alimentava as loucuras e as festas, os
jantares em restaurantes de luxo, as casas fabulosas em Marraquexe ou os
castelos de província, era o dinheiro, muito dinheiro. A moda, um negócio de
milhões à escala planetária, realidade que transparece em cada página do livro
de Alicia Drake. Por exemplo, na operação de ataque ao mercado dos Estados
Unidos, feita por Lagerfeld em colaboração com a marca Chloe, que envolveu
festas em Los Angeles dadas por anfitriões como Jack Nicholson e Tatum e Ryan
O’Neall mas, de igual modo, um planeamento comercial organizado ao milímetro.
Sempre
se pensou que Pierre Bergé era o cérebro cartesiano responsável pelo sucesso da
marca YSL. É verdade. Sem ele, sem a sua ambição desmedida e a sua tenacidade
nos negócios, a YSL nunca existiria e o próprio Yves Saint-Laurent não teria
conseguido afirmar-se no mundo da moda; era Bergé que ordenava a sua vida aos
mais ínfimos e íntimos detalhes, que pagava as contas e tratava de tudo, que o
internava nos hospitais sempre que o génio caía no abismo, que o resgatava
sempre que corria mal uma saída nocturna em busca de carne jovem. Fumador
inveterado, consumindo 40 cigarros por dia, viciado em barbitúricos e, mais
tarde, em drogas leves e duras e no álcool, Saint-Laurent era pura e
simplesmente incapaz de se governar a si próprio, quanto mais uma marca que
facturava milhões e tinha centenas ou milhares de empregados. Muitos julgam que
Bergé foi um manipulador, que se aproveitou do talento ímpar de Saint-Laurent. Beautiful Fall mostra que as coisas,
como sempre sucede, são mais complexas do que pensamos. Bergé não era o macho
dominante numa relação assimétrica; pelo contrário, Yves não só mantinha a sua
liberdade como a levava aos extremos, a ponto de, anos depois, o seu
companheiro de cinco décadas afirmar, numa entrevista, que não sabe se o
costureiro verdadeiramente o amou ou se apenas necessitava dele para o apoiar
na sua atribulada existência. No campo dos negócios terrenos, foi Bergé que,
quando Yves saiu da Dior, na sequência de um colapso nervoso decorrente da sua
incorporação militar, angariou junto de um milionário americano, estabelecido
em Atlanta, os fundos necessários para abrir a casa Yves Saint-Laurent. Foi
também ele que propalou muito dos mitos que rodeiam a figura do mestre,
dizendo, por exemplo, que Yves Saint-Laurent inventou em 1966 o
pronto-a-vestir, revolucionando o mundo da moda, facto escandalosamente falso
porquanto já nos anos 1930, pelo menos, os costureiros de Paris faziam prêt-à-porter. Seria também Bergé quem
concebeu o lançamento, em 1964, do primeiro perfume YSL, o «Y», produzido em
parceria com Charles of the Ritz. Mais decisivamente ainda, foi Bergé, em larga
medida, que teceu as redes que deram acesso à altíssima aristocracia francesa,
com destaque para a princesa Marie-Hélène de Rotschild. Houve outras
personalidades-chave na iniciação da dupla Yves-Pierre nos meandros das elites
parisienses, como Clara Saint ou Loulou de la Falaise, e aos poucos os nomes
sonantes foram-se sucedendo, de Rudolf Nureyev a Bianca e Mick Jagger, passando
por Marianne Faithful, Catherine Deneuve, Helmut Berger, etc., etc.
Em tudo, como sempre, houve uma combinação
milagrosa de talento e sorte. O talento, indiscutível: com apenas 18 anos, Yves
ganhou uma exigente competição internacional de moda, cujos jurados eram nomes
de peso (Hubert de Givenchy, Pierre Balmain, Christian Dior); Karl Lagerfeld,
na altura um jovem de 22 anos vindo de Hamburgo, ficou um pouco abaixo… Não
muito depois, em 1961, Yves era nomeado costureiro-chefe da mais prestigiada
casa de moda francesa, a Dior, algo nunca visto. Enquanto isso, Lagerfeld
recebia o menos importante cargo de assistente na também menos importante casa
de Pierre Balmain… A par disso, o factor sorte, ainda que surgido sob vestes
trágicas: aos 52 anos, Christian Dior morreu subitamente, tragédia que abriu as
portas à criatividade selvagem do nouvel
enfant triste, como a imprensa da época denominava o rapaz acanhado vindo
da Argélia.
Tudo
quanto aqui se conta é apenas uma modestíssima amostra do que podeis encontrar
no interior do livro de Alicia Drake. Há sedução e escândalos, sexo e
suicídios, drogas e muita loucura, luxo e decadência. Uma obra actual,
portanto.
E
com isto já quase nos esquecíamos de uma personagem central, Jacques de Bascher
de Beaumarchais: morreu de SIDA em 1989.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Um elefante nada simpático.
Já que falamos de elefantes, o célebre
gráfico de Branko Milanovic que mostra o crescimento das desigualdades no
mundo. Melhor dizendo, se a desigualdade global diminuiu, nos anos mais
recentes 1 % dos que estão no topo dos rendimentos ganham o dobro dos 50 % que estão nos escalões mais baixos. Para mais
explicações, esta breve nota.
domingo, 13 de janeiro de 2019
Também a Turquia é assaz Sensacional.
A
Rita Canas Mendes mandou-me outra das suas pérolas, uma história de castelinhos
turcos afrancesados, falência e mil e uma coisas surpreendentes, com a chancela
Bloomberg, aqui
sábado, 1 de dezembro de 2018
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