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26 January 2022

NO MEIO NÃO HÁ NADA


Sob a luz incerta do nascer do dia, o "travelling" de um caminho arborizado de montanha cruza-se, de súbito, com uma estrada ao fundo da qual, nos apercebemos vagamente de um corpo deitado. "Zoom in" lento até ao instante em que se distingue a figura de um miúdo adolescente, de pijama, que se senta no chão, frente â bicicleta caída na berma. Ergue-se para observar o horizonte coberto de núvens rosadas e, como que recordando-se de algo, sorri em silêncio. Corte. No mesmo momento em que o vemos já pedalando estrada abaixo até chegar a um paraíso suburbano de relvados impecáveis, crianças felizes e MILFs reclinadas lendo Stephen King, escutamos, em empolgada orquestração, “Under blue moon I saw you, so soon you'll take me up in your arms, too late to beg you or cancel it, though I know it must be the killing time, unwillingly mine”. Entrada imediata no panteão das sequências de abertura inesquecíveis para Donnie Darko, de Richard Kelly (2001), e "The Killing Moon", dos Echo & The Bunnymen. Segundo Ian McCulloch, o argumento do filme ter-se-ia inspirado na própria canção (“Afirmei uma vez que ‘The Killing Moon’ era acerca da predestinação. O patife escreveu todo o argumento em torno disso e pagou-nos uma ninharia pela utilização da canção no filme. Podia, ao menos, ter admitido que a ideia original era nossa”, declarou McCulloch à “Louder”, em 2017) o que, se pensarmos como a figura de um gigantesco “bunnyman” é omnipresente em Donnie Darko, até nem parece demasiado extravagante... (segue)

30 November 2019

"The war was lost, the treaty signed, I was not caught, I crossed the line, I was not caught, though many tried, I live among you, well disguised, I had to leave my life behind, I dug some graves you'll never find, the story's told with facts and lies, I have a name but nevermind"

(daqui)

29 August 2019

A situação política portuguesa vista por Stanley Kubrick e Wendy Carlos

The Shining (opening sequence X) Real. Stanley Kubrick; Música Wendy Carlos; ver também aqui

24 July 2019

Rutger Hauer (1944 - 2019)

The Hitcher (real. Robert Harmon, 1986)

Sin City (real. Robert Rodriguez, 2005)

Blade Runner (real. Ridley Scott, 1982)

11 July 2017

EXPLOSÕES



Caso esteja a instalar-se a suspeita de que, por aqui, existe uma espécie de "lobbying"-pró-David Lynch, é importante esclarecer que, sim, é inteiramente verdade. Não será, decerto, por acaso que, no espaço de mês e meio, este é o quarto texto que – directa ou indirectamente – se lhe refere. E, muito especialmente, em consequência da terceira temporada de Twin Peaks, objecto audiovisual definitivamente não-identificado capaz de fazer implodir as mais robustas sinapses. Em “The Ringer”, numa peça intitulada “‘Twin Peaks’ Has Moved Beyond Television”, Alison Herman qualificava a série como “narrativa quase puramente sensorial: não é por acaso que Lynch é responsável pelo 'sound design'” e acrescentava: “Esta temporada não é apenas irreconhecível enquanto iteração de Twin Peaks. É irreconhecível como televisão. (...) Tudo nela contem a alegria e a estranheza de um realizador de prestígio mundial a conseguir fazer o que nunca ninguém antes fez ou fará depois: um projecto artístico de 18 horas, alheio a qualquer ideia do que é suposto ser um 'longform' e distribuído por uma grande cadeia de televisão americana”


Herman escrevia a propósito do 8º episódio (ainda não exibido em Portugal) mas motivos para o fazer não lhe teriam escasseado nos anteriores, desde as autocitações, às alusões a Playtime, de Jacques Tati, à implantação de "inserts" musicais da "playlist" privada de Lynch, ou ao intrincado labirinto de "subplots" que se multiplicam alucinadamente sem aparente (nem, obviamente, necessário) motivo. É, porém, num instante desse 8º episódio – nada de alarmes: uma das inúmeras coisas que Lynch evaporou foi o conceito de "spoiler" – que Twin Peaks desafia os mais ousados a descobrir os termos exactos para interpretar o que vêem e ouvem: um imenso "zoom-in" de 5 minutos até ao centro do cogumelo da primeira explosão nuclear norte-americana, a 16 de Julho de 1945, no Novo México, ao som da estridência das 52 cordas da Trenodia Para as Vítimas de Hirochima, de Penderecki. Música do compositor polaco já havia sido usada por Lynch em Wild At Heart e Inland Empire (e também por Kubrick, em The Shining e William Friedkin, no Exorcista) mas nunca como aqui – talvez só à excepção das peças de Ligeti para a sequência da Star-Gate, em 2001: Odisseia no Espaço – dando tão intenso corpo ao sonho de Eisenstein e Prokofiev: articular imagens e música de forma a “produzir uma harmonia interna inexprimível em termos racionais”.

21 February 2017

Não sei como os militantes da causa "qualquer coisinha de português" (LVIII) ainda não descobriram este bombonzinho (e, se espiolharem por aqui, até conseguem fazer um laçarote muito jeitoso)

Title sequence (IV)