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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Animais!

 

 
 
         Este filme mostra uma coisa muito mal feita que foi a execução de Topsy, uma elefante-fêmea, nos Estados Unidos. A história é triste, e prometo um dia contá-la ao pormenor, com mais vagar. Até porque houve um caso ainda mais absurdo, o do enforcamento de uma outra elefanta, a Mary. Não acredita? Aqui vai em baixo. E a M&M (Minha Margarida), que se recusou a ver esta barbárie, chamou-me a atenção para um livro que leu, chamado Elephants on Acid, que narra a história tenebrosa de um cientista que, em 1962 (!), drogou um elefante com LSD, acabando o animal por morrer. Horror, horror.
 

 

 
 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Histórias de mulheres: Ruby Bridges (e Margarida Araújo)




Norman Rockwell, The Problem We All Live With, 1964

Margarida Araújo, Norman Rockwell Revisited, 2012


 
Margarida Araújo, a própria




Há cinco anos, escrevi no Malomil um texto desmesurado e loooongo sobre Ruby Bridges e o quadro de Norman Rockwell. Mandei-lhe um desenho da minha Margarida, ela agradeceu com um livro assinado para a raça da miúda – que agora está na escola, como Ruby esteve. Mas a ida de Ruby para a escola não foi, nem de longe, semelhante à da minha Margarida. É importante que a minha Margarida e as outras margaridas do mundo saibam quem é Ruby Bridges, o que fez e faz. Deu uma entrevista à TVI (aqui), que exibiu também o filme da Disney sobre ela. Ruby estará em Lisboa, no próximo sábado, no Encontro da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Para todas as margaridas do mundo, beijos e abraços. Mas para a minha Margarida, um beijo do pai, que é especial e diferente de todos os outros beijos do mundo (espero eu…). Passaram cinco anos, Maggie, cinco anos de ti. E eu a ver-te, pasmado e feliz.
 
António Araújo 
 

 

 

sábado, 15 de outubro de 2016

Eleições americanas: análise e comentário da drª Margarida.

 
 
 



Instada pela professora de Português a fazer um T.P.C. sobre «um assunto controverso da actualidade», Margarida Araújo escolheu as eleições norte-americanas e opinou assim, sem tirar nem pôr (não alterei uma vírgula). Do alto dos seus treze anos, acabados de fazer, disse:  

 
Um dos assuntos mais controversos da actualidade são as eleições americanas. Donald Trump e Hillary Clinton disputam um lugar na Casa Branca. Na minha opinião, ambos mostram argumentos muito bons. Trump, um xenófobo da elite, fala-nos do seu pudor e medo para com os mexicanos. Cá para mim, é alérgico a burritos, ou então não fica bem de sombrero. Diz que quer construir um muro. Por esta altura, os berlinenses estão a ter um déjà vu e a discordar fortemente, enquanto os ingénuos dos mexicanos, por sua vez, se alegram, pois obviamente vão conseguir trabalho a construir o muro, e assim arranjam um dinheiro extra para a quinceañera da filha.
Eu, por outro lado, nada tenho contra mexicanos. As novelas deles fazem-me sempre chorar e, claro, questionar se a minha mãe é mesmo minha mãe, ou a minha gémea perdida que tinha sido trocada num hospital de nível questionável.
 
Margarida Araújo
 

sábado, 21 de maio de 2016

E o pai, babado.

 
 
Harold Whittles a ouvir pela primeira vez na vida
Fotografia de Jack Bradley, 1974, com a história contada aqui
 
 

 


O Homem tem o dom de pensar. Quer desperdiçá-lo? O Mundo tem paisagens inenarráveis. Quer desperdiçá-las? O maior ecrã é o ar livre e o melhor programa é a vida. Não mude de canal neste assunto.
 
Margarida Araújo, quase a fazer 13

 
 
 
 
 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Há pessoas e há mundos.

 
 
 
 





Há pessoas e há mundos

Há ricos e vagabundos

Nós não somos todos iguais

Somos filhos e somos pais

A cor não importa

A altura também não

O que me chama a atenção

É mesmo o coração.


 

Margarida Araújo






quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Margarida entra em recessão técnica.

 
 
 




Querido pai Natal,
Este Natal, por causa da crise, não vou pedir muita coisa.
Esta é a lista:
· Uma caixa de bombons (ou um saco)
· Uma camisola (pode ser tricotada pela avó)
· Aulas de costura e tricot (dadas pelos familiares)
 
Beijinhos da
 
Margarida
 
 
PS – Também quero estar com a família.






 Nota à Comunicação Social


Por razões microeconómicas, que são as dela, a Margarida decidiu ir  além da troika. Fez contas à vida, projecções para o próximo semestre, e, com a maior das latas, submeteu às autoridades um orçamento natalício completamente irrealista de tão frugal. O diploma, que acima transcrevemos na íntegra e em primeira mão, encontra-se até no limiar da constitucionalidade, pois a Joana também tem direitos adquiridos que nesta proposta não foram minimamente acautelados. Desta forma, jogando na política do facto consumado, não há concertação social possível. E escusa Dona Margarida, com aquela lábia toda, de trazer estas coisas a público, pois eu, que sou literalmente o seu pai natal, bem sei que entretanto já meteu à má fila um programa intercalar com duas PPP’s e três chocolates. Ainda ontem, por exemplo, obteve uma vultuosa tranche de botas de borracha. Agora, quando as previsões iam ser revistas em alta, Margarida actuou a contraciclo, lançando a confusão nos mercados. Através da sua agência de comunicação, enviou para a imprensa este memorando de entendimento, todo a puxar ao sentimento dos credores progenitores, dizendo querer aulas de tricô e estar com a família... Coitadinha… Como se não soubessem todos os portugueses, ó Margarida, que não tarda vais apresentar mais uma daquelas tuas propostas de OE rectificativo. Quem não te conheça que te compre, Margarida. A mim, já não me enganas com estas tuas manobras de diversão.




quarta-feira, 10 de julho de 2013

Confissões de Ana Monteiro.


 
 

 
 
 
Querido Diário,
 
Eu sou a Ana Monteiro, tenho 17 anos, vivo em Coimbra e tenho dois irmãos, a Carla e o Beto, e já trabalho, como depiladora.
         Sou descontraída e gosto de tranquilizar as pessoas e a mim própria. Adoro música, sou romântica, já tenho namorado, o Caçandro. Tenho cabelo castanho-escuro como a cor do meu cão, Pupi.  Uns olhos quase pretos, uma boca grande e clara, que faz contraste com a minha pele morena. Sou alta (1,83m) e magra (esquelética, para mim, Margarida).
         Na imagem, eu estou a posar num campo para exibir um novo casaco de ganga-clara, da colecção Primavera-Verão.
         Eu acho que está linda, pois foi tirada ao pôr-do-sol e porque está tudo desfocado menos eu, que estou focada, com os cabelos ao vento. Foleiro!!!
 
Bjs
 
 
 
Texto de Margarida Araújo,
Para o João Miguel, do Pais de Quatro
Para o João Gama, Pai de Cinco.
 
 
 
 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Dia de exame.

 
 
Henri Matisse, O caracol, 1953
 
 
 
 
.........Toda a gente acha que os exames que os exames nacionais são difíceis, mas eu não.
         Vou explicar o meu dia de exame. Sentámo-nos e a nossa mãe empanturrou-nos. Aposto que era só para não se sentir mal com os resultados da dieta! Depois, fomo-nos vestir. A minha irmã Joana vestiu-se com o fato da comunhão! Quer dizer, há coisas em que não me importo de ser Amish, mas eu quero ver TV.
         Quando chegámos à escola, a mãe só dizia:
         - Não percas o cartão de cidadão!
         Também, menos uma pessoa em Portugal não fazia diferença…
         Depois fizeram a chamada. Eu bem tentei fugir, mas os vigilantes eram máquinas! E tiveram a lata de nos obrigar a assinar um papel a comprovar que não tínhamos telemóvel! Até nos fazem sentir mal, OK?
         Podem não saber, mas há crianças que têm mães que pensam que ainda há pombinhos de correio e que ainda temos de ter cuidado a atravessar as estradas para não sermos atropelados por dinossauros!
         Bem, foi a minha manhã.
 
 
Margarida Araújo


 

terça-feira, 16 de abril de 2013

O queixume dos cavalos.





Franz Marc, Die grossen blauen Pferde, 1911





Estavam dois cavalos a pastar…
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- Esse feno todo?! - exclamou um.

- Claro! - respondeu outro.

- Os teus donos devem gastar metade do salário em ti!!! - alfinetou o cavalo Pep, o que começou a discussão,

- Ó, cala-te, eu estou doente. - mentiu Lon, o outro cavalo.

- Ai sim, desculpa, que doença é? - perguntou Pep, arrependido.

- Hãããã… à sim, eu tenho D.F.F., Défice de Feno da Feira. - disse Lon, sorrindo.

- Uh… - limitou-se a dizer Peps. -  Mas para que serve esse feno?

- Ah, ah, acreditaste, mais sapo ficaste! - gritou Lon.

- Então és só gordo! Assim o país não avança! - exclamou Peps.

- Então agora vens-me com o governo, é?! Com o Passos Coelho e a Troika?! - berrou Lon.

- Com a crise falo sempre deles! - contrapôs o Peps.

- Cala-te ou faço lasanha contigo.
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Não sei o que veio a seguir, mas acho que vi um deles no Continente, secção de congelados.
 
 
Margarida Araújo

sexta-feira, 8 de março de 2013

Convenção de Osgas.

 



 
 
 
 



Eu estava no meu jardim a observar os arbustos, quando de repente ouvi vozes vindas de trás de uma macieira. Que estranho!
         Quando fui lá espreitar, eram osgas! Todas numa fila indiana! Comecei a ouvir as conversas:
         − Adoro as convenções de osgas! – exclamou uma.
         − Eu também. – disse outra.
         − Vá, caluda. – sussurrou a osga-major (eu reconheci pelo mini-fato de tropa).
         − Silêncio, meus caros. – disse a osga intelectual (vi pelos óculos de aros redondos.)
         − Iô, meus, toca a baixar a… baixar a bolinha! – berrou a osga D.J. (tinha uns headphones e um colar com um símbolo do cifrão.)
         − Fechem a matraca !!! – gritou a osga campónia (ela usava um chapéu de palha e umas jardineiras.)
         Eu nem queria acreditar. De repente o meu jardim tinha-se transformado numa sala de congressos?
         Bem, adeus.
 
Margarida Araújo
 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

As quatro estações.






Fotografia de António Araújo


 
As estações não são o que parecem. O Inverno, por exemplo. A neve são os grandes cabelos brancos do velho Senhor dos céus a cair e o vento é o Senhor dos céus a apagar as velas do seu aniversário, pois faz anos em Dezembro. No Outono, as folhas a cair são as roupas sujas das árvores, que terão umas novas quando chegar a Primavera, a costureira que faz lindos fatos de flores aos campos verdes. O Verão é caloroso, gosta de misturar mar e areia, com sol a acompanhar. E estas são as quatro estações, que em breve verão, falando com os seus botões.
 

Margarida Araújo
 
 

sábado, 23 de junho de 2012

Metáfora da Vida.

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Metáfora da Vida

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Cada vida é um livro.
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Cada ano é um capítulo, cada dia é uma frase, cada hora é uma palavra, cada minuto é uma sílaba e cada segundo é uma letra.
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Conhecem a expressão acabou-se e ponto final, ou amanhã é outro dia.
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Cada vida é um caderno diário e cada pessoa tem a função de o deixar bem apresentado.
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Por muito difícil que seja pôr as palavras sem as deixar tortas, temos as “linhas” para nos ajudar.


Margarida Araújo