Brittany Howard - "We Gotta Get Out of This Place"
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07 October 2025
12 February 2024
O IMENSO ABISMO NEGRO
Não é propriamente uma inovação herética: na banda sonora de Marie Antoinette, de Sofia Coppola (2006), escutámos, sem sobressalto, Siouxsie & The Banshees, New Order, Cure, Bow Wow Wow ou os Gang Of Four lado a lado com Vivaldi, Rameau ou Scarlatti; em Moulin Rouge, de Baz Luhrmann (2001), cruzarmo-nos com Madonna, T. Rex, Police, Nirvana e Elton John ou assistirmos ao parto de "The Sound Of Music" na trepidante Montmartre da viragem do século, não foi motivo de nenhum escândalo. E, pulando para o domínio das séries de televisão, na belíssima Westworld (2016/2022) - "um 'western' com robots" -, 'Paint It Black', dos Rolling Stones, 'House Of The Rising Sun', dos Animals, 'A Forest', de The Cure, 'Black Hole Sun', dos Soundgarden, ou 'Exit Music (For A Film)', dos Radiohead, tocadas por uma vetusta pianola, não provocaram a menor perplexidade. Mas, provavelmente, nenhuma outra atingiu tão plenamente a perfeição no encaixe entre música eléctrica contemporânea e contexto histórico "divergente" (início do século XX) como Peaky Blinders (2013/2022). (daqui; segue para aqui)
Anna Calvi- "Miquelon"
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30 December 2016
24 September 2015
Em treze anos, nunca tinha acontecido: na sexta-feira de há duas semanas, a primeira página do “New York Times” não incluía uma única referência aos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001. Inevitavelmente, o jornal detentor de 117 prémios Pulitzer e que, no cabeçalho, ostenta o lema “All the news that's fit to print” (Phil Ochs intitularia o seu álbum de estreia, em 1964, All The News That’s Fit To Sing), foi, de imediato, acusado pela direita republicana de, por omissão, ofender a memória das vítimas do dia em que a história do século XXI começou. Observando a efeméride sob ângulo diferente, o precioso blog “Dangerous Minds” optou por recordar a lista de 165 canções que o Clear Channel (hoje, iHeartMedia, Inc., proprietário da maior rede norte-americana de rádio), pouco depois do 9/11, recomendou – não terá sido, realmente, censura – que os DJ das suas 1200 estações fizessem o favor de esquecer por uns tempos.
Leonard Cohen - "On That Day"
Relida hoje, se há exemplos de alusões obviamente sensíveis na atmosfera tensa desses dias – é o caso, entre muitas, das sete dos AC/DC (indiscutíveis “vencedores” em número de temas proscritos), de "It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)", dos R.E.M., e "Sunday, Bloody Sunday", dos U2 (apesar de 11.09.2001 ter sido uma terça-feira) – outras há que fazem recordar a incineração pela ditadura de Pinochet de textos sobre arte cubista, coisa evidentemente oriunda... de Cuba: "Ruby Tuesday", dos Stones (escrita sobre uma "groupie" da banda), "We Gotta Get Out Of This Place", dos Animals (puro espécime de neo-realismo rock’n’roll), "Walk Like an Egyptian", das Bangles (exercício de ironia acerca do andar desequilibrado dos passageiros de um "ferry"), ou "Ob-La-Di, Ob-La-Da", dos Beatles (???). Francamente inexplicável, porém, é "Burning Down The House", dos Talking Heads, ter sido excluída mas a bem mais explícita "Listening Wind", também dos Heads (“Mojique buys equipment in the market place, Mojique plants devices in the free trade zone, he feels the wind is lifting up his people, he calls the wind to guide him on his mission”), e, sobretudo, a arrepiante "Oh Superman", de Laurie Anderson (“Here come the planes, they're american planes, made in America. (…) Neither snow nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds”), haverem conseguido furtar-se aos radares.
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04 January 2011
SAMURAIS
Dexys Midnight Runners - Searching For The Young Soul Rebels (30th anniversary special edition)
Em 1980, a "blue-eyed soul" já não tinha nada de novo. De Georgie Fame a Julie Driscoll, dos Rolling Stones aos Animals, de Alan Price ao Spencer Davis Group, da Graham Bond Organisation aos Jam e a Van Morrison, todo o processo de vampirização da música popular afro-americana tinha percorrido a trajectória que, de modo mais concentradamente purista ou mais transgressoramente eclético, esteve na origem da cultura pop da segunda metade do século XX. Searching For The Young Soul Rebels, em Julho de 80, foi, assim, algo como uma singularidade quântica emergindo da cabeça de um iluminado de ascendência irlandesa, Kevin Rowlands, que não subtraía à palavra “soul” nenhum dos seus sentidos.
Seita à parte de toda a restante cena musical (“Não pretendemos fazer parte de nenhum movimento, nós somos o nosso próprio movimento”), gangue de samurais saídos de Mean Streets com uma ética e uma disciplina colectivas – que incluíam o treino físico de preparação quase militar – e um nome de ressonância anfetamínica, os Dexys Midnight Runners eram uma assombrosa máquina de esbanjamento de energia em palco (quem os viu, em 1981, em Cascais, dificilmente apagará a experiência da memória), não menores autores de um clássico da música britânica dos anos 80 (este Searching...) e de outro não demasiado distante (Too-Rye-Ay, 1982) que, partindo da "celtic soul" de Van Morrison, lhe agregava maneirismos e adereços ciganos e referências à mitologia steinbeckiana do sul norte-americano. É daí e de "Come On Eileen" que a maioria os recordará mas a poderosa explosão do álbum de estreia (nesta edição comemorativa do 30º aniversário com singles, lados B, demos e sessões de rádio acoplados) nunca seria igualada. Um último álbum (Don’t Stand Me Down, 1985) encerraria as operações e, pouco depois, Rowlands perder-se-ia no seu próprio labirinto interior.
(2010)
(2010)
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