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19 January 2008

TOP 100 DO SÉCULO XX (X e último)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



VAN MORRISON - Astral Weeks
THE VELVET UNDERGROUND & NICO - TVU&N/Rarities 66-93 (bootleg)
XTC - Fossil Fuel: The XTC Singles
YOUNG MARBLE GIANTS - Colossal Youth
VÁRIOS - Great Jewish Music: Burt Bacharach
VÁRIOS - Lost In The Stars/September Songs
VÁRIOS - Nuggets: Luke Vibert's Selection
VÁRIOS - OHM: The Early Gurus Of Electronic Music (1948-1980)
VÁRIOS - Tropicália
VÁRIOS - Ultra Lounge (18 vol.)


(2008)

17 January 2008

TOP 100 DO SÉCULO XX (IX)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



STAN GETZ/ JOÃO GILBERTO - Getz/Gilberto
TALKING HEADS - Remain In Light
TELEVISION - Marquee Moon
TIM BUCKLEY- Goodbye And Hello/Starsailor
TOM VERLAINE - Dreamtime
TOM WAITS - Nighthawks At The Diner/Swordfishtrombones/Raindogs/Blood Money
TRICKY - Maxinquaye
TWO BANKS OF FOUR - City Watching
THE UNITED STATES OF AMERICA - The United States Of America VAN DYKE PARKS - Song Cycle


(2008)

14 December 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (VIII)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



RIP RIG & PANIC - God
ROBERT WYATT - Rockbottom
ROLLING STONES - Their Satanic Magesties Request/ Exile On Main Street
ROXY MUSIC - Roxy Music
RYUICHI SAKAMOTO - Beauty/Life
SANDY DENNY - The North Star Grassman And The Ravens
SCOTT WALKER - 4
SEX PISTOLS - Never Mind The Bollocks
SIOUXSIE & THE BANSHEES - A Kiss In The Dreamhouse
SONIC YOUTH - Sister/Evol

29 November 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (VII)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



PHIL OCHS - Chords Of Fame
PINK FLOYD - A Saucerful Of Secrets
PJ HARVEY - To Bring You My Love
PORTISHEAD - Dummy
RAINCOATS - Odyshape
RANDY NEWMAN - Sail Away
RAYMOND SCOTT - Manhattan Research Inc. (New Plastic Sounds And Electronic Abstractions)
R.E.M. - Murmur
RICHARD & LINDA THOMPSON - I Want To See The Bright Lights Tonight
RICKIE LEE JONES - Pop Pop


(2007)

21 November 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (VI)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



THE MAGNETIC FIELDS - 69 Love Songs
MARIANNE FAITHFULL - Broken English
MASSIVE ATTACK - Blue Lines
MAZZY STAR - So Tonight That I Might See
MOMUS - Monsters Of Love


[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

MOMUS
Monsters Of Love/Singles 1985-90
Produção: Nicholas Currie e Julian Standen (em "Murderers, The Hope Of Women")
Intervenientes: Nicholas Currie
Primeira edição: Creation 1990

Nicholas Currie (aliás, Momus, o deus grego do escárnio) encarna tudo aquilo que a classe média semi-analfabeta designa como "pretensioso": uma lista de leituras inspiradoras, álbum por álbum, regista — muito sinteticamente — os nomes de Brecht, Adorno, Barthes, Kierkegaard, Borges, Dante, Leopardi, Lawrence, Mishima, Bataille, Verlaine, Keats, Auden, Sade, Duras, Kafka, Nabokov, Gide, Joyce, Celan, Mann e Eliott mais os Apócrifos da Bíblia, Marcial, Esopo e Boccacio. Podia ser apenas pose mas não é. Porque tudo isso se nota muito nas canções que, desde que abandonou os Happy Family (a etapa de graduação pop), ele criou, numa veia que se inspira tanto dessa ementa literária como de Brel, Gainsbourg, Cohen, Bowie, Brassens, os Pet Shop Boys, Weill, a pop japonesa ou o "disco sound". Publicado depois de Circus Maximus (1986), The Poison Boyfriend (1987), Tender Pervert (1988) e Don't Stop The Night (1989), Monsters Of Love (colectânea de singles e EPs) é, talvez, a melhor síntese do seu requintadíssimo "songwriting" de sexo, cinismo e erudição, entre o cabaret "cheesy" de "Morality Is Vanity" ("If you get no joy from gin, here is the abyss, jump in!"), a fabulosa enumeração negativa dos mil rostos da morte de "What Will Death Be Like?" e a felicidade "disco" envenenada de puríssimo ódio passional de "Hairstyle Of The Devil", cocktail que dava corpo à sua celebração da "fakeness" pop, (isto é, da sua autenticidade), única forma "de rir no meio do vazio que é a única coisa que resta quando se compreende que Deus não existe".

OUVIR TAMBÉM: Orgonon (Laila France); LER: Lusts Of A Moron/The Lyrics Of Momus (Black Spring Press)]

MY BlOODY VALENTINE - Loveless
NEIL YOUNG - Rust Never Sleeps/Weld
NICK CAVE - Murder Ballads
NICO - Chelsea Girls
ORANGE JUICE - You Can't Hide Your Love Forever

(2007)

12 November 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (V)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



JUNE TABOR - Angel Tiger
THE KINKS - The Kink Kronikles
KRAFTWERK - Trans-Europe Express
LAURIE ANDERSON - Big Science/Life On A String
LEILA - Like Weather
LEONARD COHEN - Songs Of Love And Hate


[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

LEONARD COHEN
Songs Of Love And Hate
Produção: Bob Johnston
Intervenientes: Leonard Cohen; arranjos de Paul Buckmaster
Primeira edição: Columbia, 1969

Sexo, morte e Deus. Amor e ódio. Paraíso e Inferno. Leonard Cohen nunca escreveu sobre outros temas (mas há outros temas?). Tanto enquanto (muito bom) poeta, novelista (sofrível) e "songwriter" (sublime). E nunca o escreveu de modo tão arrasadoramente total como no seu terceiro álbum da capa a preto e branco onde o rosto por escanhoar — não, nessa altura ainda não estava instituido o chique da "barba de três dias" — evita o nosso olhar com algo que, muito menos do que um sorriso, é um esgar de escárnio e desafio. Desde as primeiras palavras ("I stepped into an avalanche it covered up my soul"), é um puro exercício da mais letal intoxicação que se inicia. E o começo da mais radical iniciação que intoxica. Para sempre. "You who wish to conquer pain you must learn, learn to serve me well" define as regras, "your laws do not compel me to kneel, protest and bare" é a chegada ao último estádio de todos os rituais gnósticos, "the crumbs of love you offer me are the crumbs I left behind" reinventa o erotismo sagrado e "I have begun to long for you, I who have no greed, I have begun to ask for you, I who have no need" regressa ao desgraçado nível humano. E tudo só na primeira canção, com as espirais narcóticas das cordas de Paul Buckmaster no mais doce dos estrangulamentos. Judeu, sufi, zen, tântrico e cristão herético. Mas, depois, há ainda a inominável e desesperada encenação da descida ao abismo de "Dress Rehearsal Rag", o grotesco teatro do vazio de "Diamonds In The Mine" e "Sing Another Song, Boys", a esotérica e lendária vertigem material de "Love Calls You By Your Name", as flamejantes bodas alquímicas de "Last Year's Man" e (sobretudo) "Joan Of Arc" e, acima de todas, "Famous Blue Raincoat", a canção de abandono, liberdade e desprendimento, mais que perfeita de todos os tempos. Com a assinatura final "sincerely, L. Cohen".

OUVIR TAMBÉM: Suzanne Vega (Suzanne Vega)]

LIQUID LIQUID - Liquid Liquid
LLOYD COLE & THE COMMOTIONS - Rattlesnakes

[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

LLOYD COLE & THE COMMOTIONS
Rattlesnakes
Produção: Paul Hardiman
Intervenientes: Stephen Irvine, Neil Clark, Lawrence Donegan, Blair Cowan, Lloyd Cole, Ann Dudley (arranjos de cordas)
Primeira edição: Polydor, 1984

A poeira da sublevação punk tinha definitivamente assentado. A "new wave" tinha cumprido a contento a sua missão histórica de pegar nos destroços resultantes do motim e, a partir deles, reconstruir um vocabulário pop de novo enxuto e viável. Era, pois, o momento apropriado para a eclosão de uma nova geração de "songwriters" pop que, mais uma vez, sem cair na infinita e enjoativa reciclagem de modelos anteriores, no interior da clássica "guitar band", se aprestava para acrescentar novos capítulos ao "songbook" da música popular. Elvis Costello assumia a função de santo padroeiro e, à sua sombra, a pop britânica e esferas de influência adjacentes renovavam-se. Os Smiths de Morrissey e Marr terão, possivelmente, encarnado a figura de ícones lendários mas foi a Lloyd Cole & The Commotions que calhou a responsabilidade de conceber e concretizar a mais imaculada colecção de canções pop — no que isso significa de simultaneamente imediato e sofisticado — que os anos 80 escutariam. A meio caminho entre influências reconhecidas e pastiches deliberados (dos Byrds, de Bob Dylan, dos Love, da soul), fazendo do "name dropping" uma forma literária pop superior e reinventando o "tricot" das guitarras electricas e o veludo dos arranjos de cordas como estojo de luxo para melodias e textos de elevado teor de contágio dedicados ao louvor e ao escárnio de figuras com "cheekbones like geometry and eyes like sin", "sexually enlightened by Cosmopolitan" e que evocam "Eve Marie Saint in 'On The Waterfront'", "Jules Et Jim" e Simone de Beauvoir, Rattlesnakes estabeleceu um novo padrão de referência pop. Que o próprio Lloyd Cole e respectiva geração só irregularmente voltariam a atingir.

OUVIR TAMBÉM: Easy Pieces e Mainstream (Lloyd Cole & The Commotions); Bad Vibes e Love Story (Lloyd Cole); Imperial Bedroom (Elvis Costello); The Smiths e The Queen Is Dead (The Smiths); Reading, Writing & Arithmetic (The Sundays); Before Hollywood, Liberty Belle & The Black Diamond Express e 16 Lovers Lane (The Go-Betweens); High Land Hard Rain (Aztec Camera); You Can't Hide Your Love Forever (Orange Juice); Suzanne Vega (Suzanne Vega); Dreamtime (Tom Verlaine); Jordan-The Comeback (Prefab Sprout); Apple Venus-Vol. 1 (XTC); 69 Love Songs (The Magnetic Fields)]

LOU REED - Transformer/New York/Magic And Loss/Songs For Drella (c/ John Cale)/The Raven
LOVE - Forever Changes

[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

LOVE
Forever Changes
Produtor: Arthur Lee/Bruce Botnick/David Angel (arranjos)
Intervenientes: Arthur Lee, Bryan MacLean, Johnny Echols, Ken Forssi, Mike Stuart, Hal Blaine, Billy Strange, Don Randi
Primeira edição: Elektra, 1967

Em 1966, os Love foram a primeira banda de rock a assinar com a Elektra. O que só é importante na medida em que a segunda foram os Doors. Em plena Los Angeles do "flower power", Arthur Lee, um esquizofrénico "borderline", rebaptizou os Grass Roots como Love mas, de acordo com a sua atitude e estilo de vida, havia quem achasse que o grupo se deveria chamar Hate. Influenciado pelos Byrds, Hendrix, Stones e pela atmosféra psicadélica da era, Lee era alternadamente descrito como "a black freak on the white scene" ou — devido à sua devoção a Mick Jagger — "um negro americano a imitar um branco inglês que imita um negro americano". Os primeiros álbuns (Love, 1966 e Da Capo, 1967) eram puro psicadelismo "west coast" mais folk ou hard-rock mas seria com Forever Changes que o culto dos Love se estabeleceria. Inicialmente pensado com produção de Bruce Botnick e Neil Young, as obrigações deste para com os Buffalo Springfield acabariam por entregar a Botnick a difícil gestão de um grupo que se recusava a actuar ao vivo e de que três quintos estavam irremediavelmente agarrados à heroína. Com músicos de estúdio (Blaine, Strange e Randi), para acorrer às emergências, foram gravados "Andmoreagain" e "The Daily Planet" o que serviu para espicaçar o brio dos "junkies" de serviço e registar a matriz de toda a pop orquestral futura. Guitarras de flamenco, melodias perfeitas, secções de cordas e sopros e o sublime "songwriting" alucinado que a época autorizava instituiram a lenda. Forever Changes transformou radicalmente o mundo da pop e, ainda hoje — na vertente melódica e orquestral —, damos por isso.

OUVIR TAMBÉM: Curtains (Tindersticks), A Short Album About Love (The Divine Comedy), Nighttown (The Walkabouts), Ocean Rain (Echo & The Bunnymen)]

(2007)

08 November 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (IV)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



GANG OF FOUR - Entertainment!
GLENN BRANCA - The Ascension
GO-BETWEENS - Liberty Belle & The Black Diamond Express
HOLGER CZUKAY - Movies
THE JEFFERSON AIRPLANE - Crown Of Creation
JESUS AND MARY CHAIN - Psychocandy
JIMI HENDRIX - Electric Ladyland
JOHN CALE - Music For A New Society/Paris 1919/Honi Soit
JOHN ZORN - The Big Gundown
JULIE LONDON - Time For Love


(2007)

03 November 2007

ADENDA AO POST ANTERIOR



David Byrne & Brian Eno - My Life In The Bush Of Ghosts

Em 1979 — na mesma altura em que Holger Czukay e os Can se entregavam às suas "Ethnic Forgeries" — , os Talking Heads tinham acabado a digressão de Fear Of Music e David Byrne e Brian Eno encontravam-se para ouvir discos daquilo a que ainda ninguém chamara "world music". Três ideias os orientavam: tornar o "vulgar" interessante, descobrir música onde não é suposto ela existir e modificar o sentido de uma mensagem, recontextualizando-a.



Os antecedentes que, nos textos do "booklet" que acompanha a reedição de My Life In The Bush Of Ghosts (acrescentando de diversos extras e um filme de Bruce Conner), Eno abertamente reivindica, eram Cage, Pierre Schaeffer, Steve Reich, Stockhausen, a música africana, árabe, o funk, o dub e o roots-reggae. Inventando, artesanalmente, o "sampling", sobre um trampolim rítmico denso e minimal, agrafaram vozes "étnicas", de pregadores radiofónicos", "found vocals" avulsos. Por um instante, consideraram a hipótese borgesiana de o editar como testemunho sonoro de uma civilização até aí desconhecida. Acabaram por lhe dar o título de um romance do nigeriano Amos Tutuola que nenhum deles havia lido. Clássico absoluto.(2006)

01 November 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (III)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



DAVID BOWIE - Low
DAVID BYRNE/BRIAN ENO - My Life In The Bush Of Ghosts
DAVID SYLVIAN - Secrets From The Beehive
DEXYS MIDNIGHT RUNNERS - Searching For The Young Soul Rebels
EAST OF EDEN - Snafu


[descoberto no baú:





East Of Eden - Mercator Projected e Snafu

A experimentação no interior daquilo que se chamou jazz/rock sempre correu melhor para o lado do jazz (Miles Davis, Tony Williams, Herbie Hancock) do que para o do rock (Blood Sweat & Tears, Chicago, The Flock). Enquanto, na primeira hipótese, se tratou quase só de literalmente electrificar um idioma musical suficientemente rico e complexo na sua própria natureza, quando o movimento partiu do polo oposto, pouco mais fez do que incorporar alguns dos estereótipos bem coçados do jazz e acolher de braços abertos a ideia do "solo" improvisado — essa manifestação "moderna" do artista romântico divinamente inspirado "no momento" —, desgraçadamente entregue, em regra, a músicos de código restrito e vocabulário reduzido. Naturalmente, como sempre, génios singulares e excepções à norma (Zappa, Soft Machine, por exemplo) que, só de ouvirem a expressão "jazz/rock", entravam instantaneamente em convulsões, alimentaram-se liberalmente dessas e de outras formas de expressão, sem que isso funcionasse como trágico revelador de inépcia ou constrangimento. Nesse reservadíssimo clube é obrigatório incluir os britânicos East Of Eden, autores de dois sobreexcelentes (e persistentemente ignorados) álbuns há pouco reeditados, Mercator Projected (1968) e Snafu (1970). A fornalha criativa era mantida em combustão por Dave Arbus (violino, flauta, sax mas também "doctor of philosophy, actor and linguist"), Ron Caines (sax, orgão e artista plástico), Geoff Nicholson (guitarra e "graphic artist") e uma secção rítmica tensa e versátil que, no primeiro álbum, integrou Steve York, justamente apregoado na contracapa original como "the finest young bass player in the universe". Para caracterizar a música pode utilizar-se generosamente a palavra "free" e fazê-la seguir de "rock", "jazz" e tudo o mais (do folk ao "bluebeat", música concreta, electrónica, Bela Bartok e Archie Shepp) que eventualmente ocorra, pensar em humor zappa/pythoniano e entender no melhor sentido possível aquela afirmação de Jerry Goldsmith segundo a qual "étnico é aquilo que Hollywood decidiu que era étnico". Sim, os East Of Eden travestiam gloriosamente as suas composições de orientalismos magnificamente "fake", estropiavam-nos (e ao resto) em alucinados e vertiginosos delírios instrumentais colectivos e não viam qualquer problema em descrever um tema como "decline and fall of western civilization and violin pie". As raridades e "bonus-tracks" são muitas e apetecíveis. Um banquete. (2005)]

ECHO & THE BUNNYMEN - Porcupine
ELVIS COSTELLO - Imperial Bedroom/Painted From Memory (c/ Burt Bacharach)
ENNIO MORRICONE - A Fistful Of Film Music
FAIRPORT CONVENTION - Unhalfbricking
THE FEELIES - Crazy Rhythms

(2007)

26 October 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (II)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



BRIAN ENO - Eno Box I e II
BRUCE SPRINGSTEEN - Darkness On The Edge Of Town
BUSH TETRAS - Boom In The Night
THE BYRDS - Box Set
CABARET VOLTAIRE - Red Mecca
CAPTAIN BEEFHEART - Trout Mask Replica
THE CINEMATIC ORCHESTRA - Motion
THE CLASH - London Calling
THE COWBOY JUNKIES - The Trinity Session
DAVID ACKLES - American Gothic

[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

DAVID ACKLES
David Ackles (Road To Cairo, na edição norte-americana)
Produção: David Anderle e Russ Miller
Intervenientes: Michael Fonfara, Danny Weiss, Douglas Hastings, Jerry Penrod, John Keliehor, David Ackles
Primeira edição: Elektra, 1968

Quando, após mais de vinte anos fora de catálogo, os três discos de David Ackles para a Elektra foram reeditados em CD, um dos primeiros telefonemas de aplauso a chegar aos escritórios da Warner foi de Elvis Costello. À excepção de um quase-hit na voz de Julie Driscoll ("Road To Cairo"), praticamente ninguém o conhece. Mas, quem o conta na lista dos seus, sabe o tesouro que possui. American Gothic (álbum do ano para o "Melody Maker", em 1972), a terceira gravação, comparada (justamente) com Aaron Copland, John Ford e David Lynch, será a jóia oficial da coroa mas foi no extraordinário primeiro álbum — acompanhado pelos Rhinoceros, então a "house band" da Elektra — que a escrita, o canto e a música de Ackles desbravaram o caminho que, depois dele, Tim Buckley, Leonard Cohen, Scott Walker, Tom Waits, Randy Newman e o Nick Cave das Murder Ballads haveriam de trilhar. Herdeiro de uma família do "show business" do Illinois, criança-prodígio da TV, preso cinco vezes por roubo enquanto jovem, estudante da antiga língua saxónica na universidade de Edimburgo e de cinema na Califórnia, interessado por música coral e para bailado, trabalharia, a seguir, como pianista, jardineiro, segurança de uma fábrica de papel higiénico, responsável por um jardim infantil, detective privado e vendedor de automóveis. Um educativo curso intensivo para quem, como ele, desejava conhecer a América profunda e retratá-la em música. Gravou três discos cruciais, reformou-se como professor universitário e morreu em 1999, aos 62 anos, de cancro do pulmão.

OUVIR TAMBÉM: Subway To The Country (David Ackles); Music From Big Pink (The Band); Murder Ballads (Nick Cave): Songs Of Love And Hate (Leonard Cohen); Climate Of Hunter (Scott Walker); The River (Bruce Spingsteen); Sail Away (Randy Newman); Small Change (Tom Waits)]
(2007)

24 October 2007

TOP 100 DO SÉCULO XX (I)
(organizado - ordem alfabética - para a revista Op em 2003)



ABBA - The Definitive Collection
AIMEE MANN - Bachelor nº2 (Or The Last Remains Of The Dodo)
AMERICAN MUSIC CLUB - Mercury
ANITA LANE - Dirty Pearl
AZTEC CAMERA - High Land Hard Rain
BEACH BOYS - Pet Sounds
THE BEATLES - Revolver/The White Album/1967-70

[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

THE BEATLES
1967/1970
Produção: George Martin (excepto "Across The Universe" e "The Long And Winding Road", produzidas por Phil Spector)
Intervenientes: John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e vários
Primeira edição: Apple, 1973

Os Beatles transformaram o mundo. O mundo da música popular e o outro. É oficial. Mas, agora que o recuo histórico já é suficiente, também não custa muito dizer que a banda que, na origem, não era nada de muito mais extraordinário do que aquilo a que hoje, naturalmente, chamaríamos uma "boys band" (e o exercício de "marketing" que os impôs deverá ser reconhecido, se calhar — no contexto histórico e social da época —, como o mais genial do século), foi, por diversas vezes, bastante sobrevalorizada e subvalorizada. Até Help, de 1965 (quando Bob Dylan lhes mostrou a via para Deus na ponta de um charro ou numa viagem de LSD), os então "Fab Four/Moptops" faziam apenas rock primordial ligeiro — inspirado por Elvis, Buddy Holly, Chuck Berry, Little Richard, Carl Perkins e os Everly Brothers — mas suficientemente frívolo e "andrógino" (oh!, aqueles inocentes cabelitos por cima do colarinho...) para abalar a desgraçada moral espartana da época. Rubber Soul (1965) iniciou a viagem no interior do labirinto musical e mental que o fabuloso Revolver (1966) concretizou magistralmente naquilo que terá sido a primeira obra prima da pop moderna e de que Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band (1967) — francamente inferior mas que, coincidindo milagrosamente com a atmosfera do primeiro "Summer of Love", ganharia estatuto mítico e simbólico — foi a coroação planetária. É, porém, na compilação do duplo "álbum azul" de 1973 que se encontra a mais rica e representativa colecção de canções dos Beatles em todo o seu simultâneo esplendor pop e espírito de aventura experimentalista. O primeiro disco, então, é definitivamente, o ponto culminante da escrita de Lennon e McCartney: "Penny Lane", "Strawberry Fields Forever", "Hello Goodbye", "Hey Jude" e "Lady Madonna" (antes, apenas disponíveis em single), "I Am The Walrus", "The Fool On The Hill" e "Magical Mystery Tour" (do mal amado filme do mesmo nome), "Sgt Peppers", "Lucy In The Sky", "A Day In The Life", "All You Need Is Love" e "Revolution" não têm igual em nenhum outro álbum pop. E o segundo — excluindo alguma sacarina de McCartney e outros harrisonismos adventícios —, com "The Ballad Of John And Yoko", "Come Together", "Don't Let Me Down", "Get Back", "Back In The USSR" e "Across The Universe" não lhe fica muito atrás.

OUVIR TAMBÉM: Fifth Dimension (The Byrds), Buffalo Springfield Again (Buffalo Springfield), The Kink Kronikles (The Kinks), Their Satanic Magesties Request (Rolling Stones), John Lennon/Plastic Ono Band (John Lennon); Goodbye And Hello (Tim Buckley); Song Cycle (Van Dyke Parks); Imperial Bedroom (Elvis Costello), Giant Steps (Boo Radleys), Tropicália (Vários), You Can' Hide Your Love Forever (Orange Juice); Repercussion (DBs); Apple Venus Volume I (XTC), Sisters (The Bluebells), High Land Hard Rain (Aztec Camera), Martinis & Bikinis (Sam Phillips); Parklife (Blur)]

BJÖRK - Post/Live At The Union Chapel (bootleg)

[porém - prova de que todas as listas são provisórias -, numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

BJÖRK
Debut
Produção: Nellee Hooper/Björk
Intervenientes: Marius De Vries, Paul Waller, Martin Virgo, Garry Hughes, Luis Jardim, Bruce Smith, Nellee Hooper, Jhelisa Anderson, Corki Hale, Jon Mallison, Talvin Singh, Sureh Sathe, Oliver Lake, Gary Barnacle, Mike Mower.
Primeira edição: One Little Indian, 1993

A população da Islândia, como se sabe, não chega para esgotar dois estádios da Luz. Pelo que nunca seria de esperar que, de um território que conta dois habitantes por quilómetro quadrado, emergisse uma das figuras centrais da pop na última década do século. Mas foi precisamente desse rochedo vulcânico plantado em pleno Atlântico Norte que Björk Gudmunsdottir, a bordo de uma banda de alegres anarco-punks — os Sugarcubes —, começou por deixar sem fõlego o universo pop com uma canção ("Birthday") e um álbum (Life's Too Good, 1988). Não tardou muito, porém, para que se compreendesse (e, lealmente, sem nunca o confessar, ela também o entendeu) que os Sugarcubes poderiam ser os melhores amigos mas eram demasiado limitados para poder conter o seu imenso talento vocal, de "soundwriter" e (vir-se-ia a saber, cerca de dez anos depois, com Dancer In The Dark) de actriz. Debut foi simultaneamente a candadidatura e a conquista do estatuto de — como a "Face" então a caracterizou — "seriously devastating diva". Produzido pelo "mastermind" dos Soul II Soul, Nellee Hooper, e encaminhando para o interior de uma estrutura sonora assente nos procedimentos da "club culture" os mais variados idiomas musicais, é um dos mais perfeitamente acabados exemplos daquilo que a própria Björk designa como "a matemática das emoções". Desconfortável com todas as categorias e a todas elas aberto, Debut abriga uma colecção de canções radicalmente modernas na forma de articular os elementos sonoros mas que, ao mesmo tempo, se referem à matriz clássica e tanto a veneram como a distorcem e alojam num enquadramento onde as regras de relacionamento são definitivamente outras.

OUVIR TAMBÉM: Violently Live (bootleg), Post e Homogenic (Björk); Dummy (Portishead); Londinium (Archive); Come From Heaven (Alpha); Organism (Jimi Tenor); Attica Blues (Attica Blues); Whiskey (Jay Jay Johanson); Lamb (Lamb); Unter Anderen Bedingungen Als Liebe (Laub); Midnite Vultures (Beck); City Watching (Two Banks Of Four)]

BLUE NILE - Hats

[numa outra lista de 1999/2000 que ficou seriamente amputada e incompleta surgiu isto:

THE BLUE NILE
Hats
Produção: The Blue Nile
Intervenientes: Paul Buchanan, Robert Bell, Paul Joseph Moore
Primeira edição: Linn Records/Virgin, 1989

Com uma discografia total de três álbuns (A Walk Across The Rooftops, de 1984, Hats, de 1989 e Peace At Last, de 1996) para dezanove anos de carreira, os Blue Nile serão ou a banda mais patologicamente perfeccionista de todos os tempos ou a mais preguiçosa. Tudo aponta, contudo, para que a primeira hipótese seja a verdadeira. E, tanto assim é que, desde o início (e muitíssimo injustamente porque o trio de Glasgow é bastante mais do que isso), os Blue Nile foram encarados como uma banda de audiófilos — essa tribo exótica de gente que venera a excelsa qualidade do som acima de todas as coisas. Sintomaticamente editados, desde o princípio, pela Linn (um fabricante de aparelhagens de alta fidelidade), ouvir apenas isso é ouvir pouco. A Walk Across The Rooftops é, talvez, aquele que mais se presta a esse tipo de associação de ideias — tudo nele é obsessiva e minuciosamente perfeito, dos arranjos à disposição espacial dos sons — mas foi em Hats que o universo cinematicamente nocturno do grupo melhor se traduziu num conjunto de sete sublimes canções em que a voz de Paul Buchanan deslizava sobre os tapetes de veludo dos sintetizadores como uma panorâmica aérea sobre as luzes de uma metrópole que mergulha lentamente na escuridão. Lá em baixo, adivinha-se a existência de gente, ruas, emoções, farrapos de diálogos, movimento. E, esses, seriam registados, a seguir, em "zoom", por Dummy e Blue Lines.

OUVIR TAMBÉM: Dummy (Portishead); Blue Lines (Massive Attack); The Space Between Us (Craig Armstrong)]

BOB DYLAN - Bringing It All Back Home/Highway 61 Revisited/Blonde On Blonde/Basement Tapes (c/ The Band)

(2007)