A
Joana é uma amiga artista e que artista amiga, que faz colagens em papel,
colagens digitais, pintura, desenho, animação, uma animação. E fez um pastiche
de A Grande Onda, de Hokusai, que
aqui há atrasado foi muito ventilado neste blogue. Esta onda da Joana, como
está bem de ver, tem crítica ao consumismo e ao desperdício, às grandes
colossais ondas de lixo que devoram os mares das outras, que Hokusai pintou.
Para conhecer o trabalho da Joana Dias é ver aqui, senhores.
Um
Longo Verão no Japão é um projecto encantador de amor pelo Japão, que partilho.
No Verão estão a pensar ir ao Japão, programa acima. Veremos se irão ou ou não.
Oxalá vão.
O
Jorge e a Anabela, como já disse, estiveram no Japão para mais uma jornada da
Diaries of. Viajantes à séria, imersão total. E agora o vídeo de
apresentação do último número da revista.
Quando todos os dias se sucedem
notícias sobre aquecimento global, extinção de espécies, perda de
biodiversidade, o exemplo que uma nação «civilizada» como o Japão dá ao mundo é
este, terrível. Após 30 anos, repetimos: 30 anos, três décadas, de proibição, o
Japão decidiu o impensável e autorizou que fosse retomada a pesca comercial de baleias. Trinta anos não deram para que a frota pesqueira e os pescadores se
adaptassem, que os hábitos alimentares se alterassem, largando de vez o apetite
voraz por baleias? Ou será que, como avançam alguns, nestes trinta anos se
manteve a pesca comercial de baleias, disfarçada de propósitos «científicos»? Seja como for, fica a questão: que se obtiver de
lucro nesta matança compensa o dano causado na imagem do Japão no mundo?
Um
provérbio japonês diz que as crianças nipónicas conhecem as costas dos pais (ou
os pais pelas costas), com isso querendo significar o pouco tempo que os
progenitores masculinos passam com elas, sempre a caminho do trabalho. Não é o
caso dos pais & filhos fotografados por Bruce Osborn, autor do livro Oyako, um acervo encantador de retratos
luminosos e felizes, por vezes desarmantes. Conheci-o nas páginas do último
número da revista Courier Internacional,
inteiramente dedicado ao Japão, uma fantástica revista, que vale a pena comprar
e guardar. Pelos retratos de Bruce Osborn, por vários textos belíssimos e pela
espantosa fotorreportagem de Arlindo Camacho. Arigato!
Recém-chegado de Hong-Kong e das
Filipinas, o Pedro Franco trouxe-me a triste notícia da morte súbita, aos 65
anos, do fotógrafo alemão Michael Wolf (aqui). Wolf ficou conhecido por
fotografar a «arquitectura da densidade», hoje um cliché turístico para os
milhares que visitam Hong Kong. E, a par de arranha-céus desumanos de tão sobrepovoados,
Wolf ficou também célebre pelas suas fotografias de rostos no metro do Tóquio,
as caras de homens e mulheres esmagados contra janelas perladas de condensação.
O mundo é um lugar estranho.