"Roxanne" (The Police - em Moulin Rouge, Baz Luhrmann, 2001)
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07 February 2017
20 September 2012
30 March 2011
NOTA MENTAL DIÁRIA: "EVERY STEP YOU TAKE,
AND EVERY MOVE YOU MAKE, EVERY VOW YOU
BREAK, EVERY SMILE YOU FAKE, EVERY CLAIM
YOU STAKE, I'LL BE WATCHING YOU"
WATCHING YOU
(2011)
AND EVERY MOVE YOU MAKE, EVERY VOW YOU
BREAK, EVERY SMILE YOU FAKE, EVERY CLAIM
YOU STAKE, I'LL BE WATCHING YOU"
WATCHING YOU
(2011)
26 February 2008
DEPARTAMENTO "PEQUENOS ÓDIOS DE ESTIMAÇÃO" (XV)
A ANGÚSTIA DO MÚSICO POP PERANTE A ETERNIDADE
Sting - Songs From The Labyrinth
Paul McCartney - Ecce Cor Meum
Não é uma questão de falta de respeitinho pelos superiores valores da música erudita nem de abate público de nenhuma vaca sagrada. Sting podia ter pegado nas peças do compositor isabelino John Dowland, tê-las salamizado em fatias muito finas, recitado os textos na companhia do seu rapper preferido, substituído o alaúde por didgeridus e chamado uma matilha uivante de praticantes de "thrash metal" para se ocupar dos coros. A equação não seria fácil de resolver mas aquilo que, em última análise, importa — resulta ou não resulta? — ficaria claramente definido. O que Sting nunca deveria ter feito era imaginar que a ele, sapateiro (apenas armado da própria voz e do alaúde de Edin Karamazov), lhe poderia ser autorizada a fantasia de tocar rabecão. Isto é, arriscar-se a combater nos mesmos termos de Alfred Deller, Emma Kirkby ou Andreas Scholl, atletas de alta competição no território-Dowland, em comparação com um pobre Gordon Sumner, amador dos distritais. A raiz do problema tem uma designação cientificamente aprovada: a angústia do músico pop perante a eternidade.
Nem sempre se manifesta de forma aguda mas, quando isso acontece, não é bonito vermos alguns dos que justamente admirámos como belíssimos animais pop fazerem a triste figura de candidatos ao reconhecimento "sério" da academia e (com imensa sorte) a uma nota de pé-de-página no Grove Dictionary Of Music. No número de Outubro do "BBC Music Magazine", Sting não descansa enquanto não revela que "Whenever I Say Your Name" (do álbum de 2003, Sacred Love) "é inteiramente baseado num prelúdio de Bach" e que "Russians" (de Dream Of The Blue Turtles, 1985) se inspirou na Suite do Tenente Kijé, de Prokofiev. A verdade é que, se algo lhe devemos, é do tempo dos Police, quando ele e Stewart Copeland descobriam Bob Marley e Desmond Dekker. Songs From The Labyrinth não só não o inscreverá na História da Música (atenção às maiúsculas!) como demonstra eloquentemente que o possuidor de uma voz com a agilidade e a elegância da cintura de Tony Soprano teria feito bem melhor se reservasse para exclusivo uso doméstico — sempre desenjoa do tantrismo... — a investida contra as requintadas composições de Dowland, durante quatrocentos anos pouco habituadas a tão maus tratos.
Outro que destila suores frios quando supõe que será para todo o sempre encarado como o autor de "Obladi Oblada" é Paul McCartney. Ter sido, na altura certa, o mais experimentalista dos Beatles não lhe basta (não só um mas vários "obladis" lhe pesam na consciência estética), daí que, desde há anos, ciclicamente, se sinta na obrigação de amofinar o universo com um novo e portentoso "opus" sinfónico (ou coral-sinfónico), cunhado no molde do neo-classicismo britânico mais bacoco e debruçado sobre os "grandes temas" e as "grandes inquietações" que, desde a Vénus de Willendorf, atormentam o sapiens sapiens. Ecce Cor Meum ("Vede o meu coração") ocupa penosos sessenta minutos com um desfile de lugares-comuns do "bê-a-bá" do aprendiz de compositor "erudito" não informado da existência do século XX e, muito pior do que isso, abala irremediavelmente a nossa confiança nas ilustríssimas instituições universitárias britânicas: a encomenda da obra, há oito anos, deveu-se a Anthony Smith, presidente do Magdalen College, de Oxford. Pela amostra, mais um clube do qual, mesmo que nos aceite como sócios, nunca desejaremos fazer parte. (2006)
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22 February 2008
IVY LEAGUE POP

Vampire Weekend - Vampire Weekend
A Ivy League é constituída por oito universidades da Costa Leste dos EUA – Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Pennsylvania e Yale – que, em consequência do seu elevado nível de exigência académica (todas se situam no top do ranking universitário do “U.S. News & World Report”), converteram a própria expressão “Ivy League” num sinónimo de elitismo, selectividade e excelência. O Upper West Side é um bairro de Manhattan que, tendencialmente, atrai a burguesia novaiorquina afluente (o rendimento médio familiar ultrapassa largamente a média da cidade), liberal e com inclinações artísticas. Cape Cod é uma península localizada na costa do Massachusetts, estância de férias de Verão preferida de “ricos e famosos”, caso, desde há quatro gerações, da dinastia-Kennedy. Fim da lição de geografia-socio-política norte-americana e passagem de testemunho instantânea para os Vampire Weekend: Ezra Koenig (cantor e guitarrista), Chris Tomson (baterista), Chris Baio (baixista) e Rostam Batmanglij (produtor e teclista), quatro recém-graduados da “Ivy Leaguer” Columbia University – no Upper West Side –, ainda durante o tempo da faculdade, formam uma banda que, segundo eles mesmos facilmente confessam, pratica um híbrido musical que designam alternativamente como “Upper West Side Soweto”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” ou “Campus and Oxford Comma Riddim”. Tradução: se, com os Beirut, Zach Condon se imaginou, sucessivamente, zíngaro balcânico, boémio parisiense e as duas coisas ao mesmo tempo, por que motivo não poderiam quatro moços absurdamente betos mas eruditos e de impecável gosto musical, nas suas camisas Ralph Lauren, sapatinhos de vela e polos Lacoste, inventar aquela variedade de afropop ao som do qual, numa das “short stories” de Salinger, Franny e Zooey Glass mui alegremente dançariam?
Não avancemos, porém, tão rapidamente: se, desde que o “buzz” na Internet à volta dos Vampire Weekend arrancou, não há site nem blog que não se sinta na obrigação de referir Graceland, de Paul Simon, como trampolim primordial para a música da banda (o que até é rigorosamente verdade e uma faixa como, em particular, a propriamente dita “Cape Cod Kwassa Kwassa” não engana ninguém), é preciso reparar que a paleta de cores é consideravelmente mais ampla. Eles, tal como Zach Condon se referia à música dos filmes de Kusturica e do Taraf de Haïdouks, recordam-se que tudo terá começado com a escuta de um álbum oriundo de Madagascar e acrescentam-lhe Ladysmith Black Mambazo, Kanda Bongomen, Orchestra Baobab, Beethoven, a Band, Elvis Costello e os Squeeze. Mas nós que, por estarmos de fora, ouvimos, de certeza, muito melhor do que eles, apercebemo-nos perfeitamente de que, no tubo de ensaio estético onde esta aventura sonora se gerou, outros reagentes – Talking Heads, Feelies, Orange Juice, bastante ska, highlife e pós-punk, doses homeopáticas do que de melhor conseguiram extrair dos despojos dos Police e apenas o justo q.b. de “classicismo” tal como os Arcade Fire o supõem – se encontravam em presença.
Lancem-se, pois, com inteira justificação, os foguetes: nesta impuríssima obra-prima do género “fake” (que, recuperando o formato pop ideal, não chega aos quarenta minutos de duração), por entre linhas de baixo pneumáticas, motivos de guitarra aracnídeos, violinos barrocos e sobressaltos polirrítmicos de percussão, Louis Vuitton rima com Reggaeton e Benetton, polemiza-se civilizadamente sobre correcta pronúncia e pontuação (“Who gives a fuck about an Oxford comma? I climbed to Dharamsala too, I met the highest lama, his accent sounded fine to me”), personagens que nunca respondem por nomes próprios desagradavelmente comuns como Bill ou Jack mas, sim, Blake ou Walcott melancolizam irónica e suavemente sobre as agruras da vida sentimental no “campus”, arquitectura e turismo cultural e, cereja sobre o bolo, com a elegância que seria de esperar, no refrão de “Kwassa Kwassa”, não se esquecem de exercer o imprescindível auto-sarcasmo quando cantam “But this feels so unnatural, Peter Gabriel too”. Pode não se gostar muito destes tipos? (2008)
Vampire Weekend - Vampire Weekend
A Ivy League é constituída por oito universidades da Costa Leste dos EUA – Brown, Columbia, Cornell, Dartmouth, Harvard, Princeton, Pennsylvania e Yale – que, em consequência do seu elevado nível de exigência académica (todas se situam no top do ranking universitário do “U.S. News & World Report”), converteram a própria expressão “Ivy League” num sinónimo de elitismo, selectividade e excelência. O Upper West Side é um bairro de Manhattan que, tendencialmente, atrai a burguesia novaiorquina afluente (o rendimento médio familiar ultrapassa largamente a média da cidade), liberal e com inclinações artísticas. Cape Cod é uma península localizada na costa do Massachusetts, estância de férias de Verão preferida de “ricos e famosos”, caso, desde há quatro gerações, da dinastia-Kennedy. Fim da lição de geografia-socio-política norte-americana e passagem de testemunho instantânea para os Vampire Weekend: Ezra Koenig (cantor e guitarrista), Chris Tomson (baterista), Chris Baio (baixista) e Rostam Batmanglij (produtor e teclista), quatro recém-graduados da “Ivy Leaguer” Columbia University – no Upper West Side –, ainda durante o tempo da faculdade, formam uma banda que, segundo eles mesmos facilmente confessam, pratica um híbrido musical que designam alternativamente como “Upper West Side Soweto”, “Cape Cod Kwassa Kwassa” ou “Campus and Oxford Comma Riddim”. Tradução: se, com os Beirut, Zach Condon se imaginou, sucessivamente, zíngaro balcânico, boémio parisiense e as duas coisas ao mesmo tempo, por que motivo não poderiam quatro moços absurdamente betos mas eruditos e de impecável gosto musical, nas suas camisas Ralph Lauren, sapatinhos de vela e polos Lacoste, inventar aquela variedade de afropop ao som do qual, numa das “short stories” de Salinger, Franny e Zooey Glass mui alegremente dançariam?
Não avancemos, porém, tão rapidamente: se, desde que o “buzz” na Internet à volta dos Vampire Weekend arrancou, não há site nem blog que não se sinta na obrigação de referir Graceland, de Paul Simon, como trampolim primordial para a música da banda (o que até é rigorosamente verdade e uma faixa como, em particular, a propriamente dita “Cape Cod Kwassa Kwassa” não engana ninguém), é preciso reparar que a paleta de cores é consideravelmente mais ampla. Eles, tal como Zach Condon se referia à música dos filmes de Kusturica e do Taraf de Haïdouks, recordam-se que tudo terá começado com a escuta de um álbum oriundo de Madagascar e acrescentam-lhe Ladysmith Black Mambazo, Kanda Bongomen, Orchestra Baobab, Beethoven, a Band, Elvis Costello e os Squeeze. Mas nós que, por estarmos de fora, ouvimos, de certeza, muito melhor do que eles, apercebemo-nos perfeitamente de que, no tubo de ensaio estético onde esta aventura sonora se gerou, outros reagentes – Talking Heads, Feelies, Orange Juice, bastante ska, highlife e pós-punk, doses homeopáticas do que de melhor conseguiram extrair dos despojos dos Police e apenas o justo q.b. de “classicismo” tal como os Arcade Fire o supõem – se encontravam em presença.
Lancem-se, pois, com inteira justificação, os foguetes: nesta impuríssima obra-prima do género “fake” (que, recuperando o formato pop ideal, não chega aos quarenta minutos de duração), por entre linhas de baixo pneumáticas, motivos de guitarra aracnídeos, violinos barrocos e sobressaltos polirrítmicos de percussão, Louis Vuitton rima com Reggaeton e Benetton, polemiza-se civilizadamente sobre correcta pronúncia e pontuação (“Who gives a fuck about an Oxford comma? I climbed to Dharamsala too, I met the highest lama, his accent sounded fine to me”), personagens que nunca respondem por nomes próprios desagradavelmente comuns como Bill ou Jack mas, sim, Blake ou Walcott melancolizam irónica e suavemente sobre as agruras da vida sentimental no “campus”, arquitectura e turismo cultural e, cereja sobre o bolo, com a elegância que seria de esperar, no refrão de “Kwassa Kwassa”, não se esquecem de exercer o imprescindível auto-sarcasmo quando cantam “But this feels so unnatural, Peter Gabriel too”. Pode não se gostar muito destes tipos? (2008)
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