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06 April 2024

"Se Dançar É Só Depois"
 
(sequência daqui) Foi durante os dois anos de isolamento pandémico que, com todo o imenso tempo disponível, Ana Lua se empenhou integralmente "na exploração desses dois mundos que me interessavam". Se, num primeiro instante, a intenção era que o que acabou por serem dois EP tivesse sido publicado como um único álbum, o risco de "engarrafamento" dos muitos temas impôs a divisão, cabendo agora a Vou Ficar Neste Quadrado o papel de longa duração de estreia oficial e cartão de visita do projecto de "folktronica" lusa. Mais a exploração de uma ideia do que será a realidde - tímbrica, melódica, rítmica e harmónica (vocal e instrumental) - da música tradicional do que uma expedição etno-respeitosa de recuperação do património popular, neste edifício electro-acústico de vários andares coabitam "loop stations", sintetizadores, memórias de polifonias beirãs e assombrações de Meredith Monk, bombos e "drum machines". A sublinhar o estatuto de butleriana Erewhon do território em que tudo decorre, é obrigatório conhecer os videos - fruto da colaboração com a irmã Joana, realizadora de cinema e video em Inglaterra - que decorrem de cada canção: um mundo fantástico onde micro ranchos folclóricos afro-nortenhos se cruzam com jogos de espelhos, quadros de gótico oitocentista e evocações chaplinianas deixam-se rectificar por Wes Anderson e ser coloridos por Almodovar. "O mundo visual dela, neste projeto, foi também o meu. Se eu experimentava uma articulação da música tradicional com a electrónica, os dois universos acabaram por sobrepor-se. Pegávamos em motivos visuais mais ou menos tradicionais e dávamos-lhes a volta, virávamo-los de pernas para o ar. Esse processo de exploração com ela acabou por tornar-se a minha linguagem visual". (segue para aqui)

04 January 2008

FÉRTEIS TORSÕES



Pedro - You, Me & Everyone

A filiação é na escola de pensamento musical Four Tet/Prefuse 73/Manitoba – a tal que, para o bem e para o mal, ficaria conhecida como “folktronica” – mas que ninguém ouse dizer isso a James Rutledge (aliás, Pedro, “nom de plume”) que ele trepa instantaneamente pelas paredes acima, de fúria. Na verdade, após a escuta de You, Me And Everyone, se se entende facilmente que os procedimentos e conceitos que presidem à manipulação dos materiais sonoros não são drasticamente diversos dos do triângulo acima referido, será bastante menos evidente descortinar onde se poderiam situar os elementos bucólico/paisagísticos que o “folk” de “folktronica” tende a sugerir. Sim, há flautas, glockenspiel e cordas mas, mais decisivo do que isso, uma estratégia montada em torno de um velho PC, um gira-discos e um sintetizador, com o objectivo de, entre samplagem, improvisação e copy + paste, muito à maneira de Brian Eno, “capturar acidentes”: colisões de sopros jazz em delírio-free, espasmos e glissandi digitais, densas malhas polirrítmicas, decomposições minimalistas do vocabulário neo-clássico e outras várias e assaz férteis torsões. (2007)