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domingo, 6 de dezembro de 2020

Prendas de Natal 2020.

 



Prendas de Natal 2020.

 

Abriu a época das sugestões, dos passeios aos presentes. Se a quadra confina ou desconfina, ainda não se sabe, menina. Não há é como evitar a besta, o assunto-assombração do regime fechado.

Segue, por conseguinte, um combinado de sugestões devidamente ajustado à época, a de 2020. E não se fala mais nisso, no pasa nada.

Também não se passa nada, nada de nada, em As Jóias da Castafiore, a deliciosa -- de todas, talvez a mais deliciosa -- banda desenhada de Hergé. Ao contrário das outras aventuras de Tintim, trepidantes de viagens e vilões, nesta ninguém vai a lado algum, nem acontece coisa alguma. Ou acontece tudo, um tudo que é nada e um nada que é tudo, num delirante novelo de peripécias e mal-entendidos em que toda a gente se agita sem sair do sítio, o castelo de Moulinsart.

Ora esta comédia imóvel, a anti-aventura em huis clos a que até um filósofo famoso consagrou um extenso artigo em torno da impossível comunicação entre os seres humanos, é também uma engenhosa brincadeira inspirada no enredo de La Gazza Ladra (A Pega Ladra), uma ópera de G. Rossini que, essa, não é considerada nem cómica, nem séria, mas sim… “semi-séria”. E chamar a algo “semi-sério” é já por si mesmo, convenhamos, um nadinha cómico.

O que Hergé talvez desconhecesse – mas o acaso faz bem as coisas, como se sabe -- é a pequena história por detrás da própria criação da Gazza Ladra. Consta que o diretor do Scala de Milão, conhecendo como conhecia a incontível alegria de viver de Rossini e temendo não ter a ópera pronta a tempo da estreia, confinou o pobre compositor no quarto. Gioachinno não tinha o direito de sair e atirava as partituras da Abertura pela janela para serem distribuídas pelos músicos da orquestra.

Custa a crer que um tema que tanto nos induz a contemplar o teatro do mundo em modo divertido, a banda sonora que o transfigura, tenha sido composto nestas condições. É fazer a experiência logo na dita Abertura, a partir do minuto 4’20’’.

E as Jóias da Castafiore? Ah... nem tudo o que reluz é ouro. Mas que interessa isso à pega? Só mesmo a Castafiore, o Rouxinol Milanês, é que se aflige -- e nós com ela, mais os castiçais que ela estilhaça nos agudos ao cantar a “Ária das Jóias”, da ópera Fausto, de C. Gounod. Haverá alguém que tenha lido a banda desenhada e não tenha ardido de curiosidade de saber a que soava “AAAAAh je ris, de me voir si belle en ce miroir….”.  Soa assim, a partir do minuto 2’20’’, na voz grande de Anna Netrebko.

Boas compras, como dizem no supermercado.


Manuela Ivone Cunha

 





segunda-feira, 9 de novembro de 2020

sábado, 3 de outubro de 2020

Grandes Variações.

 




Depois de tanto falatório sobre o António Variações, confesso que tinha receio deste livro, que hoje li. É uma notável biografia, com informação, investigação e ilustração, todas magníficas. Na mesma colecção, já tinha lido a do Bowie. Esta é incomparavelmente melhor. Sim senhor, conseguiram surpreender – e muito, muito positivamente.


                             



 


quinta-feira, 23 de julho de 2020

Parabéns, António Cabral.









Não há coincidências? Poças, só há. Ontem, no dia de aniversário de António Cabral, o maior tintinólogo que conheço (além de uma pessoa extraordinária, claro), no dia do aniversário de António Cabral, dizia, surgiu a notícia de que o original do Lótus Azul, de Hergé, foi descoberto num caixote ou caixa ou lá o que é e vai ser leiloado em grande, com previsões de 3 milhões. Não tendo, de momento, disponibilidade para oferecer um presente tão vultuoso, junto envio a imagem acima, que não é o original mas imita bem e até anda lá perto, tão perto como o meu abraço, de parabéns e muita amizade (quanto ao mais, é só imprimir, recortar e emoldurar)










sexta-feira, 19 de junho de 2020

São Cristóvão pela América (19).





O Cleveland Museum of Art , ainda fechado, também tem iluminuras. De um anónimo flamengo conhecido como o Mestre do Primeiro Livro de Orações de Maximiliano, o Livro de Horas de Isabel a Católica de cerca de 1500:




Do Mestre das Iniciais de Bruxelas, o livro de Horas de Carlos o Nobre, rei de Navarra, feito em França no Século XV:




De um Livro de Horas impresso por Guillaume Le Rouge em Paris no Século XVI:




No Art Institute of Chicago da autoria de Martín de Soria e do último quartel do Século XV, uma magnífica sequência de quatro episódios da história de São Cristóvão. 

A seguir, São Cristóvão encontra o Diabo e São Cristóvão perante o Rei da Lícia:


São Cristóvão despedindo-se do Rei que temia o Diabo e São Cristóvão e os seus convertidos:


José Liberato














sexta-feira, 5 de junho de 2020

São Cristóvão pela América (15).




Os Harvard Art Museums, também fechados, têm um acervo notável.

Comecemos pela gravura.

Do anónimo Mestre FVP activo na Flandres na 2ª metade do Século XV:




De uma edição de 1507 da Lenda Dourada de Voragine, publicada em Lübeck, o capítulo referente a São Cristóvão com uma ilustração:




De um anónimo de Veneza, uma gravura do Século XVI, tendo em baixo uma oração ao Santo implorando uma boa colheita de fruta:




De um gravador francês do Século XIX que assinava J. Hebert:



De Orazio Borgianni (1574-1616), versão em gravura de um quadro do próprio:




E finalmente de Bartolomeo Biscaino (1632-1657), uma gravura representando São Cristóvão de joelho em terra, talvez no momento em que, não obstante o peso, termina a sua missão de conduzir o Menino ao outro lado da margem:




José Liberato












Obrigadhiggs.








Estas ilustrações são do Vítor Higgs e termos uma coisa nossa ilustrada assim é assim uma coisa hum, sem palavras. Obrigado, Vítor.






sábado, 30 de maio de 2020

São Cristóvão pela América (13).






O Walters Art Museum em Baltimore, Estado do Maryland, é o resultado da doação em 1931 de uma colecção de arte constituída por dois Walters, pai e filho. A fortuna proveio essencialmente dos caminhos de ferro.

Está fechado por razão da pandemia.

Contém inúmeras obras alusivas ao Santo. Nem todas estão aqui apresentadas.

Um azulejo que os peritos identificam através de uma inscrição como representando São Cristóvão. É bizantino, do Século X e o Santo apresenta-se com um vestido de corte bizantino:



Da autoria de Catarino Veneziano que assina em baixo ao centro, este políptico é datável do terceiro quartel do Século XIV. Muito curiosa a figura do patrocinador ajoelhado aos pés da Virgem e de dimensão minúscula. À esquerda de Maria, São Cristóvão e São Tiago Maior, à direita, Santo Antão e São João Baptista. Em cima, ladeando a Crucificação, Santa Lúcia e Santa Catarina.

A meio corpo, Santa Úrsula, São Bartolomeu, Santa Clara e Santa Bárbara:



Também uma iluminura com o nosso Santo faz parte do espólio da colecção. Do segundo quartel do Século XV:



Outra iluminura, esta proveniente de Leiden, Holanda, primeiro quartel do Século XVI:




De um pintor anónimo da Úmbria, Itália, do final do Século XVI, um óleo:


Um painel de madeira que devia fazer de um relicário pintado. Estão representados São Lourenço, São Cristóvão, São Sebastião e um santo bispo. Da autoria de Mariotto di Nardo, primeira metade do Século XV:




José Liberato









quarta-feira, 27 de maio de 2020

São Cristóvão pela América (12)






Continuamos no mundo das iluminuras.

Ainda no J. Paul Getty Museum em Los Angeles, do Livro de Horas de Denise Porcher e da autoria do chamado Mestre de Jacques de Besançon, uma imagem do Santo ilustrando a sua história.

Iluminura feita em Paris:



Dos irmãos Limbourg, activos em França e na Borgonha no início do Século XV, um belo desenho, ao estilo das iluminuras, da National Gallery of Art em Washington. Os irmãos Limbourg foram os autores do mais conhecido livro de iluminuras da época, Les Riches heures du duc de Berry:



O Philadelphia Museum of Art é outro museu fechado nos Estados Unidos devido à crise sanitária. Deste museu reproduzem-se aqui dois óleos, um desenho e uma gravura.

Possui o museu este óleo sobre cabedal do Século XVII proveniente de Espanha representando Santa Ana e o nosso Santo, de autor anónimo:



Do pintor da Idade de Ouro Holandesa Wallerant Vaillant (1623-1677), nascido em Lille, um desenho representando a travessia do rio mas numa noite de Lua Cheia:



E finalmente uma gravura, datada de 1605, da autoria do flamengo Aegidius Sadeler II (1570-1629), a partir de um quadro de Jacopo Bassano, muito reproduzido na iconografia de São Cristóvão:



Finalmente uma cópia de uma obra perdida de Jan Van Eyck pintada por um seguidor no terceiro quartel do Século XV:




José Liberato












domingo, 24 de maio de 2020

São Cristóvão pela América (11).





Nesta peregrinação pelo mundo dos museus americanos a propósito de São Cristóvão, chegamos ao mundo das iluminuras, muitas vezes não exibidas devido à sua delicadeza e mesmo devido à dificuldade da sua exposição.

Nos Estados Unidos, o J. Paul Getty Museum em Los Angeles é o grande detentor de exemplares desta forma artística que teve o seu apogeu no final da Idade Média.

Todas as iluminuras hoje apresentadas são deste museu.

De um Livro de Horas feito em França no primeiro quartel do Século XV pelo anónimo conhecido como Mestre Spitz, uma belíssima iluminura de São Cristóvão. No rebordo cenas da vida do Santo:



De outro Livro de Horas do Mestre flamengo Guillebert de Mets, activo na primeira metade do Século XV, uma imagem do Santo rodeada de motivos vegetais:



Neste Livro de Horas do final do Século XV, da autoria de Georges Trubert, activo em Nápoles e na Provença, São Cristóvão ilustra a letra S. De referir os monstros no fundo da página:



Da autoria de um flamengo, Willem Vrelant, activo em Bruges na segunda metade do Século XV:



O Livro de Horas de Llangattock tem São Cristóvão a ilustrar a letra O. Do terceiro quartel do Século XV, produzido em Bruges:



José Liberato