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21 September 2009

EXTREME MAKEOVER



Joan As Police Woman - Cover

No ano passado, por ocasião da publicação de To Survive, Joan Wasser (ou Joan As Police Woman, se preferirem) explicava que o motivo por que tinha desistido de uma carreira de violinista clássica para se entregar nos promíscuos braços da pop havia sido o facto de se ter apercebido que preferia compor e interpretar música nova e não “tocar o concerto para violino de Brahms” pela milionésima vez, tendo consciência que lhe seria praticamente impossível fazê-lo “melhor do que já o foi”. E, quando a conversa atingiu aquela etapa em que lhe coube fazer a enumeração das suas devoções privadas, a lista rapidamente engordou, de Nina Simone a Neil Young. David Bowie, Joni Mitchell, Stevie Wonder, Al Green, Shostakovich, Sibelius, Bartók, Ravel, Britten e Stravinsky. Ficaremos, então, a saber agora que, tal como ela assegurou no momento em que interrompeu a sequência de vénias, se tratava, realmente, de um rol “interminável”.



E também que, embora não tenha chegado ainda a vez do concerto de Brahms, Joan não se faz rogada a preencher um álbum completo com música alheia. Com a melhor justificação possível: a todas e a cada uma destas canções do disco que tem estado disponível nos concertos da actual digressão europeia, ela impõe as suas próprias regras de releitura radical e as transforma, literalmente, em coisa indiscutivelmente sua. Exemplo eloquente é "Sacred Trickster", dos Sonic Youth, convertido em híbrido de gospel e pop de girl group. Mas o espectro de estilos e soluções alarga-se tremendamente em modo de "extreme makeover", vestindo de dissonâncias o que era ligeiro, vertendo acusticamente o que fora eléctrico ou pintando de cores garridas a dureza hip hop, em "Overprotected", de Britney Spears, "Fire", de Jimi Hendrix, "Lady", de Adam & The Ants, "Whatever You Like", de TI, "She Watch Channel Zero", dos Public Enemy, "Ringleader Man", de T-Pain ou "Baby", de Iggy Pop e David Bowie. E, sobretudo, na discreta solenidade de câmara da belíssima "Keeper of The Flame", de Nina Simone.

(2009)


Voto na urna: nulø, com a frase "ESTA GENTE É UM NOJO"

01 February 2009

A PROCURA DA FELICIDADE



Bruce Springsteen - Working On A Dream

Conforme narra uma lenda da tradição popular contemporânea, Barack Obama, rapaz de preferências musicais "mainstream", porém, assaz decentes – à “Rolling Stone” confessou admirar, acima de todos, o Stevie Wonder "vintage" de Talking Book, Fulfillingness’ First Finale, Innervisions e Songs in the Key of Life, mas admitiu abrigar também no seu iPod, Howlin’ Wolf, Yo-Yo Ma, Coltrane, Miles Davis, Charlie Parker, Jay-Z, Sheryl Crow (consideremos que se tratou de um lapso na transcrição de Jann S. Wenner que lhe recolheu as declarações…) e “cerca de trinta canções de Bob Dylan” –, terá afirmado durante a sua campanha que apenas decidiu candidatar-se à presidência dos EUA quando, finalmente, concluiu que nunca poderia ser Bruce Springsteen. A lenda não refere se Springsteen, nos últimos meses, sonhou ser Obama mas não só o apoiou explicitamente como, quando lhe foi sugerido que, na cerimónia de tomada de posse, ao lado de Pete Seeger, cantasse “This Land Is Your Land”, de Woody Guthrie, certamente, deverá ter respondido “Yes, we can!”.



A verdade é que toda esta mudança de “clima” se pressente (e muito) na transição dos anteriores Devils & Dust (2005) e Magic (2007) – amargos painéis hiperrealistas de uma América devastada – para o actual (a começar pelo próprio título) Working On A Dream: o estado de espírito que anima todo o álbum é, notoriamente, de alívio e, por vezes, ficamos mesmo com a sensação de que Bruce Springsteen somente não deixa escapar um “all you need is love” porque… é Bruce Springsteen e não um rastejante "freak-folker" qualquer. Sim, a atmosfera é de euforia e celebração, mas já não a dos fugitivos dos "lost highways" à beira de mil abismos de Born To Run ou Darkness On The Edge Of Town: as personagens de Working On A Dream perdem-se de amores por meninas da caixa de supermercado (“As I lift my groceries into my cart, I turn back for a moment and catch a smile that blows this whole fucking place apart”), unem-se em torno de festas de aniversário domésticas e medem a passagem do tempo pela deslocação da luz no rosto da amada (“I don’t see the summer as it wanes, just the subtle change of light upon your face”).



E, em tempo de hipotética refundação da Terra Prometida e de renovada procura matricial da felicidade, a invocação dos mitos da antiguidade clássica é inevitável: "Life Itself" e "Surprise, Surprise" saíram, completas e perfeitas, do cancioneiro dos Byrds, "Tomorrow Never Knows" é vénia grata a Bob Dylan, "This Life" chama por Brian Wilson, "Good Eye" rasgou caminho pela ferrugem das cordas da guitarra de Robert Johnson, "Outlaw Pete" abre cinematograficamente o plano sobre a América tal como Leone e Morricone a reescreveram para o resto do mundo (com "sample" da harmónica de Once Upon a Time in The West incluído) e "You’re My Lucky Day" é a exuberância incontida e redescoberta de um autor, Bruce Sprinsteen, que há mais de vinte anos não encontrávamos em momento de tão exaltada emoção. De certo (e duplo) modo, uma "period piece".

(2009)

20 January 2009

STEVIE WONDER - "SUPERSTITION"



(2009)
O GAJO FAZ-SE...



Barack Obama is a Stevie Wonder geek. (...) “If I had one musical hero, it would have to be Stevie Wonder”, says Obama (...). “When I was at that point where you start getting involved in music, Stevie had that run with Music of My Mind, Talking Book, Fulfillingness’ First Finale and Innervisions, and then Songs in the Key of Life. Those are as brilliant a set of five albums as we’ve ever seen”.



Wonder shares room on Obama’s iPod with “everything from Howlin’ Wolf to Yo-Yo Ma to Sheryl Crow" [ok, ninguém é perfeito...], he says. “And I have probably 30 Dylan songs on my iPod”. Though he’s partial to 1975’s Blood on the Tracks, “Maggie’s Farm” is “one of my favorites during the political season”, says Obama. “It speaks to me as I listen to some of the political rhetoric”. ("Rolling Stone")

(2009)