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09 March 2026

 
 
(sequência daqui) Não esqueçamos, pois, que (ainda que jure "Não hei-de morrer. A vida é demasiado boa. Não pode acabar”) lidamos com o autor do mais singular requiem de sempre: "Dress sexy at my funeral, my good wife, for the first time in your life, wear your blouse undone to here and your skirt split up to there, and when it comes your turn to speak before the crowd, tell them about the time we did it on the beach with fireworks above us" (de Dongs of Sevotion, 2000). My Days Of 58 revela um Bill Callahan reflexivo desenhando paisagens emocionais com a mesma precisão seca de um diário. Ainda que os espectros de Lou Reed e Leonard Cohen (a somar a John Lee Hooker e, menos detectavelmente, aos vestígios de free-jazz que reivindica) nunca se ausentem, não há aqui nenhuma grande reflexão, Apenas fragmentos, cenas domésticas, pensamentos passageiros. (segue para aqui)

12 January 2026

Que, no exterior de todos os comícios do neo-facho, um carro com potente megafone lhe ofereça uma riquíssima banda sonora (XX)

Gypsy Jazz Classics | Django Reinhardt & The Hot Club of France: 2-hour collection of timeless gypsy jazz classics. Featuring the legendary Django Reinhardt on guitar and Stéphane Grappelli on violin, together with the Hot Club of France, this compilation brings you the true spirit of swing.

21 November 2025

 
"Dissolve"
 
(sequência daqui) E, partilhando com Tom Waits uma particularidade da qual, este, há anos, falava, "Haverá, sem intenção, 'acidentes felizes' com os textos, à medida que as pessoas infundem a sua própria narrativa na minha. Gosto particularmente desta característica, pois a ideia inicial fica difusa. Gosto de coisas que corram um pouco mal e fiquem algo confusas, pois isso também é o que se passa na minha cabeça. Para que as palavras sangrem, é necessário subvertê-las de alguma forma". Crayola Lectern transforma-se assim num espaço onde céus estrelados, tardes calcinadas e falhas de memória se transformam em canções. É psicadélico, é jazz de câmara experimental, são letras singulares convertidas em confetti mental. Não foi Chris Anderson quem assim falou de Disasternoon. Talvez quem lhe chamou "melanchodelia" e louvou o alcance cinemático, a contenção minimalista, os crescendos ousados e os momentos de quietude solene, projectando sombras sob uma luz pálida.

24 August 2025

23 August 2025

Gary Burton: vibraphone; Jerry Hahn: guitar; Steve Swallow: bass; Roy Haynes: drums - "I Want You" (B. Dylan)

30 June 2025

 
(sequência daqui) Era uma tapeçaria musical que fundia psicadelismo, barbershop, folk, jazz, doo wop e música erudita, num painel lisérgico da história cultural americana — da Plymouth Rock ao Grand Coulee Dam. Como escreveu o "Guardian", "Se Aaron Copland, Charles Ives, George Gershwin e Duke Ellington eram génios da composição musical norte-anericana, Wilson também o era". E Lester Bangs subia a parada: "Ouvir  Smile é como, num sonho, entrar numa imensa catedral decorada com mil ícones da cultura pop americana". Mas o sonho converter-se-ia em pesadelo. Wilson tinha começado a experimentar canabis e LSD e gabava-se de ter escrito "California Girls" durante a sua primeira trip de LSD. Isso, porém, em conjunto com o excesso de trabalho e a influência perniciosa do pseudo-psiquiatra e "guru" Eugene Landy, conduzram-no a a um crescente isolamento e a internamentos hospitalares frequentes por transtorno esquizo-afectivo e perturbação bipolar. (segue para aqui)

22 May 2025

"East Timor"
 
(sequência daqui) E Hann acrescenta: "Se provas fossem necessárias, estão todas no visionamento imensamente desconfortável das entrevistas nas quais encharca de ódio praticamente todos aqueles que se lhe dirigem: um homem completamente seguro no seu desprezo por quem não acredita poder estar à sua altura. E, quando se é o maior baterista britânico de sempre, como estar â sua altura?" Até ao final - Baker morreu em 2019 - os argumentos não lhe foram faltando: Going Back Home (1994), agora reeditado, era assinado por um Ginger Baker Trio que incluia Bill Frisell (guitarra) e Charlie Haden (contrabaixo). E que, como seria absolutamente improvável não suceder, reune um conjunto de 10 belíssimas peças de rótulo desnecessário (todas originais excepto "Straight No Chaser", de Thelonious Monk, e "Ramblin'", de Ornette Coleman) e, em particular, uma "East Timor" electricamente devastadora.
Ornette Coleman - "Ramblin'"

(ver aqui; de Change Of The Century, na íntegra, aqui)

20 May 2025

PROXIMIDADE, NÃO

A 15 de Maio de 2013, Michael Hann publicou no "Guardian" o relato daquilo a chamou o seu "professional horror show", e cujo título era "Meeting Ginger Baker: an experience to forget". Mais adiante explicaria que o que era suposto ter sido uma amena troca de opiniões entre ele, Baker e o público presente no cinema Curzon, no Soho, a propósito do documentário de Jay Bulger "Beware of Mr. Baker" (2012), se transformara numa escancarada demonstração da personalidade absolutamente impalatável do ruivo percussionista londrino. Ninguém alguma vez ousara sequer pôr em causa o elevado estatuto de Baker no "ranking" dos "greatest drummers of all time": não é, decerto, fruto do acaso ele ter sido - em conjunto com Eric Clapton e Jack Bruce - 1/3 dos Cream, bem como frações diversas dos Blind Faith, Ginger Baker's Air Force ou Public Image Ltd. Mas, como ao longo do documentário, inúmeros colegas e familiares sublinham, ser um dos mais impressionantes músicos que a Grã Bretanha deu à luz não impediu que estar próximo dele não fosse decididamente um prazer. (daqui; segue para aqui)

("Ramblin", Ornette Coleman, Live in Frankfurt 1995)

14 July 2024

"Raat Ki Rani"
 
(sequência daqui) Na companhia de Maeve Gilchrist (harpa), Gyan Riley (guitarrista, filho de Terry Riley), Petros Klampanis (contrabaixista), da poetisa Moor Mother, dos inevitáveis Vijay Iyer e Shahzad Ismaily e de uma lista de outros contribuidores para a soberba arte final, o plano de desfecho sempre aberto passou pela descoberta dos fios intangíveis que estabelecem a comunicação entre géneros e correntes (jazz, música clássica paquistanesa e do Norte da ìndia, os minimalistas e pós-minimalistas - Morton Feldman, Terry Riley, Julius Eastman e John Cage) e, usando-os como trampolim, participar do processo de invisível criação comum: "Há um entendimento de que a música foi tomada de empréstimo, herdada, reciclada, e reutilizada durante imenso tempo e, quanto mais recuamos, mais enevoada se torna. O meu objectivo não é escrever um ensaio etnográfico mas, através da minha música, chamar a atenção para essa rede de ligações. Suponho que, subconscientemente, as pessoas as reconhecem e sentem que é algo simultaneamente novo e familiar. Para mim, trata-se de uma coisa autenticamente mágica" (segue para aqui)

26 September 2023

 "Heat!"
 
(sequência daqui) Se RPG não quebrar esse reflexo condicionado, nada o fará: de manobras de corte e costura sobre "field recordings" a "samples" de farrapos de diálogos, "loops" vocais, alusões a jogos de vídeo, exercícios de "cadavre exquis" e ressuscitações corais de relíquias em Middle English do século XIII, o autoconfessado "mish-mash of sounds and influences, from folk to electronic, ambient, jazz and art-pop", na companhia dos sopros de Faye MacCalman e do contrabaixo de John Pope, conduziu-a a lugares que Meredith Monk, Julia Holter, Modern Nature ou This Is The Kit não tiveram ainda oportunidade de desbravar. Um maravilhoso delírio partilhado que tanto pode emergir do contacto com outras formas de arte como da "leitura da História, da visão de uma paisagem ou de um ruído fortuito, de passagem".

19 July 2023

Remember what the dormouse said: feed your head (XXXI)

"O racismo nas páginas de 'A Esfera' atinge uma maior virulência no campo artístico. Aí é que os nossos germanófilos perdem as estribeiras e, de caneta em riste, alongam-se em artigos contra a 'degenerada música negra': o jazz. Para um germanófilo, o que era o jazz quando comparado com a alta estética da música alemã? Poderíamos dar vários exemplos mas este artigo, que surge na edição de 20 de Março de 1945 (...), é paradigmático. Satiriza essa 'música espiritual dos negros', cujo batuque o articulista escutou depois de 'esfregar os olhos de espanto' e depois de constatar que 'se aquilo é arte, então a missão civilizadora dos portugueses em África de nada valeu'. O jazz não ia ao encontro do gosto germanófilo de 'A Esfera' (...). Como garantia Eduardo Frias (...), o jazz era um conjunto de 'sonoridades roucas, bacanais e rugidos, dissonâncias loucas, monstruosidades grotescas como esgares acústicos, [sendo evidente a] origem satânica desta irrupção do primitivismo selvagem'" (Sérgio Luís de Carvalho - Lisboa Nazi: A cidade secreta dos portugueses que lutaram pelo Terceiro Reich

(ver também aqui e aqui)

17 March 2023

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LXXXII)
 
(com a indispensável colaboração do R & R)


(clicar na imagem para ampliar)


"Soul Train" (de Compañeros - álbum integral aqui)