CURRÍCULO PARA O PAPADO
The Popes - New Church
Agora que, segundo o “El Pais”, o Vaticano
(confirmando a tese de Gabriele Amorth, Exorcista-Chefe local, que, há dois
anos, garantia que os escândalos de pedofilia se deviam ao facto de
o Diabo
andar à solta na Santa Sé) se converteu num
“campo de batalha onde os soldados
do Altíssimo combatem com as armas do Demónio” – afinal, historicamente, nada
de novo –, a ressurreição dos Popes através de um álbum intitulado
New Church
não poderia vir mais a propósito. E com todas as personagens certas.
Recordando: criados, em 1994, por Shane MacGowan como sucedâneo dos Pogues
quando a estes se esgotou a paciência para lhe aturar o catálogo completo das
viciações, com ele, gravaram
The Snake (1994),
The Crock Of Gold (1997) e o
live, Across the Broad Atlantic (2002). Inevitavelmente, uma vez mais, sai
MacGowan.
Mas fica Paul 'Mad Dog' McGuinness que, como o nome indica,
também não é flor que se cheire: entre os dois álbuns pós-MacGowan – Holloway Boulevard (2000) e Outlaw Heaven (2009) – passou uma temporada na cadeia de Pentonville por ilícitos vários. E, agora, para New Church, enquanto "special guest star" em "Throw Down Your Aces", convidou Howard Marks, escritor, "drug dealer" condenado a 25 anos de prisão e, supostamente, íntimo da CIA, do IRA, do MI6 e da
Mafia. Como se vê, tudo boa gente e com currículo para o papado. Que,
confirmando a definição do 'Mad Dog' para a banda (“Sex Pistols meeting The
Dubliners”), até produz um decentíssimo cocktail de rock vadio, essências
“célticas”, transpiração-Springsteen e fundo de garrafa-Waits. Isso e algo
entre uns Dropkick Murphys com cadastro criminal e uns Gaslight Anthem de
fígado corroído. Ou, se preferirem, uns Pogues menos geniais e,
definitivamente, sem Shane MacGowan.