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22 May 2024
16 April 2013
ODISSEIAS NO ESPAÇO
The Temple Of Speculative Music - Robert Fludd
No final do ano passado, a Universidade de Westminster (ex-Regent Street Polytechnic), em Londres, decidiu atribuir ao seu antigo aluno, Nick Mason, o grau de Honorary Doctor of Letters pelo contributo por ele dado à música, influenciado pelos estudos de arquitectura que, nela, havia realizado e que, tal como os ex-colegas Roger Waters e Richard Wright, interrompera em 1965, nunca concluindo o curso. Não haverá imensos sinais disso na música dos Pink Floyd mas a capa de Relics (1971), desenhada por Mason, aparenta algumas intrigantes semelhanças com a gravura (surrealmente reconfigurada) "The Temple Of Speculative Music", do matemático, cosmólogo e cabalista inglês do século XVII, Robert Fludd (suspeita reforçada por uma outra verdadeira gravura de Fludd figurar no booklet da reedição de 1994 de The Piper At The Gates Of Dawn), em cuja arquitectura ele procurou inscrever a divisão do monocórdio pitagórico, os modos litúrgicos, o estudo do contraponto e, de um modo geral, capturar visualmente, o conceito de musica universalis.
De formas diversas, os Floyd (em "Astronomy Domine", "Interstellar Overdrive", "Set The Controls For The Heart Of The Sun" ou "Cirrus Minor") viajaram pelas galáxias mas foi em "Eclipse" que praticamente parafrasearam – “everything under the sun is in tune” – o contemporâneo de Fludd, Johannes Kepler, o qual, em Harmonices Mundi (1619), propôs o esquema geral para a “harmonia das esferas” (“Os movimentos dos céus não são mais que uma eterna polifonia”): um coro celestial com Mercúrio, como soprano, Vénus e Terra nos contraltos, Marte, o tenor, e Júpiter e Saturno, ocupando o lugar dos baixos. Porém, uma harmonia imperfeita: a melodia que a Terra entoa seria mi – fá – mi o que, segundo Kepler, constituiria um eterno lamento pela miséria (miseriam) e fome (famen) reinantes.
Da Sinfonia “Júpiter”, de Mozart, aos "Planetas", de Gustav Holst, à Sinfonia Nº 2, “Copernican”, de Górecki, à "Die Harmonie Der Welt", de Hindemith, às infindas odisseias espaciais de Sun Ra, ou às autênticas Symphonies Of The Planets – que converteram em som os sinais electromagnéticos inaudíveis captados pelas sondas Voyager e Cassini – publicadas pela NASA, o tema esteve sempre pronto a ser abordado.
Planetarium, encomendado a Sufjan Stevens, Bryce Dessner (dos National) e Nico Muhly, pelo Muziekegebouw, de Eindhoven, Barbican Centre, de Londres e Ópera de Sidney, é um ciclo de canções sobre o sistema solar, para cordas, sopros e teclados que, no ano passado, fez exercícios de aquecimento, em palco, na Europa e Austrália e só no final de Março último, estreou em Nova Iorque, na Brooklyn Academy of Music (proximamente editado em álbum mas, com variável qualidade audiovisual, quase todo disponível no Youtube). Musicalmente, bastante mais próximo de The Age Of Adz (2010) do que de The BQE (2009), parece, não apenas prolongar o aparente impasse estético de Stevens que, aqui e ali, os “glassismos” de Muhly reorientam (Dessner é virtualmente indetectável), mas, algo mais inquietantemente, pelo aparato cenográfico e grandiloquência, quase (re)anuncia a aventesma do rock sinfónico. Que os céus nos protejam.
Planetarium, encomendado a Sufjan Stevens, Bryce Dessner (dos National) e Nico Muhly, pelo Muziekegebouw, de Eindhoven, Barbican Centre, de Londres e Ópera de Sidney, é um ciclo de canções sobre o sistema solar, para cordas, sopros e teclados que, no ano passado, fez exercícios de aquecimento, em palco, na Europa e Austrália e só no final de Março último, estreou em Nova Iorque, na Brooklyn Academy of Music (proximamente editado em álbum mas, com variável qualidade audiovisual, quase todo disponível no Youtube). Musicalmente, bastante mais próximo de The Age Of Adz (2010) do que de The BQE (2009), parece, não apenas prolongar o aparente impasse estético de Stevens que, aqui e ali, os “glassismos” de Muhly reorientam (Dessner é virtualmente indetectável), mas, algo mais inquietantemente, pelo aparato cenográfico e grandiloquência, quase (re)anuncia a aventesma do rock sinfónico. Que os céus nos protejam.
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19 December 2012
“All of it’s acting, really”
Charlie Is My Darling/The Rolling Stones Ireland 1965
- Real. Peter Whitehead
(DVD)
Peter Whitehead, ex-aluno do departamento de cinema da Slade School Of Art, em 1965, tinha ainda filmado apenas um documentário educativo sobre ciência (The Perception Of Life) e Wholly Communion – registo da International Poetry Incarnation, um encontro, no Royal Albert Hall, de poetas da "beat generation" (Allen Ginsberg, Lawrence Ferlinghetti, Gregory Corso) e satélites situacionistas (Alexander Trocchi) – e não era ainda o herói contracultural em que se transformaria com Tonite Let’s All Make Love In London (1967) e Daddy (1973, com Niki de Saint Phalle). Bastou Wholly Communion, porém, para atrair a atenção de Andrew Loog Oldham, manager dos Rolling Stones, no exacto momento em que estes, com “(I Can’t Get No) Satisfaction”, haviam destronado os Beatles dos tops britânicos e se preparavam para um digressão de dois dias pela Irlanda.
Oldham desafiou-o a filmar a banda, em palco e nos bastidores, tendo como referência A Hard Day’s Night, dos Beatles, e Whitehead olhou-os como, por essa mesma altura (mas só dois anos mais tarde o saberíamos), D.A. Pennebaker observava Dylan, em Dont’Look Back. Charlie Is My Darling (alusão a uma melodia tradicional irlandesa), contudo, ficaria, durante quase cinco décadas, inédito – versões apócrifas de 30 e 50 minutos circularam quase confidencialmente – para ser redescoberto, agora: a preto e branco, durante 62 minutos, Mick Jagger augura que os Stones durarão, no máximo, mais ano e meio; nas salas de Dublin e Belfast, o eficaz quinteto de rock/blues desencadeia tumultos; nos camarins, os Glimmer Twins macaqueiam Elvis e Fats Domino; cá fora, desmontam o jogo (“All of it’s acting, really”), e, no longínquo universo neo-realista que era a Irlanda dos anos 60, assistimos, em directo, ao parto do mundo que conhecemos hoje.
14 October 2010
CANAL HISTÓRIA
Hitler's Hit Parade - real. Oliver Axer e Susanne Benze
Uma Noite em 67 - real. Renato Terra e Ricardo Calil
NY Export Opus Jazz - real. Henry Joost e Jody Lee Lipes
DocLisboa 2010
(2010)
Hitler's Hit Parade - real. Oliver Axer e Susanne Benze
Como uma voz oriunda de um planeta longínquo e perdido – Londres, 1967 –, Mick Jagger imagina os contornos do futuro próximo onde as máquinas se encarregarão de praticamente todo o esforço laboral e os indivíduos, finalmente livres, fraternos e criativos, não terão de trabalhar mais de quatro horas por dia. Vanessa Redgrave canta em louvor de Fidel Castro, Julie Christie reivindica sol, amor e um gato e, em diversos matizes, David Hockney, Eric Burdon, os Pink Floyd ou Michael Caine, outros "aliens"de um universo distante, traçam o perfil da "swinging London" em Tonite Let’s All Make Love In London, de Peter Whitehead.
Uma Noite em 67 - real. Renato Terra e Ricardo Calil
É um dos exemplos de uma certa atmosfera-canal História que atravessa a programação da secção Heartbeat, do DocLisboa deste ano. Exactamente da mesma época é Uma Noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil, instante de ruptura na música brasileira quando, durante o III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, Caetano, Gilberto Gil e Os Mutantes se defrontaram com a ortodoxia da bossa-nova. Poucos anos depois, em fuga às "tax laws" britânicas, os Rolling Stones refugiar-se-iam no Sul de França para gravar Exile On Main Street, tema de Stones In Exile, de Stephen Kijak.
NY Export Opus Jazz - real. Henry Joost e Jody Lee Lipes
Outras investidas pelo passado encontram-se em What’s Happening: The Beatles In The USA, dos irmãos Maysles, testemunho da beatlemania norte-americana em 1964, Frank Zappa - A Pioneer Of The Future Of Music, de Frank Scheffer, Breath Made Visible (Ruedi Gerber) e NY Export Opus Jazz (Henry Joost e Jody Lee Lipes), em torno dos pioneiros da dança americana, Anna Halprin e Jerome Robbins, e, sobretudo, o magnífico exercício de montagem, Hitler’s Hit Parade (Oliver Axer e Susanne Benze), negríssimo jogo de ironia sobre a iconografia audiovisual do nazismo. Mais centrados no presente, destacam-se B-Side (Eva Vila), mosaico de Barcelona e dos seus músicos, Crossing The Bridge: The Sound Of Istambul (Fatih Akim), travelogue musical de Alexander Hacke, dos Einsturzende Neubauten, pela capital turca, Benda Bilili! (Renaud Barret e Florent de la Tullaye), com músicos de rua de Kinshasa para onde viajam também Jörg Jeshel e Brigitte Kramer em Passion Last Stop Kinshasa, e Retour à Gorée (Pierre-Yves Borgeaud), "road movie" pelos trilhos da escravatura com Youssou N’Dour.
DocLisboa 2010
(2010)
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