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12 April 2017
PELO BURACO DA FECHADURA
O Chateau Marmont, no 8221 de Sunset Boulevard, em Los Angeles – projectado segundo o modelo do Château d’Amboise, residência real francesa no vale do Loire –, foi um edifício de apartamentos de luxo, convertido em hotel em 1931, devido à enorme improbabilidade de, durante a Grande Depressão, haver quem pudesse suportar as elevadíssimas rendas. Ao longo dos anos, porém, acabaria por ganhar o estatuto de Chelsea Hotel da West Coast: como que aceitando o conselho de Harry Cohn, presidente da Columbia Pictures (“If you must get in trouble, do it at the Chateau Marmont”), foi lá que James Dean se atirou de uma janela, Jim Morrison caíu do telhado, John Belushi sucumbiu a uma overdose, Scott Fitzgerald teve um ataque cardíaco, os Led Zeppelin passearam de Harley Davidson pelos corredores, e, aos pares ou em grupos mais liberalmente alargados, celebridades várias (Dennis Hopper, Nicholas Ray, Natalie Wood, Jean Harlow, Clark Gable, Erroll Flynn, Marlene Dietrich, Scarlett Johansson, Benicio del Toro...) travaram conhecimento bíblico. Exactamente o género de matéria-prima que um "peeping tom" profissional e erudito como Jarvis Cocker – também ele, ainda com os Pulp, hóspede do hotel, no quarto 29 – dificilmente deixaria escapar.
Concebido como um ciclo de 16 canções a quatro mãos, com o pianista canadiano Chilly Gonzales, Room 29 (primeiro álbum da Deutsche Grammophon a ostentar o aviso "Parental Advisory: Explicit Content") inaugura praticamente o sub-género de banda sonora para um documentário imaginário: algures num registo entre Satie e Kurt Weill espevitado por Noël Coward, o ponto de partida é esclarecedor: tratando-se de “a comfortable venue for a nervous breakdown”, obviamente, a questão que se impõe é “is there anything sadder than a hotel room that hasn’t been fucked in?” Daí, decorre, com naturalidade, uma sucessão de instantâneos e observações sobre personagens anónimas (“You’re a tearjerker, you don’t need a girlfriend, you need a social worker”) ou nem por isso (‘Howard Hughes Under The Microscope’, dissecado, em conversa com Cocker, por David Thomson, autor do clássico ensaio The Big Screen) e hábitos de consumo peculiares (“We ordered ice-cream as main course, in a turban of silk, drinking chocolate with milk, with a shot of rum on the side, well of course”). Ou não fosse, afinal, um caso exemplar de, como ali, à beira de Hollywood, é obrigatório apresentar-se “life with the boring bits edited out”.
Lloyd Cole é gente muito cá de casa. Um daqueles autores que, por motivos que nunca esclareceremos completamente, se torna convidado frequente dos palcos portugueses e que, mesmo tendo há muito deixado de habitar o Olimpo das divindades pop (desde que, há 21 anos, se mudou para a Costa Leste americana, a Inglaterra natal só intermitentemente o recorda e, na Europa, Alemanha e Portugal são os seus portos de abrigo), mantém uma base eleitoral suficiente para, regularmente o reeleger como representante da canção-pop de fino recorte literário. Broken Record, o último e magnífico álbum, é pretexto para uma mini-digressão de cinco concertos * e para uma conversa acerca do que é ser um inglês no novo mundo e não estar a ir para novo.
Ao fim destes anos todos de quase dupla nacionalidade, qual lhe parece ser a diferença entre fazer parte de uma banda visceralmente britânica e tocar com músicos maioritariamente americanos?
Se eu quisesse ser um pouco pedante, diria que existe uma diferencia entre o balanço da secção rítmica de uma banda inglesa e de uma banda americana. Na forma como os instrumentos funcionam em conjunto, agora, é possível que esteja um pouco mais próximo do que acontecia nos Commotions. O meu objectivo era que, neste disco, a banda soasse como o Highway 61, do Dylan. Ou como ‘Something On Your Mind’, da Karen Dalton. Ninguém está, realmente, a solar mas os músicos trocam melodias diferentes entre si. O que, quando se trabalha com bons músicos, se consegue.
Mas pode afirmar-se que viver durante todo este tempo nos EUA, de alguma forma o americanizou?
Há frases americanas que uso mas também sempre as usei. O meu vocabulário musical provém do Leonard Cohen e do Bob Dylan e da literatura que lia quando era jovem que era, predominantemente, americana. A propósito deste disco, um fã criticou-me por usar a expressão “stupid ass”, segundo ele, um britânico não deveria dizer isso. (risos) Mas eu vivo lá há 21 anos e compreendi que, se insistisse em falar o inglês britânico, uma de duas coisas aconteceria: ou não seria compreendido, ou passaria a vida a ouvir “oh tão giro!... diga lá isso outra vez”. Por isso, sim, é verdade que me americanizei um pouco e que o meu próprio sotaque se modificou.
A intenção da minha pergunta era mais acerca do seu sotaque musical...
Não me parece. A minha estética continua a ser europeia. Mas a música que sempre fiz, desde Rattlesnakes, é baseada em diversas formas americanas: rhythm ‘n’ blues, rock’n’roll, blues, folk, country... mas nunca folk britânico.
Por acaso, neste disco, pela primeira vez, tem uma canção, "Man Overboard", que poderia, facilmente, ser vista como uma variação sua sobre uma "sea shanty"...
Talvez mais com uma "sea shanty" escocesa do que inglesa. Há, neste álbum, diversas coisas que decorrem de ter actuado como folk singer durante dez anos, apenas com a guitarra. ‘Man Overboard’ poderá fazer pensar numa "sea shanty" mas também poderia ser uma canção dos primeiros tempos do Leonard Cohen. Mas, voltando à sua pergunta, os Commotions sempre se dedicaram a formas musicais americanas submetidas a uma estética europeia. Se reparar nas diferenças entre os R.E.M e os Commotions – que tocavam tipos de música semelhantes –, na música deles havia qualquer coisa que os aproximava mais dos Allman Brothers do que dos Rolling Stones. Os Commotions, apesar de tocarem pop, partilhavam com os Stones o facto de tocarem música americana com uma estética britânica: interessava-nos mais a elegância do que a paixão, interessava-nos a concisão. Nos Stones, uma canção nunca durava mais do que três minutos... há alguma dos Allman que seja inferior a cinco? Suponho que tudo isso permanece no que faço agora. A maioria dos músicos poderá ser americana mas a estética é europeia.
Outro aspecto que quase se esfumou da sua escrita foi a obsessão pelo "name dropping" enquanto tique de estilo...
Nunca me pareceu que fosse exactamente um tique. Mas, neste álbum, nem crio, necessariamente, as personagens através de imagens. Algumas delas nem sequer têm personagens, são apenas acerca de ideias. ‘If I Were A Song’ trata de uma das perguntas que mais detesto que me façam: essa canção é sobre quê? Uma canção não é acerca de coisa nenhuma, é uma coisa como isto (pega numa jarra), uma entidade. Uma entidade estranha porque não é corpórea, não a podemos agarrar mas pode ser escutada e encarada de várias formas. Os pontos de referência podem ser outras canções.
O que permanece constante é a sua preocupação com a passagem do tempo: em Mainstream, tinha uma canção, "29", acerca da tragédia iminente de ser trintão; há três anos, em Antidepressant, escrevia acerca de um tipo "no longer angry, no longer young, no longer driven to distraction, not even by Scarlett Johansson"; numa entrevista, declarou que não o entusiasmava demasiado a ideia de que, aos 75 anos, será, de certeza, parecido com o Orson Welles; e, agora, não foi, seguramente, um acaso que a porta que surge na capa do disco tenha o número 49...
Foi coincidência, foi. Uma boa coincidência mas não foi por esse motivo que escolhi essa fotografia. Por um lado, estou feliz por ser mais velho. Os jovens são estúpidos e é preciso muito tempo até conseguir libertá-los da estupidez e levá-los a ter, pelo menos, alguma noção das suas limitações. O que é também a beleza da coisa: pensar que sabemos tudo, fazermos uma viagem e imaginarmos que conhecemos o mundo todo. E que também proporciona a confiança indispensável para sermos ambiciosos. Mas do lado físico do envelhecimento... não gosto mesmo nada! Ter sido fotografado durante toda a nossa vida adulta e, de repente, vermos fotos actuais... brrr! A minha piada actual é que, durante 24 anos, escrevi acerca do envelhecimento. Agora, escrevo sobre ser velho.
Deve ser um tropismo dificilmente domesticável o que atrai irremediavelmente número considerável de actores para uma carreira paralela de intérpretes pop. E, se é verdade que o movimento migratório em sentido inverso também existe (de um modo geral, com idênticos resultados pouco memoráveis), neste, em particular, contam-se pelos dedos de uma mão mutilada os casos que não se limitam a satisfazer essa fantasia privada. Em rigor, nos tempos mais recentes, apenas Zooey Deschanel com Matt Ward e – lá bem mais atrás – Scarlett Johansson, poderão reclamar um módico de respeitabilidade. Agnès Jaoui (óptima actriz e estimável realizadora e argumentista) não é apenas uma amadora curiosa como Jeanne Balibar ou Maria de Medeiros e com uma escolha de reportório multiafrolatina – canções de e com (entre outros) Bonga, Camané, Chico Buarque e Roberto Gonzalez Hurtado – desembaraça-se com à vontade e razoável liberdade de movimentos. Mas, em nenhum instante, se fica com a sensação de que, por esta via, Jaoui atingirá estatuto equivalente ao que detém no cinema. Pura "coffee-table music", embora “de marca”.
(2010)
21 May 2008
AS MANGAS E OS BOTÕES
Scarlett Johansson - Anywhere I Lay My Head
Com ele, nunca há garantia de se tratar da verdade ou apenas de mais uma efabulação. Mas, quando a “Pitchfork” perguntou a Tom Waits se tinha conhecimento de que Scarlett Johansson estava a gravar um álbum com versões de canções dele, a resposta foi “Sim, soube disso pelos jornais”. Sem qualquer irritação, no entanto. Bem pelo contrário, acrescentava mesmo um “more power to her” e explicava que “se escrevemos canções é para serem escutadas e reinterpretadas. É um sinal de que não são assim uma coisa tão pessoal que outros não possam abordar. Não faço ideia do que ela irá fazer, mas, se pegamos nas canções de outra pessoa, é para as fazermos nossas, não há outra solução. E isso, habitualmente, exige uma certa arte de alfaiataria: corta-se umas mangas, cose-se uns botões... cria-se sempre algo de diferente, é a tradição”. Até agora, não se conhece outra reacção de Waits a Anywhere I Lay My Head. Mas do que não pode haver dúvidas é que Scarlett Johansson e o produtor David Sitek (dos TV On The Radio) não hesitaram em usar e abusar da tesoura, da linha e das agulhas: quem apenas conheça de passagem a discografia de Tom Waits, sem esclarecimento prévio, dificilmente reconheceria nestas dez canções (mais um original – “Song For Jo” – de Johansson/Sitek) a assinatura dele. Aparentemente, o objectivo foi exactamente esse: pôr de lado o “respeitinho” e lidar sem grandes cerimónias com o reportório do mestre.
(experiência prévia)
Arredemos nós também o preconceito relativamente aos actores-que-se-lhes-meteu-na-cabeça-cantar. Desde Marlene Dietrich a Marilyn Monroe, Johnny Depp ou Nico (sim, ela era uma “singing-actress”), a questão nunca foi a de ousar pisar outro território que não “o seu” mas sim a de saber se havia perna suficiente para arriscar tal passo. Nos sítios da Net onde se discutem os temas reais que podem fazer vacilar o movimento da terra em torno do seu eixo imaginário, parece assente que Johansson mede pouco mais que um metro e cinquenta e cinco. Perna curta, portanto. Pelo que, sensatamente, Sitek optou por lhe utilizar o timbre de contralto exclusivamente como mais uma tonalidade da paleta – em dois temas, a voz de David Bowie é ainda outra – com que pinta um bizarro fresco algures entre os Cocteau Twins, Sinead O’Connor, Phil Spector, Debbie Harry a bordo dos My Bloody Valentine, ou Nico (lá está...) em part-time com os Mercury Rev. Quando falham – “I Don’t Wanna Grow Up”, por exemplo –, estatelam-se mas, nos momentos em que o alinhamento planetário é mais propício (“Fannin’ Street”, “Town With No Cheer”, “Green Grass”, “I Wish I Was In New Orleans”, “No One Knows I’m Gone”), a experiência chega a ser intrigantemente sedutora.
(2008)
04 May 2008
A PROPÓSITO DE UMA EMBRIONÁRIA POLÉMICA...
... que emerge na caixa de comentários deste post, gostaria de contribuir com elementos que possam fundamentar tomadas de posição cientificamente mais rigorosas. Não, não se trata de saber se Scarlett Johansson canta mal, bem ou assim-assim, se é a nova Nico ou a Jayne Mansfield do futuro. O que importa é: quantos centímetros de Scarlett há em Johansson?
Os grandes especialistas no tema encontram-se aqui e, a bem de uma troca de pontos de vista que se deseja esclarecedora, da página dedicada a ScarJo (petit-nom já praticamente oficial), seleccionam-se alguns contributos:
"Lebensdorf says on 28/Feb/08: She does seem pretty teeny [Lebendorf deveria querer dizer "tiny"] . I would say, probably no more than 5'3'' and a half and probably no less than 5'2''. She is so beautiful and so sexy and just dripping with sensuality and I certainly would never ever love her any less, regardless of her true height. Doesn’t she have the most exceptional breasts? Wow. I wouldn’t even know where to begin on her..."
"Anonymous says on 15/Feb/08: She is shorter than natalie portman in slightly taller heels - So for Scarlet I would say 5'2 - 5'3". There are five pics at the 08' Berlin Film festival and you can see their shoes in some. Also people.com has a picture of them where Natalie looks 1-2" taller but you can't see shoes"
"anonymous says on 1/Apr/07: i completely agree with random person. she looks about 2-3 inches shorter than woody allen (5'4.5 at best) and in scoop she is standing next to hugh jackman at a pool seen and they are both barefoot and he simply TOWERS over her. my best friend is 5'4 and her boyfriend is 6'2 and they don't look nearly as far apart. she is also a lot smaller than johnathan rhys meyers in matchpoint, and he is about 5'7 and she was wearing 3 inch heels and she only came up to his eyes. and she admitted it herself that she's 5'1! what proof more do you need?"
"mask says on 26/Sep/06: Scarlett Johansson is 155 cm tall cause when she came to Venezia last month to present her last movie all italian tvies said she is that tall several times and if I get no wrong I believe that she herself has told she is 5'1" and I heard this is for sure"
Bem-vindos a um importante debate, em curso desde 23.08.05!