Andy Irvine - "As I Roved Out"
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18 April 2023
13 March 2022
"A Bhriogais Uallach"/"Meal do Bhrògan"
(sequência daqui) Embora já com uma década de existência, foi, porém, nesta segunda vida – quando Kim e o guitarrista e vocalista Aidan Moodie foram recrutados, imediatamente antes da montanha russa de confinamentos e constrangimentos – que, contra todas as maldições pandémicas, a banda (Kim e Aidan + Ewen Henderson, voz, violino e gaitas, Gary Innes, acordeão, Ross Saunder, baixo, Ryan Murphy, "uilleann pipes" e flautas, e Mark Scobbie, bateria) logrou erguer-se-se às elevadíssimas alturas de clássicos como Battlefield Band, The Boys Of The Lough, Capercaillie, ou, no exterior do perímetro escocês, The Bothy Band, Planxty ou Moving Hearts: "Crossroads", e "The Loop" são assombrosos galopes instrumentais, "Briogais", "Puirt Ùrar" e "Black Tower" inventam o trava línguas xamânico e, a encerrar, "Griogal Cridhe" – supostamente a mais antiga canção gaélica – é um amantíssimo canto de embalo encharcado em sangue.
29 July 2021
(sequência daqui) Discípulo confesso (e brilhante) de Scott Walker mas também eclético adepto de Sandy Denny, Magazine, The Pop Group, Martin Carthy, Sinatra, Jim O’Rourke, Bill Evans, Brecht e Planxty, em Song of Co-Aklan, tanto assume o registo de agitador inflamado (“Feeling affronted? Blame the unwanted!” e “There’s aliens for blaming and poor folks for defaming”) como o de niilista friamente amargo (“Time will erase us, scene by scene, gone like the fragments of a dream“), mas assegura não ter pretendido criar “um álbum didactico nem pregar coisa nenhuma: não desejo agredir ninguém com o monopólio da verdade. Vejo-me mais como um parasita do que se passa no mundo do que como um influenciador”. O que não foi, de todo, impeditivo de – na companhia de veteranos dos Mansions, Microdisney e Scritti Politti mas também do inclassificável Luke Haines – ter gravado algo como uma sinistra visão de John Cale enquadrada pela elegância cinemática de David Lynch.
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19 July 2016
TALHADO NA ROCHA
Mick Blake, "singer-songwriter" de Leitrim – na margem do “broad majestic Shannon”, como diria Shane MacGowan –, há dois anos, publicou no YouTube, "Oblivious", uma canção que, embora referindo-se muito especificamente à realidade irlandesa, se traduzida para português, nunca adivinharíamos que pudesse ter tido outra origem. Dedicada a “those suffering from blind allegiance or apathy”, é uma amável "folk ballad", a transbordar de amargura e revolta: “When they give all that you treasure away for a pittance, or banish your children to toil on a rich foreign shore, when they prey on the weakest and bow to the ones that have plenty, they know that you'll follow blindly as you did before (…) What will it take to make you angry? Where is the spark to light your flame? We've been sold out, taken in, yet blindly you do it all again, fuel that gravy train, oblivious, it's like we’re oblivious”. Já em 2012 – sempre exclusivamente via YouTube –, "Leitrim (A Brief History)" traçava uma arrepiante diagonal entre a Grande Fome de 1845/1852 (que dizimou um milhão de irlandeses e obrigou à emigração de outros tantos) e o tremendo colapso bancário de Setembro de 2008 (do qual a gravação das conversas entre administradores do Anglo Irish Bank, revelada pelo “Irish Independent”, poria um pacifista a sonhar com guilhotinas).
Christy Moore não estava desatento. Ele, “Irish national treasure” a comemorar 50 anos de carreira, fundador dos prodigiosos Planxty e Moving Hearts, orgulhoso autor de canções proibidas (por “subversivas”) na rádio e, em 2004, ao abrigo do Prevention of Terrorism Act, detido e interrogado pelo Special Branch britânico acerca dos textos que cantava, ele, Christy Moore, apadrinhou "Oblivious" e "Leitrim" e incluiu-as no seu reportório. A primeira surge, agora, em Lily, último álbum de Moore. E, transportada por aquela voz que se diria talhada na rocha de Benbulben, dificilmente se encontraria terapia mais poderosa contra a “blind allegiance” e a “apathy”. Algo que a intensa versão de "Wallflower", de Peter Gabriel (sobre os prisioneiros políticos), aprofunda e, com "The Ballad of Patrick Murphy", se converte em centro de gravidade de uma impressionante colecção de nove canções e uma assombração "spoken word" - "The Lost Tribe Of The Wicklow Mountains" – a partir de um poema de Dave Lordan.
29 October 2015
HERESIAS
Quando, em Janeiro passado, se comemorou o centenário de Ewan MacColl (morto em 1989), Shirley Collins, a matriarca da folk britânica, chamada a depor pelo “Guardian”, não mediu as palavras: “Ewan teve uma influência bastante perniciosa na folk. Todos os músicos sobre quem exerceu influência acabaram a soar iguais. Era terrivelmente sexista, pretensioso e pomposo”. Não era, de facto, flor que se cheirasse o fulano que, aos 17 anos, enquanto militante da Juventude Comunista, já tinha dossier aberto no MI5: de acordo com o dogma maccoll-zhdanovista, a folk deveria manter-se imaculadamente pura e fidelíssima à vetusta tradição, higienicamente afastada de qualquer influência burguesa e/ou imperialista – cada canção teria de ser cantada no sotaque de origem, nada de vis contaminações americanas, mesmo o jovem Dylan-cantor-de-protesto era encarado como “lixo capitalista” –, cantora folk digna desse nome livrasse-se de pintar as unhas e, até ao fim (tendo, nos anos 60, alinhado com a dissidência maoista do Partido Comunista da Grã Bretanha), nunca renegaria a sua "Ballad Of Stalin" (“Joe Stalin was a mighty man and a mighty man was he, he led the Soviet people on the road to victory”).
Mas foi também o dramaturgo e actor aplaudido por Bernard Shaw, o criador, nos anos 50, do programa “Radio Ballads”, para a BBC, e fundador do Singers Club, em Londres – que, apesar do colete de forças ideológico, foram gatilhos decisivos para o "folk revival" –, o intérprete e colector (com A. L. Lloyd) de centenas de espécimes tradicionais, e autor de canções como "Dirty Old Town" ou "The First Time Ever I Saw Your Face", gravadas por Elvis Presley, Phil Ochs, Pogues, Planxty e Johnny Cash. Shirley Collins terá, então, de se resignar ao facto de, no ano em que foi publicado o seu álbum de homenagem, Shirley Inspired, sair também Joy Of Living - A Tribute to Ewan MacColl, sobreexcelente duplo CD que reúne a "crème de la crème" de várias gerações e dinastias folk (Marry e Norma Waterson, Martin e Eliza Carthy, Christy Moore, Martin Simpson, The Unthanks) com "snipers" exteriores (Paul Buchanan, Jarvis Cocker, Billy Bragg, Steve Earle), entregues às heréticas delícias da desobediência à linha dura em matéria de estética.
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Zhdanov
10 October 2015
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