Não
conhecia nada disto, mas a soberba revista do El País deu-ma a conhecer, a artista de
origem cubana Ana Mendieta. Em 1985, caiu de uma janela em NY, uns dizem que foi
acidente, outros suicídio, muitos homicídio, às mãos do companheiro, o escultor
minimalista Carl Andre, que foi julgado – e ilibado. Apesar disso, muitos e
muitas continuam a jurar que é culpado, lançaram movimentos e petições e, mais
grave ainda, invadem as suas exposições, tentam – e conseguiram – destruir-lhe
a carreira. Há muito de fascismo nisso. Muito, muitíssimo.
Mostrar mensagens com a etiqueta Cuba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cuba. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Diálogo com os Meninos, pelo Doutor Fidel Castro.
Eu sei que é um pouco tarde e que
vocês estão há várias horas de pé, por
isso vou ser breve para dizer-lhes algumas coisas que sinto neste momento.
segunda-feira, 21 de maio de 2018
Lá no alto.
Há uns anos, poucos, pudemos ver no
DocLisboa (de 2014) um documentário espantoso. Out of the Present, de Andrei Ujică, contava a história extraordinária, de
mistério e imaginação, do cosmonauta Sergei Krikalev (ou Krikaliov), que em
1991 embarcou na estação espacial Mir ainda nos tempos da União Soviética e,
enquanto estava no espaço, não se apercebeu do colapso da pátria dos sovietes.
Chegou à Terra e já não existia URSS, dizendo-se que «foi a primeira pessoa a
observar o fim de uma era histórica do ponto de vista dos deuses».
Serguei Krikaliev (n. 1958)
|
A história de Krikalev foi agora retomada
num outro filme, que ainda não vi, e segundo sei, ainda não aterrou em Portugal
– esperemos que chegue em breve. Chama-se Sergio
& Serguéi e é uma película hispano-cubana, meio abarracada e cómica, dirigida por Ernesto Daranas.
Vamos ver, vamos vê-la.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Mais um caso de vírgulas...
Neste
ano em que, em Outubro, se assinala o 50º aniversário do assassinato de Che Guevara,
o meu grande amigo António Duarte Silva
(obrigado, DS!) chamou-me a atenção para um texto saído aqui, em que se demonstra – ou, melhor dizendo, se afirma,
de forma muito fundamentada – que, durante anos, Fidel Castro deturpou e manteve
um equívoco sobre a mais famosa das proclamações de Guevara.
Na
carta de despedida de Guevara, lida por Fidel em Havana, em 1965, o célebre dito
hasta la victoria sempre. Ora, como
se detecta facilmente no livro Evocación,
escrito por Aleida March, companheira de Guevara, o que este terá pretendido
dizer foi hasta la victoria,
siempre ¡Patria o Muerte!
Conversamos sobre
muchos temas, me acuerdo de sus reflexiones sobre el contenido de su carta de
despedida leída por Fidel y de que insistía mucho en la importancia que
tenía para él. Nunca olvidaré lo diáfano que fue cuando me expresó su
convicción de que donde quiera que fuera a luchar después del Congo, incluso
allí, su grito de guerra sería siempre el de su Revolución, la Revolución
cubana: Hasta la victoria, siempre Patria o Muerte. No debe extrañarse
el lector ante la presencia de una coma fuera de lugar o que se interprete como
un error de mi parte, tampoco pretendo que se cambie el sentido de una frase
que ha devenido en grito de rebeldía y esperanza para lo más noble de nuestros
pueblos. Decidida a compartir algunos detalles que han dejado honda huella en
mí, no puedo dejar de detenerme en este y transmitirles la fuerza con la que
expresó lo que en realidad quiso decir y cuánto lamentó su error al poner
la coma donde no debía; lo que quería dar a entender era que cualquiera que
fuesen las circunstancias donde se encontrara siempre actuaría al llamado de ¡Patria
o Muerte!
Ainda assim, no fac-símile
da carta manuscrita, disponível aqui, a versão é a que Fidel consagrou. Ou
seja, houve uma vírgula mal colocada por parte de Guevara.
Será assim ou não?
Enfim, uma pequena-grande questão sobre uma das frases mais célebres do século
XX.
António Araújo
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Recordação de Havana.
Estive cinco dias em
Cuba, em 2000, para participar num colóquio sobre Eça de Queiroz, que se
realizou num dos velhos e solenes palácios militares no centro da capital,
embora com a única presença de uma vintena de estudiosos de Eça, vindos todos
de Portugal, de modo que, à falta de público cubano, falámos uns para os
outros, o que parecia uma cena dum filme dos Irmãos Marx, pois não tínhamos
quem nos perguntasse fosse o que fosse, apesar de dois tradutores irem vertendo
meticulosamente tudo para castelhano – e não havia na sala um único
participante cubano interessado na obra do Eça. Para maior confusão e absurdo,
um dos tradutores interrompeu-me, a dada altura, para me suplicar que falasse
mais devagar, já que a minha charla era debitada a uma velocidade tal que ele
não conseguia seguir-me. Respondi-lhe que, dado o facto de não haver ouvintes
cubanos no público – exceptuados os dois inúteis tradutores –, era preferível
que ele não me traduzisse, pois seria o cúmulo da inutilidade. Quanto aos
intelectuais cubanos encarregados de nos mostrarem Havana, sobretudo literatos
e historiadores do Partido Comunista Cubano, dei-me conta do que estavam todos
totalmente ao serviço da ditadura castrista, falando a langue de bois do
sistema, pelo que o nosso diálogo não tinha sentido nem proveito algum. Quanto
à cidade, achei-a miserável e muito degradada, repleta de velhos automóveis dos
anos 40 e 50. E quando saíamos do luxuoso hotel – no qual se vendiam
todos os jornais europeus, reservados apenas a clientes estrangeiros, sendo a
sua venda proibida aos nativos –, vinha gente com um ar pobre pedir-nos que lhe
déssemos os sabonetes do hotel ou uma esmola pecuniária. Esta miséria tão
patente deixou-me amargurado: a “revolução” cubana reduzia o pobre povo da ilha
a meros pedintes... De tudo quanto vi em Havana, as únicas coisas que apreciei
deveras foi visitar o quarto de hotel onde o Hemingway tinha um sempre
reservado para ele, passando nele horas a escrever numa máquina que continuava
lá, e a finca dele nos arredores da capital, com um pequeno cemitério para os
gatos que escritor ia perdendo durante a vida na ilha, bem como um barco que
teria pertencido ao homem que serviu de modelo para o pescador no famoso O
Velho e o Mar.
João Medina
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Na morte de Fidel (poema).
Na morte de Fidel
É urgente um verso vermelho
que suspenda a animação deste desastre
pensado para durar depois do inverno
É urgente um verso vermelho
com todas as cores do arco iris
e o vento natural do universo
É urgente um verso vermelho
que ponha de novo em movimento os comboios da imaginação
azeite puro em manivelas de razão quente
o peso da história de novo levíssimo
a rodar sobre perguntas livres e ruínas vivas
a paisagem mudar primeiro lentamente
enquanto vão entrando vozes ainda submersas
e corpos mal refeitos da desfiguração da guerra e do comércio
das crateras e promoções
É urgente um verso vermelho
que desate os nós da memória e do medo
e resgate os rios da rebeldia
a palavra cristalina inabalável
inconfundível com as mordaças sonoras
à venda nos supermercados da ordem
É urgente um verso vermelho
para anunciar barco polifónico da dignidade
pronto a navegar
os rios libertos das barragens calcinadas
dos sistemas de irrigação industrial da alma
É urgente um verso vermelho
uma luz manual portátil que vá connosco
sem esperar a que virá no fundo do túnel se vier
porque a cegueira da viagem é sempre mais perigosa
que a da chegada
talvez só entrega
talvez só paragem
É urgente um verso vermelho
que trace um território inacessível
aos vendedores de mobílias espirituais
e turismo de acomodação
É urgente um verso vermelho
vinho de bom ano para acompanhar
sonhos sãos e saborosos
preparados em brasas de raiva e a brisa da alegria
É urgente um verso vermelho
sem solenidades nem códigos especiais
para devolver as cores ao mundo
e as deixar combinar com a criatividade própria dos vendavais
Boaventura de Sousa Santos, aqui
quinta-feira, 9 de abril de 2015
impulso!
100 discos de jazz para cativar os leigos e vencer os cépticos !
# 92 - CHUCHO VALDÉS
Esboçar a saga da breve dinastia
dos Valdés descortina, de algum modo, os dilemas da Cuba contemporânea. Jesús
“Chucho” Valdés é filho de Ramón “Bebo” Valdés, cuja vida mal coube em 94 anos.
Na década de 50 destacou-se como regente e pianista titular do lendário Cabaret
Tropicana, onde assomou a dois píncaros: o de ter competido com Pérez Prada no
florescimento do mambo e o de ter
secundado Nat King Cole, cuja voz de chocolate ofuscou os seus admiráveis dotes
pianísticos, com quem cimentaria sólida amizade. Depois Castro tomou Havana,
chamando a si os foguetes do ano novo de 1959. Bebo não aceitou socializar-se
nem integrar as cooperativas de músicos estatuídas pelo nova ordem e exilou-se
para sempre de Cuba, acabando por domiciliar na gélida Suécia, cativado pelo
fogo do amor.
É um dissabor das revoluções socias
que também trespassem os umbrais do lar. A insubmissão do pai Bebo à lei dos
insurgentes instigou a rebeldia do filho Chucho contra o pai, optando por ficar
em Cuba e aderir ao regime. Desde então tratado nas palminhas pelo poder,
decerto com doçura este lhe alvitrou que deixasse de chamar jazz à sua música, malfadado
vocábulo yankee, logo ideologicamente
reprovável, e Chucho fez-lhe a vontade – que não o apoquentassem valeria bem um
vocábulo – passando a apelidar de “Afro-cubana” a sua continuada inspiração nas
técnicas pianísticas de Dave Brubeck, Bill Evans ou McCoy Tyner, actualizadas
com audições nocturnas dos programas de jazz da “Voice of America”.
Dezoito anos sem se verem estiveram
pai e filho, até ao dia de 1978 em que tocaram juntos no Carnegie Hall. Por
esta altura já Chucho liderava a banda Irakere, que nos intervalos da música de
dança fazia um pézinho no jazz, nas barbas das autoridades. Continuavam elas muito
de pé atrás com o cunho dissoluto deste género musical e, a bem ver, razão não
lhes faltava, pois fora o jazz que deveras instigara Paquito d’Rivera, em 1981,
e Arturo Sandoval, em 1990, a desertarem de Cuba, desfalcando o Irakere.
Em abono da verdade e para mal dos lugares-comuns,
registe-se que em nenhuma declaração pública Chucho Valdés denunciou ou
insinuou o mal de vivre que oprime
tantos dos seus compatriotas. Ele entra e sai da ilha sem aparente
constrangimento e oportunidades não lhe terão faltado para bater com a porta. Impedimento
aos seus concertos nos EUA e à continuidade do seu contrato com a Blue Note
ter-lhe-á posto a administração de George W. Bush em 2003, ao decretar o
embargo dos vistos de entrada para os residentes em Cuba que viajassem com
bilhete de ida e volta.
New
Conceptions
2003
Blue Note 40496
Chucho Valdés (piano); Lazaro Rivero Alarcón
(contrabaixo); Yaroldy Abreu Robles (congas); Ramses Rodriguez Baralt
(bateria); Maylin Sevila Brizuela (violoncelo); Jacinto Joaquin Olivero Gavilán
(flauta); Roman Filliu O’Reilley (saxophone alto); Inving Luichel Aacao Tierra
(saxophone tenor).
Estaria Chucho Valdés ciente que
“New Conceptions” seria o seu último trabalho para a Blue Note? Dava jeito que
sim, porque legitimaria conceituá-lo como uma síntese enciclopédica, pois se,
por um lado, é convocada para este álbum uma estarrecedora complexidade de
referências, por outro, nunca perde coração para pulsar nem pés para dançar.
Chucho enceta a récita com a popular
canção “La Comparsa”, espécie de matriz da cubanidade e ex libris dos Valdés. Dali até encerrar a função, com a longa
batucada de santeria, a caminho do Além,
em que desagua o medley “Homenaje a
Ellington”, tudo vem ao caso no repertório de “New Conceptions”: o tema “Solar”
de Miles Davis; “You Don’t Know What Love Is”, standard do Cancioneiro americano; três originais do pianista, em
que pelo meio dos traços harmónicos de rumba, bolero, descarga, danzón – e mais que latinidades que houvesse… – irrompem
citações ao virar da esquina. Um desses originais intitula-se “Sin clave pero
com swing” – ora aqui está a revelação do segredo.
Enfiar o Rossio na Betesga, era o
desastre em que descambaria o alinhamento de “New Conceptions”, não fosse o
punho de ferro e os dedos de pássaro de Chucho Valdés. Aquela formidável mão
esquerda faz o que lhe apetece e ao correr de um estilo bombástico como o de
McCcoy Tyner e prolixo como o de Art Tatum, não deve ter havido nenhum efeito
técnico que não tenha sido conjurado a descer neste disco – bem domesticado, porém,
a vir comer à mão do pianista.
Em 2013 Chucho e os seus Afro-Cuban
Messengers actuaram no Hollywood Bowl diante de uma plateia de 12.500 almas, na
primeira parte de uma apresentação de Natalie Cole. Quando ela subiu ao palco
para um dueto com o pianista, foi como se reatassem os fios do passado, os
filhos fechando um círculo em nome dos pais.
José Navarro de Andrade
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Cuba-Angola, documentos inéditos.
Os arquivos
cubanos pós-1959 estão fechados ao público. Piero Gleijeses foi, segundo o
próprio, o único investigador estrangeiro a ter acesso aos documentos, com base
nos quais escreveu livros como Conflicting
Misions: Havana, Washington, and Africa, 1959-1976, publicado em 2002, e,
recentissimamente, Visions of Freedom:
Havana, Washington, Pretoria and the Struggle for Southern Africa, 1976-1991
Agora,
como explica aqui, Piero Gleijeses colocou online mais
de 3.000 páginas de documentação, muita dela sobre as relações entre Cuba e
Angola nos tempos da independência. Fundamental.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Cuba libre.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
sábado, 11 de agosto de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
le cortarón las manos.
..
.
.
.
.
.
Freddy Alborta, O Cadáver de Che Guevara, 1967 Freddy Alborta, falecido em 2010 O livro de Leandro Katz, de 2010, que descreve a fotografia de Alborta. Katz descobriu que a imagem não estava assinada, aqui. Alborta vendeu a fotografia por 75 dólares, na época. Contactado por Katz, não se lembrava dela, ainda que tivesse dezenas de imagens captadas na altura. O livro de Katz custa 100 dólares, aqui |
Recriação fotográfica |
Olivier Blanckart, E che Homo, 1999 |
Paulo Vítor Grossi |
A mesma imagem, colorida |
Gavin Turk, The Death of Che, 2000 |
.
Rembrandt, A Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp, 1632 |
A fotografia real |
Matthias Wähner, da série Mann ohne Eigenshaften, revisitação da obra de Musil. Nesta série, o fotógrafo coloca-se na fotografia, do lado esquerdo. |
A lavandaria do Hospital de Nuestra Señora de Malta, Vallegrande, Bolívia |
Local onde foi depositado o cadáver de Che Guevara |
Imagens aqui |
.
Marty e Monica, dois reformados do Canadá, em viagem à Bolívia, aqui |
Junto às lápides evocativas dos guerrilheiros executados em 1967 |
Marty, professor reformado, já visitou 12 países |
O actor brasileiro John Vaz, «As últimas horas da vida de Che Guevara», em Vallegrande |
O espectáculo de John Vaz, aqui |
Fotografia de Alborta, vendo-se René Cadima a fotografar |
.
.
.
René Cadima, fotografia, 1967 |
Andrea Mantegna, Lamentação sobre Cristo Morto, c. 1475-1478 |
.
René Cadima, com a sua imagem de Che |
.
.
.
Álbum de fotografias de Cadima e carta para o sobrinho Uma história absolutamente extraordinária, aqui. O sobrinho de Cadima decidiu vender o álbum de fotografias e essa oferta surge em vários sites de imobiliárias de luxo dos EUA |
Gustavo Villoldo, operacional da CIA na Bolívia. De origem cubana, responsabiliza Che Guevara pela morte do pai, aqui |
À direita, o operacional da CIA Gustavo Villoldo |
Gustavo Villoldo. Um tribunal de Miami condenou o governo de Cuba a pagar-lhe mil milhões de dólares pelo suicídio do seu pai, em 1959, aqui |
Cabelo e impressões digitais de Che, do espólio de Gustavo Villoldo. Vendidos num leilão pela Heritage Auction Galleries em Dallas, Texas, por 119.000 dólares, aqui |
Mecha de cabelo de Che, leiloada em Dallas, aqui |
Impressões digitais de Ernesto Guevara |
À direita, Félix Rodríguez, outro exilado cubano que acompanhou a operação de captura de Che. Última foto de Ernesto Guevara vivo |
Félix Rodríguez |
Os pés |
Extracção das impressões digitais, aqui |
Autópsia: a arcada dentária |
|
Os trabalhos de exumação, fotografados no álbum de René Cadima |
Alegados restos mortais de Che Guevara, aqui |
Documentário da TVHistory, 2010
El «Che» Guevara, dir. de Paolo Heusch, 1968
Leandro Katz, El día que me querías, 1997
Peter de Kock, De handen van Che Guevara, 2005, descrito aqui
Etiquetas:
António Araújo,
Arte,
Capitalismo,
Che Guevara,
Cinema,
Cristo,
Cuba,
Fotografia,
Fotojornalismo,
História,
História Contemporânea,
Mercado,
Morte,
Pintura,
Revolução
Subscrever:
Mensagens (Atom)