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16 March 2026

Philip Pickett (with Richard Thompson) - "Short Mesure off My Lady Wynkfylds Rownde"

Do álbum The Bones Of All Men (na íntegra aqui)

15 September 2025

MELANCOLIA BRITÂNICA 

Quando, a 3 de Julho de 1969, Five Leaves Left foi publicado, não teve direito a passadeira vermelha nem nada muito próximo disso. Na verdade - sem que sequer a presença dos "Thompson twins" Richard (dos Fairport Convention) e Danny (Pentangle) o pudesse contrariar -, a recepção crítica foi pouco mais do que morna: uma "tonalidade demasiado melancólica e uniforme", uma "atmosfera introspectiva excessivamente obscura e depresiva", e "ausência de dinamismo" foi o que, do "Melody Maker" ao "New Musical Express", ao "Daily Telegraph" e ao "Disc and Music Echo", se opinou, nunca indo além da classificação de "interessante", considerando as canções "incertas e indirectas", e o álbum "melodicamente monótono". Apenas Gordon Coxhill no "NME", admitia que Drake possuía um "considerável talento", mas o disco "carecia de diversidade", e a voz recordava-lhe a de Peter Sarstedt (a "one hit wonder" de "Where Do You Go To My Lovely?" que, em 2007, acabaria por ser ressuscitada por Wes Anderson para os filmes Hotel Chevalier e Darjeeling Limited) mas sem a sedução e profundidade deste. Um pouco mais simpático, porém, do que, parecia ser a opinião corrente na cave do nº 49 da Greek Street londrina onde, de 1964 to 1972, funcionou o clube folk Les Cousins e Drake era "aquele jovem nervoso que punha o público a dormir"... (daqui; segue para aqui)

01 May 2025

"Pont Du Poivre" (álbum na íntegra aqui)

(sequência daqui) James Elkington, o guitarrista, compositor e produtor britânico adoptado por Chicago e favorito de Jeff Tweedy, Tortoise, Eleventh Dream Day, Richard Thompson, Laetitia Sadier, Michael Chapman, Steve Gunn e Joan Shelley estará, provavelmente, à beira de uma circunstância semelhante. Enquanto no álbum anterior - Me Neither (2023) - apenas terá "arranhado a superfície de uma nova metodologia que supunha poder retomar facilmente", na verdade, para esta nova colecção de 27 peças instrumentais minimais, sentiu-se como alguém que, por entre flashes de Robert Fripp e John McLaughlin, tenha sido forçado a saltar do mapa para o território real. O que talvez será apenas satisfatoriamente explicado quando viermos a compreender a conspiração linguística que conduziu a que o álbum, na língua de Camões & Pessoa, viesse a ser intitulado Pastel de Nada.

23 February 2025

FOLK-ROCK MINIMALISTA


Se há personagem que, sem a mais ínfima molécula de dúvida, deverá ser objecto de incondicional veneração por parte da Internacional Melómana é Joe Boyd. É o mínimo devido a quem, enquanto produtor, editor, autor e "olheiro", foi um silencioso motor por trás das carreiras de Fairport Convention, Sandy Denny, Richard (& Linda) Thompson, Pink Floyd, Nick Drake, The Incredible String Band, R.E.M., John and Beverley Martyn, Kate & Anna McGarrigle, Billy Bragg, 10 000 Maniacs, Shirley Collins, Fotheringay, Albion Band, Dagmar Krause, Mary Margaret O'Hara e June Tabor. Mas também um dos fundadores do lendário UFO, clube da Londres psicadélica, o criador da etiqueta Hannibal Records (1980/1998) e autor de White Bicycles: Making Music in the 1960s (2007), segundo Brian Eno, "O melhor livro sobre música desde há muitos anos". Razões mais do que suficientes para que, quando ele se entusiasma com alguma coisa, lhe prestemos atenção. (daqui; segue para aqui)

"Logic"

24 December 2024

MÚSICA 2024 - INTERNACIONAL (IV) 

(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 27)

  
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 The Unthanks - In Winter
 
 

 
 
* a ordem é razoavelmente arbitrária 

01 August 2024

 
Ren Harvieu - "I Used To Be So Pretty"
 
(sequência daqui) Meio século depois de, com o então companheiro (e ex-Fairport Convention), Richard Thompson, ter gravado a obra-prima absoluta I Want to See the Bright Lights Tonight, e pouco menos após os nada menores Hokey Pokey (1975), Pour Down Like Silver (1975), First Light (1978), Sunnyvista (1979) e Shoot Out the Lights (1982), bem como, a solo - mas já então atormentada pela disfonia espasmódica que lhe condicionava seriamente o uso da voz -, One Clear Moment (1985), Fashionably Late (2002), Versatile Heart (2007) e Won't Be Long Now (2013), Linda Thompson ver-se-ia, enfim, obrigada a abdicar do canto, concentrando-se apenas na composição. É em momentos destes que, sob as mais duras adversidades, a imaginação e o sentido de humor podem fazer milagres. Seleccionando um grupo de intérpretes - família próxima e amigos - que, por procuração (em inglês, "by proxy"), emprestariam a voz âs suas canções, chamaria, naturalmente, ao álbum Proxy Music. Mas não se ficaria por aí: a capa seria uma perfeitíssima reprodução da do álbum de estreia dos Roxy Music, com a septuagenária avançada Linda no lugar de Kari-Ann Muller. (segue para aqui)

24 June 2024

 
(sequência daqui) Na verdade, se todos os álbuns de Richard Thompson tivessem o título - Watching The Dark - da caixa-compilação de 1993, não seria motivo de escândalo. Neste Ship To Shore - sucessor de 13 Rivers, de 2018 -, as cartas são colocadas na mesa logo ao início: “Another day without a dream, without a hope, without a scheme, another day that finds you crawling on your knees” ("Freeze"). Logo a seguir, em "The Fear Never Leaves You", a voraz assombração da guerra espreita: "If you should dream the dreams I dream, you’d never sleep again, the fear never leaves you (...) ten years, twenty or more, the same monster comes through the door, If I could unsee the things I’ve seen, comrades all to smithereens". E, para além do espantalho que todos imediatamente reconhecemos, a quantos outros se ajusta a descrição "Just pretend you are that star, that everybody says you are, just pretend that life’s a bloody show, and don’t let doubt possess your mind, leave that demon far behind, just believe and they won’t ever know"? O bem lubrificado engenho - Taras Prodaniuk (baixo), Michael Jerome (bateria), Bobby Eichorn (guitarra), David Mansfield (violino) e Zara Phillips (voz) - que lhes atribui espessura e profundidade é o trampolim mais que perfeito para a filigrana e labaredas de Thompson, guitarrista da estirpe dos exemplares únicos como Hendrix, Verlaine ou Neil Young. Há anos, o fiel discípulo Bonnie ‘Prince’ Billy explicaria tudo definitivamente: “Ser alguém que apresenta o que cria como uma completa extensão de si mesmo foi sempre o meu sonho. Compreendemos isto muito bem se repararmos num músico como Richard Thompson quando executa um solo. A canção que ele interpreta ganha verdadeiramente vida nesse instante. Durante esse momento de generosidade, nós somos Richard Thompson. É uma dádiva esse tipo de relação com o seu talento, como se ele se apossasse do nosso cérebro” .

19 June 2024

FILIGRANA E LABAREDAS

No passado dia 30 de Abril, contaram-se 50 anos sobre a publicação de I Want To See The Bright Lights Tonight, de Richard e Linda Thompson, eterno (e justíssimo) candidato a figurar nas listas dos melhores álbuns de sempre. Por essa altura, Richard tinha no currículo "apenas" 5 álbuns com os Fairport Convention - entre os quais a trilogia de ouro de 1969, What We Did On Our Holidays, Unhalfbricking e Liege & Leaf -, o primeiro álbum a solo, Henry The Human Fly (1972), No Roses (1971), com Shirley Collins e a Albion Country Band, Rock On (1972), integrado em The Bunch, selecção de notáveis do emergente folk-rock na hora do recreio à volta de canções de (entre outros) Elvis Presley, Buddy Holly e Everly Brothers, e Morris On (1972), espécie de derivação do anterior com a tradição das "morris dances" como eixo. Faltava, porém, ainda muito (nunca menos do que brilhante) caminho até se atingir o bonito total actual de 24 álbuns a solo, 18 "live" (a solo e com os Fairports), 10 compilações, 5 bandas sonoras para televisão e cinema, e dispersas pelas esquinas do universo sonoro, literalmente incontáveis colaborações mais ou menos notórias. Mas, desde o agora cinquentenário, a atmosfera na qual tudo o que viria a seguir se instalaria ficava definitivamente estabelecida na canção de embalar "The End Of The Rainbow" dedicada a Muna, a filha recém-nascida: "I feel for you, you little horror, safe at your mother's breast, no lucky break for you around the corner, 'cos your father is a bully and he thinks that you're a pest, and your sister, she's no better than a whore, life seems so rosy in the cradle, but I'll be a friend I'll tell you what's in store, there's nothing at the end of the rainbow, there's nothing to grow up for anymore". (daqui; segue para aqui)


03 June 2024

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XCVI)

(com a indispensável colaboração do R & R)
(clicar na imagem para ampliar)
 
"To Sleep" (do álbum One Of Our Girls Has Gone Missing, na íntegra aqui; ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui também)
 
"Bound By The Beauty" (do álbum homónimo, na íntegra aqui)
 
"Think Too Hard" (do álbum Surprise, na íntegra aqui)

30 September 2022

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (LXXVI)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem para ampliar)
 

10 August 2021


(sequência daqui) Agora que o primeiro álbum, The Eternal Rocks Beneath, se encontra, enfim, disponível, compreende-se bem o entusiasmo de Thompson: Priddy não só tem um recorte vocal que, várias vezes, faz pensar em Sandy Denny e Linda Thompson como, na escrita das canções, associa com absoluta elegância a tradição folk do "storytelling" à obra de poetas como Frank O’Hara: “Gosto do modo como ele usa nomes, lugares e momentos e nunca os explica. Sentimo-nos como se estivéssemos a observá-lo através de uma janela ou como se o seguíssemos numa rua e capturássemos fragmentos de conversa. É assim que as canções deveriam ser: apenas um breve olhar sobre algo, sem precisar de explicações”, disse Katherine à “Folk Radio”. Guitarra, acordeão e quarteto de cordas proporcionam a refinada moldura que aproxima estas dez canções do belíssimo La Vita Nuova, de Maria McKee, e lançam em voo a memória de instantes: “And first light of morning, a moment of still, a comma, a dash, a loaded ellipsis, ‘til you sink under slowly, I knew you were only a shadow behind me, I loved you blindly”.

08 August 2021

A MEMÓRIA EM VOO
Quando, em 2017, por ocasião da publicação de The Order Of Time, Valerie June se apercebeu de que Bob Dylan a incluira na sua lista de favoritos, ainda incrédula, confessou: “A minha maior qualidade, penso, é escrever canções. Ter a divindade do 'songwriting' a confessar que admirava a minha música foi incrível. Não frequentei a universidade mas ouvi-lo, naquele dia, a referir o meu nome foi como concluir uma licenciatura”. Em 2018, Katherine Priddy tinha já uma licenciatura em Literatura Inglesa pela Universidade de Sussex. Mas a sensação que experimentou ao saber que Richard Thompson – uma outra divindade não menor –, na “Mojo”, considerara o seu EP de estreia, Wolf, o melhor disco que escutara nesse ano, não há-de ter sido muito inferior à de acrescentar duas ou três pós-graduações ao currículo. (daqui; segue para aqui)
 
"Wolf"