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08 November 2020

Radicais livres (LXXXVI)

Up Against The Wall Motherfucker - We Propose a Culture Exchange (garbage for garbage): leaflet by UAW-MF promoting what is perhaps its most famous and successful intervention. On February 12, 1968, a group of radicals leby by Ben Morea collected garbage on the lower east side, trucked it, then dumped it in front of the Lincoln Center on a gala night. The event coincided with a NYC garbage strike and was meant to express both the group’s contempt for the bourgeois establishment and its support of the strikers

   

Interview with Ben Morea

13 April 2016

NOT DEAD? 


O caldo de cultura dos irmãos David e Stuart Wise era o Situacionismo de Debord e Vaneigem, vitaminado pelo niilismo estético radical de Pisarev e pelo anarquismo norte americano do “Black Mask” de Ben Morea e dos UAW/MF (Up Against the Wall Motherfuckers), também inspirador dos Yippies de Abbie Hoffman, Jerry Rubin, Phil Ochs e John Sinclair – inserir aqui derivação para o White Panther Party – e da guerrilha urbana dos Weathermen. Foi aí que, em Londres, entre o final de 60 e início de 70 do século passado, ao cuidado dos Wise, germinou o colectivo insurreccional King Mob, semente de inúmeras acções de choque como a ocupação selvagem de espaços públicos e universidades, a publicação de listas de celebridades a abater, a vandalização de cadeias de "fast food", as campanhas de panfletos de BD "détournée" e graffiti – o mais célebre: “Same thing day after day - tube - work - dinner - work - tube - armchair - TV - sleep - tube - work - how much more can you take? - one in ten goes mad, one in five cracks up” – ou a distribuição gratuita de brinquedos no Selfridges por um Pai Natal delinquentemente generoso. Em 1978, David Wise escreveria The End Of Music acerca do incêndio punk (em fase de rescaldo mas ainda activo) no qual tivera papel destacado um tal Malcolm McLaren, “inventor” dos Sex Pistols e, pouco tempo antes, um dos activistas da operação Selfridges.


Há três semanas, Joe Corré, fiho de McLaren e Vivienne Westwood, na boa tradição familiar, fez explodir outra bomba: perante a declaração – por iniciativa do British Film Institute, British Library, Design Museum, Museum of London, Photographers' Gallery, Rough Trade e Roundhouse – de 2016 como o “Year of Punk”, anunciou que, a 26 de Novembro, em Camden, por ocasião do 40º aniversário de "Anarchy in The UK", dos Pistols, lançará fogo à sua colecção de memorabilia punk, no valor de 5 milhões de libras, declarando “O punk transformou-se numa peça de museu. As pessoas estão anestesiadas, sentem que já não têm uma voz. Desistiram de lutar por aquilo em que acreditam. Temos de rebentar com esta merda toda outra vez!” Os ventos, porém, não estão de feição para os “gangsters of the new freedom” e é assaz duvidoso que venha a encontrar muitos aliados: do lado de lá do Atlântico, no Queens Museum, de Nova Iorque, entre 10 de Abril e 31 de Julho, será exibida a exposição “Hey! Ho! Let’s Go: Ramones and the Birth of Punk”. Punk’s not dead?

04 June 2014

FALHAR O TIRO 



Há um ano, reeditada no dia seguinte à morte de Margaret Thatcher, "Ding Dong! The Witch Is Dead", da banda sonora de O Feiticeiro de Oz, em menos de uma semana, trepou ao 2º lugar do top de singles britânico. Em vida, Thatcher fora já alvo dos disparos de Elvis Costello (“When they finally put you in the ground, I'll stand on your grave and tramp the dirt down”), de Morrissey (“The kind people have a wonderful dream, Margaret on the guillotine”) e de inúmeros outros. Duas décadas antes, Dylan amaldiçoara os senhores da guerra (“And I hope that you die and your death 'll come soon (…) and I'll watch while you're lowered down to your deathbed, and I'll stand over your grave 'til I'm sure that you're dead”) e, meia dúzia de anos depois, os Jefferson Airplane, em "We Can Be Together", inspirados tanto pelo poeta negro Leroy Jones/Amiri Baraka (“We want poems that kill, assassin poems, poems that shoot guns”) como por um texto de John Sundstrom, do grupo anarquista norte-americano UAW/MF, depois de se autodefinirem (“We are all outlaws in the eyes of America (…) We are forces of chaos and anarchy, everything they say we are, we are, and we are very proud of ourselves”), apresentavam um programa revolucionário muito pouco pacífico: “All your private property is target for your enemy, and your enemy is we! Up against the wall, motherfuckers!”


É nesta tradição do homicídio político desejado que se inscreve o videoclip de “Horas de Matar”, dos Mão Morta. Mas, neste caso, não só nos apercebemos que tudo se passa em pleno regime ficcional – a que país real se poderia referir Adolfo quando diz “o clamor começa a multiplicar-se com a multidão selvagem a formar um corpo furioso, uma máquina demente sedenta de sangue”?... – como se compreende mal a mini-polémica que gerou sobre a suposta defesa da violência em democracia: infinitamente menos violento, por excesso de literalidade “panfletária”, do que Müller no Hotel Hessischer Hof (1997, dedicado à obra de Heiner Müller) e consideravelmente aquém do trabalho de escavação profunda de toupeira em Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina O Ar Se Tornou Irrespirável (1998, sobre a crítica radical da Internacional Situacionista), o alegado acto poético bretoniano – “sair para a rua com uma arma na mão e disparar ao acaso” – falha o tiro por abdicar da aleatoriedade e identificar demasiado claramente o alvo.