O Paulo Ferreira, atento
como sempre, andou-me esta maravilha. Obrigado, Paulo, um abraço amigo.
https://balaiodobem.com.br/pt/garis-turcos-criam-biblioteca-popular-a-partir-de-livros-que-recuperaram-do-lixo/?fbclid=IwAR3N-LksS1eg2RX-hBq0CY667kdfwr6wWixZIPjUGwbaNIc5ProWmREPYeA
Vi
a recensão na The Economist, fui logo espreitar o luxo: uma edição em 3 volumes que
mostra a Capela Sistina milímetro a milímetro. Só há uma Capela Sistina, como
só há um fabricante no mundo – em Novara, Itália – capaz de produzir à mão uma
encadernação em pele clara de grande formato, como esta. A brincadeira custa
22 mil dólares e a tiragem, é óbvio, é muito limitada. Só serão feitas 1.999 exemplares,
determinou o Vaticano, em decreto formal e papal. Os 1.000 exemplares da edição
italiana já esgotaram. Para os outros, da versão inglesa, postos à venda no
passado dia 1, pode dirigir-se aqui: https://www.callaway.com/sistinechapel
Monsieur le Président
de la République,
A l’heure où
les salles de spectacles, les musées, les centres d’art et les cinémas sont
malheureusement contraints de nouveau à la fermeture, l’ouverture des
librairies maintiendrait un accès à la lecture et à la culture dans des
conditions sanitaires sécurisées.
En mars
dernier, l’absence de masques, de gel, de protocole sanitaire face à ce virus
ne permettait pas d’accueillir le public en librairie en toute sécurité.
Depuis, les libraires se sont équipés et les gestes barrières sont parfaitement
respectés dans leurs magasins. La librairie est un lieu sûr.
Le retour en
nombre des lecteurs en librairie, jeunes ou adultes, à l’issue du premier
confinement a illustré cette soif de lecture, porteuse de mille imaginaires, et
cette volonté de défendre nos lieux de vie, de débats d’idées et de culture au
cœur des villes. Sachons l’entendre.
A la veille
du quarantième anniversaire de la Loi sur le prix unique du livre, rappelez
avec nous, Monsieur le Président, que le livre n’est pas un produit comme un
autre : c’est un bien qui doit être défendu par la nation, en toutes
circonstances et en tous lieux.
Désormais,
seul internet est autorisé à vendre des livres. Que les librairies
indépendantes soient contraintes de fermer est totalement incompréhensible.
Comme vous
le savez, ces librairies jouent un rôle que nul autre ne peut tenir dans
l’animation de notre tissu social et de notre vie locale, pour la transmission
de la culture et du savoir et le soutien à la création littéraire. Elles sont
en outre un des plus efficaces remparts contre l’ignorance et l’intolérance.
Nous tous,
libraires, éditeurs, écrivains, lecteurs sommes prêts à assumer nos
responsabilités culturelles et sanitaires.
Ouvrir
toutes les librairies, comme toutes les bibliothèques, c’est faire le choix de
la culture. C’est un choix citoyen.
Monsieur le Président de la République, nous
vous demandons, aujourd’hui, de laisser les librairies indépendantes ouvrir
leurs portes, et de bien vouloir recevoir les représentants des signataires de
cette lettre ouverte qui vous la remettront, masqués et en respectant les
gestes barrières, dès que vous nous y inviterez.
Premiers
signataires :
François
Busnel, journaliste, animateur de La Grande Librairie, Joann Sfar,
écrivain, dessinateur et cinéaste, Eric Fottorino, écrivain et
journaliste, Boris Cyrulnik, psychiatre et écrivain, Delphine de
Vigan, écrivaine, Denis Westhoff, écrivain, Daniel Picouly,
écrivain, Alexandre Jardin, écrivain, Tatiana de Rosnay,
écrivaine, Joël de Rosnay, scientifique et écrivain, Sandrine
Kiberlain, comédienne, Alex Beaupain, chanteur, Erik Orsenna, de
l’Académie française, Olivier Frébourg, éditeur, Oliver Gallmeister,
éditeur, Philippe Rey, éditeur, Philippe Robinet,
éditeur, Adrien Bosc, écrivain et éditeur, Renaud Capuçon,
musicien, Manuel Carcassonne, éditeur, Philippe Labro,
écrivain, Jeanne Cherhal, chanteuse, Isabelle Carré, comédienne et
écrivaine, Clotilde Courau, comédienne, François Cluzet,
comédien, Philippe Delerm, écrivain, Martine Delerm, écrivaine et
illustratrice, Mathieu Persan, illustrateur, Sylvia Rozelier,
écrivaine, Lionel Duroy, écrivain, Dominique Farrugia, comédien et
cinéaste, Arnaud Cathrine, écrivain, Françoise Nyssen,
éditrice, Marc Dugain, écrivain et cinéaste, Philippe Claudel,
écrivain et cinéaste, Jérôme Garcin, écrivain, La Grande Sophie,
chanteuse, Cécile Coulon, écrivaine, Philippe Besson,
écrivain, Anne Martelle, présidente du Syndicat de la librairie française
(SLF), librairie Martelle, Maya Flandin, vice-présidente du SLF, librairie
Vivement dimanche, Olivier Rouard, vice-président du SLF, librairies
Charlemagne, Amanda Spiegel, membre du SLF, Folies d'encre,
Frédérique Massot, membre du SLF, librairie La Rose des vents, François
Céard, membre du SLF, librairie Ruc, Frédérique Pingault, membre du
SLF, Librairie du tramway, Wilfrid Séjeau, membre du SLF,
librairie Le Cyprès, Florence Veyrié, membre du SLF, librairie La
Maison jaune, Serge Wanstok, membre du SLF, La Galerne, Vincent
Montagne, président du Syndicat national de l'édition (SNE), Média Participations, Antoine
Gallimard, Madrigall, vice-président du SNE, Liana Lévi, Editions Liana
Lévi, vice-présidente du SNE, Renaud Lefebvre, Lefebvre
Sarrut, Michèle Benbunan, Editis, Alban Cerisier, Madrigall, Louis Delas,
L’école des loisirs, Francis Esménard, Albin Michel, Nathalie Jouven, Hachette
Livre, Laure Leroy, Zulma, Arnaud Nourry, Hachette Livre, Françoise Nyssen,
Actes Sud, Jean Spiri, Editis, Lionel Naccache, neurologue et chercheur, Riad
Sattouf, auteur de bande dessinée et réalisateur, Tobie Nathan, écrivain, Nina
Bouraoui, écrivaine, Diane Mazloum, écrivaine, Jean-Paul Delfino, écrivain,
Pierre Pelot, écrivain, Hervé de La Martinière, Média-Participations, Claude de
Saint Vincent, Média-Participations, Christel Hoolans, Editions Le Lombard et Kana,
Stephen Carrière, Editions Anne Carrière, Séverin Cassan, Editions de La
Martinière, Hugues Jallon, Le Seuil, Benoit Pollet, éditions Dargaud, Julien
Papelier, éditions Dupuis, Olivier Cohen, L’Olivier, Anne-Marie Métailié,
Editions Métailié, Hilaire de Laage, Editions Fleurus, Pol Scorteccia, Urban
Comics, Nathalie Zberro, L’Olivier, Stanislas Rigot, libraire (Librairie
Lamartine, Paris), Julie Remy, libraire (La Cour des Grands, Metz), Pascal
Thuot, libraire (Millepages, Vincennes), Stéphane Hun, libraire (Pages D’encre,
Amiens), Frédéric Beigbeder, écrivain, Etienne Klein, philosophe et physicien,
Thibault de Montalembert, comédien, Michel Onfray, philosophe et écrivain,
Bernard Lehut, journaliste, Inès de la Motte Saint Pierre, journaliste
A
partir de hoje, a Biblioteca Nacional de Espanha disponibiliza, online e gratuitamente, mais de 30
milhões de imagens dos seus fundos. Aqui. Palavras para quê? Ah, palavras apenas para
perguntar: e a Biblioteca Nacional de Portugal, que tal? Pois.
Durante os poucos
meses que mediaram entre a minha saída do seminário e a minha partida para os
Estados Unidos, como estudante, tive como amigo um ex-seminarista de uma ordem
religiosa diferente da minha. Conhecemo-nos casualmente por ambos tomarmos as refeições
numa pensão da Calçada da Estrela, em Lisboa. Uma vez que essa amizade se
prolongou por bastantes anos, no nosso primeiro encontro, por ocasião das
férias de Natal de 1972, dei-lhe um exemplar do número especial da revista
Ocidente, de Novembro de 1972, com as actas do Primeiro Congresso Internacional
para comemorar o 400.º aniversário da primeira edição de Os Lusíadas de Camões,
congresso por mim organizado na Universidade de Connecticut, como já foi
referido algures.
Como
esse meu amigo era nesse tempo funcionário do Banco de Portugal, concluiu
imediatamente que Dom António Luiz Gomes, que acumulava o cargo de
Administrador do Banco de Portugal com o de presidente do Conselho
Administrativo da Fundação da Casa de Bragança, certamente teria o maior prazer
em ver esse número especial da Ocidente. De maneira que me pediu que lhe desse
um outro exemplar para ele oferecer ao Sr. Administrador, com uma dedicatória
minha.
Dom
António ficou tão satisfeito e sensibilizado com a oferta, que disse ao meu
amigo e empregado dele que gostava de me conhecer pessoalmente, pelo que lhe
pediu que me levasse a tomar um café com ele, na primeira oportunidade. E foi
assim que, pela tarde do dia seguinte, estava eu a tomar café com António Luiz
Gomes, na sede do Banco de Portugal, na Rua do Comércio.
Depois
de me haver dito, a sorrir, que certamente eu devia saber que ele, monárquico,
tinha um irmão republicano, Ruy Luiz Gomes, exilado no Brasil, a ensinar
Matemática na Universidade Federal de Pernambuco, e depois de me haver dado os
parabéns pela organização do congresso camoniano internacional e de me
agradecer a oferta do número especial da Ocidente, com as actas desse
congresso, perguntou-me se eu sabia da existência da Camoniana do Rei Dom
Manuel II. Que sim, sabia, mas que, infelizmente, nunca a tinha visto. Então
Dom António disse-me que, ao ler esse número da revista, integralmente dedicado
a Camões, imaginara (e imaginou bem, em meu modesto entender) que eu teria
interesse em visitar a Camoniana do Rei Dom Manuel II, então em exposição na
Biblioteca do Palácio Ducal de Vila Viçosa. Eu, obviamente lisonjeado por uma
lembrança tão pertinente e tão simpática, fiz-lhe saber respeitosamente que
poder visitar essa Camoniana do excelente bibliófilo que foi o último Rei de
Portugal, D. Manuel II, seria para mim a realização de um sonho e uma subida
honra.
De
maneira que, dois dias depois, o meu amigo e eu saímos de manhã cedo de Lisboa,
a caminho de Vila Viçosa, num carro do Banco de Portugal, conduzido por um
motorista, fardado a rigor. Uma vez aí chegados, visitámos, com todo o vagar, a
famosa Camoniana do Rei D. Manuel II, o museu e parte do majestoso e opulento
Palácio Ducal, cuja riqueza do mármore esculpido e das decorações dos tectos e
das paredes de algumas salas me deslumbrou.
À noite fomos ambos opiparamente banqueteados na sala de jantar do Palácio, à luz mortiça de tochas douradas, servidos por um mordomo, vestido à maneira antiga, e ladeados por dois alabardeiros que se comportaram, durante todo o banquete, como se fossem estátuas.
Chegou a hora do repouso noturno e cada um de nós foi conduzido cerimoniosamente ao seu respectivo quarto pelo mordomo que nos servira o jantar.
Para
que o inesperado banho de realeza fosse completo, do programa constou também
uma noite dormida numa cama real, com almofadas, lençóis, cobertores e colchas
riquíssimos, e decorada com baldaquino.
No
dia seguinte, após o pequeno almoço, visitámos partes do Palácio que não tínhamos
podido ver no dia anterior, tais como a armaria e a cozinha, e visitámos também
os vastos e artísticos jardins.
Depois de nos haverem servido um almoço ducal, regressámos a Lisboa, no carro do Banco de Portugal, conduzido pelo mesmo motorista, fardado a rigor.
Não exagero se confessar que, pelo caminho fora, às vezes dava comigo as esfregar os olhos e a dar palmadas na testa, para me convencer a mim próprio que o que tinha acontecido no Palácio Ducal de Vila Viçosa não era um conto de fadas, mas uma coisa muito real. Uma daquelas coisas que, sem se saber como nem por quê, podem suceder uma vez na vida ao mais indigno dos mortais.
António
Cirurgião