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02 April 2026

17 November 2024

"The Dark-Eyed Gypsy"
 
(sequência daqui) Personagens estabelecidas da música tradicional irlandesa apesar de não gozarem de projecção equivalente no exterior, Nuala (voz e flauta), de Dundalk - isto é, conterrânea dos exuberantes The Mary Wallopers -, e O'Leary (voz, guitarra, bouzouki) - "dubliner" transplantado para Nova Iorque -, oferecem aqui um menu de temas tradicionais aprendidos junto das melhores fontes. Tais como "I Will Hang My Harp On A Willow Tree" via Anita Best, folclorista da Terra Nova, "Ag Bruach Dhún Réimhe" (sobre um poema do poeta do século XVIII, Art Mac Cumhaigh) ou "Liffeyside", através de Cathal McConnell, cantor, recolector, flautista e pilar dos históricos The Boys of the Lough que aqui se descobre na companhia de menos vetustos iguais da estirpe de Bonnie “Prince” Billy e Anaïs Mitchell.

15 January 2024

29 December 2023

 
(sequência daqui) Se, há menos de um ano, no àlbum de estreia (The Mary Wallopers), o programa estético-ideológico ficara já claro - libertinagem, álcool, anarquia e desbunda -, desta vez, Irish Rock N Roll define-lhe melhor os contornos e apresenta um quase manifesto insureccional que, sobre os traços da folk irlandesa, desenha um manual abreviado da luta de classes. "Na nossa casa, havia uma saudável falta de respeito pela autoridade, fosse a polícia ou o governo. Para nós é tudo, realmente, a preto e branco: sejam eles quem forem, são os ricos que estão no poder e apenas pretendem manter-se lá e continuar a enriquecer, enquanto os pobres ficam mais pobres". Em modo sinuosamente melódico ou em desbragado galope, "Rakes Of Poverty", "Rich Man and The Poor Man", "The Idler" ou "Vultures Of Christmas", atribuem-lhe a forma de canções que, uma vez alojadas no canal auditivo, dificilmente serão removidas.

26 December 2023

 TUDO A PRETO E BRANCO

 
"O meu pai era condutor de máquinas numa lixeira onde encontrou um acordeão. Apanhou-o e aprendeu a tocá-lo sozinho. Foi desse modo que tomámos contacto com a música. Foi só pegar nele e aprendermos também a tocar. Tudo muito DIY ("do it yourself"). A nossa irmã cantava baladas. Um dos irmãos ouvia 'heavy metal' e outro tinha uma rádio pirata. Escutávamos vários géneros de música - eu adorava punk - e todos bons. Não foi, de todo (felizmente!), uma introdução muito formal à música", conta à "Songlines", Charles Hendy, um terço do trio fundador dos irlandeses The Mary Wallopers. E explica também que os primeiros passos da banda obedeciam a uma estratégia bem urdida: entravam num pub, cantavam e, como pagamento, eram-lhes oferecidas bebidas. "Quando já estavam fartos de nos ouvir, saíamos e seguíamos para o pub seguinte". O que, de pub em pub, numa ampliação da pequena Dundalk natal para uma área um bocadinho maior, lhes proporcionou um método eficaz ("O único que funciona connosco") de recolha de músicas tradicionais. (daqui; segue para aqui)

"Wexford" ("My father was called the Fiddler Dunne, now I'm a fiddler too")

27 April 2023

 
(sequência daqui) E, assim sendo, os irmãos Charles e Andrew Hendy acrescidos de Sean McKenna e um grupo flutuante de acompanhantes (somando guitarras, baixo, banjo, bateria, acordeão, flauta e gaita de foles), escolheram como santa padroeira Mary Walloper, prostituta das docas de Dundalk, amante de cidra e lendária zaragateira. Alimentados desde o berço a música tradicional irlandesa posteriormente vitaminada com extractos de punk e – indetectável mas confessado – hip hop clássico (Grandmaster Flash e 'The Message', era sobre a vida real de todos os dias. O mesmo lugar onde o punk e a folk germinam”), é ouvi-los em atmosfera de desbunda bordélica bem regada, exibindo desavergonhadamente o carregadíssimo sotaque, acamaradando com os Lankum, e cumprindo à risca o ponto único do seu programa: “Escrevemos sobre as coisas que nos irritam”.

26 April 2023

The Mary Wallopers | Rockpalast Session | Eurosonic Festival 2023
(ver também aqui)

24 April 2023

 AS COISAS QUE NOS IRRITAM


The Mary Wallopers não têm exactamente bom aspecto. Dir-se-ia mesmo que, ao lado dos Pogues – que, aliás, via Twitter, já publicamente os abençoaram –, estes passariam facilmente por engomadinhos membros da câmara dos lordes. Os cortes de cabelo, bigodes, barbas e suiças dão que pensar, o ar genericamente pouco amigo da água sobressai, o pontual excesso de volumetria física não passa despercebido e, por algum motivo foram já descritos como “The Clancy Brothers meet John Lydon”. Mas, quando abrem a boca, mesmo antes de começarem a cantar, só lhes saem frases lindas. Por exemplo, “O estrago causado pela igreja católica na Irlanda foi muito maior que o do império britânico. Está, por isso, na altura de nos livrarmos dela”. E, desenvolvendo o tema, “As nossas canções não são apelos ao fuzilamento dos padres embora os desprezemos. São sobre a igreja, sobre o céu e o inferno. Às vezes perguntam-nos: mas a igreja católica ainda é assim tão nociva? E nós respondemos que deve ser responsabilizada por todo o mal que fez até hoje. Não sei como é possível ser padre e conseguir caminhar pela rua de cabeção...” (daqu; segue para aqui)