Fotografias de João Cortes
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domingo, 25 de outubro de 2015
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
sábado, 20 de setembro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
A amnésia da praxe.
A tragédia da praia do
Meco é achar que o problema é a praxe. É fácil dizer que uma universidade de quinta
categoria atrai pessoas de quinta categoria, os piores dos quais se dedicam a
praxar os outros cruelmente, que a ralé, já se sabe, praxa mais forte do que as
elites. É fácil dizer que a solução é prender o dux, proibir a praxe ou
encerrar as universidades. Ver as coisas assim é culpabilizar os estudantes
mortos e ainda mais aqueles pais, que celebraram a entrada dos filhos numa
universidade, que foram criativos para encontrar milhares de euros sorvidos por
propinas estéreis, que lutaram por ver os seus filhos trajados, ironicamente,
de negro. Ver as coisas assim é cómodo, mas é nada ver.
A tragédia da praia do
Meco não são os grupos de jovens organizados, mas precisamente a falta deles,
tudo fruto da aridez ideológica e espiritual da sociedade portuguesa.
A praxe é uma coisa
complexa, na maioria das vezes inócua, apesar de intelectual e esteticamente
aberrante. Acredito que por detrás dos praxadores e dos conselhos de praxe, das
tertúlias e das repúblicas está um desejo de pertença a algo imaterial e de
participação na construção identitária de uma instituição, um qualquer desejo
de justiça. E é precisamente a esse desejo das Carinas, dos Pedros, das Joanas,
dos Tiagos, das Catarinas e das Andreias que a sociedade portuguesa e as
universidades não têm dado alternativas de qualidade, socialmente validadas,
empurrando-os para as ondas do Meco.
Uma sociedade que
ridiculariza a fé da miúda beata que acaba o curso e quer ser missionária em
Moçambique ou os ideais do jotinha que integra as listas para as eleições na
sua freguesia, um povo que desconfia da sanidade mental do casal de namorados
que se manifesta contra o aborto em frente da Clínica dos Arcos, ou do casal
que Setembro após Setembro ajuda na organização da festa do Avante é uma
sociedade que inunda e afoga.
De repente, todos somos
especialistas em rituais secretos, marés e amnésias selectivas. Amnésia selectiva
é acharmos que a culpa é do dux e não nossa. Todos somos mar do Meco.
João Taborda da Gama
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
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