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sábado, 30 de outubro de 2021

Hora de Inverno.


 

Perante a minha surpresa com a velocidade do pôr-do-sol em Salvador da Bahia, um verdadeiro ocaso em fast-forward, uma amiga nativa dizia-me que ali o sol não se punha. Suicidava-se.

Anda lá perto a sensação que dá o entardecer na passagem à hora de Inverno: o dia que se vai num repente, um tombo do astro a que falta, hélas, o mesmo astral.

Para consolar os espíritos, saia então Le Soir, de Mel Bonis.

Compositora formidável de fim de século, não só compôs a rodos como conseguiu que lhe publicassem as partituras -- feito propriamente extraordinário quando não eram assinadas por um homem. Quase tão extraordinário como o melodrama da história desta mulher, que bem podia ter inspirado Os Maias do Eça. Casada com um homem 50 anos mais velho, apaixona-se por alguém da sua idade, com quem terá um filho que manterá secreto durante 25 anos. É esse jovem que, convidado para uma soirée-concerto na casa da mãe, cuja identidade, porém, ele desconhecia, calha apaixonar-se pela filha “legítima” de Mel – sua meia-irmã. Outro amor recíproco, portentoso e agora catastrófico de impossível, que deixou toda a gente de rastos com o desgosto.

Mas ide em paz enquanto há castanhas, bom Inverno e boa sorte.



 

Manuela Ivone Cunha





domingo, 24 de outubro de 2021

MI, Missão Impossível.

 


Disse quem compôs o tema “tum, tum, ta, ta tum-tum”, em cima das iniciais “MI” batidas em código Morse, que era música para pessoas com 5 pernas. Coisa impossível, parece, mas a que não falta ação e ainda mais resolução. Não admira que haja um sem fim de versões para despertador, com contagem decrescente de amplitude variável consoante a envergadura e dificuldade da missão, e versões épicas para missões que pedem mais fôlego e alguma pompa.  E o impossível acontece.

Não é só nos filmes, note-se. O amigo violinista para quem J. Brahms compôs este concerto para violino decretou, sem apelo nem agravo, que a partitura era intocável, inexequível, missão propriamente impossível. 

Ora. Desde então houve um ror de gente a tocá-la, inclusive o próprio dedicatário. Mas lá que é difícil… Ai. Ui. A ponto de se dizer que não é um concerto para violino, antes contra o dito. Contra o violino, contra a orquestra, contra o maestro ou maestra ou maestrina.

Só que toda a arte deste concerto quase sem conserto, entre a ameaça e a deflagração, é o arco físico, metafísico, patafísico que dá coerência à batalha que é para tirar o coelho daquela cartola. É ver aqui ao vivo, a partir do minuto 35, uma demonstração por A+B do músculo Allegro giocoso, ma non troppo vivace com que se casam aquelas três partes, para se perceber perfeitamente do que estou a falar.


Manuela Ivone Cunha.

 





segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Verão de S. Martinho.

 



A que soa um fim de tarde no Verão indiano, o de S. Martinho, num jardim com amigos, folhas a mudar de cor e o brilho do sol mais perto dos pés nus? Para Mozart, em visita de Outono a um amigo botânico, soava assim a atmosfera em que compôs este Trio, também conhecido por Kegelstatt ou Trio das Quilhas.





Manuela Ivone Cunha

 





quinta-feira, 30 de setembro de 2021

O estendal.

 




Já aqui foi caso da importância da mola da roupa.

Agora, mais precisamente no dia de hoje, é a vez do estendal.

Uma das principais cenas que Jean Cocteau quis filmar nesse filme de culto que é La Belle et La Bête foi a “cena dos lençóis no estendal”, cena essa que era, para ele, uma obsessão.

Antes de mais mobilizou tudo e todos e mandou a equipa em expedição em demanda dos lençóis mais-que-perfeitos para estender no mais-que-perfeito estendal. O diário de filmagem do realizador mostra-o constantemente inquieto e meticulosamente preocupado com a localização do conjunto, a disposição, a orientação do estendal. Mais: com cada fio do estendal, cada centímetro do fio do estendal, cada centímetro quadrado de cada lençol no estendal.

Um extrato do diário dá conta do feitiço que o tomou: “Tenho de tratar de tudo, pendurar a roupa, amarrar os mastros (…), construir as ruelas de lençóis e preencher os espaços a descoberto. É difícil imaginar o que é tentar alugar doze lençóis suplementares em 1945…  Eu só tinha seis. As ruelas e os bastidores foram sendo construídos à medida que se ia avançando, o que me impedia de ter à partida uma visão de conjunto. Mas na verdade até prefiro assim. Se tivesse de descrever esse labirinto de lençóis, havia de arranjar maneira de o leitor se perder nele”




Dedicado à Tânia Cunha.


Manuela Ivone Cunha





 

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Outono e Automne.

 



 

Pode haver muito de diabolicamente absurdo na língua francesa. Na ortografia, então, nem se fala. Por acaso já falava Voltaire, que lhe ridicularizava as incongruências, e fala esta hilariante e inteligente Ted Talk em torno da obsessão ortográfica (vem com legendas, para quem ainda pesca algo de francês). O barrete pode ser enfiado em várias línguas e prometo comer o meu chapéu se almas obcecadas como a minha não se rirem. Chapeau!

Mas uma das qualidades dessa língua é ter imensas palavras para rimar com Outono -- ou Automne. Ouça-se aqui no Black Trombone cantado por Terez Montacalm, ou no original de Serge Gainsbourg.

Já em português é uma tristeza na presente saison. Tirando-me o sono, só me ocorreu "môno". Não conformada, fui procurar num dicionário de rimas na internet, contando que sairia dali uma resma delas, uma palete de palavras à altura da paleta de cores das folhas da estação. Qual quê. Uma pobreza pobrezinha de paupérrima.

Não dei o meu tempo por perdido, porém. No top 10 das palavras mais procuradas figurava esta, que compensa o esforço em apoteose, sendo em si mesma um fogo de artifício: "labaxúria".





Manuela Ivone Cunha

 


domingo, 26 de setembro de 2021

“A Alemã”.

 



Também conhecida por Allemande. Elemento fundamental num conjunto, no caso barroco – pois é – mas essencial em várias épocas e ocasiões.

Aqui em duas suítes, tocadas por um francês, um holandês e uma portuguesa. Tudo de toda a parte.


Manuela Ivone Cunha

 


terça-feira, 21 de setembro de 2021

A caminho da escola, le chemin des écoliers.

 

 

De cada vez que é usada a expressão francesa rentrée em época de regresso às aulas, devia arranjar-se maneira de saltar logo para uma outra, infinitamente mais útil e, sobretudo, encantadora: Le chemin des écoliers.

E que tem de especial “o caminho da escola”? É que não é bem-bem o caminho para a escola, mas o caminho, ou caminhos, que a pequenada toma até lá chegar sempre que pode. Não o caminho mais direto nem o pré-determinado, mas aquele que se faz caminhando, desdobrado em múltiplos atalhos e desvios, ora encurtando o troço mais feio e sensaborão, ora enveredando pelo percurso mais longo e aventuroso, explorando as belezas das redondezas nas voltas e contravoltas -- e na brincadeira com colegas, é claro.

Não é, pois, um arrastar de pés cabisbaixo a retardar a chegada, uma procrastinação triste e resignada do encontro com o destino. Tomar o caminho mais longo, le chemin des écoliers, é uma flânerie viva e tónica, cheia de propósito.

Não é de admirar que na canção O Testamento, George Brassens quisesse “partir para o outro mundo pelo chemin des écoliers".

Se me pedissem para escolher de repente, assim à queima-roupa, a encarnação de tudo isso em música (“de repente”, porque se me ponho a matutar a coisa complica-se) seria a de Carl Philipp Emanuel Bach -- filho do outro grande Bach. Carlos Filipe Emanuel, filho de João Sebastião.

E escolhia, agora a dedo e muito espiolhadas, interpretações audaciosas, imaginativas, arejadas, ardentes, dessa música cheia de vida. Que não se limitam a executá-la como esperado e a tocam como se fosse ao mesmo tempo a primeira e a última vez.

Ficam aqui 5 minutos da primeira, da orquestra Pulcinella, de Ophélie Gaillard. Creio ser sobre ela que ouvi a um crítico, já meio enfadado após ouvir de enfiada uma mão-cheia de outras interpretações mais quadradas ou cinzentas, a seguinte tirada, irresistível de rabugice bem-humorada:

“Não há direito! Faltar a este ponto ao respeito a um grande compositor, filho de outro grande compositor. Devia ser proibido. Sempre a fervilhar de ideias, de alacridade, de chama, de brilho, de cor… Mas quem lhes pediu tal coisa? É ultrajante. Ainda por cima têm o topete de tocar bem. Se tocassem mal, ainda vá, ficava tudo mais sossegado. Assim não dá. Em suma: genial. O respeito é para os cemitérios. Isto vive, vibra!”

O mesmo se poderia dizer desta (mon coeur balance) e desta. E para não se pensar que cheia de vida é sinónimo de contentete e alegrete, eis este largo.

Nota: este texto foi redigido de acordo com… novas preocupações, éticas e estéticas.  Na minha rentrée, vou propor a estudantes que descubram o preceito escondido, o discutam com calor e arejamento, e redijam um parágrafo segundo o mesmo preceito, sobre assunto à escolha.


Manuela Ivone Cunha.




segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Que o vento seja suave.

 

Que o vento seja suave.



Uma brisa basta. No último dia de máscaras na rua, uma toada de despedida. Sem saudades, só esperança numa aterragem tão auspiciosa como a que parece aguardar os bonequinhos parapentistas da foto em baixo. O que virá depois não há de ser um furacão.

Nunca ouvi o vento desta maneira em “Soave sia il vento”, em Così Fan Tutte, de Mozart. Nesta interpretação, datada de 2020, ano de pandemia e de sufoco alucinado, o que se ouve no primeiro ato já nem parece um trio de vozes. Antes um quarteto -- e a brisa, o sopro das cordas, o elemento central.

É comparar: quem ansiar menos por uma vibração do ar assim, tamanha, a insuflar-nos por dentro até nos criar asas próprias, e preferir algo mais estelar, pode ficar com proveito a cintilar com este trio de estrelas.




Manuela Ivone Cunha 

 

 




quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Sonatina Burocrática.

 

 


Ao contrário do que se imagina, há burocratas com sentido de humor. Talvez por ter sido alimentado com um sentido de auto-derrisão tão comum entre belgas como a batata frita e o mexilhão, certo membro de uma estrutura administrativa gestora da qualidade, interpelado ao telefone por uma académica bruxelense minha conhecida, indignada com a enésima massacrante exigência burocrática que emanava dali, reagiu com desarmante franqueza à sugestão desta para que lesse o já famoso Bullshit Jobs (trabalhos da treta), do antropólogo David Harvey: “Bem… Aqui já todos o lemos…”.

E citou, por seu turno, mais duas ou três obras na mesma linha, em que afinal ele e colegas admitiam reconhecer-se, tim-tim por tim-tim -- ou Tintin, sendo ele belga. Após um breve silêncio, desataram ambos a rir ao telefone, unidos no reconhecimento cúmplice de tanto absurdo burocrático, da tácita comédia de enganos que todos sabem desprovida de sentido, ou de real propósito útil.  

É certo que o sentido de humor pode ser involuntário, como o de uma estrutura congénere de uma respeitável instituição de ensino superior, desta feita portuguesa, que de tão embalada na volúpia burocrática, de tão alheada na sua bolha, nem percebeu o gáudio generalizado aí gerado pela circular que divulgou, intitulada: “Documento de Procedimentos para Obtenção de Feedback Sobre o Feedback nos Processos de Avaliação do Ensino”. Porventura melindrada pelo efeito cómico, que continuou sem compreender, acabaria por não chegar a produzir o documento que já toda a gente antevia seguir-se, destinado a obter o Feedback Sobre o Feedback Sobre o Feedback, em loop perpétuo.

Agora que a rentrée se aproxima em condições de alguma normalidade no rescaldo da pandemia, que o apetite burocrático desperta e, quiçá, as Mãos Doem já em tanto formigueiro, é de ficar com a Sonatine Bureaucratique, de Eric Satie, a quem voto um respeito terno. Mais ainda depois de saber que o seu apartamento continha um sem-número de guarda-chuvas e dois pianos de cauda, um sobre o outro, e que usava o de cima para guardar cartas e encomendas. Não é de admirar que deixasse partituras em sítios estranhos e variados, para além de extraviá-las em bolsos de fatos de veludo.

O absurdo de Satie é um deleite não vampírico, que não suga o tempo, a energia, a força anímica de ninguém. O que não significa que não soubesse moer quem merece ser moído, como no prefácio a Sports & Divertissements: o Coral Desagradável, que Satie disse ter escrito “para criaturas ressequidas e estupidificadas, uma espécie de preâmbulo azedo, uma introdução austera e não frívola. Pus nele – diz Satie -- tudo o que conheço sobre Aborrecimento. Dedico este Coral a quem não gosta de mim. Retiro-me”.

 



Manuela Ivone Cunha






quinta-feira, 17 de junho de 2021

A Dança dos Adolescentes.

 

 


Ver algures lembrado o dia de hoje, 17 de junho, como o dia do nascimento de Igor Stravinsky (1882-1971), acordou de imediato na memória remota uma Sagração da Primavera que me fizera há uns anos rumar a sul, ao Coliseu, para vê-la conduzida por Esa-Pekka Salonen.

Mas o que tornou esta Sagração memorável, além da batuta de Salonen, foi a performance primaveril das cabeças dos dois adolescentes que me acompanhavam. Metal, impecavelmente heavy. Um fenomenal head-banging que Nijinsky não teria hesitado roubar na hora para coreografar uma versão contemporânea do número da “Dança dos Adolescentes”.

A energia, a precisão, a amplitude do movimento desenhado por aquela trunfa e aquele cabelame, em perfeita sincronia e sem falhar um único tempo forte das percussões, deixou-me pasmada, verde de inveja. A mim e, suspeito, ao entorno da plateia.  Aquilo era contagiante, mas não estava ao nosso alcance. Seriam precisas umas dezenas de audições para acertar daquela maneira no tempo. A mística ficou, indelével.

Agora os Melodica Men, grandes mestres saídos da Juilliard School (juro), dão uma ajuda com os instrumentos de percussão que introduziram. E dá para ficar com uma vaga ideia do que se passou no Coliseu.

Olhando ao escândalo que foi a estreia de uma das obras mais revolucionárias do século 20, Stravinsky não se vai aborrecer com esta prenda de aniversário.


Manuela Ivone Cunha.

 



   

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Greve.

 



Há greves que atrasam regressos, outras que os aceleram. One man’s trash is another man’s treasure – como é sempre bom ouvir em estrangeiro na Feira da Ladra.

A atrasada é esta cliente, assunto de greve de comboios, que, esses, não perdem pela demora. Hão de cá vir não tarda.

Agora é a vez de outra greve, que pôs fim a uma paralisação e desencadeou um regresso. Uma greve, um protesto sindical que é todo ele um tesouro: a graça, a inteligência, o acerto, o espírito, a finura  a classe. Além disso, tudo a expensas do patrão.

O patrão era o príncipe Esterhazy e os trabalhadores, os músicos ao seu serviço. Como todos os anos, acompanhavam-no no retiro estival para o palácio de Verão a fim de continuarem a entreter a aristocracia. Acontece que, dessa vez, o Verão do príncipe teimava em eternizar-se. Era novembro e não despencava dali. A estadia durava, durava, e os pobres músicos, impedidos de regressar a casa, agonizavam de saudades.

J. Haydn, ao contrário dos músicos, tinha sido autorizado a levar a família. Grande como era, percebeu a injustiça e o abuso, e, em vez de se armar em capataz, fez de delegado sindical. Vai daí, compõe essa estranha pérola que é a "Sinfonia do Adeus", partitura encomendada e paga pelo príncipe – lá está.

A apoteose em anti-clímax pode ser vista nesta interpretação do último andamento da Sinfonia pela orquestra filarmónica de Viena, dirigida por Daniel Barenboim perante uma plateia perplexa que só a partir de dada altura começa a perceber o que se está a passar. É ver tudo para saborear a exímia debandada orquestrada por Haydn, naipe após naipe, como não quer a coisa. Quem tem pressa – horror!  pode arrancar ao minuto 4 e picos.

Quanto ao príncipe, que não era burro nenhum, enfiou de imediato a carapuça e deixou partir os músicos na manhã seguinte.


 



Manuela Ivone Cunha





 

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Sexta-Feira Santa.

 

Antes de o sabermos de saber-ensinado, já o sabemos de saber-sentido, intuído na voz de Dietrich Fischer-Dieskau a cantar “Mache dich, mein Herze, rein", da Paixão Segundo S. Mateus, de J. S. Bach.  

Não é num sepulcro de pedra que Jesus vai dormir para sempre nesta ária do enterro. É no coração de um ser humano. É num coração humano que vai descansar e encontrar repouso. É cantada, por isso, como uma canção de embalar. Não sei se mais alguém a terá cantado assim, com tanta serenidade e doçura.

Aqui numa gravação de 1959 com a Munich Bach Orchestra, dirigida por Karl Richter






Manuela Ivone Cunha




 




Consolação #6


 

 


Allegretto sempre cantabile, com Sviatoslav Richter impávido, sem tosse de plateia que o perturbe.



Manuela Ivone Cunha




 

segunda-feira, 29 de março de 2021

domingo, 28 de março de 2021

Consolações para uma semana.

 


 

São seis, as consolações de Franz Liszt. Em regime de racionamento, o pacote S. 172 dá para a semana inteira, administrado à razão de uma consolação por dia. É só fazer as contas. 

Não é engano. Ao terceiro dia o pacote estica com dose dupla da mais famosa de todas, para mais em andamento lento plácido.  Um consolo.

O bem é distribuído pelas aldeias, no caso diferentes pianistas, para não descambar em açambarcamentos.

Hoje, mas só porque é hoje, começa-se pela primeira.

Andante con moto, com Mariam Batsashvili





Manuela Ivone Cunha






sábado, 20 de março de 2021

Rosas, amores e margaridas.

 


 

É hoje, bailai! É hoje, a Primavera! Duas valsinhas primaveris de Emile Waldteufel.

Pelo Ensemble Fa e por Richard Galliano.

 

 





 

Manuela Ivone Cunha

 


segunda-feira, 8 de março de 2021

2 tangos para elas.

 


Era machola, o tango. Era. Foi. Não tem de ser.

Dois tangos por elas, a fazerem-no delas. E a graça que é terem escolhido um deles para comemorar a conquista do direito de voto pelas mulheres. Libertango, de A, Piazzola, e Tango Pour Claude, de Richard Galliano.








 

Manuela Ivone Cunha