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sexta-feira, 25 de junho de 2010

POEMA:palavras fugidias...


Árvores perdidas
pelas veredas verdejantes
oferecendo frutos maduros roxos
cor da dor do sofrimento...

Cravo meus olhos escaldantes no calor
da tarde do meu Alentejo choroso,
-que sabe a tormento!-
mas que tanto almejo.

Atiro ao suave vento
as palavras com que me Conheço...

Reencontro-as, depois, mas volto a esmiuçá-las
para continuar a conhecer-me, a descobrir-me
na Verdade que se impoe!

Como regato que escapa por entre ervas verdejantes,
são elas a gota de água que me alenta,
na tarde escaldante.

Uma sombra de Florbela passa pela seara...
Oiço-a correr pelo trigal cantando o calor
nos seus poemas-Amor
na sua planície em fogo...
E corro com ela...
através de urzes e searas...
...e quero beber a GOTA de DEUS
que ali cai, com Amor!

Cheira-me a mocidade!
Sofro a alegria da SAUDADE...
FECHO OS OLHOS...ENGULO O TEMPO...
...e vivo o meu momento...

C8h-15/103-ABL/010