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16 November 2025

29 October 2025

 
 
(sequência daqui) E propunham uma - chamemos-lhe assim - visão do mundo que poderia resumir-se a "Os seres humanos estão a involuir". Inspirados por teóricos lamarckianos do século XIX e sua errática descendência tardia - H.G.Wells, personagens dos DC comics, Kurt Vonnegut ou H. P. Lovecraft -, o quinteto de Akron, Ohio, composto por por dois pares de irmãos, (Mark e Bob Mothersbaugh, Gerald e Bob Casale) e Alan Myers, retirariam o seu nome e a sua filosofia global desse conceito de "de-evolução/involução. Segundo o crítico de música Steve Huey, a banda "adaptou a teoria à sua visão da sociedade americana como um instrumento de repressão rígido e dicotómico que assegura que os seus membros se comportam como clones, marchando vida fora com a precisão mecânica de uma linha de montagem, sem tolerância para a ambiguidade" O documentário acompanha a ascensão da banda do estatuto de putos excêntricos de Akron a heróis de culto da cena punk dos anos 70 e, posteriormente, a estrelas da MTV. Ao longo do filme, recordamo-nos como o seu repertório não se resume a "Whip It" que, em 1980, se instituiria como o único verdeiro sucesso de vendas dos Devo (14º no Hot 100 da "Billboard"). Canções como "Jocko Homo" e "Beautiful World" surgem não como curiosidades bizarras, mas como críticas mordazes disfarçadas de música pop. Ao vermos hoje os vídeos da banda, com os seus desastrados cenários de cartão e coreografias espasmódicas, parece-nos menos um exercício de nostalgia e mais um momento de arte profética — como se, décadas antes, tivessem antecipado a cultura do TikTok. A teoria social da "de-evolução", seria uma ideia central no trabalho inicial da banda, que se caracterizava por um estilo agrestemente dissonante de art-punk que combinava rock com música eletrónica. (segue para aqui)

25 August 2025

 
(sequência daqui) "Nos Estados Unidos, estão a perseguir as pessoas por usarem o seu direito à liberdade de expressão e por manifestarem a sua discordância. Isto está a acontecer agora. No meu país, estão a revogar legislação histórica dos direitos civis que conduziu a uma sociedade mais justa e plural, estão a abandonar os nossos grandes aliados e a apoiar ditadores contra aqueles que estão a lutar pela sua liberdade. Removem residentes das ruas americanas e, sem processo legal, deportam-nos para centros de detenção e prisões no estrangeiro. Isto está a acontecer agora". E, antes de "My City Of Ruins": "A maioria dos nossos representantes eleitos falhou ao não proteger o povo americano dos abusos de um presidente inapto e de um governo desonesto. Não têm qualquer preocupação ou ideia do que significa ser profundamente americano. A América de que vos tenho falado durante 50 anos é real e, independentemente das suas falhas, é uma grande nação com um grande povo. Por isso, superaremos este momento". E, como que encerrando o assunto antes de se iniciar a limpeza das armas, "Agora, tenho esperança porque acredito na verdade das palavras do grande escritor norte-americano James Baldwin. Ele disse que, neste mundo, não há tanta humanidade quanto se gostaria. Mas há a que chegue".

28 May 2025

O príncipe do Havai é bom mas o russo apátrida Boris I de Andorra e Mano-Rei de Olhão, agente dos ingleses e oficial da Wehrmacht, preso e condenado aos Gulags da Sibéria é muito melhor

15 November 2024

Instrumentalizar a polícia em operação de propaganda = aumentar o sentimento de segurança dos cidadãos.

 Costumava haver uma diferença entre Estado de direito democrático e totalitarismo. Costumava.

14 November 2024

EXÍLIO MEDITERRÂNICO

 
Hydra é uma das ilhas Sarónicas do Mar Egeu na qual, mui civilizadamente, por lei, automóveis e outros veículos motorizados sáo proíbidos, apenas sendo autorizado o transporte por meio de burro, mula e cavalo. A aproximá-la um pouco mais do estatuto de micro-paraíso terrestre (ainda que não a salvo da marabunta turística) existe ainda a população de umas largas centenas de amistosos gatos vadios que se deixam venerar por locais e visitantes. Não espanta, pois, que, a convite de Lawrence Durrell, tenha sido escolhida como refúgio por Henry Miller (que a classificou como ""wild and naked perfection") enquanto escrevia O Colosso de Maroussi (1941) ou por Leonard Cohen que lá - na companhia da amantíssima Marianne Ihlen - comporia "Hey, That's No Way To Say Goodbye","'Bird on the Wire", e "So Long, Marianne". Terá sido, talvez, em busca da mesma inspiração de que se alimentaram tão ilustres antecessores que Nuala Kennedy e Eamon O’Leary optaram pelo aprazível exílio mediterrânico em Hydra, transformando uma oficina de tecelagem do século XVIII com vista para o oceano em estúdio de gravação do álbum que tomaria o nome da ilha. (daqui; segue para aqui)