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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Crime, disse ela.

 
 
         Eu tenho de pedir daqui as maiores mas mesmo as maiores desculpas à Joana Albernaz Delgado que, como sempre, me deu conta de material fabuloso, a que só agora respondo. Desta feita, enviou Joana os dioramas criminais de Frances Glessner Lee, que é a senhora gorducha com ar vitoriano que aparece na imagem supra. Frances Glessner Lee era uma rica herdeira americana que nasceu em 1878 e faleceu bastantes anos depois, em 1962. Enquanto nascia e morria, deu-lhe para fazer miniaturas de cenas de crimes, as quais se tornaram famosas e se chamam Nutshell Experiences of Unexplained Death, um nome fabuloso. A senhora Lee, que era uma grandessíssima filantropa, usou a fortuna da família para criar o departamento de medicina legal da Universidade de Harvard. E foi fazendo, para as aulas, estes cenários casa de bonecas, de que restam actualmente noventa, à guarda do Maryland Medical Examiner’s Office, Baltimore. Ainda são usados em palestras e seminários de medicina forense, especialidade em que Frances Lee foi pioneira. Apaixonada pelas novelas de Sherlock Holmes, é conhecida por «mãe das ciências forenses». Começou a carreira aos 52 anos, o que é bom e animador para quem ronda essa idade perigosa. Tendo em conta que para construir cada um dos dioramas se gastava três a quatro mil dólares, é questão de fazer as contas para saber, no final do dia, quanto gastou a austera senhora numa brincadeira que, em definitivo, não é para crianças. Mas parece. A casa de bonecas mais fantástica que vi está no Castelo de Windsor (ei-la!) e pouco tem a ver com estas modelagens de Frances Glessner Lee. E olhem que já vi muita casa de boneca e até construí uma para a-minha-Leonor-que-não-me-deixa-mentir. Na nutshell de Lee é muito diferente. Há um ambiente sangrento e violento que, estando associado a um imaginário infantil e pueril, torna a coisa ainda mais perversa e quiçá mesmo demoníaca (e não, não é preciso evocar os mil e um filmes de terror com bonecas assassinas ou palhaços letais). Como é evidente, ou não se passasse isto na América, há toneladas de informação sobre os dioramas de Frances Lee e até, coisa que desconhecia, documentários sobre o uso de casas de bonecas como suporte a investigações criminais. Suma consagração, as casinhas de Lee foram expostas no Smithsonian, em Washington, D.C., mostra com título muito bem caçado («Murder is Her Hobby»), como podeis ver no brevíssimo filminho que vai já a seguir. Depois do filminho, umas imagens das casas da grande tarada da minina Lee e, à laia de piéce de résistance, o trailer de um documentário de 2012 sobre esta vibrante temática e, a seguir, o próprio do documentário de 2012 sobre esta temática vibrante. Quem quiser ir ao fundo mesmo fundo desta cena, há o habitual site do taradinho que compilou tudo tudinho (http://www.deathindiorama.com/) e a mais há um livro que podeis mandar vir pela Amazon, porquanto de livrarias estamos mal: fechou a Lello na Rua do Carmo, em Lisboa, e atrocidade homicida, encerraram as portas da livraria Leitura, à Invicta (a.k.a. cidade do Porto). Um crime nunca vem só.
 
 

 











 
 
 

sábado, 12 de agosto de 2017

The Museum of Online Museums.










Sempre atenta ao que é bom, a Joana Albernaz Delgado (obrigado, Joana!) mandou-me isto, um filão inesgotável, The Museum of Online Museums'.
 
 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

O passado de uma ilusão.

 
 
  










 
A Joana Albernaz Delgado, autora de um dos mais grandiosos blogues portugueses, o PUFE, sabedora à séria destas coisas, é amiga e cúmplice no gosto pelo brutalismo arquitectónico. É uma moda fugaz, bem sei, que não resistirá muito mais do que os monstros em betão que, como se diz, «tiveram a sua época». E que estão em vias de extinção, como os dinossauros de outrora. Evocando 35 edifícios emblemáticos da arquitectura britânica do pós-guerra, um livro de Owen Hopkins – Lost Futures: The Disappearing Architecture of Post-War Britain (notícia aqui, na tímida revista GQ…)
A complementar com a leitura de outro livro (este, de História), que nunca cansarei de recomendar: Austherity Britain, de David Kynaston.
Obrigado, Joana!

 

domingo, 26 de abril de 2015

O planeta das formigas.

 
 

















Já tínhamos o Google Maps e outras maravilhas, é certo. Mas agora, pela mão da Joana Albernaz Delgado (a Joana do PUFE), conheci o Daily Overview. É um projecto que procura explorar o overview effect, a sensação que os astronautas têm quando observam o planeta lá do alto. Há livros sobre isto, vários: A Terra Vista do Espaço Celestial ou 365 Lugares a Não Perder Antes de Quinar, títulos épicos. Nada disto é novo, mas nunca deixa de surpreender. Alguns lugares são reconhecíveis, como a Étoile, em Paris, ou o Museu Judaico, em Berlim, ou os campos de tulipas, na Holanda. Outros locais advinham-se: jardins franceses a régua e esquadro, ilhas milionárias no Qatar e no Dubai, muita terra conquistada ao mar. Simetrias, rendilhados, fractais naturais ou humanos. Perca-se no mundo fora, que o Daily Overview tem muito e muito que mostrar (aqui!). O seu a seu dono: obrigado, Joana.
 

terça-feira, 17 de março de 2015

Doisneau, aos milhares







Não sei porquê, tenho a ligeira impressão que a crítica menospreza o trabalho de Robert Doisneau. Talvez não acredite na veracidade das imagens. Ou desconfie da vastidão imensa da obra. Ou, pura e simplesmente, acha o estilo delicodoce e demasiado alegre para o gosto contemporâneo. No seu encantador lirismo, Doisneau é uma espécie de Norman Rockwell da fotografia. Se dúvidas houvesse, a série Tableau de Wagner dans la vitrine de la Galerie Romi, rue de Seine, de 1948, torna flagrante a afinidade entre o francês e Rockwell – sobre o qual, reconheço, já me estiquei aqui para lá do que seria razoável.
A Joana Albernaz Delgado, feiticeira do PUFE, mandou-me a referência de um site que recolhe milhares de fotografias do acervo de Doisneau, existindo ainda uma infindável quantidade de negativos por descobrir, por revelar.
Nas suas palavras sábias, «cada um dos quadradinhos tem um mar de fotografias maravilhosas». É isso mesmo. Obrigado, Joana.