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31 March 2011

"WAITING FOR A MIRACLE (BUT NOTHING EVER HAPPENS)"


The Comsat Angels

(2011)

18 April 2010

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO (V)
(join the dots)

The Comsat Angels


"Independence Day"

(2010)

14 October 2009

UMA REDE MUITO NERVOSA



The Feelies - Crazy Rhythms




The Feelies - The Good Earth

Um ano em que são editados Closer, dos Joy Division, Crocodiles, dos Echo & The Bunnymen, Waiting For A Miracle, dos Comsat Angels, e Remain In Light, dos Talking Heads – para além de diversas outras jóias da coroa pop –, já teria tudo para poder ser considerado, sem nenhum favor, de colheita musical "vintage". Mas, se nos recordarmos que foi também em 1980 que os Young Marble Giants publicaram Colossal Youth e os Feelies ofereceram Crazy Rhythms ao mundo, então, há que começar a encarar seriamente essa data como momento particularmente singular na narrativa da música popular. Sobre os Giants já foram vertidos todos os louvores justos e necessários e a sua solitária gravação merecidamente reeditada. É, pois, agora, a altura oportuna (a pretexto da edição finalmente remasterizada de Crazy Rhythms e The Good Earth) para que múltiplas vénias se desenhem perante o absolutamente inclassificável álbum de estreia dos Feelies, peça literalmente única daquele raríssimo tipo de génio em estado quimicamente puro que só dificilmente se repete e muito infrequentemente faz escola. Baptizados a partir de uma das assombrações tecnológicas de Aldous Huxley, em Brave New World, Glenn Mercer, Bill Million, Anton Fier e Keith DeNunzio, prototípicos "nerds" de New Jersey, não dissimulavam a sua devoção pelos Velvets, Wire, Television, Modern Lovers e pelos primeiros álbuns de Brian Eno.


Porém, quando, na Primavera de 1979, entraram nos Vanguard Studios de Nova Iorque, foi como se tudo isso fosse instantaneamente calcinado por uma descarga eléctrica e desse agregado estético tivesse restado apenas uma rede (muito) nervosa exposta à flor da pele: geométrica, esquinada, tensa, ritmicamente dura e metronómica (Fier, como Mo Tucker, ignorava quase totalmente os címbalos), tão ingénua quanto ferreamente controlada, com as guitarras directamente ligadas à consola de mistura, a música dos Feelies era uma alucinatória vertigem de escalas em remoínho, confrontos de cordas em overdose de cafeína e percussão ansiosamente matemática e detalhada. Tipicamente, depois disso, a Stiff Records entendeu que eles deveriam transformar-se nos “novos R.E.M.”. Resistiram bravamente durante seis anos. The Good Earth acabou produzido por Peter Buck e era uma excelente confluência dos Velvets mais pastorais, dos Feelies e... dos R.E.M. Sem dúvida, ainda hoje, um belíssimo disco. Mas não voltou a existir outro Crazy Rhythms, nem nada que, muito remotamente, se lhe assemelhasse.

(2009)

03 April 2007

CLAUSTROFOBIA NA CATEDRAL

The Comsat Angels:
Waiting For A Miracle
Sleep No More
Fiction
Time Considered As A Helix Of Semi-Precious Stones (The BBC Sessions 1979-1984)


Em Rip It Up And Start Again - Post Punk 1978/1984, a enciclopédica obra de referência publicada no ano passado, Simon Reynolds não lhes dedica uma única linha. É preciso ir ao site da editora Faber & Faber para, nos anexos que Reynolds aí decidiu alojar, na secção significativamente intitulada "Post-Punk Esoterica", se descobrir uma breve menção aos Comsat Angels enquanto fugazes rivais/epígonos dos Gang Of Four.

Reynolds tem frequentemente razão mas, neste caso, dificilmente poderia ter falhado mais o alvo. Porque aquilo que distinguiu a magnífica banda de Sheffield cujo nome foi retirado de um conto de J. G. Ballard — a afinidade com a "sci-fi" não fica por aí: "On The Beach", do primeiro álbum, alude ao livro homónimo de Nevil Shute e o título da colecção de sessões para a BBC, Time Considered As A Helix..., provém de uma "short-story" de Samuel R. Delany — foi, justamente, a sua singularidade, muito pouco comparável a qualquer outra banda da mesma época.

O que, se lhes assegurou um cativo lugar de culto, também os lançou definitivamente para o tipo de obscuridade que continua a possibilitar equívocos como aquele em que Simon Reynolds persiste. A verdade, porém, é que Waiting For A Miracle (1980) e Sleep No More (1981) merecem integralmente ser colocados a par de Unknown Pleasures, dos Joy Division, Heaven Up Here/Porcupine, dos Echo & Bunnymen, Jeopardy, dos Sound, 154, dos Wire, The Correct Use Of Soap, dos Magazine, ou, sim, Entertainment!, dos Gang Of Four, no quadro de honra do pós-punk britânico.

Agora reeditados (com o ainda muito bom Fiction, 1982, e a recuperação das gravações de 1979 a 1984 para o programa de John Peel — a carreira posterior dos Comsats, fora da Polydor, é francamente menos estimável...),mostram a música de um grupo que vivia do jogo de verdadeira tensão entre a secura da bateria-tribal-Maureen Tucker-minimalista de Mik Glaisher, a intensidade fluorescente da guitarra de Steve Fellows, as cintilações quase-Krautrock dos teclados de Andy Peake, o baixo geométrico de Kevin Bacon e a ansiedade psicoticamente analítica dos textos de Fellows ("I can't relax 'cause I haven't done a thing and I haven't done a thing 'cause I can't relax", de "Independence Day", sintetiza, praticamente, o universo da banda). Waiting For A Miracle é fibra muscular, tendões e terminações nervosas à flor da pele, Sleep No More asfixia de claustrofobia no interior de uma catedral. (2006)