16 April 2026
16 March 2026
16 April 2025
26 September 2024
24 August 2024
27 January 2024
24 May 2023
07 May 2023
06 April 2023
03 April 2023
AS LUZES DO NORTE
Tentando não transformar 2000 caracteres numa aula de história da teoria musical mas não desistindo também de oferecer o contexto que permite saborear mais profundamente o que se escuta, diga-se, então, que devemos a Guido d’Arezzo – monge beneditino italiano do século XI – não apenas a invenção da escrita musical em pauta como a designação das notas (utilizada até hoje nos países de língua latina) a partir da primeira sílaba de cada frase de um hino a São João Baptista. Mas, para o que agora importa, igualmente a criação da palavra “gamut” para referir a extensão completa – a gama – dos sons numa determinada escala ou modo. Foi nela que os finlandeses Aino Peltomaa, Ilkka Heinonen e Juho Myllylä pensaram quando se tratou de achar um nome para o trio, “um colectivo de especialistas de folk e música antiga, incessantemente em busca de novas formas de as apresentar”. (daqui; segue para aqui)
16 September 2022
24 March 2022
MATÉRIA PARA REVER
Vai ter mesmo de ser: fã dos Divine Comedy (ou de Neil Hannon, o que acaba por ser igual) digno desse nome deverá galopar até ao site do Barbican londrino e reservar bilhetes para os cinco dias de concertos, de 31 de Agosto a 4 de Setembro, nos quais a totalidade da discografia da banda (excepto o primeiro álbum, Fanfare For The Comic Muse, 1990, implacavelmente excomungado pelo autor – “Era apenas uma banda indie de guitarras a querer imitar os R.E.M., uma coisa lamentável”, dizia-nos ele em 1996 –, e o último, Office Politics , 2019, por ser “demasiado recente”) será executada, aos pares. Isto é, uma extensa maratona que, iniciando-se em Liberation/Promenade, continuará com Casanova/A Short Album About Love, Fin de Siècle/Regeneration, Absent Friends/Victory For The Comic Muse e chegará, enfim, à meta Bang Goes The Knighthood/Foreverland. Submetidos à designação geral “Venus, Cupid, Folly & Time” – inspirada no quadro homónimo do florentino Agnolo Bronzino, de 1545 –, também título da vitaminadíssima "box-set" de 24 CD que, em 2020, reuniu a integral dos Divine Comedy, serão a concretização do que, há 2 anos, deveria ter sido a celebração do 30º aniversário do grupo: “Por causa da pandemia, foi tudo remarcado para o ano passado e, quando nos aproximávamos da data prevista, compreendemos que teríamos de voltar a fazê-lo. Uma coisa parecida com o que acontece na escola quando, por algum motivo, um teste é adiado e pensamos: ‘Boa, vou ter tempo suficiente para fazer as revisões que não tinha feito’. E continuamos a não as fazer. Portanto, digamos que ainda há muita matéria para rever”. (segue para aqui)
08 March 2022
02 March 2022
"The Road"
(sequência daqui) É, por isso, inteiramente natural que a uma citação do Principezinho, de Saint-Exupéry, se siga outra de Mark Twain (“Some of the worst thing in my life never happened”), que daí se salte para as instalações de Realidade Virtual ou para o Lazzaretto Vecchio, em Veneza, primeira “ilha de quarentena” estabelecida em 1423 para o isolamento de leprosos e das vítimas da Peste Negra, ou que se evoque John Cage que passou muitas horas de deleite, nos bosques, dirigindo interpretações dos seus 4’33” de silêncio. É o próprio Cage – tal como Freud, Brian Eno ou Gertrude Stein - que nos fala pela voz da ventríloqua Laurie que, mais à frente, nos fará passar 2 minutos sob a queda de flores de cerejeira, nos apresentará a Isabella d’Este, "zen master" do Renascimento italiano, à "dérive" Situacionista de Guy Débord e aos jogos de ilusão de Alexandre Potemkine com Catarina a Grande, para, sem transição, comentar “Por falar em realidade, no Texas reabriu a época de caça. Desta vez, às mulheres grávidas”. Afinal, o que é uma história? “Tentar contar a história do fim do mundo é tão difícil como contar a do princípio. Há tantas versões da criação. Somos os primeiros humanos a enfrentar a possibilidade – alguns dizem a probabilidade – da nossa extinção. E somos os primeiros humanos a tentar encontrar as palavras para o dizer. Habitualmente, uma história é algo que contamos a alguém. Mas, se contamos uma história a ninguém, será ainda uma história?” (segue para aqui)