19 May 2026

(sequência daqui) Em pouco tempo de instantânea actividade dos Lovin' Spoonful, haviam colonizado as tabelas de vendas norte-americanas e dado resposta convincente à British Invasion. Mas, bem mais importante do que isso, nos 4 anos de existência da banda (1965-1969), num percurso com raízes no revivalismo folk de Greenwich Village, vitaminado pelo rock, os blues, e o espírito das jug bands, The Lovin’ Spoonful ocupariam um espaço de experimentalismo que, à época, à excepção dos Beatles, mais ninguém ousara reivindicar. "Do You Believe In Magic", "You Didn’t Have To Be So Nice", "Daydream", "Did You Ever Have To Make Up Your Mind?" ou "Summer In The City" são os títulos que mais depressa ocorrem. A missão da caixa de 7 CD What A Day For A Daydream - The Complete Recordings 1965-1969 é, porém, demonstrar, de uma vez por todas, por que motivo os Spoonful eram a banda à qual Neil Young sonhava pertencer, a quem Woody Allen encomendou a banda sonora da sua estreia What's Up, Tiger Lily? (1966) e que Robert Forster (Go-Betweens) considerou um dos 4 pilares sobre os quais assenta o seu álbum de 2025, Strawberries.

17 May 2026

"Young Chinese facing ‘life pressure’ resist government push to boost marriage rate"

(com a colaboração do correspondente do PdC em Pequim)    

Albums That Should Exist (VII):

 DE UMA VEZ POR TODAS
 
 
John Sebastian Sr. (nascido John Sebastian Pugliese numa abastada família italiana de banqueiros em Filadélfia, na qual o pai era presidente de um banco) foi um músico e compositor norte-americano conhecido como "o Paganini da harmónica". Foi o primeiro a adoptar um repertório inteiramente erudito e consolidou a harmónica como instrumento respeitável na música clássica. Foi pai do cantor e compositor John B. Sebastian, um dos fundadores na década de 60, de The Lovin' Spoonful Zalman Yanovsky era filho de Avrom Yanovsky, um caricaturista político nascido na Ucrânia, e de Nechama Yanovsky, uma professora de ascendência polaca. Com tão precioso pool genético impurissimamene americano, não espanta que, naquela noite de Fevereiro de 1964, quem se encontrasse no apartamento novaiorquino de (Mama) Cass Elliot fossem John e Zalman, em transe perante a estreia televisiva americana dos Beatles, no Ed Sullivan Show. (daqui; segue para aqui)
 

06 May 2026

A Dialéctica nas margens do Reno

 A dialéctica. Já ouvi falar da dialéctica: 

era assim uma espécie de regra de três

simples no papel pardo das mercearias,

a penitência dos bígamos, 

um motor a três tempos engatado

na quarta velocidade do pensamento. 

O jovem Carlos leu GWF nas longas, 

teutónicas noites de inverno e escreveu 

na Rheinische Zeitung um artigo 

sobre o roubo da lenha aos camponeses ou 

pelos camponeses: não sei bem. 

Alguns discutiram se O Capital é 

uma obra de maturidade ou um efeito 

secundário da furunculose. 

Por mim confesso: tenho saudades de tais tempos 

em que despontavam as mamas em raparigas 

acossadas pelo acne e pela delicadeza.

"Pussy Riot and FEMEN protest at Venice Biennale forces Russian pavilion to briefly close"

Uma página e não é de todo seguro que ele a tenha lido 
até ao fim sem cabecear

Uma página com letras grandes e bonecos
Seera - "Wahm Al Qimmah (Illusion of the Summit)"

03 May 2026

Goblin Band - "Clyde Water"

"At some point in the last few years, London’s folk scene reimagined some much-needed vitality. At the heart of that resurgence are Goblin Band, a queer, celebratory, roguish quartet who have enlivened traditional music with the breezy irreverence of punk. They have won over audiences with their openness, and their gigs emphasise the rebellious joy of shared experience" (ver + aqui)

"Akhir Sarkha (The Last Scream)"
 
(sequência daqui) Entremos, então, pela magnífica "Shams", uma espiral de guitarra contaminada de flamenco que se deixa aproximar perigosamente de um espectro dos Doors, nos conduz até ao ponto no qual o perfil sonoro da canção se altera imprevisivelmente e, a seguir, os teclados de "Athar" abrem as portas a uma deriva de som e poesia praticamente sem palavras. A articulação de vertiginosas texturas rock e frases melódicas arabizantes parece inevitável, como se esta fosse a única forma de estas canções poderem existir, desde a radiação das linhas de guitarra exploratórias de Haya à inteligencia quase fisiológica do elástico baixo de Meesh até à bateria implacavelmente firme de Thing. Após a estreia internacional no final do ano passado, na Southbank londrina, "tudo nos convenceu que a nossa música não é coisa de nicho; vale por si mesma sem necessitar de explicações". Não será um acaso que este EP tenha sido publicado pela Women in CTRL Records / CTRL Music.