(sequência daqui) E ele - que se reivindica de Raymond Carver, Sam Shepard, Randy Newman, Tom Waits e Shane MacGowan - admitiu-o de imediato: "Pelos meus 17 anos, tinha já lido 6 dos livros dele. Tornou a minha vida muito melhor. Tinha uma fotografia dele por cima da minha cama ao lado das dos Clash, Jam, Rank & File e X". O último álbum, Mr. Luck & Ms. Doom surgiu a partir de uma súplica de Amy Boone: "Por favor, escreve-me uma canção de amor como deve ser, em que ninguém morra nem tudo corra mal, ou acabo por dar em doida". Vlautin concordou e respondeu com uma história sobre um criminoso falhado e uma empregada de limpeza depressiva. E com todas as outras acerca das Lorraines, das Maureens ou da Nancy do "Pensacola pimp", embrulhadas com trastes "with a wife and kids, a left hook like Frazier and words that hit just as hard“.
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15 March 2025
04 January 2011
SAMURAIS
Dexys Midnight Runners - Searching For The Young Soul Rebels (30th anniversary special edition)
Em 1980, a "blue-eyed soul" já não tinha nada de novo. De Georgie Fame a Julie Driscoll, dos Rolling Stones aos Animals, de Alan Price ao Spencer Davis Group, da Graham Bond Organisation aos Jam e a Van Morrison, todo o processo de vampirização da música popular afro-americana tinha percorrido a trajectória que, de modo mais concentradamente purista ou mais transgressoramente eclético, esteve na origem da cultura pop da segunda metade do século XX. Searching For The Young Soul Rebels, em Julho de 80, foi, assim, algo como uma singularidade quântica emergindo da cabeça de um iluminado de ascendência irlandesa, Kevin Rowlands, que não subtraía à palavra “soul” nenhum dos seus sentidos.
Seita à parte de toda a restante cena musical (“Não pretendemos fazer parte de nenhum movimento, nós somos o nosso próprio movimento”), gangue de samurais saídos de Mean Streets com uma ética e uma disciplina colectivas – que incluíam o treino físico de preparação quase militar – e um nome de ressonância anfetamínica, os Dexys Midnight Runners eram uma assombrosa máquina de esbanjamento de energia em palco (quem os viu, em 1981, em Cascais, dificilmente apagará a experiência da memória), não menores autores de um clássico da música britânica dos anos 80 (este Searching...) e de outro não demasiado distante (Too-Rye-Ay, 1982) que, partindo da "celtic soul" de Van Morrison, lhe agregava maneirismos e adereços ciganos e referências à mitologia steinbeckiana do sul norte-americano. É daí e de "Come On Eileen" que a maioria os recordará mas a poderosa explosão do álbum de estreia (nesta edição comemorativa do 30º aniversário com singles, lados B, demos e sessões de rádio acoplados) nunca seria igualada. Um último álbum (Don’t Stand Me Down, 1985) encerraria as operações e, pouco depois, Rowlands perder-se-ia no seu próprio labirinto interior.
(2010)
(2010)
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