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28 May 2025

11 May 2025

Valerie June - "You Can't Be Told"

"This is my New York City music video which is appropriate because I never really played the blues when I lived in Memphis. I had written only one blues song in Memphis. Everything else was roots, rock and country. It wasn’t until I got invited to do monthly a residency at Terra Blues in Manhattan that I started playing the blues. I sat in with a fella named Junior Mack. The owner of the club was there and loved my sound. He’d heard I was from down south and asked ‘how’d you like to do a residency here once a month?’ I said, ‘well, what would I have to do exactly?’ He said, ‘can you play two hours of straight blues music?’ That’s when I lied. I told him yes and went home and prayed for the lawd to send me some blues songs. I was starving with medical bills that had wiped me out and physically so sick with chronic illness that I had no energy to stand for longer than 30 minutes, so working and getting a job was a problem. Luckily, at the residency I got to sit down and play for those two hours. It’s also lucky that I made enough in that gig once a month to pay the rent. (And he didn’t fire me when I’d squeeze in a country song; This is a part of my story... a story I’ve lived and though I can try to tell ya, you can’t be told!"

10 May 2025

"Endless Tree" 
 
(sequência daqui) Se, a propósito do anterior The Moon And Stars: Prescriptions for Dreamers (2021), ela não hesitava em reivindicar o papel de cúmplice de apropriação cultural - “Ouvi a versão dos Nirvana para ‘Where Did You Sleep Last Night’, do Leadbelly. O rapaz branco conduziu-me até aos blues. Ali estava eu à procura das minhas raízes” -, desta vez, recorre â suprema realeza funk, George Clinton, que justificava o facto de para ele redescobrir a música negra (os old blues que a mãe escutava), ter sido necessário ter como intermediários Eric Clapton e os miúdos brancos da Brit Invasion. Ou, como ele dizia,"olhá-la com outras lentes". Valerie foi-se também apoiando em Little Richard, Sister Rosetta Tharpe, Ma Rainey e Elizabeth Cotten. E, para os seus álbuns, em produtores brancos mas musicalmente poliglotas como Dan Auerbach, Jack Splash ou, agora, M. Ward, erudito recrutador de tropas com currículo nas hostes de David Lynch, Tom Waits, T Bone Burnett ou The Blind Boys Of Alabama. Capaz de encarar e resolver as necessidades de canções que, afinal, "apenas desejavam encontrar-se com outras pessoas" ou de conduzir June â infinda gratidão perante quem lhe depositou tão perfeitas canções no regaço: "Thank you for giving it to me. Thank you whoever the fuck you are!"

06 May 2025

 
(sequência daqui) O ritual repetiu-se de todas as vezes que ela voltou a deslocar-se a Humboldt e, Valerie sendo Valerie, não apenas se dedicou a descobrir tudo o que, acerca de mochos, se lhe cruzava no caminho como o colocou em primeiro lugar no trio do título do seu novo álbum - Owls, Omens And Oracles. Juntamente com os augúrios e os oráculos, tudo ferramentas de trabalho de quem, por muito que tenha de escutar impropérios como "Oh, that’s so fake. That’s just hippie shit", não desiste de se apresentar como "a person who works in positivity and joy”. De certo modo, tratar-se-á do mesmo exercício de abate de preconceitos no que diz respeito à forma como encaramos a própria figura de Valerie: algo como uma vibrante Carmen Miranda afro-folk-psicadélica (para a receita do banquete musical, a "Uncut" não se poupa nos ingredientes e condimentos: "Uma mistura de blues, gospel e folk das Apalaches, com uma pitada de soul, Americana e R&B, trap beats, feitiços e cantos de pássaros gravados no quintal") (segue para aqui)

05 May 2025

OLHAR COM OUTRAS LENTES
Valerie June Hockett nasceu há 43 anos na micro-cidade de Humboldt, no Tennessee, hoje lugar de vida de 8 000 pessoas, com uma sala de espectáculos, um banco, um jornal, e um quarteirão que ajuda a recordar as origens do local, no cruzamento entre duas linhas de caminho de ferro. Dividindo o tempo entre Humboldt e Brooklyn, isso não bastou, porém, para que todos os mistérios da ruralidade sulista lhe tivessem sido revelados. Como conta à "No Depression", "Já vi tudo: cobras, rãs, tartarugas, arganazes, guaxinins, todo o tipo de pássaros. Mas nunca tinha visto um mocho". A aparição deu-se numa madrugada, quando pelas 5 da manhã do Tennessee, Valerie bebia a sua chávena de chá. "O nevoeiro começava a levantar e ali estava o mocho, eu e a minha chávena de chá a ferver... perguntei-me, 'isto estará a acontecert?' Ele não parava de olhar para mim do outro lado do charco e porque, se nos agitamos, muitas vezes os animais assustam-se e fogem, decidi manter-me praticamente imóvel e beber o meu chá com o mocho".  (daqui; segue para aqui)
 

08 August 2021

A MEMÓRIA EM VOO
Quando, em 2017, por ocasião da publicação de The Order Of Time, Valerie June se apercebeu de que Bob Dylan a incluira na sua lista de favoritos, ainda incrédula, confessou: “A minha maior qualidade, penso, é escrever canções. Ter a divindade do 'songwriting' a confessar que admirava a minha música foi incrível. Não frequentei a universidade mas ouvi-lo, naquele dia, a referir o meu nome foi como concluir uma licenciatura”. Em 2018, Katherine Priddy tinha já uma licenciatura em Literatura Inglesa pela Universidade de Sussex. Mas a sensação que experimentou ao saber que Richard Thompson – uma outra divindade não menor –, na “Mojo”, considerara o seu EP de estreia, Wolf, o melhor disco que escutara nesse ano, não há-de ter sido muito inferior à de acrescentar duas ou três pós-graduações ao currículo. (daqui; segue para aqui)
 
"Wolf"

13 May 2021

(álbum integral) 
 
(sequência daqui) The Moon And Stars: Prescriptions For Dreamers é, então, o ponto mais que perfeito para o qual tudo o que o antecedia converge e se magnifica. Entregues aos arranjos de Lester Snell (joalheiro de Isaac Hayes, Al Green e Solomon Burke) e de Tony Visconti (co-piloto de David Bowie que, como Leonard Cohen, Sharon Jones e John Lennon, figura no panteão privado de Valerie June), socorrendo-se das iluminações de Sun Ra, Fela Kuti e Carla Thomas – “Queen of Memphis Soul” e a “fada madrinha do álbum” que também nele participa recitando um provérbio africano e acompanhando Valerie em "Call Me A Fool" –, é um fulgurante e colorido manifesto de música gloriosamente livre (“Não devemos ter de lutar para sermos aquilo que somos. Devemos brilhar, devemos ser irradiantes. Devemos encarnar todos os multi-géneros que, naturalmente, somos sem sentir a necessidade de o explicar”) e que somente obedece a uma única lei: “As canções são os meus professores, são elas que ditam como devo fazer. Não tenho de pensar muito quando escrevo uma canção. Elas vêm ter comigo e eu canto aquilo que oiço. Por vezes, é a voz de um velho, outras vezes, de uma mulher ou de uma criança. Eu só tenho de as ouvir e reproduzir o que me dizem. Agarrar em algo que não pode fisicamente ver-se e apanhá-lo do ar”.

11 May 2021

 
(sequência daqui) Após três álbuns em edição de autor, seria em 2013, com Pushin' Against a Stone (“Sinto que durante toda a minha vida, tenho andado a empurrar uma pedra. E todos os empregos que tive – em cafés, limpezas, como cozinheira, passeadora de cães, a ajudar o meu pai – contribuiram para compreender como se sentiam os artistas que admirava e que, ao fim de um dia de trabalho pesado, voltavam a casa e se sentavam no alpendre a tocar até serem horas de se deitarem”), que o mundo começaria a reparar nela. Mas as portas apenas lhe seriam verdadeiramente escancaradas quando, em 2017, publicou The Order Of Time, um dos álbuns desse ano para a “Rolling Stone” e, mais importante do que todo o resto, para Bob Dylan, que, numa entrevista, a mencionaria enquanto alguém que admirava e respeitava. “A minha maior qualidade, penso, é escrever canções. Ter a divindade do 'songwriting' a confessar que ouvia a minha música foi incrível. Não frequentei a universidade mas ouvi-lo, naquele dia, a referir o meu nome foi como concluir uma licenciatura”. Uma das suas várias actividades anteriores – como empregada da ervanária de Memphis, “Maggie’s Pharm” – talvez fosse já um prenúncio, mas quando a essa medalha de honra se somaram outras como as comparações com o Van Morrison de Astral Weeks – ele que canibalizara blues, jazz, soul e folk era, agora, devorado com proveito e elevação –, adivinhava-se que feitos maiores haveriam ainda de acontecer. (segue para aqui)

07 May 2021

(sequência daqui) Não foi a única vez em que (se o conceito tem autorização para existir) a reapropriação cultural teve lugar. Deslocada para Memphis aos 19 anos e definitivamente dedicada â música, não apenas descobriu a Memphis Soul da Stax Records (de Aretha Franklin, Booker T. & The M.G.’s, Carla Thomas, Otis Redding e Rufus Thomas), mas também as branquíssimas bluegrass, folk, country, e a tradição musical das Appalaches, coisa à qual, por entre histórias e lendas de vadios e vagabundos moídas no almofariz transcultural e alimentadas a "lap-steel guitar", ukulele e banjo (“instrumento de origem africana”, sublinha), haveria de chamar "organic moonshine roots music". Sobre ela pairavam também Mississippi John Hurt, Memphis Minnie, Dolly Parton, Etta James e a Carter Family que iriam fertilizar o terreno onde a sua música cresceria: “No meio musical, quando se fala de ‘roots’, pensa-se em folk, blues, Americana... Eu prefiro pensar na minha música como uma planta: tem as raízes que lhe permitem crescer, florir e desenvolver-se em todas as direcções. Se começar a partir do solo, das raízes, e as estudar, acabarei por descobrir-me a mim mesma, crescerei e transformar-me-ei naquilo que daí haverá de surgir”.(segue para aqui)
 

05 May 2021

A PARTIR DO SOLO
Pelo meio dos anos 90 do século passado, Valerie June Hockett era uma miúda negra adolescente, de Humboldt, no Tennessee, que fizera a aprendizagem musical na Church of Christ local, uma igreja “tão pura que, por tradição, proibia a utilização de instrumentos musicais. Por isso, tínhamos só vozes e toda a gente – velhos, jovens, afinados, desafinados – cantava. Não havia regras como ‘não sabes cantar, vais para a fila de trás’. Toda a gente cantava. Aos domingos, eram 500 pessoas a cantar em côro, a plenos pulmões”, conta ela à “Billboard”. Da santidade gospel, seguia para casa onde se deixava desviar para aquilo a que a mãe chamava “drug music”, com a cumplicidade do pai, Emerson Hockett, empresário da construção civil e, em "part-time", promotor de concertos de Prince, Bobby Womack e vários outros músicos e bandas soul e R&B. Foi por essa altura que uma inversão inesperada dos trajectos habituais aconteceu: Ouvi a versão dos Nirvana para ‘Where Did You Sleep Last Night’, do Leadbelly. O rapaz branco conduziu-me até aos blues. Ali estava eu à procura das minhas raízes”. (daqui: segue para aqui)
 
"Call Me A Fool" (feat. Carla Thomas) - ver também aqui