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26 March 2025

Bonnie Dobson - "Time"

(sequência daqui) Nada, porém, que fosse obstáculo para tudo quanto Bach, Vivaldi, Haendel, Scarlatti, ou Monteverdi tinham para nos legar. Ou para que, dois séculos mais tarde, no perímetro da música popular anglo-americana, "baroque pop" – ou "chamber pop", ou "orchestral pop" - designassem o exacto oposto do que, originalmente, Rousseau e colegas fustigavam: uma música serenamente bucólica, docemente pastoral, na qual a mera presença de quartetos de cordas, cravos, flautas ou aéreos corais bastava para, nas palavras de Bob Stanley (membro dos Saint Etienne, jornalista e erudito curador de American Baroque - Chamber Pop And Beyond 1967 - 1971), "criar uma sensação de melancolia outonal bem distinta do rock'n'roll tal como Eddie Cochran o entendia". Já nos tinha oferecido Tea & Symphony: English Baroque Sound 1968-1974 (2020), descendente indirecto de Come Join My Orchestra: The British Baroque Pop Sound 1967-73 (2018). Neste 3º volume, há 24 novas hipóteses de descoberta.

12 February 2024

O IMENSO ABISMO NEGRO

Não é propriamente uma inovação herética: na banda sonora de Marie Antoinette, de Sofia Coppola (2006), escutámos, sem sobressalto, Siouxsie & The Banshees, New Order, Cure, Bow Wow Wow ou os Gang Of Four lado a lado com Vivaldi, Rameau ou Scarlatti; em Moulin Rouge, de Baz Luhrmann (2001), cruzarmo-nos com Madonna, T. Rex, Police, Nirvana e Elton John ou assistirmos ao parto de "The Sound Of Music" na trepidante Montmartre da viragem do século, não foi motivo de nenhum escândalo. E, pulando para o domínio das séries de televisão, na belíssima Westworld (2016/2022) - "um 'western' com robots" -, 'Paint It Black', dos Rolling Stones, 'House Of The Rising Sun', dos Animals, 'A Forest', de The Cure, 'Black Hole Sun', dos Soundgarden, ou 'Exit Music (For A Film)', dos Radiohead, tocadas por uma vetusta pianola, não provocaram a menor perplexidade. Mas, provavelmente, nenhuma outra atingiu tão plenamente a perfeição no encaixe entre música eléctrica contemporânea e contexto histórico "divergente" (início do século XX) como Peaky Blinders (2013/2022). (daqui; segue para aqui)
Anna Calvi- "Miquelon"