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05 March 2026

"Lonely City" (fotos de Daniel Arnold; legendas disponíveis)
 
(sequência daqui) A verdade é que, num período em que não teve apenas que lidar com o inesperado encontro com a própria mortalidade mas também com o desaparecimento do pai, Callahan não se transformou em personagem soturna nem em gracejador à beira do abismo: "Sou mais o género do professor bêbedo. Gosto de acasos, coincidências e erros. Não percebo nada de sintetizadores, mas escolho um aleatoriamente, ligo-o e começo a gravar. Carrego em alguns botões, toco qualquer coisa e, de alguma forma, tento que funcione. Só sou preciso na composição das letras, o resto é mais atirar barro à parede. Também não sei nada sobre endadeamentos de acordes. É mais uma questão de estar aberto e aceitar as coisas de onde quer que elas venham. Sinto-me mais como um médium. Parece-me que recebo coisas já construídas e garanto que sejam recebidas de forma precisa" (segue para aqui)

24 January 2026

30 July 2024

POR PROCURAÇÃO

Ex-aluno de Richard Hamilton - pioneiro britânico da pop art - na universidade de Newcastle, Bryan Ferry sentia muito pouca afinidade com a austeridade visual da estética "prog" no início da década de 70. O que o fazia vibrar era a sofisticação, a sensualidade e o brilho das estrelas de Hollywood das décadas anteriores, acima de todas, Rita Hayworth. Por isso, quando, em 1972, chegou o momento da gravação e publicação do primeiro álbum dos Roxy Music (nome de sala de cinema escolhido pela ressonância de "faded glamour") a responsabilidade pela imagem da capa do LP recairia sobre Karl Stoecker - fotógrafo norte-americano inspirado pelas inúmeras ilustrações de "pin-ups" de Alberto Vargas para a "Esquire" - e sobre a série de imagens que realizara com a modelo de origem norueguesa, Kari-Ann Muller. Vestida pelo estilista Anthony Price que, confessava desejar vê-la , estirada sobre cetins, "como um gelado napolitano" azul, cor-de-rosa e branco, de sombra azul carregado nas pálpebras, seria, desde então, um dos exemplos clássicos - embora não exactamente justo - do triunfo do estilo sobre a substância. (daqui; segue para aqui)

Kami Thompson - "Solitary Traveller"

14 July 2024

É preciso uma sobrenatural contenção para manter enjaulado o teórico da conspiração que se acoita dentro de nós e não ver no episódio Trumpylvânia o sonho húmido de uma equipa de estrategas de campanha eleitoral: que imagem mais empolgadamente polissémica poderia ter sido inventada? *
Como imaginar a captura do instante no qual "a mão de deus" desvia um milímetro a trajectória da bala?
Apenas um detalhe intrigante: o que se passou com... os sapatos?...
* Edit (15/07/2023) - "It is a photograph that seems almost impossible: moments after a bullet grazes his ear, a former US president stands with his fist raised defiantly. The sky behind him is clear blue and an American flag flies overhead, fully in frame. The expressions on the faces of each secret service agents are clear and a smear of blood runs from Donald Trump’s ear to his cheek. (...) 'It leads you back in, almost like a vortex. Trump’s face is what you’re constantly drawn to, but then the action around him is like a frame,' says Earl, adding that the 'composition is fantastic'. The fact that he’s got the depth of field here means that all of the faces are pin sharp, she says, and so “you get to engage with what they’re feeling as well, not just Trump.” The arm on the bottom right of the frame shows the viewer that there is action happening around the frame, out of view, she says. The Atlantic called it, 'undeniably one of the great compositions in US photographic history' while a senior New York Times journalist said it was, 'The pinnacle of photojournalism. A perfectly framed and composed image of historic breaking news.'”

28 February 2023

"Working from home with my cat: I was working at home on 22 February, taking calls with my cat next to me, just enjoying life. I took the picture because my cat looked adorable. Her name is Fura, which means truck. My sister rescued her from the side of a highway when she was a kitten. There was some media coverage at the time suggesting something was going to happen, and people were talking about it. But I was hopeful that if there was an escalation, it wouldn't affect the civilian population. On the 25th we decided to leave Kyiv. We brought the cat with us and moved to north-west Ukraine. In the summer, we returned" (Anna, 32)

22 May 2022

The last day at Azovstal, Mariupol, Ukraine (Dmytro ‘Orest’ Kozatsky)

"Azov photographer publishes his work just before being taken prisoner. 'That’s it. I am thankful to Azovstal for shelter - the place of my death and my life', Dmytro ‘Orest’ Kozatsky said in his Instagram post, published on Friday. The Azov regiment fighter made his photography from the sieged Azovstal steel plant available for free, asking for it to be shared as much as possible. Some of these photographs have already gone viral revealing the situation of Azov regiment fighters, notably the injured personnel. 'By the way, while I will be in captivity, I leave you my photos, apply to all the journalist awards and photography competitions for me. If I get something, I will be really pleased to learn about it after I am released. Thank you all for your support. See you', he wrote".

15 May 2021

Vaughan Oliver | 4AD album covers (I)
(ver aqui e aqui)


Cocteau Twins - Victorialand
 
Throwing Muses - Throwing Muses

Tarnation - Gentle Creatures
 
Pixies - Surfer Rosa

Dead Can Dance - Spleen And Ideal

29 April 2021

Efterklang - "Postal" (Piano Magic)
 
(sequência daqui) A estética das capas dos álbuns da responsabilidade de Vaughan Oliver – morto há dois anos – e do atelier 23 Envelope terão sido, indiscutivelmente, um dos traços mais relevantes para a definição da identidade da 4AD. Oliver confessava “A primeira coisa que escrevi numa parede de casa de banho foi uma citação de Robert Doisneau, ‘Sugerir é criar, descrever é destruir’. Gosto de elevar o banal através do surreal. O mistério e a ambiguidade são ferramentas essenciais no arsenal de um 'designer'. Manter as coisas abertas à interpretação é o mais importante”. Halliday não poderia estar mais de acordo: “Sim! Sem dúvida. O 'artwork' foi um dos elementos mais decisivos, um factor de unidade. Mais uma vez, tal como aconteceu com a Factory, na qual aquele 'design' clássico do Peter Saville foi um elemento preponderante. E é curioso porque, por vezes, os músicos desejavam responsabilizar-se também pelo 'artwork'... Mas a 4AD, nos anos 80, insistia naquela estética global. Apesar de a maioria das pessoas não querer saber das editoras. A menos que se trate da Motown!... É verdade que os anos 80 devem ter sido a última vez que as editoras tiveram algum significado, no universo pós-punk havia uma onda 'indie' genuína. Os anos 70 tinham sido muito diferentes: as 'majors' detinham um controlo muito grande. Mas, no final da década de 80, a identidade das editoras independentes tinha começado a diminuir à medida que elas cresciam e a diversidade dos catálogos aumentava. Os anos 80 foram um período romântico para as editoras. Quando, hoje, recebe um disco novo da 4AD ou da Domino, imagina que, muito provavelmente, valerá a pena prestar-lhe atenção mas – ao contrário do que dantes acontecia – já não faz a menor ideia de como será a música”.