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19 May 2026

(sequência daqui) Em pouco tempo de instantânea actividade dos Lovin' Spoonful, haviam colonizado as tabelas de vendas norte-americanas e dado resposta convincente à British Invasion. Mas, bem mais importante do que isso, nos 4 anos de existência da banda (1965-1969), num percurso com raízes no revivalismo folk de Greenwich Village, vitaminado pelo rock, os blues, e o espírito das jug bands, The Lovin’ Spoonful ocupariam um espaço de experimentalismo que, à época, à excepção dos Beatles, mais ninguém ousara reivindicar. "Do You Believe In Magic", "You Didn’t Have To Be So Nice", "Daydream", "Did You Ever Have To Make Up Your Mind?" ou "Summer In The City" são os títulos que mais depressa ocorrem. A missão da caixa de 7 CD What A Day For A Daydream - The Complete Recordings 1965-1969 é, porém, demonstrar, de uma vez por todas, por que motivo os Spoonful eram a banda à qual Neil Young sonhava pertencer, a quem Woody Allen encomendou a banda sonora da sua estreia What's Up, Tiger Lily? (1966) e que Robert Forster (Go-Betweens) considerou um dos 4 pilares sobre os quais assenta o seu álbum de 2025, Strawberries.

23 March 2026

Boston Camerata (dir. Joel Cohen) - "Fauvel Cogita"
(de Le Roman de Fauvel, na íntegra aqui

(sequência daqui) O incerto autor terá sido Gervais du Bus, notário da chancelaria real de França mas, poucos anos depois, Chaillou de Pestain, expandiu o texto original com seis poemas políticos de Geoffrey de Paris e outras interpolações. O Romance de Fauvel, monumental Singspiel, tornar-se-ia assim uma importante fonte de música medieval e um dos primeiros exemplos da "Ars Nova", bem como um exemplo pioneiro de arte políticamente interventiva. Desconhece-se quem acerca dele pudesse ter ousado afirmar "Temos de ficar fora da política porque, se fizermos obras que sejam declaradamente políticas, entraremos no campo da política. Nós somos o oposto da política”, como, assaz inexplicavelmente, 700 anos depois, diria Wim Wenders enquanto presidente do júri do Festival de cinema de Berlim. (segue)

17 March 2026

Meanwhile at Sunset Boulevard, Los Angeles, California...
 
 
And the Academy Award goes to… Donald Trump for acting like he wouldn’t start costly foreign wars that kill innocent people (daqui via MdO)

16 March 2026

EDUCATIVAS EPIFANIAS


Os goblins são diminutos seres grotescos de bastante mau feitio, habitantes de zonas subterrâneas que terão emergido na cultura popular europeia durante a Idade Média, deixando-se avistar ainda hoje em filmes como Labirinto (1986), Spider Man (2002) ou nos diversos episódios das sagas de Harry Potter e O Senhor Dos Anéis. Deles, a britânica Goblin Band herdou uma certa tendência para o culto da marginalidade deliberada optando por apresentar-se exclusivamente em espaços favoráveis à sua dupla qualidade de jovens músicos folk e cidadãos queer. Alice Beadle (violino e flauta de bisel), Gwena Harman (órgão de fole e bateria), Sonny Brazil (acordeão e concertina) e Rowan Gatherer (sanfona, e flauta de bisel), descobriram-se num percurso que, da música antiga e medieval, passando por John Playford e o Compleat Dancing Master, os conduziria a uma série de educativas epifanias tais que Martin Simpson, a Albion Band, os Watersons ou Martin Carthy (que, fã instantâneo, deles diria “Eles sabem tocar, sabem cantar e são destemidos. Atiram-se a versões que nós éramos demasiado pedantes para tocar e transformam-nas em furiosas desbundas"). (daqui; segue para aqui)
 
Goblin Band perform 15th century folk song 'The Bitter Withy'

15 February 2026

Isto não é tudo demasiado adolescente, excessivamente ignorante 
e insuportavelmente idiota?...

16 December 2025

Que, no exterior de todos os comícios do neo-facho, um carro com potente megafone lhe ofereça uma riquíssima banda sonora (XII)

Ederlezi: Time of the Gypsies - Goran Bregović, Emir Kusturica

08 December 2025

(Post que deveria ter sido publicado na sequência deste)

"Hallelujah" (L. Cohen) 

(sequência daqui) Não menos decisiva foi a omnipresente ausência da figura do pai, Tim Buckley. A busca de Jeff da sua própria identidade — tanto como artista como enquanto pessoa — estava irremediavelmente presa ao legado dele. Na verdade, se o jovem Buckley tentava distanciar-se do estilo musical de Tim, It's Never Over, Jeff Buckley mostra como a sombra da influência de Tim Buckley ainda o assombrava. Tanto pelo crescente assédio editorial ("As editoras começaram a infestar os meus concertos, andavam todos a tentar farejar o novo Tim Buckley. Odiava aquilo!") como pela forma como diversos testemunhos colocavam o problema: "Ele andava em busca das respostas de um fantasma, as respostas do pai". Interrogava-se acerca da sua real valia ("Precisei de 27 anos para gravar Grace. Irei precisar de outros 27 para o que vier a seguir?") mas outras figuras do passado recente assombravam-no igualmente. Caso do primeiro instante em que franqueou as portas de entrada da Sony, em Nova Iorque, e "a coisa em que imediatamente reparamos é na fotografia de um belíssimo Bob Dylan suspensa na parede"; depois, Miles, Thelonious Monk, Duke Ellington...", uma espécie de guarda de honra intimidatória que o obrigava a recordar quais os padrões com que iria ser avaliado. Tarefa para a qual, segundo o compositor e maestro Karl Berger (íntimo de Ornette Coleman, Lee Konitz, Anthony Braxton Carla Bley, Bill Laswell, John McLaughlin, Natalie Merchant) ele não se acharia insuficientemente preparado: "Ele ouvia Bill Evans, Shostakovich... conhece algum músco pop que saiba sequer quem foi Shostakovich?" (segue para aqui)
(sequência daqui) Porém, no centro de tudo o que já foi escrito ou venha ainda a escrever-se acerca de Jeff Buckley, estará sempre a sua voz incomparável - um dos instrumentos mais extraordinários da música moderna - com uma extensão de 4 oitavas, capaz de se entregar à interpretação de baladas folk, ópera, jazz, gospel e rock com sobrenatural à vontade e que tinha ainda a particularidade de, ao contrário do que é habitual, quanto mais se embrenhava nos extremos das frequências agudas, mais reforçava a sua intensidade. À época, houve quem escrevesse que a voz de Jeff era uma prova definitiva da existência divina. Jeff, invocando a memória do pai, limitava-se a, pouco entusiasmadamente, declarar que "aquela voz" não era senão uma herança genética que, de geração em geração, era passada entre os homens da família, como expressão do seu estado emocional. Apesar de, para David Bowie, o assunto ter ficado praticamente encerrado à primeira tentativa - "Grace é o melhor álbum alguma vez gravado" -, tanto por via da pressão editorial como pela necessidade de provar a si mesmo que Grace não fora um feliz produto dos acasos, o perfeccionismo e o comprometimento emocional de Buckley impulsionaram o processo de criação do que viria a transformar-se numa peça de referência, coesa e profundamente pessoal, do rock e da música alternativa.  (segue para aqui)

01 December 2025

 

"Lover, You Should've Come Over"

(sequência daqui) Um dos eixos principais do documentário é justamente o relacionamento de Jeff com a mãe que desempenha um papel central de narradora ao longo do filme. As entrevistas de Guibert oferecem um olhar profundamente pessoal sobre os anos de formação de Buckley, revelando traços do seu caráter e do intenso mundo emocional que ele habitava e que o habitava. Já em 2000, quando, a propósito da publicação de Mistery White Boy (colecção de actuações as vivo), conversámos em Paris, era absolutamente notório que ela tinha assumido por inteiro o papel de ferocíssima guardiã do legado artístico do filho. Senão mesmo de guia espiritual que, superiormente, lhe orientara o percurso: "Quando ele tinha 3 ou 4 anos, dediquei-me ao estudo da metafísica. Daí que, sempre que ele me fazia o género de perguntas que as crianças fazem, lhe tenha procurado transmitir o conceito de que cada um de nós é uma partícula de deus, da mesma forma que uma gota de água faz parte do oceano e que o nosso objectivo consiste em gozar a vida na sua plenitude. Quando descobriu o poeta sufi, Rûmi, foi como se tivesse encontrado uma luz naqueles poemas". E, estabelecendo a relação entre todos esses fios de sentido, "Foi isso que o conduziu até Nusrat Fateh Ali Khan e ao modo de vida sufi que é completamente o oposto de uma atitude ascética e monástica de rejeição do mundo material: viver a vida, casar-se, ter filhos, trabalhar, e, ao mesmo tempo, cultivar o amor pela vida. É muito fácil descobrir a iluminação num mosteiro mas já não é tão fácil fazê-lo numa autoestrada". Berg combina essas reflexões com a narrativa mais ampla da vida de Buckley, mostrando como a sua sensibilidade e turbulência interiores desempenharam um papel crucial na formação de sua expressão artística. (segue para aqui)

13 November 2025

10 November 2025

UMA TARDE DE DOMINGO CHUVOSA
Ser responsável pela banda sonora de Wonka (2023) - prequela de Willy Wonka & The Chocolate Factory (1971) - valeu a Neil Hannon não apenas a oportunidade de beneficiar do sucesso do filme mas, particularmente apetecível para ele, permitiu-lhe pisar o chão sagrado dos lendários estúdios de Abbey Road: "Como tinham um orçamento largamente generoso, pudemos trabalhar com excelentes músicos no estúdio Abbey Road Three durante o que nos pareceu uma eternidade. Sempre tinha sonhado que, antes de morrer, haveria de gravar um álbum que soasse assim tão bem ", confessou Hannon à "Clash". O título - Rainy Sunday Afternoon - sintetiza o espírito que terá presidido às operações: "Chamei-lhe Rainy Sunday Afternoon porque acho que não deveria ter um daqueles títulos pomposos e heróicos que costumo dar aos álbuns. Teria de ser algo mais simples, como o que atravessa a mente de alguém numa tarde de domingo chuvosa". (daqui; segue para aqui)
 

06 November 2025

Que, no exterior de todos os comícios do neo-facho, um carro com potente megafone lhe ofereça uma riquíssima banda sonora (V):
Emir Kusturica & the No-Smoking Orchestra - "Bubamara" (de Black Cat, White Cat, real. Emir Kusturica;, BSO; Goran Bregović)