https://hipertextual.com/2021/05/amazon-prime-modelo
Agora é o Quarteirão Inglês, à Estrela.
Esteve lá o British Hospital, nas traseiras é o Cemitério Inglês, houve em
tempos uma histórica companhia teatral. Zona consolidada, aprazível. E, por
isso, cobiçada. Para quê? Para lá plantarem um mono, um paquiderme amansardado
com um impacto visual brutal. E, claro, varandas iguais às que agora se fazem
em todos, mas todos, os condomínios. Passem na Rua de O Século, no Largo das
Olarias, tudo descaracterizado, uniformizado por uma arquitectura Lego de
plástico, sem pinga de rasgo ou criatividade, animada pelo exclusivo propósito
de aumentar volumetrias e, com elas, os lucros dos promotores. Com a
cumplicidade passiva de uma CML incompetente e inculta, economicista e bárbara,
Lisboa anda há décadas a ser esventrada. Vejam o rico estado da Fontes Pereira
de Melo, da Avenida da República, convertidas em artérias ao melhor estilo Bogotá.
E vejam, agora, a invasão rápida, inexorável, dos bairros antigos, mordidos
aqui, mordidos acolá, com o passar do tempo convertidos numa coisa que não se
sabe o que é, uma Albufeira trendy, com condomínios fechados – fechados ao bom
senso e ao bom gosto, ao pulsar das gentes, aos ritmos que tornaram esta Lisboa
uma cidade apetecível para viver ao olhar dos estrangeiros (os quais, na sua
sofreguidão, acabarão por sugar o sangue e o coração da cidade, com a Câmara a
olhar, sedenta e gulosa, criminosa, na mira das mais-valias).
O
Duarte Vaz Pinto, sempre atento e amigo (obrigado!), mandou-me um interessante texto sobre
o futuro da edição. Aqui vai, para ler e meditar:
https://www.idealog.com/blog/the-end-of-the-general-trade-publishing-concept/
Exemplar vendido no leilão da Christie's, Abril de 2017 (lote 19)
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Exemplar de Claude Monet, Musée des impressionnismes, Giverny
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