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☆poemasEleonoraMarinoDuarte☆edição&arteWalkyriaSuleiman☆
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19 de out. de 2011

"Centí-metro"













Saliva vívida
no bico do seio
ceia a boca
uma rosa lívida.

O palmear saceia
a selva nua, nela
ele prescipita
do ouro a pepita.

Penetra a seta
linha rija de aço,
na casa do ventre
habita o espaço.










foto: CatharinaSuleiman

7 de set. de 2011

Madrileña





































Pouco por causa das casas
muito por causa dos ventos
quentes e sempre quentes
os ventos nas casas claras,
Madri não diz onde mora...

Adiei desejar ir até Madri,
agora, afora a ida, quero!

Talvez por ser o elo entre nós
os não espanhóis, nós,
embarcados e ardentes,
vejo naquela Madri
a grande dama da Europa!

Pessoas a passeio agem
como se ela fosse passeio,
pouco em mim não é anseio
do anseio de haver Madri.

Cidades são todas factíveis
Madri é Espanha, me basta!

Basca desgarrada,
não sabem os turistas
a fera de ser Madri
o perigo de ser Madri
o desejo de ser Madri...

Pensei ouvir Madri aqui,
agora, como voz de praça
gritando por sobreviventes,
mas não há nada em mim
nem de Madri, nem em Madri.

Muitas vezes penso não existir
Madri, ou mesmo o que penso.
Mas quero-porque-quero Madri
ou também alguém que tenha
a Madri de mim dentro de si.




foto: CatharinaSuleiman

6 de ago. de 2011

Magno
































Embarca-me, teu braço é onda forte
a balançar-me à deriva do abraço...

Rivaliza a rocha com o teu peito,
respeito a pedra sólida com a qual me deito.

O leito do mar é amar-te aqui,
na cama das areias quentes e solares...

Submerge-me teu suor ao sabor
de um sabor sem igual de sal e de algas

amálgamas de aromas sobram sobre nós
enquanto sopram os ventos sem direção.

Sinto que afundam em mim teus olhos
quando olhos nos olhos,

tuas águas escuras de castanhos desejos
lançam sobre meu corpo as âncoras

das mãos sobre minhas ancas
enquanto sereias se abandonam.






foto: CatharinaSuleiman

15 de jul. de 2011

Don Juan









































Sobre a derme a fervura do teu tato
está guardada em caminho intacto,

A fervura do teu tato é como um retrato
registrando a flor da pele a que adere,

Retrátil alfabeto de sinais e sintomas
está recolhido no esconderijo do poro,

A saciedade que rememoro me recobra
quando o meu corpo forte te comemora,

Sem demora, foi devorar-me ao decifrar
o arfar de juras antes incapazes de saciar.

Linguagem de códigos arcaicos?
Aramaico? Desejos em arabescos?

Não lhe pergunto: Por quem me tomas?
Não soube, não sei, pois não me interessa,

Sei que depressa me tomou como água,
água em fonte de fronte ao deserto.







foto: CatharinaSuleiman

23 de jun. de 2011

Palma De Maiorca



Na orla da cama
a pérola de teus dentes
afunda na areia da minha pele.
Ao inverso, pois sexo é inverter-se,
naufragam ostras vermelhas por toda a praia.









foto: CatharinaSuleiman

30 de mai. de 2011

Sobrearco


Em direção ao poente, sol e saudade
se guardam em caixa silenciosa.
Quantos olhos têm o mundo?

Sair do lar na compaixão de voltar
sem tamanho para as estradas
nem divisas para os palmos,

Sumir a cidade, certos do regresso,
muito empenhamos em postais
e alguma ou muita lágrima,

Alguma ou toda a lágrima que se verte
ao desafio de construir o fim em frase
apontando a letra no “até breve”...

Mas sérios, severos, roubados pelo tempo
que não retrocede ao portão de casa,
nunca retornamos à porta da frente.







foto: CatharinaSuleiman

6 de mai. de 2011

Origami
































Atravessa o rio um barco
que não se move do cais
em cais imóvel no mundo.

O barco balança no cais,
o mundo se perde no rio,
o rio há de levar o barco!

O mundo é o barco do cais,
o cais também é o barco
e o barco também é o rio...

Toda viagem cabe ao barco
pois que é o barco o mundo
no cais que detém o rio.







foto: CatharinaSuleiman