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26 October 2016

SUZANNE MCCULLERS

  
"Tom’s Diner" já foi suficientemente festejada como uma das canções de Suzanne Vega que não apenas milhões dão por si a trautear involuntariamente mas também uma das mais sampladas e objecto de versões. Desde o “golpe” dos DNA, em 1990, que a fez trepar bem acima de onde – em matéria de glória nas tabelas de vendas – o original de Vega tinha chegado, de Billy Bragg aos R.E.M., Public Enemy ou Timbaland, a música que celebrava o mesmo "diner" onde Seinfeld & Cº se encontravam para filosofar sobre o nada já passou por inúmeras mãos. Até as do criador do mp3, Karlheinz Brandenburg, que a utilizou para a realização de testes destinados a comprovar a viabilidade da compressão sonora relativamente à voz humana. Não lhe fazia, por isso, falta nenhuma que, no ano passado, Giorgio Moroder a tivesse escolhido para o álbum Déjà Vu, numa interpretação de... Britney Spears. Suzanne, contudo, aplaudiu a ideia (“I’m a big Donna Summer fan”) embora contasse com uma revisão mais radical. 


De facto, deixar de ser encarada para a eternidade exclusivamente como a criadora de "Luka" e "Tom’s Diner" não tem sido tarefa simples. É verdade que a discografia não será abundante – nove álbuns de originais de 1985 até agora – mas em nenhum momento seria justo dizer-se que Vega se acomodou à sombra dos sucessos passados e se satisfez em oferecer mais do mesmo. Há dois anos, poucos terão reparado na excelente colecção de canções de Tales From The Realm Of The Queen Of Pentacles mas seria de desejar que o mesmo não voltasse a repetir-se com Lover, Beloved: Songs From An Evening With Carson McCullers. É preciso fazer a história recuar até aos anos em que Suzanne Vega estudava Literatura Inglesa no Barnard College de Nova Iorque e, para um projecto académico, tropeçou numa biografia (e, posteriormente, na obra) da escritora Carson McCullers). A personalidade trágica, bissexual, alcoólica, política e socialmente activa de uma escritora no Sul dos EUA dos anos 40 e 50 ganharia a forma de peça de teatro musical que, só há quatro anos, Vega levaria à cena em forma de "one-woman show". As canções – escritas a meias com Duncan Sheik, num registo que oscila entre o cabaret jazzy, o impressionismo satieano e o dramatismo de Brel –, em particular, "12 Mortal Men", "Lover, Beloved" e a venenosa "Harper Lee", entram instantaneamente para o cânone.

04 September 2008

HUMANO = DISFUNCIONAL



Aimee Mann - @#%&*! Smilers

Pode sorrir-se quando se escuta o desabafo de uma recém-balzaquiana que confessa “Thirty-one today, what a thing to say, drinking Guinness in the afternoon, taking shelter in the black cocoon, I thought my life would be different somehow, I thought my life would be better by now, but it's not and I don't know where to turn”? Há, de certo, ironia ácida numa frase como “you love me like a dollar bill, you roll me up and trade me in” mas poderá isso ser motivo de riso? Pode, mas, quase exclusivamente, se uma e outra forem matéria de um episódio de Seinfeld.



Fora daí, e, em particular, nas canções de Aimee Mann, serão sempre a voz de personagens – não confundir com a autora – para quem o mundo não é o mais aprazível dos lugares e que se dão mal com quem insiste em sugerir-lhes um sorriso. Ou que, nos piores casos, se transformam no tipo de gente (“fucking smilers”) que supõe que, sorrindo, tudo se transforma. Do primeiro ao último álbum de Mann, têm desfilado, uma após a outra, destroços envolvidos em “cotton candy” musical, o género de contraste que muito mais acentua as marcas da catástrofe. @#%&*! Smilers acrescenta mais uma dúzia de instantâneos à galeria do humano enquanto criatura fundamentalmente disfuncional e é, pelo menos, tão bom como os anteriores.

(2008)