Eu tenho de pedir daqui as maiores
mas mesmo as maiores desculpas à Joana Albernaz Delgado que, como sempre, me deu conta de material fabuloso, a que só agora respondo.
Desta feita, enviou Joana os dioramas criminais de Frances Glessner Lee, que é a senhora
gorducha com ar vitoriano que aparece na imagem supra. Frances Glessner Lee era
uma rica herdeira americana que nasceu em 1878 e faleceu bastantes anos depois,
em 1962. Enquanto nascia e morria, deu-lhe para fazer miniaturas de cenas de
crimes, as quais se tornaram famosas e se chamam Nutshell Experiences of Unexplained Death, um nome fabuloso. A
senhora Lee, que era uma grandessíssima filantropa, usou a fortuna da família para
criar o departamento de medicina legal da Universidade de Harvard. E foi fazendo,
para as aulas, estes cenários casa de bonecas, de que restam actualmente
noventa, à guarda do Maryland Medical Examiner’s Office, Baltimore. Ainda
são usados em palestras e seminários de medicina forense, especialidade em que Frances Lee foi pioneira. Apaixonada pelas novelas de Sherlock Holmes, é conhecida por «mãe das ciências forenses». Começou a carreira aos 52 anos, o que é bom e animador para quem ronda essa idade perigosa. Tendo em conta que
para construir cada um dos dioramas se gastava três a quatro mil dólares, é
questão de fazer as contas para saber, no final do dia, quanto gastou a austera senhora
numa brincadeira que, em definitivo, não é para crianças. Mas parece. A casa
de bonecas mais fantástica que vi está no Castelo de Windsor (ei-la!) e pouco tem a ver
com estas modelagens de Frances Glessner Lee. E olhem que já vi muita casa de boneca e até construí uma para a-minha-Leonor-que-não-me-deixa-mentir. Na nutshell de Lee é muito diferente. Há um ambiente sangrento e violento
que, estando associado a um imaginário infantil e pueril, torna a coisa ainda mais
perversa e quiçá mesmo demoníaca (e não, não é preciso evocar os mil e um filmes de terror
com bonecas assassinas ou palhaços letais). Como é evidente, ou não se passasse
isto na América, há toneladas de informação sobre os dioramas de Frances Lee e
até, coisa que desconhecia, documentários sobre o uso de casas de bonecas como
suporte a investigações criminais. Suma consagração, as casinhas de Lee foram
expostas no Smithsonian, em Washington, D.C., mostra com título muito bem caçado («Murder is Her Hobby»), como podeis ver no brevíssimo
filminho que vai já a seguir. Depois do filminho, umas imagens das casas da grande tarada
da minina Lee e, à laia de piéce de
résistance, o trailer de um documentário de 2012 sobre esta vibrante
temática e, a seguir, o próprio do documentário de 2012 sobre esta temática vibrante. Quem quiser
ir ao fundo mesmo fundo desta cena, há o habitual site do taradinho que compilou tudo tudinho (http://www.deathindiorama.com/) e a mais há um livro que podeis mandar vir pela
Amazon, porquanto de livrarias estamos mal: fechou a Lello na Rua do Carmo, em
Lisboa, e atrocidade homicida, encerraram as portas da livraria Leitura, à
Invicta (a.k.a. cidade do Porto). Um crime nunca vem só.
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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
sábado, 12 de agosto de 2017
The Museum of Online Museums.
Sempre atenta ao que é bom, a Joana Albernaz Delgado (obrigado, Joana!) mandou-me isto, um filão inesgotável, The Museum of Online Museums'.
sábado, 25 de fevereiro de 2017
O passado de uma ilusão.
A
Joana Albernaz Delgado, autora de um dos mais grandiosos blogues portugueses, o
PUFE,
sabedora à séria destas coisas, é amiga e cúmplice no gosto pelo brutalismo
arquitectónico. É uma moda fugaz, bem sei, que não resistirá muito mais do que
os monstros em betão que, como se diz, «tiveram a sua época». E que estão em
vias de extinção, como os dinossauros de outrora. Evocando 35 edifícios
emblemáticos da arquitectura britânica do pós-guerra, um livro de Owen Hopkins –
Lost Futures: The Disappearing
Architecture of Post-War Britain (notícia aqui,
na tímida revista GQ…)
A
complementar com a leitura de outro livro (este, de História), que nunca
cansarei de recomendar: Austherity Britain,
de David Kynaston.
Obrigado,
Joana!
domingo, 26 de abril de 2015
O planeta das formigas.
Já tínhamos o
Google Maps e outras maravilhas, é certo. Mas agora, pela mão da Joana Albernaz
Delgado (a Joana do PUFE), conheci o Daily Overview. É um projecto que procura explorar o overview effect, a sensação que os astronautas têm quando observam
o planeta lá do alto. Há livros sobre isto, vários: A Terra Vista do Espaço Celestial ou 365 Lugares a Não Perder Antes de Quinar, títulos épicos. Nada
disto é novo, mas nunca deixa de surpreender. Alguns lugares são reconhecíveis,
como a Étoile, em Paris, ou o Museu Judaico, em Berlim, ou os campos de
tulipas, na Holanda. Outros locais advinham-se: jardins franceses a régua e esquadro, ilhas milionárias no Qatar e no Dubai, muita terra
conquistada ao mar. Simetrias, rendilhados, fractais naturais ou humanos.
Perca-se no mundo fora, que o Daily
Overview tem muito e muito que mostrar (aqui!). O seu a seu dono: obrigado, Joana.
terça-feira, 17 de março de 2015
Doisneau, aos milhares
Não
sei porquê, tenho a ligeira impressão que a crítica menospreza o trabalho de
Robert Doisneau. Talvez não acredite na veracidade das imagens. Ou desconfie da
vastidão imensa da obra. Ou, pura e simplesmente, acha o estilo delicodoce e
demasiado alegre para o gosto contemporâneo. No seu encantador lirismo, Doisneau é uma espécie de Norman Rockwell
da fotografia. Se dúvidas houvesse, a série Tableau
de Wagner dans la vitrine de la Galerie Romi, rue de Seine, de 1948, torna flagrante a afinidade entre o francês e
Rockwell – sobre o qual, reconheço, já me estiquei aqui para lá do que seria
razoável.
A
Joana Albernaz Delgado, feiticeira do PUFE, mandou-me a referência de um site que recolhe milhares de fotografias do acervo de Doisneau, existindo ainda uma infindável quantidade de negativos
por descobrir, por revelar.
Nas
suas palavras sábias, «cada um dos quadradinhos tem um mar de fotografias
maravilhosas». É isso mesmo. Obrigado, Joana.
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