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segunda-feira, 9 de março de 2020

Declínio e queda.


obrigado, Rui!




Ao ter visto o anúncio deste documentário aqui no Malomil, um leitor atento e assíduo mandou uma notícia sobre a Festa do Xá, constante do Le Monde. Obrigado, José Rentes de Carvalho, um grande abraço, com a muita amizade do António.



  

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O #MeToo da Pérsia.




A revolução de 1979 foi uma salada russa, e não um monólito islamita. Além dos islamistas, outros grupos participaram no levantamento: comunistas, socialistas, nacionalistas laicos, etc. Encarnando a figura da intelectual laica, a juíza progressista Shirin Ebadi engrossou as fileiras que derrubaram o Xá. A desilusão, porém, não tardou. Ebabi julgava que o Irão caminharia para um regime constitucional inspirado em Mosaddegh, mas, na verdade, caminhou no sentido do totalitarismo. Tal como os outros mencheviques, Ebadi foi aniquilada pelos bolcheviques, os islamistas de Khomeini. E se o Xá reprimia apenas o processo político (modelo autoritário), Khomeini começou a reprimir toda a sociedade (modelo totalitário). As maiores vítimas deste totalitarismo foram as mulheres. Pelo simples facto de ser mulher, Ebadi perdeu o cargo de juíza.
Ao longo das suas memórias (O Despertar do Irão, Guerra & Paz), Ebadi utiliza muito a palavra “segregação”. Uma palavra apropriada, sem dúvida. O Irão transformou-se numa espécie de Apartheid com a misoginia no lugar do racismo. Qualquer demonstração de feminilidade passou a estar no centro da política. Até podemos dizer que esta teocracia foi construída sobre um grande pilar: impedir que as mulheres infectem os homens; a mulher é por inerência uma rameira que desorienta o homem, esse ser casto que é apanhado desprevenido pela peçonha da fêmea. Este totalitarismo de alcova gerou e ainda gera um ambiente tão sinistro e absurdo que por vezes chega a ser cómico. Ao longo da leitura de O Despertar do Irão ficamos muitas vezes com a impressão de estarmos perante uma série de humor nonsense. Por exemplo, as festas de anos das filhas de Ebadi tinham de ser realizadas durante a hora de ponta, pois desta forma o ruído dos carros abafava o som da aparelhagem. Se descobrisse a festa, a polícia dos costumes (komiteh) invadiria a casa. As festas eram proibidas, tal como o álcool e cassetes de música. Eram e julgo que continuam a ser.
A restante lista do nonsense é interminável: se for apanhada com maquilhagem, uma mulher pode ser presa; se mostrar o pulso, uma jovem pode ser humilhada em público; se mostrar o tornozelo, uma rapariga pode ser açoitada. Ser mulher é um pecado, logo qualquer centímetro do corpo feminino é pecaminoso, mesmo o tornozelo, que, como se sabe, é uma proeminência deveras excitante. Perante este retrocesso da condição feminina, Ebadi começou uma segunda vida enquanto advogada das causas difíceis: a defesa dos dissidentes e a defesa das mulheres. Tornou-se particularmente subversiva, porque nunca invocou leis e teorias de Direitos Humanos exteriores à tradição islâmica. Para criticar a teocracia, Ebadi usou sempre os códigos morais do Islão, provando com isso duas coisas: o radicalismo islamita não respeita o Islão, e não existe um abismo irreconciliável entre a fé islâmica e a decência constitucional.
Camelia Entekhabifard (jornalista exilada nos EUA) nasceu em 1973, isto é, tem a idade das filhas de Shirin Ebadi. Nas suas memórias (O Preço da Liberdade, Edições Asa), podemos ver que a demência surreal não anulou apenas a vida profissional de mulheres maduras como Ebadi. O rolo compressor do nonsense também chegou à vida das adolescentes. Por exemplo, Entekhabifard foi espancada por usar sandálias sem meias no pico do Verão. No sistema educativo, Entekhabifard presenciou a implementação da segregação através do fim das escolas mistas. Parece que as cartas de amor e os beijos fugidios são armas de destruição massiva. Entekhabifard viu rapazes a serem açoitados e raparigas a serem levadas a um hospital para que um médico confirmasse a sua virgindade. O seu crime? Estavam numa festa. Quando cresceu, Entekhabifard serviu uma vingança bem fria ao regime através do seu trabalho jornalístico que apontou baterias a esta patética sexualização da política: fez peças sobre a “revirginização de raparigas” e sobre a prostituição na cidade santa de Qom. Pagou caro esta coragem: ameaças de morte, prisão, tortura, exílio.
Devemos notar que a luta de Entekhabifard e Ebadi não tem como referência uma noção abstracta de Direitos Humanos ou de Direitos da Mulher. Pelo contrário, estas duas mulheres têm como referencial a memória familiar e a sociedade iraniana pré-79. Entekhabifard não esconde o respeito pelo legado do Xá e da Imperatriz Diba no que diz respeito à emancipação das mulheres. Ao invés de Entekhabifard, Ebadi deplora a velha dinastia, mas não nega que os Pahlavi dignificaram a condição feminina, um pouco à imagem do programa laico de Atatürk na Turquia. Antes de 1979, Teerão era uma grande metrópole com um leve ar cosmopolita. Nos anos 60 e 70, a liberdade e a libertinagem de Teerão não seriam as mesmas de Greenwich Village, mas a capital da Pérsia estava mais próxima do Ocidente do que de Riade ou Islamabad. Neste ambiente de abertura, Shirin Ebadi teve a possibilidade de entrar na magistratura, e a meninice de Entekhabifard foi semelhante à de qualquer jovem ocidental: bonecas Barbie, acesso a qualquer tipo de livros, festas, maquilhagem, música punk e a idolatria dos ícones pop americanos. Esta normalidade muito ocidental descrita por Ebadi e Entekhabifard foi interrompida pela revolução islamita. Nós, ocidentais, habituámo-nos a ver o Irão como um sinónimo de fanatismo religioso e de anti-ocidentalismo, mas na verdade o Irão é porventura o país muçulmano mais parecido com o Ocidente. Não por acaso, Marjane Satrapi escreveu esse grande romance gráfico chamado Persépolis (Edições Contraponto) para provar este ponto: a normalidade iraniana está mais próxima do cosmopolitismo do que do islamismo, até porque a Pérsia é anterior ao próprio Islão.
Persépolis é um romance sobre a família e sobre a pátria, sobre o carinho familiar e sobre a busca de uma redenção colectiva - para a família e para o país. Através das vinhetas da Satrapi-criança, vemos a luta contra o Xá e, logo depois, a desilusão perante o desenlace da revolução. Através das vinhetas da Satrapi-adolescente, vemos a resistência do espírito perante a opressão: as festas às escondidas, a compra de cassetes à socapa, o desafio aos professores, a avó que ensina a neta a colocar jasmim no sutiã, a fuga para a Áustria. Através das vinhetas da Satrapi-adulta, vemos uma sociedade cosmopolita a resistir às escondidas, isto é, vemos um país esquizofrénico onde as pessoas têm uma – falsa – persona pública e um – verdadeiro – alter ego privado. E é esta sufocante esquizofrenia que leva Satrapi ao exílio derradeiro em França. Mas, apesar deste sabor trágico, Persépolis não deixa o Irão (e o leitor) num beco sem saída. O livro é percorrido por um espírito de esperança e de orgulho em relação à pátria persa. Como todas as grandes escritoras, Satrapi não mostra isso de forma explícita, mas o patriotismo está lá, escondido nos pormenores. É como se Satrapi acreditasse que a Pérsia tem a redenção à sua espera. E, de facto, o regime de 1979, ao contrário da civilização persa, não pode durar para sempre. O seu fim até pode estar mais próximo do que se pensa. A geração que devia estar a consumar a revolução islamita, a geração de Satrapi, está a contestá-la. Aliás, Persépolis confirma uma das frases mais fortes de Shirin Ebadi: “a juventude iraniana permanece animadamente pró-americana”. O Irão ainda vai ser nosso amigo. Um país onde as avós enchem o sutiã com jasmim só pode ser nosso amigo.


Henrique Raposo


 

 

Ensaio publicado em 2012 na revista do Expresso (no Actual, se a memória não me valha); o título original é “o Irão é nosso amigo”.

 

 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Crocodilos no Árctico.

 
 
 
 
A história que ides ouvir é cheia de encantamentos. Chegou das terras da Pérsia, país que é hoje o Irão. Por isso, será verdadeira, ou não. Em boa das verdades, tudo pode não passar de uma montagem, de artes de propaganda, ao invés de reportagem, daquelas em que se narra uma história talqualmente ela aconteceu na realidade de facto. A fonte da nossa história, advertimos, é tão fabulosa que tresanda a suspeita. Os retratos vêm da ISNA, que em inglês se chama Iranian Students’ New Agency. Um jornal britânico de grande circulação publicou a história há coisa de um mês atrás. Mas daí, como é evidente, não decorre a sua fidedignidade. Chamamos a atenção para o facto de, tirando a China, o Irão ser o país do mundo onde todos os anos mais pessoas são condenadas à morte e, depois, executadas. Ainda em Outubro passado, um condenado foi executado, a morte clinicamente declarada, mas regressou à vida numa morgue de Bojnurd. Não haviam os seus carrascos feito o competente trabalho com a exigida e irreversível eficácia. E vá de decidirem que o rapaz, com 37 anos, novamente haveria de ser sujeito à derradeira das penas.  
É outra, porém, a nossa história, bem mais edificante. Sucedeu no mês passado, segundo parece. Aqui há atrasado, mais precisamente há sete anos, Balan, que tinha 20 anos de idade, esfaqueou mortalmente Abdullah Hosseinzadeh, que tinha 18 anos de idade. Passou-se isso numa rixa ocorrida na vilória de Royan, que fica na província de Mazandaran. Por delito de homicídio, Balan foi condenado à morte e, em aplicação da lei lá deles, a sharia, é a família da vítima que tem o sinistro privilégio de empurrar a cadeira que sustenta o enforcado antes do instante fatal. A cadeira, que ali a vedes em baixo, estava destinada a Balal, por breves minutos apenas. Entardecia. A multidão aglomerava-se para assistir à morte iminente. Entre o povo ali todo ajuntado, estava até inclusive a família do condenado. A mãe de Balan, o infortunado, que também a vedes, envergava um fato-treino em poliéster, com duas riscas rubras. Uns façanhudos com barba de três dias levaram então o rapaz à forca. Leram-lhe o veredicto. Nisto, a mãe da vítima levanta-se. E que faz, a senhora? Prega uma valente bofetada na cara do assassino, acompanhada de uma prédica de Direito Penal, proferida toda na língua deles. Milagre, milagre, há crocodilos no Árctico!, terá decerto pensado o vasto público presente. A história tem outros ingredientes, estes oníricos. Não era o primeiro filho que aquela mãe perdera. Antes de Abdullah, falecera Amirhossein, num acidente de moto, aos 11 anos de idade. Insiste-se: Abullah, esfaqueado, era o segundo filho que aquela mãe perdera. Ainda assim, ao desejo de vindicta sobrepôs-se o piedoso instinto, ditado segundo dizem por uns sonhos que lhe acudiram ao espírito. Três dias antes da execução, confessou o marido à mídia, a senhora sonhou com o filho. Disse-lhe este que, tirando uma valente dor de rins, estava bem de saúde. E vivia, sem tirar nem pôr, no paraíso celeste. Para quê, então, a mortal retaliação? Até o marido concordou, confessando à mídia que o homicida não era mau rapaz de todo, apenas desconhecia como se maneja uma faca numa rixa iraniana. Ali onde o vedes, o pai da vítima é aquele a quem, no final, a mãe do condenado beija as mãos. Esse mesmo, igualzinho ao Veloso, antigo internacional do SLB. As duas mães abraçam-se. O pai e a mãe da vítima vão ao ponto de ajudar a retirar o baraço do pescoço de Balan, o homicida do seu filho. A multidão, que ali estava para presenciar um enforcamento de final de tarde, termina a aplaudir o gesto misericordioso. E Balan, que estava mesmo a ver a vida a andar para trás, manifesta o seu alívio através de um tocante pranto. Ponham-se no lugar dele, vá. Depois, porque o caso era, e é, sensacional, fizeram até uma reportagem com os Hosseinzadeh em sua casa. Em cima da mesa, as fotografias dos dois filhos desaparecidos. No final da história, por intercessão da misericórdia, só existe uma campa, lá onde poderiam estar duas. Falando em duas, duas pessoas são executadas por dia no Irão.  
 
 
 




































quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O mundo é um lugar estranho.

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A história é contada aqui. Em Teerão, Alireza Mafiha foi condenado à de morte, por roubo. Minutos antes de ser enforcado, procurou amparo de quem estava mais próximo: o carrasco que o iria matar dali a instantes. No seu ombro, chorou. Depois, foi morto. Enforcado por aquele que o tinha confortado minutos antes. Nada disto faz sentido, pois não?  

terça-feira, 1 de maio de 2012

O mundo é um lugar estranho - 4

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No momento de urinar ou defecar, é necessário agachar-se de modo a não ficar de frente nem dar as costas para Meca.
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Não é necessário limpar o ânus com três pedras ou três pedaços de pano, uma só pedra ou um só pedaço de pano bastam. Mas, se se o limpa com um osso ou com coisas sagradas como, por exemplo, um papel contendo o nome de Deus, não se pode fazer orações nesse estado.
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É preferível agachar-se num lugar isolado para urinar ou defecar. É igualmente preferível entrar nesse lugar com o pé esquerdo e dele sair com o pé direito. Recomenda-se cobrir a cabeça durante a evacuação e apoiar o peso do corpo no pé esquerdo.

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Durante a evacuação, a pessoa não se deve agachar de cara para o sol ou para a lua, a não ser que cubra o sexo. Para defecar, deve também evitar agachar-se exposto ao vento, nos lugares públicos, na porta da casa ou sob uma árvore frutífera. Deve-se igualmente evitar, durante a evacuação, comer, demorar e lavar o ânus com a mão direita. Finalmente, deve-se evitar falar, a menos que se seja forçado, ou se eleve uma prece a Deus.



A carne de cavalo, de mula e de burro não é recomendável. Fica estritamente proibido o seu consumo se o animal tiver sido sodomizado, quando vivo, por um homem. Nesse caso, é preciso levar o animal para fora da cidade e vendê-lo.
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Quando se comete um acto de sodomia com um boi, um carneiro ou um camelo, a sua urina e os seus excrementos ficam impuros e nem mesmo o seu leite pode ser consumido. Torna-se, pois, necessário matar o animal o mais depressa possível e queimá-lo, fazendo aquele que o sodomizou pagar o preço do animal ao seu proprietário.

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Onze coisas são impuras: a urina, os excrementos, o esperma, as ossadas, o sangue, o cão, o porco, o homem e a mulher não-muçulmanos, o vinho, a cerveja, o suor do camelo comedor de porcarias.

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O vinho e todas as outras cervejas que embriagam são impuros, mas o ópio e o haxixe não o são.





O homem que ejaculou após ter tido relações com uma mulher que não é sua e que de novo ejaculou ao ter relações com a legítima esposa não tem o direito de fazer orações se estiver suado; mas, se primeiro tiver tido relações com a sua mulher legítima e depois com uma mulher ilegítima, poderá fazer as suas orações mesmo se estiver suado.
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Por ocasião do coito, se o pénis penetrar na vagina da mulher ou no ânus do homem completamente, ou até o anel da circuncisão, as duas pessoas ficarão impuras, mesmo sendo impúberes, e deverão fazer as suas abluções.



No caso de o homem — que Deus o guarde disso! — fornicar com animal e ejacular, a ablução será necessária.
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Durante a menstruação da mulher, é preferível o homem evitar o coito, mesmo que não penetre completamente — ou seja, até o anel da circuncisão — e que não ejacule. É igualmente desaconselhável sodomizá-la.




Dividindo o número de dias da menstruação da mulher por três, o marido que mantiver relações durante os dois primeiros dias deverá pagar o equivalente a 18 nokhod (três gramas) de ouro aos pobres; se tiver relações sexuais durante o terceiro e quarto dias, o eqüivalente a 9 nokhod e, nos dois últimos dias, o eqüivalente a 4½ nokhod.
Sodomizar uma mulher menstruada não torna necessários esses pagamentos.
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Como refere o extraordinário Iconic Photos, que aqui me limito a traduzir, em 27 de Agosto de 1979, em Sanadj, no Irão, nove rebeldes curdos e dois antigos oficiais da polícia foram julgados e condenados à morte. A sua execução pelos Guardas da Revolução foi fotografada e uma das fotografias, que mostro com mais nitidez, foi publicada no Ettela’at, um jornal de Teerão. A fotografia conseguiu ser levada para o Ocidente e, dois dias depois, vários jornais do mundo publicaram-na. Por razões de segurança, não indicaram a fonte. O nome do fotógrafo também permaneceu incógnito. O editor do Ettela’at, igualmente por razões de segurança, com receio de represálias, nunca identificou o autor das imagens. Fez bem. Tempos depois, os Guardas da Revolução invadiram a redacção do Ettela’at e confiscaram as fotografias - e o jornal só não foi encerrado por ser o mais antigo do país.
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A imagem, chamada «Pelotão de Execução no Irão», foi a única de um autor anónimo a obter o Prémio Pulitzer em 90 anos de existência deste galardão. Em 2006, um fotógrafo iraniano, Jahangir Razmil, revelou que era ele o autor das imagens, que durante anos escondera em sua casa. A ironia da história reside no facto de Razmil ser o fotógrafo oficial dos Presidentes do Irão desde 1997.
Obtive a série de imagens aqui, onde foram publicadas pela primeira vez. Cruzei-as com alguns dos 3.000 mandamentos que Khomeini ditou em três livros Valayaté-Faghih, Kachfol-Astar e Towzihol-Masael (O Reino do Erudito, A Chave dos Mistérios e A Explicação dos Problemas). Estes são os seus três livros-chave, onde são expostos seus ensinamentos, e foram publicados em vários países sob o título genérico de O Livro Verde dos Princípios Políticos, Filosóficos, Sociais e Religiosos do Aiatolá Khomeini.
Para concluir, mais alguns ensinamentos de Khomeini e uma imagem do seu caótico funeral - as fotografias, uma vez mais, foram apreendidas -, podendo obter-se uma explicação da referida imagem no já citado, e nunca por demais louvado, blogue Iconic Photos, aqui. A conclusão? O mundo é um lugar estranho.

António Araújo




Se o homem tiver relações sexuais com a sua mulher durante três períodos menstruais, deverá pagar o equivalente em ouro a 31½ nokhod. Caso o preço se tiver alterado entre o momento do coito e o do pagamento, deverá ser tomado como base o preço vigente no dia do pagamento.
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De duas maneiras a mulher poderá pertencer legalmente a um homem: pelo casamento contínuo e pelo casamento temporário. No primeiro, não é necessário precisar a duração do casamento. No segundo, deve-se indicar, por exemplo, se a duração será de uma hora, de um dia, de um mês, de um ano ou mais.
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Enquanto o homem e a mulher não estiverem casados, não terão o direito de se olhar.
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É proibido casar com a mãe, com a irmã ou com a sogra.
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O homem que cometeu adultério com a sua tia não deve casar com as filhas dela, isto é, como suas primas-irmãs.
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Se o homem que casou com uma prima-irmã cometer adultério com a mãe dela, o casamento não será anulado.
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Se o homem sodomizar o filho, o irmão ou o pai de sua esposa após o casamento, este permanece válido.
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O marido dever ter relações com a esposa pelo menos uma vez em cada quatro meses.
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Se, por motivos médicos, um homem ou uma mulher forem obrigados a olhar as partes genitais de outrem, deverão fazê-lo indiretamente, através de um espelho, salvo em caso de força maior.
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É aconselhável ter pressa em casar uma filha púbere. Um dos motivos de regozijo do homem está em que sua filha não tenha as primeiras regras na casa paterna, e sim na casa do marido.
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A mulher que tiver nove anos completos ou que ainda não tiver chegado à menopausa deverá esperar três períodos de regras após o divórcio para poder voltar a casar.
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Qualquer comércio de objetos de prazer, como os instrumentos musicais, por menores que sejam, é estritamente proibido.
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É proibido olhar para uma mulher que não a sua, para um animal ou uma estátua de maneira sensual ou lúbrica.



Funeral de Khomeini, 1989