Assisti
Corsage (2022) de
Marie Kreutzer no
TelecinePlay. Por enquanto sumiram as pastas de gêneros do Telecine no Now, fui então no cinelistas, em mulheres diretoras e o primeiro filme era esse. Fiquei pensando quando foi que entrou na programação. Nunca tinha ouvido falar e que obra prima, que filme maravilhoso!
É sobre a Imperatriz da Áustria, a Sisi, perto dos quarenta anos. Só com o filme que Sisi passou a ganhar dois ss. Depois dos 40 anos, é quando o marido perde o interesse por ela e ela fica entediada. De espírito livre, ela se incomodava profundamente com as convenções. Estava obcecada por peso, dá muita aflição ela na mesa não comendo nada. Também mostra os momentos que ela tinha compulsão alimentar, típico de quem tem desajustes alimentares. Ela pedia sistematicamente para as serviçais apertarem demasiadamente os espartilhos e se pesava compulsivamente. O filme fala muito sobre etarismo, principalmente as cobranças para a mulher e machismo. Vicky Krieps está maravilhosa!

Mas ela adorava cavalgar. Tinha uma relação complexa com os filhos. Claro, quando não se precisa pensar em boletos, no que vai comer, até se vestir alguém faz pra você, pode-se ter qualquer excentricidade. Os filhos de nobres sempre são criados por outras pessoas, só veem os pais de vez em quando. É mais fácil ter filho assim,, fácil nunca é. Para fugir do tédio da casa onde o Imperador ficava, ela ia muito a uma casa de campo, onde tinham inúmeros empregados, mas uma vida mais aconchegante e menos entediante.

O filme é belísssimo, originalíssimo como é construído, com uma trilha sonora deslumbrante. Ela gostava de ir em manicômios, dizia que se sentia bem entre aquelas mulheres. Perturbada pelos sentimentos complexos, ela tenta suicídio. O médico indica cocaína, um remédio, inofensivo. Freud mesmo fez inúmeros estudos sobre os excelentes resultados da cocaína em pacientes. Só anos depois que descobriram os malefícios, mais ou menos o que sempre acontece com a indústria farmacêutica. Volte e meia um médico insiste que o remédio não causa dependência, que ele vai ajudar a reduzir e tirar depois, que compensam os benefícios, mas após o vício a maioria não se responsabiliza, abandona, famílias, médicos, e ainda há muitos julgamentos por quem tem vícios. Não sabia que ela morria assassinada, mas o filme não termina com o assassinato, é bem lindo a forma como o filme termina, meio mágico. O filme todo é meio mágico. Belíssimo!
Beijos,
Pedrita