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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

São Cristóvão pela Europa (142) .

 



Entre os últimos dias de Julho e os primeiros de Agosto fiz uma pequena peregrinação por terras de Espanha, centrada nas províncias de Ciudad Real e Cuenca.

No Museo Comarcal de Daimiel, província de Ciudad Real, está depositada parte da mais conhecida colecção privada espanhola de cerâmica. Trata-se da colecção de Vicente Carranza (1928-2019), nascido em Daimiel.

A colecção compreende um painel de azulejos do século XVIII representando São Cristóvão. A produção de azulejos em Espanha atingiu, em meados do século XVIII, um auge, seguindo-se a pintura mural e de cavalete. Um colorido variado de brilhantes azuis, amarelos, ocres e verdes deram oportunidade ao desenvolvimento de complexos ciclos de cenas religiosas e sobretudo uma enorme quantidade de imagens de Santos.

Este é um painel do Século XVIII produzido em Barcelona:




Daimiel sofreu muito durante a Guerra Civil, onde se registaram massacres dos dois lados em conflito. Ocasião para recordar Federico Garcia Lorca e o seu poema Preciosa y el aire de 1928 sobre São Cristóvão:

 

 

 

Su luna de pergamino

 Preciosa tocando viene

por un anfibio sendero

de cristales y laureles.

 

El silencio sin estrellas,

huyendo del sonsonete,

cae donde el mar bate y canta

su noche llena de peces.

 

En los picos de la sierra

los carabineros duermen

guardando las blancas torres

donde viven los ingleses.

 

Y los gitanos del agua

levantan por distraerse,

glorietas de caracolas

y ramas de pino verde.

 

Su luna de pergamino

 Preciosa tocando viene.

Al verla se ha levantado

el viento que nunca duerme.

 

San Cristobalón desnudo,

lleno de lenguas celestes,

mira la niña tocando

una dulce gaita ausente.

 

Niña, deja que levante

tu vestido para verte.

Abre en mis dedos antiguos

la rosa azul de tu vientre.

 

Preciosa tira el pandero

y corre sin detenerse.

El viento -hombrón la persigue

con una espada caliente.

 

Frunce su rumor el mar.

Los olivos palidecen.

Cantan las flautas de umbría

y el liso gong de la nieve.

 

¡Preciosa, corre, Preciosa,

que te coge el viento verde!

¡Preciosa, corre, Preciosa!

¡Míralo por dónde viene!

 

Sátiro de estrellas bajas

con sus lenguas relucientes.

 

Preciosa, llena de miedo,

entra en la casa que tiene,

más arriba de los pinos,

el cónsul de los ingleses.

 

Asustados por los gritos

tres carabineros vienen,

sus negras capas ceñidas

y los gorros en las sienes.

 

El inglés da a la gitana

un vaso de tibia leche,

y una copa de ginebra

que Preciosa no se bebe.

 

Y mientras cuenta, llorando,

su aventura a aquella gente,

en las tejas de pizarra

el viento, furioso, muerde.

 

Fotografia de 31 de Julho de 2021

 

José Liberato

 

 

 

quinta-feira, 25 de março de 2021

Uma biblioteca de pedra na estação do metro de Entre Campos.

 


 


A estação Entre Campos abriu ao público em 1959, quando da inauguração da rede, seguiu, em termos arquitetónicos e artísticos, o programa adotado para todas as estações desta primeira fase da sua vida, o projeto arquitetónico foi de Keil do Amaral e o revestimento de azulejos pertenceu a Maria Keil. Esta adotou um padrão que tem como fundo uma harmonia de cores quentes que vão do amarelo ao vermelho, marcados aqui e além por pequenos grupos de azulejos de fundo verde e claro.

 

Em 1993, Entre Campos foi a primeira estação a beneficiar de obras de remodelação, Bartolomeu Cid dos Santos foi o artista convidado para a animação plástica e o escultor José Santa Bárbara para o tratamento da zona de ligação com o interface com a CP.

 

 




 

O interface entre o metro e a CP tem 150 metros de comprimento, o escultor José Santa Bárbara idealizou, em pedra e aço inox, uma espécie de fonte estilizada. O escultor declarou a tal propósito: “Não cedo a tentações de facilidade e rejeito o à vontade de um computador que faz tudo menos conseguir transmitir qualquer tipo de sentimento. O interface tem passadeiras e um corredor por onde se espalham lojas. Ali estive o tempo suficiente para me aperceber que a multidão leva destino, não se debruça sobre a peça estética de Santa Bárbara, há gente a ler nas passadeiras rolantes ou a congeminar a elaboração do jantar, mas há gente que se passeia com propósito de compra ou beber um café ou mordiscar um salgado ou ver as montras com roupa e artigos de papelaria.

 






Enfim, já estamos no átrio Sul, é território de Bartolomeu Cid dos Santos, está aqui a sua decoração mural em pedra gravada, é um painel dedicado a uma biblioteca. Bartolomeu deu a seguinte explicação: “Tentei organizar os livros, não só cronologicamente mas também por associações de autores ou movimento literários”. Para quebrar a monotonia deste trabalho, Bartolomeu repensou as lombadas de modo a assegurar referências gráficas do conteúdo dos livros ou dos seus autores. No centro da composição, um número significativo de escritores autografaram o painel, num grafiti representativo da literatura atual (da época).

 



Frente à biblioteca, mesmo por cima das linhas do metro, está um painel transversal, com 40 metros de comprimento. Bartolomeu deu o seguinte esclarecimento: “Eu e os meus colaboradores decidimos dedicar este espaço ao grande pintor norte-americano Robert Motherwell, admirado por todos nós e que havia falecido recentemente. Criou-se um trabalho discreto, em branco sobre branco, ou seja, em que o branco da pedra polida e não gravada contrasta com a área baça, corroída pelo ácido”. No painel pode ler-se: “Importa saber que não se pode falar numa arte nacional; ser simplesmente um artista americano ou francês não significa coisa nenhuma. Não ser capaz de sair do seu primeiro meio artístico, é meio caminho para nunca atingir o Humano”, Motherwell define assim o conceito de universidade de arte, que Bartolomeu subscreve.



A plataforma poente tem por tema Luís de Camões, é uma sequência de 10 imagens, cada uma referente a um dos Cantos dos Lusíadas, todos interpretados muito livremente.

 


Os painéis que prolongam pelas escadas os outros dois painéis correspondentes aos de Camões e Fernando Pessoa levantaram problemas a Bartolomeu. Ele explicou: “Enquanto os painéis até aqui descritos foram desenhados no verniz e depois gravados, os restantes foram pintados com verniz na horizontal antes de serem tratados com ácido. Quem subir qualquer das escadas encontrará em sequência aos painéis dos poetas duas enormes cabeças de mulher, memórias de pinturas romanas que numa recente visita a Roma havia conhecido. Se assim o desejarmos, poderemos também considerá-las como as musas dos respetivos poetas”. 

 




 

A plataforma nascente é dedicada a Fernando Pessoa, a sua obra foi descoberta por Bartolomeu em 1952. Ele não esconde a admiração por ele: “A obra do heterónimo Álvaro de Campos e especialmente a Ode Marítima, com o seu sentido de espaço, de distância, bem como de nostalgia de terras nunca visitadas, influenciou grande parte do meu trabalho desde então. Nada mais natural que dedicar 30 metros de parede a um dos meus poetas preferidos, usando uma forma de decoração afim do grafiti em que as palavras e as imagens se confundem”. 


Mário Beja Santos 

 





sábado, 31 de outubro de 2020

Elijah Pierce.

 














O mais extraordinário é que Elijah Pierce e António Peralta, dois génios, não se conheciam, mas o que um e o outro faziam tem semelhanças tais que até nos perguntamos se não haverá mão divina a ampará-los aos dois, a ambos os dois.  

 





quarta-feira, 21 de outubro de 2020

acabado de regressar a Lisboa...




Boa tarde

 

É com uma tristeza enorme e profunda que vos comunicamos o encerramento definitivo de Santos Ofícios.

 

Nunca pensámos vir a dar-vos esta notícia mas a actual pandemia COVID-19 não nos deixa outra alternativa.

 

Foi uma vida muito preenchida e rica embora atribulada no aspecto financeiro, que durou 25 anos, um quarto de século.

 

Sobrevivemos à crise da Troika mas esta como todos nós já percebemos é muito mais grave e duradoura, sem uma luz, por mais ténue que seja, que alumie no curto e médio prazos este túnel negro em que nos encontramos.

 

Aqueles que nos conhecem melhor sabem que somos pessoas empenhadas e resilientes, habituadas a lutar por um projecto em que acreditamos e foi por isso mesmo que conseguimos manter a porta aberta durante todos estes anos sem ajudas ou apoios institucionais por mais pequenos que fossem, valendo-nos apenas nestes últimos meses

 a solidariedade e compreensão do nosso senhorio que queremos aqui relevar.

 

Não foi possível encontrar como era nosso desejo uma solução de continuidade para este projecto que foi pioneiro e inspirador para outros que apareceram posteriormente.

 

Resta-nos nesta hora e tempo difíceis iniciar uma campanha de vendas com descontos significativos sem recurso a cartão bancário, para escoar os inúmeros trabalhos que ainda possuímos dos melhores artesãos portugueses, durante o horário actual, das 12 h  às 19 h excepto domingo.

 

Desejamos a vossa visita e solicitamos a melhor divulgação desta notícia entre os vossos amigos e contactos, esperando desde já a aquisição de peças únicas para o Natal que se aproxima.

 

Contamos convosco.

Ficamos à vossa espera.

 

Homero Cardoso

Luísa Cruz

 

Santos Ofícios Artesanato

Rua da Madalena, 87

1100-319 Lisboa

Portugal

Tel: 00351 218 872 031

santosoficios@santosoficios-artesanato.pt

https://www.facebook.com/santosoficiosartesanato/

http://www.santosoficios-artesanato.pt/index.htm




 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

São Cristóvão pela Europa (133).

 

 

Em 2017 visitei o Museu da Idade Média em Paris, conhecido como o Museu de Cluny.

Inexplicavelmente uma fotografia ficou esquecida não na poeira de um caixote mas antes numa mistura de bases de dados.

 


O Museu adquiriu este belo vitral em 1958 mas a proveniência é desconhecida. Pelo estilo pode ser datado do primeiro terço do Século XV e a origem ser a Renânia.

De notar que os pés do Santo estão bem imersos na água e rodeados de peixes.

O Museu tem estado fechado para renovação.

Fotografia de 4 de Novembro de 2017.

José Liberato





quinta-feira, 24 de setembro de 2020

São Cristóvão pela Europa (131).

 


Já tínhamos ido a Portalegre: http://malomil.blogspot.com/2020/07/sao-cristovao-pela-europa-114.html.

Só que o meu amigo Jorge Guimarães encontrou-me mais dois São Cristóvãos, o que me levou, com imenso gosto, a revisitar Portalegre.

Com efeito, no Museu José Régio que dispõe de um espólio de arte sacra como há poucos em Portugal, pode encontrar-se um registo dedicado a São Cristóvão. Os registos, frequentes no nosso País, são pequenos quadros de imagens religiosas com uma moldura muito decorada e geralmente de formato invulgar:




 

Não muito longe, na Rua da Sé, um azulejo:





 

E por falar em azulejos, há um em Pero Pinheiro, concelho de Sintra, na rua principal:




 

Fotografias de 18 de Agosto e 21 de Setembro de 2020.

 

José Liberato