Fotografias de Onésimo Teotónio de Almeida
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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Munch fotógrafo.
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
Debaixo de Manhattan.
Anda
tudo encantado – e bem – com um livro de Erling Kagge que já aqui referi, creio
eu. Silêncio na Era do Ruído, muito ao gosto new age e da filosofia light, para o que contribui, e muito, a personagem do autor, «a
fascinating man», como o descreveu o The
New York Times. Jurista, filósofo, explorador averbado no Guinness, editor de sucesso,
coleccionador de arte contemporânea, Kagge fala das filhas com a ternura de pai
extremoso e vive numa casa soberba em Oslo, rodeado de quadros e beleza.
Depois, claro, a sua própria beleza física, o seu olhar a um tempo
distante e profundo, olhos que viram mundo, estiveram no Pólo Sul, no Pólo
Norte, olhos que subiram ao Evereste. E, como remate final da lenda, o facto de
ser nórdico, de uma região que está tão fashion e onde supostamente reside a maior
percentagem de felicidade do planeta. Vem isto a propósito de um livrinho que
comecei a ler e que é, até agora, muito engraçado e merecedor de atenção.
Chama-se Under Manhattan, é escrito
por Kagge e polvilhado por muitas fotografias de Steve Duncan, um dos seus
companheiros desta aventura subterrânea. Em Silêncio
na Era do Ruído Erling Kagge já falava desta expedição de cinco dias pelos
canais de esgotos de Nova Iorque, com direito a uma escalada furtiva à
Williamsburg Bridge. O livro não tem a tonalidade elegíaca de Silêncio na Era do Ruído nem se entrega
a especulações divagantes. Aqui, a deambulação é puramente física, e narrada
como uma aventura nos trópicos ou uma viagem ao centro da Terra. As vias que
seguiram, as dificuldades de percurso, a preparação do mergulho no lixo e nos excrementos de milhões de
animais humanos, os túneis centenários plenamente conservados, as criaturas que
vivem onde o sol não chega. Um livro muito interessante, repito, que distrai e
serve de lenitivo calorífero quando o frio aperta e a chuva, que é tempo dela, nos retém em casa.
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segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Portugal, 1952.
Andor, Rozann e Edle
Noruega, 1952
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Nascida
na Noruega em 1905 e falecida em Portugal em 1989, Edle Astrup deixou-nos um
interessante livro de memórias, Uma
Vontade Indomável. De Budapeste ao Estoril, onde relata os tormentos
passados na Hungria, país onde viveu na companhia do seu marido – o artista
plástico Andor Hubay Cebrian –, presenciando a invasão nazi e, depois,
soviética. Apesar do subtítulo, e da importância que Portugal teve na sua
biografia, o livro dedica poucas páginas ao nosso país, praticamente as que
aqui se transcrevem na excelente tradução que, a partir da versão inglesa,
Manuela de Sousa Rama realizou para a edição portuguesa desta obra (Oficina do
Livro, 2003).
A sua fama [de Andor, o marido], entretanto, chegava além-fronteiras.
Em 1952, recebeu, quase em simultâneo, duas propostas: a primeira vinha da
Universidade americana de Pittsburg, e propunha-lhe uma cátedra de ensino de
arte. A segunda, oriunda de Portugal, oferecia-lhe o lugar de director
artístico da fábrica de porcelana Vista Alegre.
Quanto à decisão tomada, confesso-me
totalmente responsável. Não queria, em circunstâncias nenhumas, ir para os
Estados Unidos. Em Portugal, ao menos, estaríamos longe dos russos e dos
comunistas…
Como é que eu posso descrever os muitos
anos que vivemos em Portugal? Aprendemos a amar um novo país, ao mesmo tempo
que nos apaixonámos pelos portugueses. No entanto, a nossa impressão era de que
o tempo parara, no que dizia respeito ao Governo e à classe alta. Como se
tivessem sido enfeitiçados nalgum castelo de uma Bela Adormecida. Se não
tivéssemos já testemunhado o reverso da medalha na nossa dolorosa experiência
de vida, talvez não tivéssemos dado pelo pequeno mal-estar que dormia por
debaixo da superfície aparentemente tranquila.
Na fábrica da Vista Alegre, Andor iniciou,
cautelosamente, um processo de modernização e melhoramentos. Mas esbarrou
sempre com alguma hostilidade por parte dos proprietários. Como é evidente, não
estávamos em situação – nem tínhamos esse propósito – de fazer uma revolução. O
meu marido queria apenas melhorar algumas condições de trabalho. Criou-se uma
situação um tanto incómoda entre Andor e a gerência da fábrica, e ele
demitiu-se. Continuou, no entanto, ligado à parte artística até 1958, altura em
que aquela fábrica já gozava de grande prestígio internacional.
Com a ajuda do nosso amigo Salvador
Corrêa de Sá, Visconde de Soveral, fomos, então, viver para o Estoril. Andor
ensinava desenho e pintura na Escola Americana, e também a filhos de alguns dos
nossos novos amigos, e era treinador de futebol no colégio inglês St. Julian’s.
Eu sei que ele sempre gostou muito de futebol, mas daí a ser treinador… isso
confesso que me surpreendeu bastante!
Em 23 de Outubro de 1956, o povo
húngaro subleva-se, em mais uma clara demonstração de repúdio pelo regime
comunista que lhe é imposto. O mundo assiste, em desespero, à chacina de
centenas de húngaros. Em Portugal, uma velada que reuniu milhares de pessoas
desfilou pela baixa até aos Paços do Concelho, em apoio ao povo húngaro.
Andor fazia parte do grupo que apoiava
o governo húngaro no exílio. Constantes telefonemas para Budapeste tornam-no
suspeito. A Pide vem buscá-lo para interrogatório e, durante três dias, a
família não sabe nada dele. Uma vez mais, o seu amigo Corrêa de Sá, amigo de
Salazar, vem em seu auxílio. Andor volta nesse mesmo dia para casa, conduzido
num Mercedes negro com motorista. Risonho, conta-nos que foi, apenas,
interrogado.
- Comparada com os
comunistas russos, a Pide é um bebé de berço! – graças a Deus.
Depois de ter feito o ensino secundário
no St. Julian’s, Rozann casou em Oslo, em casa do meu irmão, numa festa que
durou três dias. Um verdadeiro casamento cigano! O marido, o barão austríaco[AA1] [AA2]
Giselbert von Schmidburg, era director de um banco, em Bruxelas, e foi para lá
que eles foram viver. Lászlo, terminad o Colégio St. Columban’s, foi cursar
gestão na Universidade de St. Gallen, na Suíça.
De vez em quando, em ocasiões especiais
como o Natal ou a Páscoa, ou durante as férias de Verão, os meus filhos vinham
a casa. Eram momentos inesquecíveis, de grande alegria. Por essa altura,
estavam em Portugal outros refugiados húngaros e convivíamos muito com eles. O
regente Horthy, a mulher e o filho sobrevivente, Nicky, a nora Illy, o irmão de
Otto Habsburg, o sobrinho Joseph e Maria, sua mulher. Nossos amigos eram também
os Condes de Barcelona e os seus filhos. O actual rei de Espanha, da mesma
idade de Rozann, passava muitos dias em nossa casa.
Edle
Astrup Hubay Cebrian
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Um grande livro.
Acabei
de o ler este fim-de-semana. São 500 páginas de reportagem pura e dura, do
melhor que existe no género: investigação a fundo, narrativa empolgante e
directa, sem artifícios estilísticos nem considerações escusadas. Um livro que nos faz
mergulhar na mente bizarra de Anders Breivik e acompanhar pari passu o massacre de Utøya e as suas vítimas. A merecer a
melhor atenção dos editores portugueses.
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