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16 April 2026

É verdade, o mundo está a ser devastado por tiranos - assunto acerca do qual a Vaticano S.A. tem uma experiência de séculos
 
Edit (18:43) - "An example of a monster being depicted for a political purpose is the Papal Ass, a supposedly real beast that had been found floating in the river Tiber. Images of the Papal Ass were used by both sides in the debate about the Reformation. Lucas Cranach the Elder (1472 - October 16, 1553), was a German Renaissance painter and printmaker in woodcut and engraving. He also produced a number of violent anti-Catholic propaganda prints, in a cruder style, directed against the Papacy and the Catholic clergy" (daqui)
 
Papal Ass, Reformation Monster 

"Caricature of the Pope by Lucas Cranach the Elder with text by Martin Luther, 1545. Caption reads: 'The pope alone can interpret scripture and cleanse wrongdoing, just as the donkey alone can play the pipes'" (ver Roman de Fauvel)

16 March 2026

Philip Pickett (with Richard Thompson) - "Short Mesure off My Lady Wynkfylds Rownde"

Do álbum The Bones Of All Men (na íntegra aqui)
EDUCATIVAS EPIFANIAS


Os goblins são diminutos seres grotescos de bastante mau feitio, habitantes de zonas subterrâneas que terão emergido na cultura popular europeia durante a Idade Média, deixando-se avistar ainda hoje em filmes como Labirinto (1986), Spider Man (2002) ou nos diversos episódios das sagas de Harry Potter e O Senhor Dos Anéis. Deles, a britânica Goblin Band herdou uma certa tendência para o culto da marginalidade deliberada optando por apresentar-se exclusivamente em espaços favoráveis à sua dupla qualidade de jovens músicos folk e cidadãos queer. Alice Beadle (violino e flauta de bisel), Gwena Harman (órgão de fole e bateria), Sonny Brazil (acordeão e concertina) e Rowan Gatherer (sanfona, e flauta de bisel), descobriram-se num percurso que, da música antiga e medieval, passando por John Playford e o Compleat Dancing Master, os conduziria a uma série de educativas epifanias tais que Martin Simpson, a Albion Band, os Watersons ou Martin Carthy (que, fã instantâneo, deles diria “Eles sabem tocar, sabem cantar e são destemidos. Atiram-se a versões que nós éramos demasiado pedantes para tocar e transformam-nas em furiosas desbundas"). (daqui; segue para aqui)
 
Goblin Band perform 15th century folk song 'The Bitter Withy'

03 May 2025

Gregorio Paniagua - Fons vitae / Dementia praecox angelorum / Supra solfamirevt

(do álbum La Foiia, na íntegra aqui)

26 September 2024

... continue, então, a preferir-se o "Pase el Agoa" ao Passaláqua

"Pase el Agoa" (Cancionero de Palacio) - The Dufay Collective + Hespèrion XX (Jordi Savall)

24 May 2023

EMBRIAGADOS DE PSICADELISMO
 

A famosa tirada de Orson Welles no filme O Terceiro Homem (1949), de Carol Reed – “Em Itália, durante trinta anos, sob os Bórgias, houve guerras, terror, assassínios e sangue mas produziram Miguel Ângelo, Leonardo da Vinci e o Renascimento. Na Suíça existiu amor fraterno, 500 anos de democracia e paz e o que é que produziram? O relógio de cuco” –, embora historicamente incorrecta e perigosamente vulnerável a utilizações políticas menos recomendáveis, chama a atenção para o facto de, sem transformar isso em lei geral, períodos históricos e contextos sociais conturbados poderem estar na origem de movimentações culturais intensas. O chamado Anatolian Rock (ou rock psicadélico turco) tem uma linha de vida que bebe no nacionalismo musical do início do século XX, deixa-se contaminar pelo pop/rock ocidental, choca de frente com o golpe militar de Setembro de 1980 e, posteriormente, renasce, reflectindo as várias linhas de força estéticas contemporâneas. (daqui; segue para aqui)

"Rakıya Su Katamam"

07 May 2023

Heinali - "Beatrice"
(do álbum Madrigals, na íntegra aqui)
 
"It was my deep love of Late Medieval and Renaissance polyphony that inspired this album. It is based on generative counterpoint — several independent self-playing melodies performed at the same time on a modular synth. I've been working on the patch since late 2017. After I had enough of recorded improvisations I contacted musicians who specialize in Early Music to look if we could combine period instruments with electronic polyphony on a modular system. On Beatrice, you can hear a brilliant violist Igor Zavgorodnii, from Kyiv, improvising on a baroque viola. Initially, I thought it to be the easiest piece to record but it proved to be much more difficult. At some point, I even considered discarding the piece altogether and changing the material. What helped, I think, was the mythology that gradually and miraculously emerged during several years I spent working on the patch. Generative voices turned into bird-like creatures inhabiting electric gardens of polyphony. One is tiny and full of vigour. It loves to sing high during the day but at night it dives deep under the water, where it hums her deep whale song. Another bird is a shadow. It flew into the garden straight from Elizabethan England, bringing melancholy, a fashionable malady, in its beak. Igor's task was to imagine himself as a different kind of bird in this unfamiliar garden, a caged one. His song dissents, he plays an old, period instrument, a baroque viola, but the microtonal technique he is applying comes straight from the 20th century. It is something that he improvised on the spot during the rehearsals and we just decided to go with it during our recording session".

06 April 2023

"Veri" (feat. Paleface)

(sequência daqui) Enquanto Ensemble Gamut! entregaram-se, pois, à articulação de instrumentos clássicos, tradicionais e electrónicos aplicados à invenção de intersecções entre música medieval, do Renascimento, folk, improvisada e abstraccionismos ambientais. O álbum de estreia, UT (2020), invocava a primeira nota da escala guidoniana, mais tarde substituída pelo “Dó”, e alargava o espectro a referências extra-nórdicas – Hildegard von Bingen, Martin Codax, Landini, Ockeghem. Agora, o segundo, apropriadamente RE, dirige o alcance sonoro da voz de Aino Peltomaa (e, em ‘Veri’, do rapper xamânico Paleface) e dos "soittu", "jouhikkos", "G-violone", flautas de bisel, harpa e electrónica de Heinonen e Myllylä, sobre reportório oriundo de manuscitos medievais, da tradição finlandesa, das contaminações sueca e russa e do canto rúnico da Karelia. Puríssima folia dançante em "Lapsed Caicki Laolacatt (Personent Hodie)", levitação quase imóvel em "Trina Caeli Hierarchia" ou realidade fantasmática no original "Puu", desde os Hedningarna e Värttinä que as luzes do Norte não brilhavam tão intensas.

03 April 2023

 AS LUZES DO NORTE


Tentando não transformar 2000 caracteres numa aula de história da teoria musical mas não desistindo também de oferecer o contexto que permite saborear mais profundamente o que se escuta, diga-se, então, que devemos a Guido d’Arezzo – monge beneditino italiano do século XI – não apenas a invenção da escrita musical em pauta como a designação das notas (utilizada até hoje nos países de língua latina) a partir da primeira sílaba de cada frase de um hino a São João Baptista. Mas, para o que agora importa, igualmente a criação da palavra “gamut” para referir a extensão completa – a gama – dos sons numa determinada escala ou modo. Foi nela que os finlandeses Aino Peltomaa, Ilkka Heinonen e Juho Myllylä pensaram quando se tratou de achar um nome para o trio, “um colectivo de especialistas de folk e música antiga, incessantemente em busca de novas formas de as apresentar”. (daqui; segue para aqui)

"Lapsed Caicki Laolacatt (Personent Hodie)"

16 September 2022

O magno e eterno problema das maminhas, da pilinha e do pipi (parte X) num episódio contado pelo Luís Peixoto a propósito da capa de um álbum

10 August 2022

"The sparkling story of two early modern Portuguese travellers and their competing views of the world. (...) To show how different minds reacted to the challenge of a new world opening up, Wilson-Lee presents us with two contrasting accounts. The first is from Damião de Góis, a minor Portuguese functionary who travelled the world in an official capacity, curious and alert, ready to be amazed at what he found and confident enough to allow new ideas about everything from personal salvation to talking monkeys to work upon him. (...) Against this expansive vision Wilson-Lee sets the work of Luís de Camões, Portugal’s greatest poet. Of particular interest here is The Lusiads, his epic account of Vasco da Gama and the Portuguese heroes who sailed around the Cape of Good Hope opening a new route to India. The title itself clangs with nationalist pomp, being derived from the ancient Roman name for Portugal, Lusitania. In addition, De Camões transforms Da Gama and his crew into Jason and the Argonauts, semi-divine heroes questing east in search of miraculous treasures. Despite his impeccable humanist credentials, the Iberian Shakespeare’s narrative is one of triumphalist place-naming, land-staking and colonial bluster"

24 March 2022

MATÉRIA PARA REVER

Vai ter mesmo de ser: fã dos Divine Comedy (ou de Neil Hannon, o que acaba por ser igual) digno desse nome deverá galopar até ao site do Barbican londrino e reservar bilhetes para os cinco dias de concertos, de 31 de Agosto a 4 de Setembro, nos quais a totalidade da discografia da banda (excepto o primeiro álbum, Fanfare For The Comic Muse, 1990, implacavelmente excomungado pelo autor – “Era apenas uma banda indie de guitarras a querer imitar os R.E.M., uma coisa lamentável”, dizia-nos ele em 1996 –, e o último, Office Politics , 2019, por ser “demasiado recente”) será executada, aos pares. Isto é, uma extensa maratona que, iniciando-se em Liberation/Promenade, continuará com Casanova/A Short Album About Love, Fin de Siècle/Regeneration, Absent Friends/Victory For The Comic Muse e chegará, enfim, à meta Bang Goes The Knighthood/Foreverland. Submetidos à designação geral “Venus, Cupid, Folly & Time” – inspirada no quadro homónimo do florentino Agnolo Bronzino, de 1545 –, também título da vitaminadíssima "box-set" de 24 CD que, em 2020, reuniu a integral dos Divine Comedy, serão a concretização do que, há 2 anos, deveria ter sido a celebração do 30º aniversário do grupo: “Por causa da pandemia, foi tudo remarcado para o ano passado e, quando nos aproximávamos da data prevista, compreendemos que teríamos de voltar a fazê-lo. Uma coisa parecida com o que acontece na escola quando, por algum motivo, um teste é adiado e pensamos: ‘Boa, vou ter tempo suficiente para fazer as revisões que não tinha feito’. E continuamos a não as fazer. Portanto, digamos que ainda há muita matéria para rever”. (segue para aqui)

02 March 2022

"The Road"   

(sequência daqui) É, por isso, inteiramente natural que a uma citação do Principezinho, de Saint-Exupéry, se siga outra de Mark Twain (“Some of the worst thing in my life never happened”), que daí se salte para as instalações de Realidade Virtual ou para o Lazzaretto Vecchio, em Veneza, primeira “ilha de quarentena” estabelecida em 1423 para o isolamento de leprosos e das vítimas da Peste Negra, ou que se evoque John Cage que passou muitas horas de deleite, nos bosques, dirigindo interpretações dos seus 4’33” de silêncio. É o próprio Cage – tal como Freud, Brian Eno ou Gertrude Stein - que nos fala pela voz da ventríloqua Laurie que, mais à frente, nos fará passar 2 minutos sob a queda de flores de cerejeira, nos apresentará a Isabella d’Este, "zen master" do Renascimento italiano, à "dérive" Situacionista de Guy Débord e aos jogos de ilusão de Alexandre Potemkine com Catarina a Grande, para, sem transição, comentar “Por falar em realidade, no Texas reabriu a época de caça. Desta vez, às mulheres grávidas”. Afinal, o que é uma história? “Tentar contar a história do fim do mundo é tão difícil como contar a do princípio. Há tantas versões da criação. Somos os primeiros humanos a enfrentar a possibilidade – alguns dizem a probabilidade – da nossa extinção. E somos os primeiros humanos a tentar encontrar as palavras para o dizer. Habitualmente, uma história é algo que contamos a alguém. Mas, se contamos uma história a ninguém, será ainda uma história?” (segue para aqui)

"The City"