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21 December 2025

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (C
 
(com a indispensável colaboração do R & R

(clicar na imagem para ampliar)
 
(Lonely Is An Eyesore, na íntegra aqui)
Womad - Talking Book Volume Three: An Introduction To Europe, na íntegra aqui)

08 February 2024

08 January 2024

HISTÓRIA PRESERVADA

Na manhã do passado 30 de Novembro, quando a notícia da morte de Shane MacGowan foi difundida, John Francis Flynn viajara de Dublin para Belfast e regressara após receber uma cópia de vinil recém-prensada do seu segundo álbum, Look Over The Wall See The Sky. Quase profeticamente, entre as oito canções que o compunham, encontravam-se "Kitty", último tema de Red Roses For Me (álbum de estreia dos Pogues, 1984) - MacGowan confessara tê-la aprendido da mãe que, em criança, a escutara cantada à lareira nos campos de Tipperary - e "Dirty Old Town", de Ewan MacColl (do segundo, Rum Sodomy & The Lash, também dos Pogues, 1985). "Há anos, ouvi uma versão de 'Kitty' num concerto dos Pogues", contou Flynn ao "Irish Examiner". "A forma como ele interpretava cada canção era espantosa mas essa em particular agarrou-me logo. É curioso que tenha sido necessário alguém como Shane MacGowan para salvar estas canções. 'Kitty' é, talvez, uma daquelas que poderiam ter-se perdido se Shane não a tivesse gravado". De agora em diante, poderá vir a dizer-se coisa muito semelhante acerca do trajecto musical que Flynn iniciou em 2021 com o extraordinário, I Would Not Live Always. (segue para aqui)


The Pogues - "Kitty"

24 April 2023

 AS COISAS QUE NOS IRRITAM


The Mary Wallopers não têm exactamente bom aspecto. Dir-se-ia mesmo que, ao lado dos Pogues – que, aliás, via Twitter, já publicamente os abençoaram –, estes passariam facilmente por engomadinhos membros da câmara dos lordes. Os cortes de cabelo, bigodes, barbas e suiças dão que pensar, o ar genericamente pouco amigo da água sobressai, o pontual excesso de volumetria física não passa despercebido e, por algum motivo foram já descritos como “The Clancy Brothers meet John Lydon”. Mas, quando abrem a boca, mesmo antes de começarem a cantar, só lhes saem frases lindas. Por exemplo, “O estrago causado pela igreja católica na Irlanda foi muito maior que o do império britânico. Está, por isso, na altura de nos livrarmos dela”. E, desenvolvendo o tema, “As nossas canções não são apelos ao fuzilamento dos padres embora os desprezemos. São sobre a igreja, sobre o céu e o inferno. Às vezes perguntam-nos: mas a igreja católica ainda é assim tão nociva? E nós respondemos que deve ser responsabilizada por todo o mal que fez até hoje. Não sei como é possível ser padre e conseguir caminhar pela rua de cabeção...” (daqu; segue para aqui)

01 December 2020

"What is your view on the BBC decision on censorship of certain words in 'Fairytale of New York' this Christmas?


(...) The idea that a word, or a line, in a song can simply be changed for another and not do it significant damage is a notion that can only be upheld by those that know nothing about the fragile nature of songwriting. The changing of the word ‘faggot’ for the nonsense word ‘haggard’ destroys the song by deflating it right at its essential and most reckless moment, stripping it of its value. It becomes a song that has been tampered with, compromised, tamed, and neutered and can no longer be called a great song. It is a song that has lost its truth, its honour and integrity — a song that has knelt down and allowed the BBC to do its grim and sticky business (...) The BBC, that gatekeeper of our brittle sensibilities, forever acting in our best interests, continue to mutilate an artefact of immense cultural value and in doing so takes something from us this Christmas, impossible to measure or replace. On and on it goes, and we are all the less for it" (Nick Cave aqui)

 


... primeira tentativa há 13 anos...

29 September 2020

ANTES E DEPOIS


 

No início, os Stick In The Wheel eram Nicola Kearey, Rachel Thomas Davies e Ian Carter. Desde 2013, publicaram nove singles e EP, seis álbuns – From Here (2015), Follow Them True (2018), dois volumes de English Folk Field Recordings (2017 e 2019), e as “mixtapes” This And The Memory Of This (2018) e Against The Loathsome Beyond (2019) – e participaram em outras tantas compilações. Pelo caminho, foram-se cruzando com Rachel Unthank, June Tabor, Martin Carthy, John Kirkpatrick, Eliza Carthy e vários outros notáveis e ficaram reduzidos ao núcleo Kearey/Carter.

 

"Villon Song" + François Villon e "cant"

Se, desde os primeiros passos, nunca esconderam um muito determinado programa de acção – “É preciso libertar a folk do estatuto de peça de museu, ela faz parte da nossa cultura. Os recolectores da época vitoriana privilegiavam as canções rurais, livres da contaminação das gentes urbanas. E dos imigrantes. Não fingimos ser limpa-chaminés ou ‘dandies’ do século XVII. Tocamo-la porque tem de ser tocada. Nada temos a ver com nostalgias ou atitudes retro mas há demasiada gente completamente desligada do passado e incapaz de estabelecer uma relação entre ele e o nosso presente” – e o foram concretizarando sem falhas através dos diversos ângulos da rica discografia, é, porém, com o último Hold Fast que é impossível não reconhecer estarmos perante uma daquelas gravações que definem um “antes” e um “depois”. Preto no branco: tal como é obrigatório localizar o início da primeira vaga do folk-rock britânico em Liege & Lief (1969), dos Fairport Convention, Hold Fast, não menosprezando June Tabor, os Pogues, as Unthanks ou os Lankum, assinala o momento no qual a raiz tradicional, a História, a literatura popular e o remoínho da(s) folk(s) se embrenham na modernidade e renascem mais uma vez. Simultaneamente rude e sofisticado, punk e pagão, electrónico e artesanal, com um pé em Kipling e outro no Exeter Book medieval, anglo-saxónico, cigano e yiddish, é um fulgurante relâmpago transcultural que, como se exige aos melhores, não deixa pedra sobre pedra.