"Punk, therefore, should be viewed in the same light as Dada, surrealism, situationism, and other 'serious' cultural movements. These movements didn’t just limit their criticisms to the art world or culture industry. At their height they opposed all aspects of a pointless order, rejecting hard boundaries between art and life; politics, economics, or culture; political activity and artistic creation. They also often allied themselves with various strains of anarchism or socialism. If Reagan was aestheticizing politics, then it was the job of punks to politicize aesthetics" (daqui sobre We're Not Here to Entertain: Punk Rock, Ronald Reagan, and the Real Culture War of 1980s America de Kevin Mattson)
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10 November 2020
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07 May 2015
MEMÓRIAS DE NOVA IORQUE
Mais ou menos a meio de Girl In A Band, na página 148, Kim Gordon, num aparte não demasiado significativo, conta que, em conversa para a “Interview” com o ilustrador Raymond Pettibon – autor da capa de Goo, dos Sonic Youth, bem como de várias outras de álbuns dos Black Flag e da editora SST –, ambos concordaram que, quando se trata de discutir algum assunto com um músico, é conveniente não elevar demasiado a complexidade do tema. “Não porque não sejam inteligentes, apenas não intelectualizam as coisas da mesma forma que os artistas”. E Kim reforça a ideia, confessando “Sinto que não há muita gente com quem possa falar sobre o que me vai na cabeça... isto não quer dizer que os menospreze”. Poderá, talvez, situar-se aí a razão porque a literatura – autobiográfica ou não – assinada por músicos é tão escassa e, na maioria dos casos, assaz desinteressante. A memoráveis excepções como Chronicles Vol. I, de Bob Dylan, Autobiography, de Morrissey, os quatro romances de Willy Vlautin (Richmond Fontaine/Delines), a recolha de poemas de David Berman (Silver Jews), Actual Air, ou a quase dezena de publicações de David Byrne (Leonard Cohen, exactamente o caso oposto – poeta e romancista tornado songwriter –, não conta) adicione-se, agora, Girl In A Band – A Memoir, de Kim Gordon.
Guitarrista, baixista, compositora e cantora dos Sonic Youth (e, igualmente, dos Free Kitten, Body/Head e participante em inúmeras colaborações) mas também artista plástica, "fashion designer", actriz, crítica e jornalista de arte, Gordon possui o perfil exactamente adequado para não ceder (demasiado) à "petite histoire" de circunstância e desenhar, com nervo e energia, a trajectória de uma "California girl" de classe média, nascida no início dos anos 50 e transplantada para a cena musical e artística da Nova Iorque, de fins de 70 até à actualidade. A visão panorâmica é povoada por um "who’s who" de todo o período abrangido (mas com figuras de carne e osso e não em mero exercício de "name dropping"), em permanente viagem entre auto-análise e observação/comentário de situações e personagens, painel estético/histórico e diário pessoal, o precioso bloco-notas de uma testemunha-participante activa das vibrantes ascensões e perturbantes quedas da capital do mundo.
30 March 2009
SONIC YOUTH - SENSATIONAL FIX (Düsseldorf)
David Byrne
"(...) There’s a Sonic Youth exhibit called “Sensational Fix” at the local museum. It’s got the expected album covers and music paraphernalia, but given that it’s Sonic Youth, the show is split between their art collections and their own work. As such it’s a taste of their world — friends, influences, connections, collaborations and accumulated collections of artwork and ephemera. (I’ve heard that Thurston and some of the others are obsessively rabid record collectors — especially obscure “out” stuff like old Sun Ra vinyl and Japanese noise bands — but that trove might have to wait for some other venue to see the light of day.)
There is work by their pals Richard Prince, Raymond Pettibon, Tony Oursler, Mike Kelley and Rita Ackermann — some of which was used for record covers; work by those who inspired them — a video of John Cage on “What’s My Line?”, Ginsberg photos of his Beat pals, William Burroughs’ gunshot art; and some of their own videos, paintings, collages and installations. Here’s a lovely walk-in room that Christian Marclay did — the floor littered to a few inches thickness with old vinyl. For a record lover, the experience is a kind of sacrilege — and that’s the point.
The exhibit posits Sonic Youth more as an art/media collective than simply as a band — which is probably accurate, though most people know them through their more accessible recordings, of course. But this is closer to how they must see themselves — as the hyphenate legacy of both the Beat and performance art worlds, and the wacky fringes of pop culture — death metal, freaky cults, underground comics, vinyl junkies and the dark side of Madonna and Karen Carpenter. What’s nice about it is the thread that ties together the art world with the pop music world with the Beat poets and a million others — and it stretches through time, backwards, forwards and sideways. It’s also a world of fandom — in a way, Sonic Youth are impresarios presenting the work of others that they love.
I might be imagining it, but it seems to me that in Europe, the mixing of pop culture and high art — as evidenced in this show, put on in a big, state-run museum, as opposed to an alternative art space — is more accepted as an idea than in the US. It could explain why the show originated here, and might only reach the US after traveling elsewhere for a while. Here, it seems that Sonic Youth can be perceived as an arts collective that happens to occasionally make accessible recordings, rather than as a pop band that dabbles in art. (...)" (aqui)
(2009)
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03 June 2008
OS GESTOS NECESSÁRIOS
Vinil – Gravações e Capas de Discos de Artistas,
Museu de Serralves (10 de Maio a 13 de Julho)
Museu de Serralves (10 de Maio a 13 de Julho)
Originalmente publicado em 1986, desde então transformado em obra de referência e, há três anos, reeditado pela Yale University Press, The Recording Angel, de Evan Eisenberg, analisa o modo como as tecnologias de gravação sonora transformaram a cultura do século XX e a forma de nos relacionarmos com ela. A certo ponto, Eisenberg afirma: “Uma vez mais, uma invenção mecânica respondera à necessidade do capitalismo de recriar toda a vida à sua imagem. A catedral da cultura convertera-se num supermercado. Éramos todos Próspero, capazes de invocar músicos invisíveis que tocavam e cantavam para o nosso prazer. (...) O ouvinte de discos é um filho do supermercado. A sua forma de se exprimir é quase inteiramente uma questão de seleccionar entre diversas embalagens que outros conceberam. E ele pensa que estas embalagens esgotaram todas as possibilidades”.
capa de Robert Longo para The Ascension, Glenn Branca
É, justamente, o invólucro externo dessas embalagens que constitui o objecto de estudo, investigação e devoção da colecção Vinil – Gravações e Capas de Discos de Artistas, em exibição no Museu de Serralves. E, de certa maneira, contrariando o ponto de vista de Eisenberg, Guy Schraenen (o coleccionador e curador da exposição), na introdução ao catálogo, defende a tese segundo a qual a maioria destas peças se integra no movimento que, desde o final dos aos 50, “com o surgimento da arte ‘inter-media’ deu origem a uma mudança radical na concepção e na recepção das obras de arte: performances, instalações, happenings, trabalhos de vídeo, filmes de artistas e ‘soundworks’ proliferaram”, enumerando todos os movimentos artístcos – Cobra, Fluxus, arte conceptual, Letrismo, “sound poetry” e Novo Realismo – que recorreram aos discos de vinil e utilizaram as suas capas como suporte para criações visuais “directamente relacionadas com o conteúdo dos discos, numa justaposição de som e imagem”. Se a deambulação pelas salas de Serralves face a face com exemplares originais de capas como a célebre “da banana” de Warhol para os Velvet Underground, a do “álbum branco” concebida por Richard Hamilton para os Beatles, as de Gerhard Richter ou Raymond Pettibon para os Black Flag e Sonic Youth e inúmeras outras para álbuns de “spoken word”, minimalistas e experimentalistas vários, peças sonoras e/ou visuais de Duchamp, Beuys, Hans Arp, Burroughs, Hermann Nitsch, Orson Welles ou Satie constitui o verdadeiro encontro imediato com a lenda, não menos fascinante é folhear o catálogo e, em especial, o glossário.
capa de Raymond Pettitbon para Goo, Sonic Youth
Aí, logo à terceira página, se traça uma linha de fronteira (“Compact disc: (...) o seu formato não permite as relações subtis e complexas entre aspectos visuais sonoros que eram uma característica específica dos discos de vinil produzidos por artistas visuais apesar das numerosas tentativas para superar esta dificuldade”) se recenseiam fetichismos (“a relação táctil entre indivíduo e objecto, o som que é próprio da escuta de um disco de vinil, os gestos necessários”), se historiam os passos desde o “phonoautograph” de Leon Scott (1858) até ao instante em que “a história parou” (“1978: a Philips anuncia a invenção do compact disc”), se inventariam casos particulares (o “flexidisc”, o “picture disc”, o “disco-objecto”) e, a pretexto do estabelecimento de uma “paternidade” (é o título da própria entrada no glossário), se desenha algo como uma imaginária ordem de precedência entre artes visuais e arte musical: “Do final dos anos 50 em diante, o desenvolvimento da arte contemporânea e das experiências musicais, tal como as novas técnicas de gravação, deram aos artistas o ímpeto para explorar novas vias. Enquanto para os músicos esta experimentação se situava firmemente no interior da tradição musical, aos artistas visuais, livres de constrangimentos, permitiu-lhes ignorar todas a regras”.
(2008)
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