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06 January 2026
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13 December 2025
08 December 2025
(Post que deveria ter sido publicado na sequência deste)
"Hallelujah" (L. Cohen)
(sequência daqui) Não menos decisiva foi a omnipresente ausência da figura do pai, Tim Buckley. A busca de Jeff da sua própria identidade — tanto como artista como enquanto pessoa — estava irremediavelmente presa ao legado dele. Na verdade, se o jovem Buckley tentava distanciar-se do estilo musical de Tim, It's Never Over, Jeff Buckley mostra como a sombra da influência de Tim Buckley ainda o assombrava. Tanto pelo crescente assédio editorial ("As editoras começaram a infestar os meus concertos, andavam todos a tentar farejar o novo Tim Buckley. Odiava aquilo!") como pela forma como diversos testemunhos colocavam o problema: "Ele andava em busca das respostas de um fantasma, as respostas do pai". Interrogava-se acerca da sua real valia ("Precisei de 27 anos para gravar Grace. Irei precisar de outros 27 para o que vier a seguir?") mas outras figuras do passado recente assombravam-no igualmente. Caso do primeiro instante em que franqueou as portas de entrada da Sony, em Nova Iorque, e "a coisa em que imediatamente reparamos é na fotografia de um belíssimo Bob Dylan suspensa na parede"; depois, Miles, Thelonious Monk, Duke Ellington...", uma espécie de guarda de honra intimidatória que o obrigava a recordar quais os padrões com que iria ser avaliado. Tarefa para a qual, segundo o compositor e maestro Karl Berger (íntimo de Ornette Coleman, Lee Konitz, Anthony Braxton Carla Bley, Bill Laswell, John McLaughlin, Natalie Merchant) ele não se acharia insuficientemente preparado: "Ele ouvia Bill Evans, Shostakovich... conhece algum músco pop que saiba sequer quem foi Shostakovich?" (segue para aqui)
26 November 2025
À BEIRA DO ABISMO
Quando, em 1997, Jeff Buckley morreu por afogamento no Wolf River - um afluente do Mississipi -, a sua discografia consistia de um e só um álbum de estúdio (Grace, 1994). Actualmente, sem que tenha sido registado algum fenómeno de ressurreição miraculosa, contam-se 10 álbuns de compilações, 11 ao vivo, 2 box-sets, 2 EP, e 5 videos, nos quais faltará ainda incluir outros cofres do tesouro que, na Wikipedia, recolhem inéditos como 'Dido's Lament' (uma ária de Dido e Æneas, de Henry Purcell, interpretada no Meltdown Festival de 1995, sob a direcção de Elvis Costello) ou "All Flowers In Time Bend Towards the Sun" (a colaboração de Buckley com Elizabeth Fraser, dos Cocteau Twins, que esta impediria de ser publicada considerando-a "inacabada" - ainda que acrescentando "Talvez eu não venha a ter essa ideia para sempre"). Responsável por tamanho dilúvio de material post mortem? Mary Guibert, a mãe adolescente do jovem génio Buckley, filho de outro Buckley genial, Tim, tão mais excepcional explorador dos infinitos sonoros quanto figura paternal distante e ausente. O qual, em It’s Never Over, Jeff Buckley (2025), o documentário de Amy Berg agora disponível, apenas de passagem é referido por Tim em à parte acri-doce: "O que herdei do meu pai? Pessoas que se lembram do meu pai... pergunta seguinte?" (daqui; segue para aqui)
"Grace" | The Late Show | BBC | London
17 March 2024
Paul Simon no Les Cousins
(sequência daqui) Até ao encerramento em 1972, transformar-se-ia no ponto de encontro e centro nevrálgico das cenas folk, blues e tudo à volta da época, para lá convergindo tanto devotos das músicas tradicionais como audaciosos experimentadores do que não era ainda conhecido como "psicadelismo", futuras celebridades ou eternos desconhecidos. Bob Dylan, Joni Mitchell e Van Morrison terão também andado por lá, Nick Drake era visto como "um jovem nervoso que punha o público a dormir", e, conta o guitarrista Mike Cooper, uma noite, tendo-se cruzado à porta com um tipo que era a cara chapada de Tim Buckley, disse-lho. "Mas eu sou o Tim Buckley" respondeu ele. "Sim, sim, e eu sou o Tim Hardin". Era o Tim Buckley.
07 March 2024
(sequência daqui) No conjunto, uma belíssima demonstração da rica plasticidade da música de Henri, aliás, Cabane. O mesmo exercício poderia fazer-se com as quatro variantes de "Today" - especial atenção para aquela cujo video, provavelmente inspirado no filme Smoke (1995), de Wayne Wang/Paul Auster, se constrói na rápida sucessão de 365 fotografias tiradas diariamente, entre 9 de Janeiro de 2022 e 9 de Janeiro de 2023, no mesmo ponto da Place Poelaert, em Bruxelas - e com o próprio álbum, Brulée, segundo tomo da trilogia iniciada em 2020 com Grande Est La Maison. Kate Stables e O’Hagan regressam e Bonnie ‘Prince’ Billy é substituido por Sam Genders (Tunng) mas a atmosfera buckleyanamente "happy sad" de folk de câmara impressionista permanece, se possível ainda mais e mais purificada, a milímetros da rarefacção.
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13 March 2023
A LAWLESS LEAGUE OF LONESOME BEAUTY
Alguém deverá ter-se apossado da "password" que permite o acesso aos meus subterrâneos mentais e me activa instantaneamente determinados reflexos condicionados. E, sabe-se lá como, ela terá chegado às mãos de Stephen Troussé, que, na “Uncut”, acerca de All Of This Is Chance, de Lisa O’Neill, escreveria: “Os pares deste disco poderiam ser Astral Weeks (de Van Morrison), Starsailor (de Tim Buckley), Music For A New Society (de John Cale), New Skin For The Old Ceremony (de Leonard Cohen) e, em particular, Miss America, de Mary Margaret O’Hara. Ela não estaria deslocada entre todos estes fantasmas”. Como se não bastasse, no “Guardian”, Neil Spencer, reforçaria a dose, provocando: “Como outras vozes poéticas singulares - Tom Waits, Björk, Leonard Cohen, a nenhuma das quais ela se assemelha – Lisa O’Neill sempre dividirá as opiniões”. (segue para aqui)
29 April 2021
(daqui)
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24 April 2021
SOHN - "Song To The Siren" (Tim Buckley/This Mortal Coil)
(sequência daqui) Para Simon Halliday, algures em Nova Iorque, porém, o propósito não é, essencialmente, de comemoração histórica: “O motivo para publicarmos, agora, esta compilação não foi tanto celebrar o 40º aniversário como assinalar uma espécie de mudança de pele. Não que nos tenhamos transformado numa editora diferente. Mas, quando temos tantas e tão diversas novas bandas, sentimos que devemos festejar isso. Na verdade, não há nisto nada de científico ou de calculado, apenas o prazer de continuar a descobrir música emocionante. E procurámos fazê-lo jogando com uma ideia de aleatoriedade, experimentar versões diferentes e ver até onde elas chegariam, sem qualquer plano ou previsão do que iria ocorrer”. E a referência aos This Mortal Coil é, de facto, inteiramente deliberada: “O primeiro álbum de This Mortal Coil (It’ll End In Tears, 1984), para mim, é a concretização de tudo o que era a 4AD. Pela originalidade e também por uma outra coisa: nessa altura, muita gente não sabia quem eram os Big Star ou o Tim Buckley. Eu próprio desconhecia que ‘Song To The Siren’ era uma versão de Tim Buckley, estava convencido que era uma canção da Elizabeth Fraser com os This Mortal Coil!... Fascinou-me a ideia de alguém se deixar seduzir por uma coisa sem conhecer toda a história que lhe está por trás. É aquele momento que é crucial, enquanto, noutras alturas, nos deixamos subjugar pela história. Por vezes, é bom ser punk, ignorar tudo e dizer simplesmente ‘Isto é o que fazemos!’ Todas as versões nesta compilação têm integridade, têm o seu espírito próprio”. (segue para aqui)
19 April 2021
24 February 2021
(sequência daqui) Tinha-a entrevisto num álbum dos Watersons mas encontrou-a junto do mestre Stanley Robertson – cigano de Aberdeen, sobrinho da lendária Jeannie Robertson de quem herdou o reportório tradicional – e da também cigana Freda Black (não espanta, pois, que, num episódio da extraordinária série Peaky Blinders, tenha aparecido como cantor num casamento cigano). De ambos, aprendeu “o que realmente significa habitar uma canção e como permitir que a música nos guie”. Exactamente o que acontece quando "Turtle Dove" e "Soul Cake" se deixam exaltar nas vagas orquestrais buckmasterianas do ex-Suede, Bernard Butler, quando Liz Fraser (Cocteau Twins), furtivamente, com "Wild Mountain Thyme", alimenta o crescendo de "The Moon Shines Bright", e quando, em todas, a voz de Sam Lee – algures entre os dois Buckley, Tim e Jeff, com Christy Moore na memória –, altiva mas reverente, declama o passado como quem inventa o futuro.
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31 July 2020
SEM BÚSSOLA NEM CALENDÁRIO
Brigid Mae Power esteve doente com Covid-19 e agora, já aparentemente recuperada, conta que teve “imensos sonhos estranhíssimos que ainda persistem. Aparecem-me pessoas conhecidas mas em versões tremendamente horríveis delas próprias. Não as reconheço e tento fazê-las desaparecer. São sonhos verdadeiramente loucos...” Head Above The Water, o terceiro álbum da "singer-songwriter" de Galway, foi gravado antes de adoecer mas quase se diria que a matéria-prima para os pesadelos já se encontrava latente, não exactamente nos temas das canções mas na atmosfera febril de sonoridades desencarnadas que parecem navegar, sem bússola nem calendário, num oceano enganadoramente sereno.
A bordo de The Green Door – um minúsculo estúdio analógico de Glasgow com lotação máxima para 4 pessoas de cada vez –, às ordens dos produtores e músicos Alasdair Roberts e Peter Broderick (ex-Efterklang e Mr. Power), esteve, durante três dias, uma tripulação de executantes de guitarra, piano, violino, bouzouki, flauta, contrabaixo, mellotron, pedal steel guitar, harmonium indiano e percussão, a dar espessura e densidade a dez canções localizadas entre a raiz tradicional de "The Blacksmith" e aquelas que se manifestam através do encontro imprevisível de textos esquecidos rabiscados em blocos de notas e novas melodias (ou vice-versa): ”Na verdade, não penso demasiado sobre como escrever ou acerca do que escrever. Trabalho sem pensar demasiado nisso, de uma forma muito pouco consciente, não sou pessoa para partir de ideias concretas”, disse â “Fractured Air”. É uma atitude recomendável. Afinal, a miúda que sonhava com Aretha Franklin, Etta James e Tim Buckley e se imaginava pianista de blues, escutada hoje, tanto faz pensar em Sandy Denny e Shirley Collins ("Wearing Red That Eve", "On A City Night", "Head Above The Water"), como em Liz Frazer ("We Weren’t Sure") e Hope Sandoval ("Wedding Of A Friend"). Ou em nenhuma delas, apenas nesta particular decantação de inquieta folk sideral e assombrado psicadelismo de câmara.
19 February 2020
AGUARELA INGÉNUA
Gato repetidamente escaldado pelas inúmeras e desavergonhadas campanhas de "hype" à volta de “génios incompreendidos na sua época” que, trazidos à luz, se revelam muito pouco geniais e justissimamente ignorados, teme, naturalmente, a água fria de mais uma “inigualável descoberta” pronta a servir. Foi, pois, inteiramente justificado que, ao ser anunciada a exumação de duas preciosidades do início dos anos 70, desde então remetidas para a clandestinidade, e cujo autor, durante os 40 anos seguintes, se vira obrigado a sobreviver como jardineiro, operário e trabalhador rural, a oferenda tenha sido recebida com os dois pés firmemente colocados atrás. Afinal, por uma vez, o "hype" tinha toda a razão de ser: Bill Fay (1970) e Time of The Last Persecution (1971) – muito especialmente o primeiro – eram o género de peças perante as quais apenas podia pensar-se “Mas como foi possível?...”
Entusiasticamente apregoado por Jeff Tweedy, David Tibet, Nick Cave e Jim O’Rourke, era, de todo, impossível não alinhar no coro. E fi-lo: Bill Fay era “coisa da estatura de Goodbye and Hello, de Tim Buckley, dos quatro primeiros de Scott Walker, de American Gothic de David Ackles, ou, do ponto de vista da encenação sinfónica, de Songs Of Love And Hate, de Leonard Cohen”. Provavelmente decisivas eram as orquestrações de Mike Gibbs (jazzman às ordens de Carla Bley, Bill Evans, Peter Gabriel, Marianne Faithfull, e Joni Mitchell) porque, embora também valiosos, Time of The Last Persecution e os dois que gravaria pós-ressurreição (Life Is People, de 2012, e Who Is the Sender?, de 2015), sem a mão de Gibbs, tendiam a aconchegar-se demasiado às ecografias da alma dos velhos "singer-songwriters". Countless Branches vem confirmar essa ideia: quase só pele e osso de voz e piano com ocasionais pinceladas transparentes de violoncelo e trompete, é uma aguarela intimista de deslumbramento cripto-cristão perante o mundo, a vida e os humanos, talvez excessivamente ingénua – confrontar com Leonard Cohen - para um cavalheiro de 77 anos.
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14 November 2019
21 August 2019
UM CAMELO NEGRO
Como foi possível não termos realmente reparado? Por que estúpido motivo não teremos levado a sério um álbum cujos primeiros três minutos e meio ("That’s Just the Way That I Feel") não poderiam ser mais explicitamente claros? Onde o lugar para as dúvidas de que “Things have not been going well, this time I think I finally fucked myself (…) Day to day, I'm neck and neck with giving in, I’m the same old wreck I've always been” era uma mensagem lançada a um palmo do abismo? E acrescentar-lhe “I've been humbled by the void, much of my faith has been destroyed (…) when I try to drown my thoughts in gin, I find my worst ideas know how to swim” não bastaria? E o desfecho “The end of all wanting, is all I've been wanting, and that’s just the way that I feel” não nos abriria, enfim, os olhos? Talvez porque a perfeitíssima rima interna encharcada de negríssima ironia (“I met failure in Australia, I fell ill in Illinois, I nearly lost my genitalia to an anthill in Des Moines”) nos tenha distraído ou o tom de "honky tonk" atamancado tenha apontado para o lugar errado.
Não seria nada de novo: quando, em 2003, David Berman tentou, pela primeira vez, o suicídio com um cocktail de álcool, crack e cocaína, fez questão de o encenar na mesma suite de hotel onde Al Gore esperou pela recontagem dos votos para a eleição presidencial (que perderia para George W Bush), proclamando: “Quero morrer onde a presidência morreu!”. Desta vez, não chegaria sequer a ser hospitalizado como, também acidamente, diria em "Random Rules" (“In 1984 I was hospitalized for approaching perfection”), de American Water (1998), embora Purple Mountains não se tenha apenas abeirado da perfeição. Neste álbum de “hello and goodbye” – parafraseando invertidamente um título do não menos danado Tim Buckley – o (des)equilíbrio entre a quase banalidade do suporte musical e as trevas profundas que o envolvem (“Housed within the song's design is the ghost the host has left behind to greet and sweep the guest inside”) dir-se-ia um deliberado gesto de desdém perante “a arte”, definitivamente ultrapassada pela urgência de não recusar o óbvio ("We're just drinking margaritas at the mall, that's what this stuff adds to after all") e justificar o inevitável (“The dead know what they’re doing when they leave this world behind”). A 7 de Agosto, David Berman/Silver Jew, recordou-se pela última vez do provérbio árabe que citara em "Nights That Won’t Happen": “Death is a black camel that kneels down so we can ride”. (entrevista aqui)
23 June 2019
LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LVI)
(com a indispensável colaboração do R & R)
(clicar na imagem para ampliar)
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