Showing posts with label Ramblin' Jack Elliott. Show all posts
Showing posts with label Ramblin' Jack Elliott. Show all posts

11 July 2021

Pat Garrett & Billy the Kid - Sam Peckinpah (1973)

(sequência daqui) Quando Robert Shelton, a propósito do concerto de 29 de setembro de 1961 no Gerde’s Folk City, escreveu, no “New York Times”, a crítica qua daria a conhecer Dylan ao mundo, descreveu-o como “o cruzamento entre um menino de côro e um beatnik” e acrescentou: “Mr. Dylan é bastante vago acerca dos seus antecedentes e do local onde nasceu mas por onde andou é muito menos importante do que para onde se dirige. E isso parece ser ‘para cima’”. Não supunha quão certo estava. Desse momento em diante, Bob Dylan não apenas se desdobraria em múltiplos pseudónimos – Blind Boy Grunt (numa compilação da revista “Broadside” e num álbum de Richard Farina e Eric Von Schmidt), Tedham Porterhouse (ao lado de Ramblin’ Jack Elliot), Boblandy (no álbum The Blues Project), Robert Milkwood Thomas (em Somebody Else’s Troubles, de Steve Goodman), Boo Wilbury (nos Travelling Wilburys), Jack Frost (produtor de Under The Red Sky, Time Out Of Mind e Love And Theft), Sergei Petrov (co-argumentista com Larry Charles, no filme Masked and Anonymous) e, mais significativamente, Alias (personagem de Pat Garrett & Billy the Kid, de Sam Peckinpah) – como todo o seu trajecto seria uma sucessão de partidas e chegadas, de episódios equívocos, de jogos de espelhos, de saltos de uma para outra versão da sua história, de criação e extermínio de personas. (segue para aqui)

03 February 2013

CONTINUE, SFF


















Andrew Bird - Hands Of Glory

Andrew Bird confessa sem hesitar que uma das suas actividades favoritas é estabelecer regras para si mesmo, quebrá-las, e, porque sim, voltar a aceitá-las. Porque sim, mas igualmente porque “são necessárias até para, quando isso for importante, ir contra elas”, e porque “o peso das expectativas e das inúmeras possibilidades” de que dispõe o obrigam a impor-se uma espécie de código de conduta estética que discipline minimamente o que, de outra forma, esbarraria contra o inevitável problema dos sobredotados: dispersar-se infinitamente por mil áreas e, embora falhando gloriosamente, não chegar ao fundo de nenhuma. Uma delas era “se não conseguir reproduzi-lo em palco, não vale a pena grava-lo em estúdio”. Claro que, entretanto, também já a violou e, naturalmente, regressou, agora, a ela com este Hands Of Glory (mini álbum ou EP encorpado – como se preferir – de oito temas), adenda ao excelentíssimo Break It Yourself e coisa doméstica gravada no (a caminho de lendário) celeiro do Illinois, à beira do Mississipi, à volta de um único microfone. 



O minimalismo tecnológico combina bem com a selecção do reportório, uma espécie de demonstração descontraída de como não existe qualquer incompatibilidade entre o estatuto de instrumentista e "songwriter" virtuoso, barroco e adepto da frase que exige ser reescutada e recorrer ao dicionário (caso este possa servir de apoio...) e o do fulano que, com dois ou três cúmplices, se entretém a interpretar canções de Ramblin’ Jack Elliott, Townes Van Zandt, The Handsome Family e dos Alpha Consumer (seita de Minneapolis onde exerce o companheiro de estrada, Jeremy Ylvisaker, quando não alinha com o fidelíssimo Martin Dosh em The Cloak Ox – todos aqui presentes) ou a virar do avesso uma ou duas das suas. Como ele diz, “sinto que já provei tudo o que pretendia provar e posso fazer o que me apetecer”. Continue, sff.