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10 March 2021

Duas histórias sobre o maravilhoso mundo do "fake" (uma, com saboroso tempero mormon e a surpreendente aparição da Salamandra Branca)

 Made You Look: A True Story About Fake Art

Murder Among The Mormons

02 February 2007

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU


Numa das muitas salas da vitoriana "Lion House" de Salt Lake City, o almoço com três jornalistas europeus está a chegar ao fim mas Wendell M. Smoot, Don Lefevre, Jerold Ottley e Craig Jessop ainda continuam a falar sobre o problema prático que, nesse momento, lhes ocupa o espírito: toda a complexa logística de transportar um coro de mais de trezentos elementos (e outros tantos acompanhantes) dos EUA para a Europa, o cruzeiro mediterrânico que isso implicará e os inevitáveis imprevistos que as particularidades acústicas de cada sala levantarão. Os quatro são respeitados e veneráveis membros da sua comunidade e, embora visivelmente conservadores, irradiam o irresistível charme rústico dos velhos cavalheiros do Sul. Será, então, possível que estas sejam as mesmas personagens que, enquanto membros da congregação Mormon, acreditam que, no século VI a.C., três tribos judaicas emigraram por mar para a América do Norte (onde, depois de ressuscitar, Jesus foi, evidentemente, pregar aos nativos um novo Evangelho), que esses foram os verdadeiros antepassados dos índios americanos e que Deus (que, aliás, é feito de carne e osso como qualquer mortal) mantém residência no distante planeta Kolob?


Custa a crer mas é, realmente, verdade. E é verdade porque, na qualidade de presidente, maestros e responsável pelas relações públicas do famoso Mormon Tabernacle Choir, actualmente em digressão pela Europa, todos eles fazem parte da elite dirigente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias (designação pela qual os seguidores da religião Mormon preferem ser conhecidos), uma particularíssima confissão religiosa que é, contudo, aquela que mais rapidamente se tem expandido nos EUA e no resto do mundo (10 milhões de seguidores) e cujo império económico foi recentemente avaliado pela "Time" em cerca de 30 mil milhões de dólares. Como qualquer boa história clássica americana, tudo começou, afinal, como mais um episódio na conquista do Oeste e na forma de encarar a América como a Terra Prometida. Os EUA necessitavam de uma religião própria, cristã e nativa e, a 21 de Setembro de 1823, Joseph Smith, "farmboy" de poucas letras de Palmyra, Nova Iorque, era o homem certo na altura certa.


No início do século XIX, a América fervilhava de místicos, socialistas utópicos, revivalistas evangélicos e iluminados (Shakers, The Society Of The Public Universal Friend, comunidades pietistas, discípulos de Robert Owen e Fourier ou as experiências hippy-avant-la-lettre de Oneida, Hopedale e Brooke Farm) mas Deus ou a selecção natural iriam determinar que só um deles teria êxito. Uma criatura "extraordinariamente branca e luminosa", o anjo Moroni, apareceu durante a noite a Joseph Smith e revelou-lhe que, a dois passos do lugar onde vivia, haveria de descobrir, enterradas, várias placas de ouro onde se achavam inscritas as profecias dos americanos primitivos, descendentes dos Nephitas, Lamanitas e Jareditas que - à época da Torre de Babel e, mais tarde, 600 anos antes de Cristo - haviam emigrado da Palestina para o continente americano onde, na qualidade de antepassados dos índios, Jesus Cristo Ressuscitado lhes pregaria um outro "Gospel". Quatro anos depois, Smith teria finalmente acesso às míticas placas e, auxiliado na sua gigantesca tarefa pelas pedras mágicas Urim e Thummim (não esquecer, mesmo em inglês, ele não era muito fluente), traduziria do "egípcio reformado" gravado nas placas o que viria a ser "O Livro de Mormon", último profeta da raça primordial que preservara para a eternidade os escritos e visões desses judeo-americanos iniciais que Cristo, amavelmente, visitara e instruira.



Até aqui, não se dará muito por isso mas estava em gestação uma teologia pitoresca. Levando muito americanamente à letra a ideia de que Deus "criou o Homem à sua imagem e semelhança", a Divindade passaria a ser, inevitavelmente, "de carne e osso" (com uma subtileza conceptual: em vez de sangue, é o Espírito Santo que lhe circula nas veias), todos os Mormons - desde que devotos, rectos e cumpridores -, após a morte, se transformarão também em Deuses e migrarão para o planeta Kolob (?) onde o Pai da Vida, naturalmente, reside, e a poligamia (correcção oficial: o "casamento plural" ou "poliginia") é uma necessidade óbvia, num mundo onde há mais fêmeas do que machos e a proliferação de "almas santas" é urgente. A sociedade americana da época não estava, porém, preparada para tanta originalidade (politeísmo, poligamia, heresias várias) e, como seria de esperar, de Nova Iorque até ao vale do Grande Lago Salgado, no Utah, os convertidos Mormons foram perseguidos como perigosos malfeitores. A isso chamariam eles o "Great Trek From The East", uma longa marcha em busca do Paraíso do "Zion prometido" que se confundia com o lendário "Oeste" por explorar.



Nos dias de hoje, uma viagem de turismo religioso aos "lugares sagrados" de Salt Lake City (não confundir com os balneários da equipa de basquetebol dos Utah Jazz que compete com os Mormons em popularidade), oferece uma visão algo branqueada desta história. Por entre visitas ao Museu da Igreja, à Genealogical Society Of Utah ou ao Joseph Smith Memorial Building, é obrigatória a visão de Legacy, uma grande produção cinematográfica em 70 mm, que narra a saga Mormon num formato que combina com enorme pertinência a estética familiar Disney com a dos imortais "westerns" clássicos: Joseph Smith, "o profeta", é um moço bem apessoado que faz lembrar Tom Cruise, o converso britânico emigrado em missão evangélica para a América daria um bom duplo de Erroll Flynn e, pelo meio de inúmeros episódios em que a fé, inevitavelmente, vence as cruéis adversidades (particularmente tocante é a sequência onde um discurso inflamado de religiosidade convence uma vaca recalcitrante a carregar a carruagem até à Terra Prometida), não se fica a compreender muito bem por que motivo gente tão genuinamente boa, generosa e fidelíssima é acossada por inimigos tão ferozes.


Com os Mormons no papel politicamente correcto do "Bom Selvagem" habitualmente reservado aos índios, estranhamente, o único argumento explicativo da perseguição — os pioneiros Mormons seriam anti-esclavagistas — parece ter pouca correspondência com a realidade histórica: não só o "profeta Brigham Young" - sucessor de Joseph Smith, entretanto assassinado durante a grande caminhada por dissidentes que não viam com bons olhos a ideia da poligamia -, no seu "Journal Of Discourses", teria defendido a escravatura como doutrina bíblica, como, já em 1966, o "Apóstolo Bruce R. McKonkie" justificaria a não ordenação de negros pela Igreja em virtude das suas "intrínsecas restrições espirituais".



Nada que o espírito prático Mormon, no entanto, não fosse capaz de solucionar. Tal como, em 1890 (quando o Utah estava cercado por tropas federais que pretendiam pôr fim à fantasia poligâmica),"o profeta Wilford Woodruff" teve uma oportuna "revelação" que determinou o fim oficial dos "casamentos plurais", também, em 1978, outro "profeta", Spencer W. Kimball, foi fulminado por mais uma iluminação que lhe demonstrou como era necessário que os afro-americanos fossem admitidos na Igreja. Por mera coincidência, como hoje explica o amabilíssimo Don Lefevre com inacreditável candura, "no preciso momento em que a Igreja se expandia no Brasil e nas Caraibas".



A "revelação", aliás, é um método de misticismo pragmático que exemplifica bastante bem o estilo Mormon de lidar com as relações entre Deus e os homens. Joseph Smith, ele mesmo, foi abençoado em toda a sua curta vida terrestre com 112 revelações, das quais, 88 incidiam especificamente sobre assuntos fiscais.
É, talvez, essa a verdadeira razão pela qual os Mormons, de entre todos os cultos americanos oriundos do século XIX, foram o único capaz de edificar um fabuloso empreendimento económico que, hoje, no "ranking" das grandes empresas, os coloca ligeiramente abaixo da Union Carbide e do Paine Webber Group mas claramente à frente da Nike e da Gap. O maior rancho de gado mundial - o Deseret Cattle & Citrus Ranch, em Orlando, cujo exclusivo valor imobiliário se cifra em 858 milhões de dólares - é propriedade da Igreja tal como o são a AgReserves (a mais importante produtora de oleaginosas da América), a cadeia de rádio Bonneville International Corp. e a Beneficial Life Insurances, com um activo de 1.6 mil milhões de dólares. Adicione-se a isto um rendimento anual de 5.9 mil milhões proveniente do dízimo oferecido pelos fiéis, uma rede de televisão própria, um jornal, uma cadeia de trinta livrarias, três universidades em Provo (Utah), no Havai e em Jerusalém e uma participação de 52% na ZCMI (a maior rede de armazenistas do Utah) e não restarão grandes dúvidas em relação à afirmação da edição da "Time" de Agosto de 1997 segundo a qual, "nos EUA, não existe Igreja mais economicamente activa nem com tanto êxito 'per capita' como a Igreja dos Santos dos Ultimos Dias".



Claro que uma empresa desta dimensão cujo produto começou por ser a fé, terá alguma dificuldade em explicar aos seus parceiros económicos (mesmo que a economia seja agnóstica) que, desde o século I d.C., todas as Igrejas entraram em apostasia e corromperam os ensinamentos cristãos fundamentais ("Prostituta de Babilónia" e "Grande Igreja Abominável" foram os insultos mais leves que os Mormons lançaram sobre as outras confissões religiosas), que Joseph Smith foi o profeta finalmente designado, em 1821, para restaurar a verdadeira Igreja de Deus na Terra e que, possuindo a certeza absoluta de que a segunda vinda de Cristo não apenas está iminente como terá obviamente lugar em Jackson County, nos EUA (outra revelação...), se apressou a adquirir aí 14.465 acres de terreno. Embora também isso demonstre o mesmo essencial espírito prático que os conduz a manter permanentemente cheio em Salt Lake City um silo de 9 000 toneladas de trigo capaz de alimentar a cidade durante seis meses (convém não esquecer que o Juizo Final está para breve e não é por acaso que são eles os Santos dos Ultimos Dias...), não dá muito jeito dirigir-se à porta de um cristão "normal" com o intuito de o recrutar, sendo obrigado a explicar-lhe todos os detalhes de uma fé tão exótica.

Foi justamente por isso que, em 1995, a Igreja contratou a firma de Nova Iorque, Edelman Public Relations, e lhe confiou a elaboração de uma estratégia de mudança de imagem mais "Christ centered". No logotipo, as palavras "Jesus Cristo" passaram a ter um maior destaque e é com visível desconforto que, hoje, quando interrogados, se dispõem a explicar tantas idiossincrasias teológicas.


(antes)


(depois)

É preciso manter o precário equilíbrio entre "ser tão cristão como os outros" e, ainda assim, marcar a diferença. E isso é que é realmente difícil sem cair no estatuto indesejável de "seita". O que explica que, quando, no ano passado, Dennis Rodman, dos Chicago Bulls, se referiu aos Utah Jazz como "those fucking Mormons", aquilo que autenticamente os ofendeu não foram as palavras de Rodman mas sim o pedido de desculpas do treinador dos Bulls ao alegar que o atleta "não sabia que eles eram uma espécie de culto ou seita religiosa". É aí mesmo que entram em acção missões diplomáticas de charme ecuménico como a actual digressão europeia do Mormon Tabernacle Choir, uma verdadeira instituição da cultura americana.

O lema da empresa é agora "somos cristãos mas diferentes: não bebemos alcool nem café, não fumamos, temos uma saúde de ferro, reservamos a segunda feira para a família e detestamos homosexuais" e tudo o resto são originalidades arcaicas de que é melhor não falar na busca de uma relação menos conflituosa com as outras igrejas. Em suma, uma variante particular de cristianismo radicalmente higiénico que transforma Salt Lake City (com 70% de adeptos Mormons) na cidade mais asséptica do mundo ocidental. Em rigor, só os últimos dos "homeless" são vistos a fumar (tabaco, estamos a falar de tabaco), descobrir um bar ou um restaurante onde se beba alcool é como procurar o Santo Graal e juntar as duas coisas é praticamente uma missão impossível. Ainda que com esforço, muito esforço, lá se acabe por encontrar um ou outro antro de perdição. Entretanto, no Temple Square de Salt Lake City, entre "elders" e "sisters" ávidos de mostrarem a história e as realizações da Igreja, a vida prossegue com monótona normalidade à beira do enorme Tabernáculo e do Grande Templo, no interior do qual (apenas reservado aos fiéis mas visível em fotografias) existe uma sala decorada em requintado estilo kitsch que pretende oferecer uma antevisão de como será o Paraíso.



(Eles já não são polígamos, elas vestem à maneira-dos-primos-da-província-que-nos-envergonham, mas todos (americanos, franceses, russos, filipinos, búlgaros, brasileiros, latino-americanos...) imaginam a Salvação ao alcance da mão. É, talvez, isso que confere ao "centro histórico" da cidade a atmosfera de um daqueles restaurantes onde os empregados são demasiado solícitos: é obrigatório sorrir de dois em dois minutos, garantir que estamos muito felizes por estarmos vivos e aceder com amabilidade ao convite para uma visitinha ao edifício onde nos farão descobrir a nossa árvore genealógica. Mera curiosidade? De modo nenhum. Os nossos antepassados não têm culpa nenhuma de que "a verdadeira Igreja de Cristo" só tenha sido "restaurada" no século XIX e, se os desejamos salvar baptizando-nos em seu nome, precisamos de saber quem eram, onde viviam e como se chamavam. Para isso, os Mormons dispôem, então, do maior registo mundial de genealogias, o equivalente microfilmado de sete milhões de livros de 300 páginas. A empresa é séria, competente, rigorosa e não brinca em serviço. Precisamente as qualidades que, segundo Joel Kotkin, "dada a escala do actual revivalismo religioso e os formidáveis recursos da Igreja, oferecem aos Mormons a possibilidade de emergir como a proxima tribo global, concretizando, como eles crêem, as antigas e modernas profecias". (1998)


QUEM ESCREVEU O LIVRO DE MORMON?



Um razoável número de pessoas (na realidade, todos os não-Mormons) parece pouco inclinado a acreditar que, em 1823, o "anjo Moroni" tenha revelado a Joseph Smith o "Livro de Mormon" gravado num conjunto de placas de ouro em "egípcio reformado" e que ele, jovem rural pouco instruido, fosse capaz de o traduzir para inglês em tempo recorde, por desígnio divino. Em especial, quando se sabe que as famosas placas, uma vez traduzidas, foram transportadas de volta para o céu por Moroni e nunca mais ninguém as viu. A interrogação que, inevitavelmente, se levanta é: quem escreveu então o "Livro de Mormon"? E isso torna-se tanto mais interessante quanto — encarado sob essa perspectiva — esse "Outro Testamento de Jesus Cristo" é, de facto, uma fabulosa contrafacção que, num outro contexto, com novas personagens e uma intriga renovada, inventa uma ficção alternativa que continua e desenvolve o argumento original da Bíblia judaico-cristã no Novo Mundo, conservando-lhe o estilo e o recorte literário originais. Ao contrário do que se poderia supôr (decerto muita gente se terá já dedicado a levantar o véu dessa prodigiosa conspiração), a procura de uma pista não é simples nem imediata. Mas, entre buscas na Internet e nas bibliotecas disponíveis, é possível chegar pelo menos a duas teorias viáveis. Obriga a muitas horas de puro trabalho de detective dado que a imensa literatura apologética e de confirmação da legitimidade da obra suplanta claramente os detractores mas, com persistência, descobrem-se a "Ethan Smith theory" e a "Solomon Spaulding theory".


A primeira, defendida por Fawn Brodie na biografia de Joseph Smith "No Man Knows My History", argumenta que, apesar de quase iletrado, Smith possuia suficiente inteligência, imaginação e conhecimentos para, pelos seus próprios meios, ter utilizado a obra "View Of The Hebrews" escrita por Ethan Smith em 1823 como base para o "Livro de Mormon". Embora claramente devedora de publicações anteriores como "History of The American Indians" de James Adair, "View Of The Hebrews" partilha com os Mormons a tese de que os Índios americanos descendem dos Hebreus, refere-se a documentos escondidos em escrita hieroglífica e ambos se referem à aparição de uma divindade branca - Cristo ou Quetzalcoatl - no continente americano.



Os indícios que apontam para Solomon Spaulding (curiosamente colega e amigo de Ethan Smith no Dartmouth College onde ambos se licenciaram e Smith terá dado a ler a Spaulding o esboço do seu livro) são, contudo, bastante mais convincentes. Académico e erudito, possuia um conhecimento profundo dos clássicos, tanto da Bíblia como de Plutarco, Cícero, Virgílio, Heródoto, Platão, Descartes, Rousseau, Josefus, Santo Agostinho, Beda, Geoffrey de Monmouth, as lendas do Santo Graal e os mitos celtas e judaicos. Nos arredores da cidade de Conneaut, no Ohio, onde vivia, erguiam-se diversas construções primitivas de pedra que eram à epoca correntemente associadas aos povos primordiais que teriam habitado a região e que despertaram em Spaulding o desejo de escrever um romance histórico em estilo bíblico sobre as origens míticas da América. Enquanto o ia redigindo, tinha por hábito ler passagens do texto (que intitulou "Manuscript Found") a familiares e amigos que, acerca delas, lhe transmitiam as suas opiniões e comentários.

Nunca publicado na sua primeira versão mas tendo chegado a ser enviado para um editor e dono da tipografia Patterson que lhe sugeriu a introdução de diversas modificações, grande foi o espanto de alguns habitantes de Conneaut quando, em 1832 (já Spaulding havia morrido), um missionário Mormon leu passagens do "Livro de Mormon" numa reunião pública: o que escutavam não eram senão excertos do "Manuscript Found" de Spaulding que vários deles conheciam bem. Os nomes, os factos e a história eram os mesmos e, em Agosto do ano seguinte, oito familiares, amigos e sócios de Solomon Spaulding assinaram testemunhos escritos em favor da tese do plágio do "Manuscript Found", inopinadamente convertido em "Livro de Mormon". Qual, pois, a chave do mistério?


Ela chamar-se-à Sidney Rigdon, empregado da tipografia Patterson, proximo de Joseph Smith e futuro alto responsável da congregação Mormon que, durante o período em que o manuscrito de Spaulding permaneceu na tipografia, o terá desviado, copiado e, com ou sem a colaboração directa de Smith, adaptado aos seus fins de criação de raiz de uma nova religião baseada numa outra Bíblia. Em apoio desta tese, entre muitos outros, vem um curioso episódio posterior: após a morte de Joseph Smith, em 1844, Rigdon reivindicou o seu direito à chefia da Igreja mas foi rejeitado em favor de Brigham Young. A 3 de Setembro, Rigdon declarou a Young que detinha mais poder e autoridade do que qualquer outro dos Apóstolos e ameaçou-o de que "poderia falar alto e revelar todos os segredos da Igreja". Lamentavelmente, acabaria por nunca o fazer... (1998)