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08 August 2008

OLYMPICS, YEAH, RIGHT...



"The early Olympics were also held to be the place where the Greek tradition of athletic nudity was first introduced in 720 BC, either by the Spartans or by the Megarian Orsippus".

(2008)

10 March 2008

PESADELO EM AR CONDICIONADO



Nick Cave & The Bad Seeds - Dig, Lazarus, Dig!!!

Nick Cave está em fúria. Uma fúria sagrada de profeta bíblico alucinado, que se descobre impotente para, citando-o, impedir a caminhada vitoriosa das “máquinas do mal”. É o próprio mundo que parece estar paralisado e obedecer sonambulamente a estímulos que não identifica nem controla e todas as personagens que o habitam dir-se-ia viverem no “pesadelo em ar condicionado” de que falava Henry Miller. Lázaro – o Lázaro, irmão de Marta e Maria Madalena, que o lendário Cristo, segundo o evangelho de João, terá ressuscitado dos mortos e que, de acordo com o “evangelho secreto” de Marcos (condenado por Clemente de Alexandria), seria o “jovem bem amado” de Jesus com quem este terá passado uma noite gymnon gymnō (“homem nu com homem nu”) – vagueia perdido por Nova Iorque, Los Angeles e S. Francisco, torna-se “increasingly neurotic and obscene” e, no fim da linha, “junky” e sem abrigo, é intimado a cavar de novo a sua sepultura;



Little Janie e Mr. Sandman (quase personagens do Greetings From Asbury Park, de Springsteen, que a música ecoa) protagonizam uma narrativa turva de assédio cuja moral é “something about the corruption of the working class”; o condutor-zombie da “road-song” “Moonland” sonha com a doce sensação de desaparecer e “to leave no trace at all”; e, em “We Call Upon The Author!”, depois de ter semeado alertas como “get ready to shield yourself from our catastrophic leaders”, Nick Cave interpela o hipotético demiurgo (o que vive no interior da sua cabeça ou o maligno criador do universo): “Who is this burdensome, slavering dog-thing that mediocres my every thought?” Emotiva, directa, tensa e suja, a intempérie sonora dos Bad Seeds troveja, ora distante, ora em pleno centro da acção, umas vezes recorda Dylan, outras (caso de “Hold On To Yourself”, mas, de um modo geral, sempre que a teia de “loops” de Warren Ellis se apodera do corpo das canções) sugere a ideia de ser apenas um segundo volume da assombrosa banda sonora de Cave/Ellis para Escolha Mortal/The Proposition. Do qual, vendo bem, Dig, Lazarus, Dig!!! não é senão a natural continuação. (2008)