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30 September 2023

 GEOMETRIA COLORIDA
 
 
Os pitagóricos afirmavam que "os olhos foram formados para a astronomia, os ouvidos moldados para a harmonia, e estas ciências são irmãs". Goethe declarava que "a arquitectura é música petrificada" e o crítico literário Walter Pater defendia que "todas as artes aspiram à condição da música". Mas foi o pintor e teórico russo Wassily Kandinsky quem qualificou a música como "a mestra suprema", explicando, em Do Espiritual na Arte (1910), que "as cores são um teclado. A alma é o piano com as suas muitas cordas. O artista é a mão que coloca a alma em vibração através de uma ou outra corda. Um pintor que não se satisfaça com a mera representação no anseio de exprimir a sua vida interior não pode senão invejar a facilidade com que a música, a mais imaterial das artes actuais, concretiza esse objectivo. Naturalmente, procurará aplicar os métodos da música à sua arte". Duas décadas mais tarde, pintaria Decisive Pink que não por acaso, Angel Deradoorian (ex-Dirty Projectors) e a experimentalista pop moscovita Kate Shilonosova, (aliás, Kate NV), quase um século depois, tomariam de empréstimo como nome para o duo. (daqui; segue para aqui)
 

12 June 2009

O AMOR DA JULIETA


Charles Ogier de Batz de Castelmore, Comte d'Artagnan
(estátua de Gustave Doré)

Esta deve ser daquelas que, em modo-resposta-falhada-de-concurso-de-TV, se costuma justificar com o magnífico "Ah e tal... nessa altura, eu ainda não tinha nascido". Seja a pergunta "em que ano foi a Revolução Francesa?", "quem escreveu A Filosofia na Alcova?" ou "a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado de hipotenusa é o enunciado do Teorema de: a) José Sócrates?; b) Pitágoras?; c) José Mourinho?". Mas foi, até agora (ontem), um dos grandes momentos de cinema de 2009: na sequência inicial de O Almoço de 15 de Agosto, de Gianni Di Gregorio, um já não-jovem filho lê à praticamente mumificada mãe uma passagem de Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Primeiro, franze-se o sobrolho. Depois, sai um "OMG!...". A seguir (acontece, pelo menos, três vezes), são puríssimas epifania, poesia e amor: o bom do "D'Artagnan" aparece sempre, sempre, sempre traduzido nas legendas como... "Dartacão"!. O qual, sendo "o amor da Julieta", só pode ser, naturalmente, uma personagem de Shakespeare. William Shakespeare, aquele actor do filme do Baz Luhrmann.



(2009)